sexta-feira, janeiro 30, 2009

 MANIFESTO DA GUANABARA.

O Companheiro Victor Emanuel lendo o Manifesto durante o 3º Congresso Nacional da F.I.B.
Breve Histórico: Durante os dias 22, 23, 24 e 25 de Janeiro de 2009 realizou-se o Fórum Integralista Rio 2009, em que foram discutidosos problemas nacionais e as respectivas soluções Integralistas. Como ponto alto do Magna Encontro, foi amplamente debatido e aprovado pelo Plenário do 3º Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira (F.I.B.) - que reuniu-se sob a Presidência do Companheiro Marcelo Silveira no dia 24 de Janeiro -, o Manifesto da Guanabara, redigido pelo Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da F.I.B., o Companheiro Victor Emanuel Vilela Barbuy. No dia 25 de Janeiro de 2009, às 11h30min., no Largo do Paço, diante do Monumento ao General Osório, o próprio Companheiro Victor Emanuel leu o Manifesto, lançando-o publicamente. Terminada a leitura, aplausos e Anauês saudaram o Manifesto e seu Autor. A seguir, a íntegra do Documento:
MANIFESTO DA GUANABARA.
Preâmbulo

Nós, os soldados de Deus e da Pátria, reunidos no Largo do Paço, nesta histórica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, nesta data natalícia da igualmente histórica cidade de São Paulo do Campo de Piratininga, sob as bençãos de Deus, realidade primordial, suprema e absoluta, e em nome Deste, da Pátria e da Família, lançamos o presente manifesto, sabendo que de nosso triunfo ou derrota dependerá o triunfo ou derrota do Brasil e de que moralmente a vitória já é nossa.

Introdução

Art. 1° - O Integralismo é uma Doutrina que, por Deus, Ser Supremo e Absoluto, pela Pátria, Terra dos Pais, que é também nossa e de nossos filhos nascidos ou por nascer, e pela Família, cellula mater da Sociedade, compreende o Universo de um modo integral, pretendendo edificar o Novo Estado, a Nova Sociedade e a Nova Civilização de acordo com a hierarquia de seus valores espirituais e materiais, segundo as leis que regem seus movimentos e sob dependência de Deus, que criou o Homem à sua imagem e semelhança, lhe conferindo uma destinação superior, um destino transcendente.
Parágrafo único: A hierarquia supracitada, em que se fundam o princípio e o exercício da Autoridade, faz prevalecer o Espiritual sobre o Moral, o Moral sobre o Social, o Social sobre o Nacional e, por derradeiro, o Nacional sobre o Particular.
Art. 2º - O Integralismo é um movimento cívico-político que tem por objetivos a felicidade do povo brasileiro, a Justiça Social, a grandeza da Nação, que deve ser redimida e reconduzida à marcha de seu destino histórico, a edificação de um Estado Ético e de uma Democracia Integral e a criação de uma Ordem Jurídica que - emanada da íntima essência nacional, da Tradição e do Passado Integral da Nação, refletindo, pois, o Brasil real, profundo e autêntico – concretize as normas do Direito Natural, levando sempre em conta as circunstâncias de tempo e de lugar.
Art. 3º - O Integralismo, não defendendo expressamente nem a Monarquia e nem a República e reunindo tanto monarquistas quanto republicanos, não é um sistema de governo e sim um regime, podendo ser implantado tanto numa Monarquia quanto numa República.
Parágrafo único: O Integralismo edificará uma Democracia Integral, que poderá ser coroada ou não, de acordo com a vontade consciente do povo brasileiro.
Art. 4º - Não é possível que haja um Novo Estado, uma Nova Sociedade ou uma Nova Civilzação sem que haja um Novo Homem, sendo em razão disto que o Integralismo prega a Revolução Interior, Revolução do Espírito, mudança de atitude em face da realidade e dos problemas, que necessariamente deve anteceder à Revolução Exterior, Revolução das Instituições, que não pode em hipótese alguma violar a Liberdade, a Integridade e a Intangibilidade da Pessoa Humana, de seu livre-arbítrio e dos Grupos Naturais a que esta pertence e nos quais melhor exerce seus direitos e cumpre seus deveres em face da Sociedade, da Pátria e da Família.


Capítulo I: Da Religião


Art. 5º - O Integralismo é um movimento espiritualista, afirmando a imortalidade do espírito e o amor a Deus e à Pátria Celestial acima de todas as coisas.
Art. 6º - O Integralismo é uma frente ampla espiritualista, reunindo pessoas de todos os credos irmanadas na luta contra o materialismo grosseiro e avassalador, tanto em sua face liberal quanto em sua face comunista.
Art. 7º - O Integralismo se propõe a respeitar a liberdade de culto, desde que o culto não constitua uma afronta à Moral, à Ética e aos Bons Costumes ou uma ameaça à Segurança Nacional, defendendo, em matéria de cooperação religiosa, o regime de Concordata, sem prejuízo da autonomia das partes e visando sempre a grandeza e a felicidade da Nação dentro de suas bases cristãs, do ideal cristão sob cujo signo nasceu e floresceu nossa Sociedade.

Capítulo II: Da Pessoa Humana e de seus Deveres e Direitos Naturais

Art. 8º - A Pessoa Humana, substância individual de natureza racional criada por Deus à sua imagem e semelhança, possui um espírito imortal, dotado de inteligência e de livre-arbítrio, devendo encontrar nos Grupos Naturais e no Estado os meios de melhor cumprir seus deveres e de melhor exercer seus direitos, de acordo com sua natureza transcendente.
Art. 9º - O Ente Humano, que tem o mister de praticar, em sua marcha sobre a Terra, as virtudes que o enobrecem, não deve ter seu valor medido pelos bens que possui ou pela classe social ou etnia a que pertence, mas sim por suas virtudes morais, éticas e cívicas e pelo trabalho por ele exercido em benefício do Bem Comum, compreendido este como o conjunto de condições externas adequadas a permitir o integral desenvolvimento do Homem e dos Grupos Naturais.
Art. 10º - O Ser Humano, que deve ter sua Integridade, sua Dignidade, sua Intangibilidade e sua Liberdade respeitadas pelo Estado, é dotado de Direitos Naturais impostergáveis, sagrados e invioláveis, tais como:
I – O Direito à Vida, desde a concepção até à morte natural;
II – O Direito à Liberdade, desde que usada para o bem;
III – O Direito ao Trabalho, direito de cumprir um dever social e humano, remunerado de forma justa, de modo que o trabalhador progrida e se desenvolva moral, ética, mental, social, política e economicamente;
IV – O Direito à Associação, isto é, o direito de se unir a outras pessoas para formar associações autônomas de ordem cultural, científica, social, econômica, profissional ou recreativa, com o fim de proteger os interesses de seus membros e de fortalecer o Bem Comum;
V – O Direito à Religião, direito de cumprir seu dever de confessar a Deus e de prestar-Lhe culto público e privado;
VI – O Direito à Propriedade, dentro dos limites impostos pelo Bem Comum, ou seja, o Direito de Propriedade exercido de modo justo, em proveito de toda a Sociedade;
VII – O Direito de constituir Família por meio do matrimônio e de organizá-la;
VIII – O Direito à Educação Integral, isto é, à formação física, intelectual, ética, moral, cívica e religiosa.

Capítulo III: Do Direito Natural e do Direito Positivo

Art. 11 – O Ente Humano, na esfera de suas aspirações intelectuais, morais e materiais, possui, como vimos, Direitos Naturais decorrentes de sua própria essência e não do Estado, que tem, com efeito, o dever de respeitá-los.
Art. 12 – A Doutrina do Sigma defende o Direito Natural clássico, concreto e autêntico, opondo-se tanto ao Direito Natural laicizante, abstrato e inautêntico do “Iluminismo” quanto ao estatalismo moral-ético-jurídico caracterizado pela crença de que o Estado é a fonte única e exclusiva da Moral, da Ética e do Direito.
Art. 13 – O Direito Natural clássico tem suas bases assentadas sobre a tradição formada pelos filósofos da Grécia, pelos jurisconsultos de Roma e pelos teólogos e canonistas da denominada Idade Média.
Art. 14 – O Direito Natural deve ser completado pelo Direito Positivo, cabendo a este a concretização das máximas gerais daquele, tomando em consideração as circunstâncias de tempo e de espaço e estando plenamente de acordo com a Tradição Integral e o Espírito da Nação.

Capítulo IV: Da Família

Art. 15 – A Família, instituição natural e divina, tendo por fundamento o matrimônio entre pessoas de sexos distintos, é a cellula mater da Sociedade, o primeiro e mais importante dos Grupos Naturais, posto que constitui o nascedouro da vida social e o repositório das mais lídimas tradições pátrias.
Art. 16 – O Estado deve fazer tudo o que for possível para manter a integridade da Família, respeitando a intangibilidade de seus direitos e lastreando sua autonomia com sólidas bases de natureza econômica.
Art. 17 - A fim de que cumpra sua missão natural e histórica, tem a Família o direito:
I - A salário suficiente para atender a suas necessidades morais, intelectuais e materiais básicas;
II – A moradia digna e sã, tanto no aspecto material como no aspecto moral, e que não seja distante de maneira excessiva do local de trabalho;

Capítulo V: Da Propriedade

Art. 18 – A Propriedade Privada é legítima, uma vez que está de acordo com a natureza humana e porque, de maneira geral, tal regime é o que melhor assegura a utilização dos bens materiais e a Liberdade da Pessoa Humana.
Art. 19 – Os bens materiais da Terra estão destinados, antes e acima de tudo, à satisfação das necessidades sociais da Coletividade, de modo que o Direito de Propriedade deve ser exercido de maneira justa, em proveito de todos. Em outras palavras, a Propriedade deve cumprir sua Função Social.
Parágrafo único: A Propriedade que não exercer sua Função Social deverá ser expropriada para fins de Reforma Agrária (caso esteja localizada na zona rural) ou de Reforma Urbana (caso se situe na zona urbana), recebendo seu proprietário indenização justa e prévia.
Art. 20 – Por Reforma Agrária entendemos o conjunto de medidas visando à revisão das relações jurídicas e sócio-econômicas relativas à propriedade e ao trabalho rural, no sentido de uma mais justa e eqüitativa distribuição da terra e da renda, tendo por fim a promoção da Justiça Social, do Progresso e do bem-estar do Homem do campo e o integral, sustentável e harmonioso desenvolvimento econômico e social do País, com a gradual extinção das formas antieconômicas e anti-sociais de exploração da terra, ou seja, do latifúndio e do minifúndio.
Parágrafo único: A Reforma Agrária de que o nosso Brasil carece é uma Reforma Agrária justa, equilibrada, sadia, integral e democrática, sem propósitos ideológicos de qualquer espécie, do mesmo modo que a Reforma Agrária de que não necessitamos é a Reforma Agrária confiscatória, motivada por interesses de natureza ideológica, em proveito de movimentos propagadores de doutrinas estranhas à nossa Tradição e assentadas no ódio, na violência, no terror e na desagregação moral, ética e social.

Capítulo VI: Do Município, da Pátria e da Nação

Art. 21 – De acordo com a Doutrina Integralista, marcadamente municipalista, o Município, cellula mater da Nação, é uma reunião de pessoas livres e de famílias politicamente organizadas, constituindo um Grupo Natural da Sociedade e devendo ser autônomo em tudo aquilo que respeitar a seus peculiares interesses.
Art. 22 – A Pátria, composta dos mortos que a fundaram, dos vivos que a continuam hoje e daqueles que estão por nascer e a continuarão amanhã, é um patrimônio espiritual, uma amplificação da entidade familiar.
Parágrafo único: O Integralismo prega o patriotismo, sentimento espontâneo e decorrente da Lei Natural.
Art. 23 – A Nação é caracterizada por sua Tradição e formada por seus filhos e pelos Grupos Naturais de que estes fazem parte e em que melhor cumprem seus deveres e exercem seus direitos, consistindo em uma entidade inconfundível, um organismo dinâmico dotado de modo de vida, de fórmula sociológica e de missão próprios, decorrentes de seu Passado e Tradição Integral.
§ 1° - O Integralismo sustenta o nacionalismo sadio, construtivo, justo e ponderado, tendente ao Universalismo e entendido como virtude moral que nos impele a amar e defender a Nação e seus superiores interesses, pressupondo não somente o patriotismo mas também o tradicionalismo.
§ 2° - O nosso tradicionalismo não se confunde com o passadismo ou o conservantismo, sendo antes um pressuposto para o verdadeiro Progresso e a verdadeira Renovação.

Capítulo VII: Da questão étnica

Art. 24 – O Integralismo é contrário a toda e qualquer forma de preconceito étnico, considerando que o Ser Humano não deve ser julgado pela cor de sua pele ou por sua etnia, mas sim por seus valores morais, éticos e cívicos e pelo trabalho que exerce em benefício do Bem Comum.
Art. 25 – A Doutrina Integralista considera que as diferentes etnias são diversas mas não adversas, se opondo, portanto, à “luta de raças” que nossa “esquerda” vem tentando implantar no País.

Capítulo IX: Da questão econômica e social

Art. 26 – A Economia deve ser um instrumento a serviço da Pessoa Humana, ao contrário do que tem ocorrido em geral desde pelo menos a chamada Revolução Industrial.
Parágrafo único: Toda a vida econômica da Nação deve estar subordinada ao Bem Comum e ao fim último do Homem, que é o Sumo Bem, isto é, Deus.
Art. 27 – O Integralismo defende o regime da livre iniciativa, que não se confunde com o do livre mercado, devendo o Estado intervir na Economia, em colaboração com a iniciativa privada, de acordo com o Princípio da Subsidiariedade.
§ 1° - O Integralismo prega que a Economia deve ser dirigida no sentido da supremacia do Social sobre o Nacional e do Nacional sobre o Individual.
§ 2º - O Estado deve se contrapor aos interesses dos grandes grupos econômicos e financeiros internacionais que ameaçam a sua Soberania.
Art. 28 – Questão Social é, em sentido estrito, a questão das relações existentes entre o Capital e o Trabalho, notadamente no que tange à situação da classe operária.
§ 1° - A Questão Social só será resolvida pela cooperação de todos, com a adoção de novos processos de regulamentação da indústria e do comércio, de sorte que se evitem os desequilíbrios tão nocivos à estabilidade da Sociedade, e com a socialização e o aprimoramento constante dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana.
§ 2° - O trabalhador deve perceber salário justo e adequado às suas necessidades, ter participação nos resultados de acordo com seu esforço e sua capacidade e tomar parte nas decisões governamentais.
§ 3° - O Integralismo se opõe a luta de classes , defendendo que estas, sendo diversas mas não adversas, podem e devem viver em harmonia.

Capítulo X: Do Estado e da Constituição

Art. 29 – O Estado Integral, síntese nacionalista do Estado Cristão, é o Estado Ético a um só tempo antitotalitário e antiindividualista, que, não constituindo um princípio e nem um fim, mas apenas um meio, um instrumento a serviço da Pessoa Humana e do Bem Comum, está subordinado a Deus e é transcendido pela Ética e movido por um ideal ético.
Art. 30 – O Estado Integral, síntese de uma hierarquia de grupos, existe para proteger o Homem e não para violentá-lo, devendo promover o Progresso e a Renovação com Permanência e realizar a síntese da Civilização Brasileira na Filosofia, na Literatura, no Direito, nas Artes que exprimirão o verdadeiro Espírito Nacional.
Art. 31 – É ao Estado Integral que cumprirá a defesa da Soberania Nacional e a missão de restaurar a grandeza de nossa Nação e de fomentar o seu prestígio no exterior, fazendo com que ela se torne uma Nação efetivamente respeitada no coro das grandes nações, assumindo o papel de liderança que lhe cabe não só na América do Sul, mas também em toda a dita América Latina, no Mundo Lusófono e Hispânico, em todo o Hemisfério Meridional e mesmo em todo o Orbe Terrestre.
Parágrafo único: O Brasil deve lutar pela fundação de três grandes confederações de Estados irmãos unindo moral, cultural, política e economicamente, de maneira respectiva:
I – Todos os países de Língua Portuguesa;
II – Todas as nações da América Hispânica, ressaltando-se que o Brasil é tão hispânico quanto seus vizinhos, da mesma forma que Portugal é tão hispânico quanto a vizinha Espanha, com quem divide o território da Península Hispânica, ou Ibérica;
III – Todo o Mundo Hispânico, composto por todas as Nações de Língua e de Cultura castelhana e portuguesa.
Art. 32 – A Nação Brasileira necessita de uma Constituição que constitua o espelho do País real, do Brasil profundo e autêntico, Brasil das igrejas e demais locais em que elevamos nossas preces a Deus e dos cemitérios em que repousam os nossos antepassados, Brasil de nossas moradas, onde labutamos pelo nosso pão cotidiano e pelo engrandecimento do Bem Comum, isto é, uma Constituição que, ao contrário das demagógicas, abstratas e artificiais constituições burguesas que temos tido e que refletem idéias importadas da Europa e dos Estados Unidos da América, onde, aliás, não são tão menos abstratas e inautênticas do que aqui.
Parágrafo único: A Constituição, que deve, como toda a Ordem Jurídica, emanar da Tradição Integral do Brasil, tem o mister de consagrar todos os direitos concretos do Homem, delimitando da melhor forma possível as competências de cada um dos órgãos e Poderes do Estado, bem como as diferenças entre este e o Governo.

Conclusão

É chegado o momento de, uma vez mais, acordar as forças ocultas que dormem no seio da Grande Pátria e, assim, despertar novamente o Brasil de seu sono e de seu sonho, o reconduzindo às bases morais de sua formação e ao caminho de seu destino histórico.
É chegado o momento de restaurar o Primado do Espírito e a Filosofia Perene e de reconduzir a Ciência Jurídica ao Direito Natural clássico, a Sociedade à Tradição e as relações internacionais ao Universalismo personalista que a chamada Idade Média tão bem realizou.
Devemos ter em mente que de nossa marcha depende não apenas o futuro do Brasil como também o de todo o Mundo e que de nossa marcha depende, ademais, a vitória ou derrota final de nossa Nação.


Secretaria de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira, São Sebastião do Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2009, no 455º aniversário de São Paulo do Campo de Piratininga.
Anauê!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O Manifesto Integralista de 1932

O MANIFESTO INTEGRALISTA DE 1932

Acácio Vaz de Lima Filho*

Setenta e dois anos são passados, desde que, em Outubro de 1932, Plínio Salgado lançou o seu “Manifesto à Nação Brasileira”, ato inaugural do surgimento da “Ação Integralista Brasileira – A.I.B.”, ulteriormente do “Partido de Representação Popular”, e, por fim, da “Confederação dos Centros Culturais da Juventude” (O Movimento Águia Branca). E a inveterada campanha difamatória lançada ao longo deste tempo contra o Integralismo; campanha partida de fontes marxistas, filomarxistas e liberais, faz surgir a necessidade de esclarecer a geração atual sobre quem era Plínio Salgado, o que é o Integralismo, e quais os seus propósitos.

Em recente artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, o insigne professor Miguel Reale, com a autoridade de antigo Secretário Nacional de Doutrina da Ação Integralista Brasileira, abordou o assunto (Vide “O Integralismo Revisitado”, edição de 28-8-2004). Aqui, como antigo Secretário de Doutrina do inesquecível “Grêmio Cultural Jackson de Figueiredo”, tento dar a minha contribuição sobre a matéria.

O primeiro ponto a ser elucidado é o relativo a ter sido, a Doutrina do Sigma, uma concepção do Universo do Homem, de cunho nitidamente espiritualista. Neste sentido, o Manifesto de 1932 assim tem início: “Deus dirige os destinos dos povos”. Assim, o Integralismo surgiu se opondo à concepção materialista, posta em voga pelo marxismo-leninismo. Sucede que a doutrina de Plínio Salgado se opunha radicalmente, também, ao materialismo da concepção liberal-burguesa da Sociedade!... Este ponto é maldosamente escamoteado pela mídia - em parte, dotada de uma ignorância crassa em História - que timbra em apresentar os “camisas verdes” como cães de fila do capital. Isto é injusto e mentiroso: no livro O Espírito da Burguesia, Plínio Salgado demonstra, de maneira irretorquível, em primeiro lugar, que a burguesia, antes de ser uma classe social, é um estado de espírito, marcado pelo egoísmo e pelo comodismo, e, em segundo lugar, que o comunista e o burguês – ambos materialistas – são o verso e o reverso de uma só realidade...


O Integralismo foi a primeira doutrina filosófica e política a valorizar as raças formadoras da Nação Brasileira: o lusitano, o índio e o negro – em uma época em que os “intelectuais” da moda, influenciados – ainda! – pelas doutrinas européias de Chamberlain e de Gobineau, falavam dos indígenas e dos afro-descendentes como de “raças inferiores”. Nesta ordem de idéias, e insurgindo-se contra o reducionismo da Ciência do Século XIX, a Doutrina do Sigma proclamou que não havia causas isoladas para os fenômenos.

Esta foi a Doutrina Integralista, que, na ordem política, econômica e social, preconizou o Estado Ético (isto é, influenciado pela Moral) e buscou uma “terceira via”, entre os excessos do individualismo burguês e os do coletivismo do Comunismo.

E Plínio Salgado? Inteligência polimorfa e espírito culto, foi pensador, ideólogo, historiador, romancista e ... poeta. Fosse este um país sério, e os seus livros O Estrangeiro, O Esperado, O cavaleiro de Itararé e A Voz do Oeste, seriam de leitura obrigatória na Escola Média. Cultuasse este país a sua própria História, e os cadetes de todas as Escolas Militares, os alunos das Escolas de Sargentos, e os reservistas em geral, seriam levados a decorar o Poema da Fortaleza de Santa Cruz, também de Plínio Salgado.

O papel desempenhado pelos integralistas na recente História do Brasil, atesta a importância da Doutrina do Sigma. A Revolução de Março de 1964 foi deflagrada por um integralista, o general Olympio Mourão Filho. O vigente Código de Processo Civil resultou do labor de um outro integralista, o professor Alfredo Buzaid. A Teoria Tridimensional do Direito do professor Miguel Reale (que poderia ser chamada de “Teoria Integral do Direito”), reflete a concepção do Universo e do Homem defendida por Plínio Salgado. E o novo Código Civil foi o fruto do trabalho de uma comissão de juristas chefiada pelo integralista Miguel Reale... Indo além, a Igreja Católica, no Brasil, começou a se preocupar seriamente com os problemas sociais, pela voz do integralista padre Hélder Câmara. Quando a Revolução de Março de 1964, desviada da sua pureza original, desembocou em uma tecnoburocracia insípida, foi o integralista professor Goffredo da Silva Telles Júnior quem, na “Carta aos Brasileiros”, externou os reclamos da nacionalidade!...

Hoje, quando a mídia, a serviço de interesses internacionais inconfessáveis, aponta como modelo para os jovens um homossexual e usuário de drogas, redobra o meu orgulho pelo fato de, em minha juventude, ter pugnado pelos valores da tríade “Deus, Pátria e Família”, na qual continuo a acreditar, pois busco vivenciar o conselho com que Plínio Salgado encerra o “Código de Ética do Estudante”:

“Se és incapaz de sonhar, nasceste velho. Se os teus sonhos te impedem de agir segunda a realidade, nasceste inútil. Se, porém, és capaz de transformar sonhos em realidades, e tocar as realidades que encontras com a luz dos teus sonhos, então, tu serás grande na tua Pátria, e a tua Pátria será grande em ti!”

* Acácio Vaz de Lima Filho, Bacharel, Mestre e Doutor em Direito pela USP (Largo de São Francisco), é Advogado e Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Publicado originalmente na Gazeta de São João, São João da Boa Vista (SP), em 23-10-2.004, Sábado, pág. 4.
Nós o transcrevemos do periódico Integralista “Sei que vou por aqui!”(dirigido por Gumercindo Rocha Dorea), Ano 1, São Paulo, setembro-dezembro de 2004. Nº 2, págs. III e IV.


sábado, janeiro 03, 2009

A VERDADEIRA MISSÃO DA JUVENTUDE.
Explicação mais que necessária:
Esse texto foi originalmente escrito (1957) para orientar os membros dos Centros Culturais da Juventude, que no seu período de apogeu chegou ao número de 500 Grêmios, reunidos na Confederação dos Centros Culturais da Juventude, presidida por Gumercindo Rocha Dórea e tendo Plínio Salgado como Presidente de Honra. Todos os Grêmios tinham denominações que homenageavam os grande vultos da Nacionalidade, e de seus quadros (os famosos "Águias Brancas") saíram Filósofos, Historiadores, Juristas, Ministros, Secretários de Estado, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos e Vereadores, Professores, Empresários, Sociólogos, Economistas, Escritores, enfim, Brasileiros que se destacaram nas suas respectivas esferas de atuação.

Julgamos de grande oportunidade reproduzir na íntegra esse magistral escrito do Chefe Nacional Plínio Salgado, pois, lamentavelmente, indivíduos pérfidos que se dizem Integralistas estão desorientando jovens apresentando como Integralismo algo que está longe de sê-lo, criando organizações pseudo-Integralistas e engajando jovens ingênuos em atividades que nada têm de Integralistas. Que tais jovens leiam o Texto do Chefe Nacional a seguir, e comparem os rumos apontados por Plínio Salgado com os que são transmitidos pelos chefetes caricatos que os guiam, e tomem uma decisão consciente: Ou ficam com o Integralismo, o autêntico, o do Chefe Nacional Plínio Salgado, ou ficam com o pseudo-Integralismo. E depois, não venham dizer que ninguém os alertou!

A VERDADEIRA MISSÃO DA JUVENTUDE

Plínio Salgado
Se a juventude traz consigo o Amanhã da Pátria é porque dela deverão sair os responsáveis pela sobrevivência da Nação. Prepará-la para que produza os valores humanos, de que a comunidade nacional precisa, deve ser toda a nossa aspiração e o nosso esforço.

A mocidade não se prepara nas ruas, no fragor das batalhas transitórias. Lançar os jovens nas empresas de demolição do Mal, sem a iniciação prévia na ciência e na arte de construir o Bem, será desviá-los de um destino superior. As mais belas campanhas, se resultantes do improviso, hão de ser, inevitavelmente, como estrondo das ondas na superfície do mar. As ondas facilmente se deixam levar pelo magnetismo da lua ou pelos ventos inconstantes que sopram em todas as direções. Só as águas profundas resistem. Só elas trazem consigo as potências da irredutibilidade.

A irredutibilidade no Homem é a estrutura do caráter. O caráter se forja pelo concurso de três elementos: Personalidade, Cultura e Educação. Desenvolver a personalidade, enriquece-la pela cultura, dar-lhe ritmo pela formação moral e espiritual - eis o que nos cumpre quando nos entregamos no magistério da palavra esclarecedora e da ação criadora, no esforço de suscitar o advento de grandes homens para a Pátria.

A mobilização dos moços para uma campanha de moralização, de luta contra os desmandos e contra a degradação dos costumes é iniciativa que merece todo respeito; mas é expediente empírico, visando o tratamento meramente sintomático da enfermidade social. Não vai às raízes da moléstia. Não procura as causas históricas das desgraças que lamentamos.

O conceito moral depende de uma concepção de vida. A concepção de vida decorre do conhecimento da verdade e da compreensão da realidade. Pois a mesma verdade pode ser desvirtuada e abastada na concretização dos seus objetivos, se a mente desavisada opera sob a injunção de circunstâncias desconhecidas.

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Se queremos estabelecer o império da Moral, cumpre-nos promover, antes de tudo, a iniciação dos espíritos nos conhecimento do "verdadeiro" e do "real". Cumpre-nos traçar, com firmeza, a própria definição da moralidade. Do contrário, perder-nos-emos na confusão que o utilitarismo inglês de Bentham e de James Mill lançou sobre o século XIX, a tal ponto que se tornaram imprecisas e contraditórias as noções do "útil" e do "justo". Foi tal a confusão que desnorteou a humanidade, produziu o pragmatismo americano - essa filosofia de mercadores; - o cientificismo evolucionista, que inspirou o delírio de Nietzsche, a gritar nas torres do Pensamento, e as conclusões de Marx, a resmungar e a conspirar no rés-de-chão, dos armazéns de comestíveis e, finalmente, os torpes postulados dessa moderna metafísica de Limpeza Pública, que vibra na pituitária dos faxineiros de Freud.

A iniciação dos espíritos jovens exige trabalho metódico, sistemático. Repele o "dispersivo" para se ater ao "reflexivo". Evita o "extenso" para que predomine o "intenso". E não se entrega à exteriorização sem precede-la de longos dias de interiorização.

O jovem deve construir-se primeiro, para depois pensar em construir a sociedade. A autoconstrução não se faz nas praças públicas nem no fragor das manifestações coletivas; pelo contrário, forja-se no estudo, na meditação, na discussão, na troca de idéias.

Os comícios na ágora de Atenas nada legaram nem para o futuro da Grécioa, nem para o futuro do mundo. Mas os diálogos de Sócrates, os passeios de Aristóteles, o recolhimento nos jardins de Epicuro produziram homens no seu tempo, no tempo da posteridade helênica e romana e até nos dias de hoje.

Os missionários da Companhia de Jesus não se entregavam a vida apostolar senão depois dos prolongados exercícios de Santo Inácio. Construiam-se primeiro, para depois construir os outros.
João Batista não começou a sua campanha contra os desregramentos da sociedade herodiana, sem antes se recolher, anos a fio, nos descritos da Peréia. E a sua réplica anti-Cristã, configurada no Zaratustra de Nietzsche, não iniciou a propaganda do Super-Homem sem ter antes construído a própria personalidade na montanha silenciosa.

A epopéia das Navegações foi precedida pela Escola de Sagres, mas antes desta o preparo se realizara no Castelo de Tomar pelos Freires de Cristo, que por sua vez guardavam as tradições dos Templários.

Não se improvisa um Bolivar, que para suas empresas se preparou culturalmente em longos anos de estudos e de viagens. E um José Bonifácio não surge por acaso no cenário da Independência, porque o Patriarca foi o resultado de uma auto-construção através de longas peregrinações e meditações sobre quanto ia observando na vida dos povos.

A cerimônia ritual em que se armavam os cavaleiros da Idade Média – guerreiros teutônicos ou paladinos da Távola Redonda do Rei Artur – era precedida pelas vigílias d’armas, que simbolizavam a preparação do herói. A vigília d’armas, em nosso tempo, há de ser o adestramento intelectual e a formação moral. Sem isso, não conseguiremos reformar os costumes nem produzir os homens de que o Brasil vai precisar daqui a cinco ou dez anos.

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Se os nossos estabelecimentos de ensino fabricam apenas profissionais e são insuficientes para incutir nos moços brasileiros os sentimentos de civismo, a noção dos deveres, o espírito público; se nos próprios lares, na sua atmosfera materialista e egoísta, as crianças e os adolescentes já não encontram àquele ambiente que propicia o florescimento das virtudes, a aspiração à vida heróica - então, de que elementos nos iremos valer, buscando a Mocidade, para dar ao Brasil aquilo de que essa mesma mocidade está necessitando? Não será perigoso lançar a Juventude, sem os parafernais dos conhecimentos que ela própria possa administrar em seu proveito, numa campanha - ainda que benemérita - em prol de uma indefinida moralidade empírica, sem base de uma formação religiosa, filosófica, histórica e sociológica? Não se transformarão os comícios e as agitações da praça pública em formas de derivativos, a substituir os divertimentos em que se estiola a maioria dos moços em nosso país? Não haverá o perigo de se tornarem os jovens (que é tudo o que esta Pátria ainda possui de esperança) em instrumentos de interesses político partidários?

Moralidade por oposição e visando destruição sem sentido de construção, é moralidade de superfície, promotora de escândalos públicos e sem nenhum resultado positivo para o futuro de uma Pátria que está precisando, antes de tudo, elevar seu nível cultural. Pois se no Brasil existem negociatas, malversações de dinheiros públicos, oligarquias parasitárias, venalidade de funcionários, domínio do suborno e da gorjeta, esbanjamentos e irresponsabilidades, preguiça e imprevidência, ambições irrefreáveis e sensualidades irreprimíveis, temos de convir que o responsável inconsciente por tudo isso é o próprio povo que prefere, sistematicamente, nos comícios eleitorais, os que fazem mais barulho, os que gastam mais dinheiro, os que acenam com mais promessas, os que se mostram mais ignorantes e grosseiros.

Por conseguinte, o problema da moralidade é um problema de cultura. E o problema da cultura popular (formação da consciência de um povo) só será resolvido forjando-se uma geração que possa fazer valer, em face da inversão de todos os valores, os legítimos direitos de orientação de uma forte aristocracia intelectual e moral.

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Forjar essa geração - eis o de que o Brasil precisa. Esse o motivo da fundação em todo o país, dos Centros Culturais da Juventude, filiados à Confederação, que lhes dá unidade, dentro da mesma linha de direção filosófica. Nesses centros se organizam bibliotecas, estimulando-se a leitura dos grandes pensadores do nosso tempo; realizam-se cursos de filosofia, sociologia, história, doutrinas econômicas, geografia; promovem-se conferências sobre temas de interesse humano e nacional; comemoram-se as datas importantes da História Brasileira; estudam-se as personalidades dos nossos estadistas, filósofos, pedagogos. Economistas, militares, artistas, prosadores e poetas; - e mais do que tudo – nesses grêmios se procura criar a mística das virtudes, dos sacrifícios, dos heroísmos, num sentido cristão e consoante os sentimentos mais puros de brasilidade.

Que se lancem campanhas pela moralidade nacional e que para ela se mobilizem os moços, contra isso não podemos, em princípio, nos opor; mas que essas campanhas distraiam a juventude do esforço que ela deve empregar no sentido de construir-se por meio de uma revolução moral interior e de uma elevação intelectual indispensável, contra esse desvio nos opomos. E se uma campanha dessa natureza vier a servir ao interesse de partidos políticos ou da "demagogia da honestidade", que, à mingua de outros predicados de nossos homens públicos, se apresenta hoje como cartaz para a conquista de postos eletivos, então devemos ter a coragem de condená-la. E se, ainda, a habilidade técnica do comunismo internacional intervier sub-repticiamente para utilizar-se como "massa de manobra", desse patrimônio da Pátria, que é Juventude, coordenando-a, sem que ela o perceba, como tem feito a todos os nobres e puros movimentos da opinião sentimental e desprevenida no que respeita às artimanhas dos pescadores de águas turvas, nesse caso devemos estar alertas para prevenir os que não se preparam para conhecer os fatores intervenientes e as circunstâncias advenientes que surpreendem sempre as melhores intenções.

Escrevo estas linhas para os duzentos Centros Culturais da Juventude filiados à Confederação. Para que os seus associados as leiam, as meditem, pondo-se de sobreaviso, e redobrando os seus esforços na obra serena, firme, impertubável, perseverante da construção de suas próprias personalidades como fundamento da construção do Brasil de Amanhã.

(Plínio Salgado. Reconstrução do Homem. 1ª edição. Rio de Janeiro. Livraria Clássica Brasileira. S/data. Págs. 103 e segs.)

Algumas reflexões antes do Congresso "Integralismo para o Século XXI"

Explicação necessária:
O Companheiro Léo Matos - que é o responsável pelo magnífico Portal "Sigma Integralista" -, resolveu alinhavar algumas reflexões como contribuição ao 1º Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira, em Dezembro de 2004. No momento em que está prestes a realizar-se o Fórum Integralista Rio 2009, julgamos oportuno republicar tal Texto, como subsídio aos Companheiros que se reunirão na Cidade do Rio de Janeiro para traçar os destinos do Integralismo, do Brasil e do Mundo.


Algumas reflexões antes do Congresso "Integralismo para o Século XXI".

Léo Matos.*

A Democracia é algo que agrega. O problema é que hoje se confunde Democracia com o sufrágio universal. O sufrágio universal não é a Democracia, ao contrário, destrói a Democracia, pois promove a ditadura da maioria, geralmente cega, manipulada pelos donos do capital.

A Democracia Orgânica, com base nas classes profissionais, o voto familiar e a eleição indireta para cargos do executivo faria uma Democracia funcionar.

Jamais um Camisa Verde verdadeiro pode-se dizer defensor de ditaduras. Ditaduras são manifestações de povos pouco evoluídos, em que as forças vivas da nação ainda não têm capacidade de se fazer presentes na direção da nação. Um Integralista deve saber exatamente o significado e o funcionamento da Democracia Orgânica, que é a Democracia de fato e não o democratismo do sufrágio universal.

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O Integralismo não é de direita. As denominações de direita e esquerda foram criadas para designar os adeptos da economia clássica e do materialismo histórico.
Os frutos da economia clássica e do materialismo histórico são três: Comunismo e seus descendentes, o Liberalismo e seus descendentes e o Autoritarismo e seus descendentes.
O Integralismo, na base, já não pode ser classificado como esquerda ou direita, pois, confia toda a estrutura de sua Doutrina na Concepção Espiritualista do Mundo, e não materialista.

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Empresas multinacionais, não devemos proibi-las. Devemos controlá-las com a ferramenta chamada legislação. O lucro gerado é declarado à receita. É só exigir que esse lucro, ou a maioria (80% ou 90%), deverá ser reinvestido aqui mesmo em nosso território. E ainda, esses 10% restantes seriam altamente taxados quando deixassem nosso país.

Na verdade, para simplificar, devemos preparar "armadilhas" legislativas para que as empresas venham, fiquem e que reinvistam dentro do país. O que acontece hoje é que elas têm lucros e mandam tudo para fora. Sei que isso pode afastar empresas de médio porte, porém empresas grandes continuarão interessadas no país, pois, nosso mercado é muito bom.

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Enfim, algumas medidas sugeridas:
1º Uma reforma política, acabando com os partidos políticos que dividem a nação e o sufrágio universal, fazendo a Democracia Funcional Orgânica, onde os representantes de cada classe profissional elegerão seus representantes dentre eles, acabando com a falta de representatividade da Democracia atual. Os congressistas eleitos escolherão os líderes executivos.

2º Substituição do senado (poder dos estados) pela Câmara Orgânica (poder das classes profissionais).

3º Diminuição do poder dos estados (estados dentro dos estado), transformando-os em Províncias.

4º Privilegiar os Municípios e não as Províncias no repasse de recursos.

5º Incentivo ao ensino moral e cívico em todas as instancias do ensino.

6º Valorização legislativa da instituição familiar, com a legalização do voto familiar, que seria inserido na Democracia Orgânica, valorizando o grupo social que precede todos os outros.

7º Valorização das Forças Armadas e subordinação das policias estaduais à policia federal.

8º Acabar com a reeleição.

9º Programas de recuperação e valorização cultural.

10º Programas de incentivo aos empreendimentos, com o objetivo de desafogar o mercado de empregos.

11º Admitir e procurar a posição de liderança da América do Sul e África.

Termino relembrando um trecho do Capítulo 7º do Manifesto de Outubro:
"A questão social deve ser resolvida pela cooperação de todos, conforme a justiça e o desejo que cada um nutre de progredir e melhorar. O direito de propriedade é fundamental para nós, considerado no seu caráter natural e pessoal."

* Σ – São Paulo – SP.

sábado, dezembro 27, 2008

FÓRUM INTEGRALISTA RIO 2009.

Brasileiros!
Em 2009 serão realizados dois Fóruns no Brasil: O Fórum Social Mundial e o Fórum Integralista Rio 2009. O primeiro - uma reunião onde estrangeiros e Brasileiros apátridas simularão um discurso de dissidência à Globalização, trata-se de oposição consentida ao Capitalismo Financeiro Internacional -, terá ampla cobertura de toda a Imprensa, Nacional e Internacional; o segundo, o Fórum Integralista Rio 2009, não terá qualquer cobertura jornalística, exceto por alguma ocasional notícula, invariavelmente caluniando o Integralismo, como é praxe. Todavia, se o Fórum Integralista não é financiado pelo Banqueirismo Internacional, se o Fórum Integralista não terá a presença de milhares de assalariados de Ongs, se o Fórum Integralista não terá uma linha benévola do Jornalismo, o Fórum Integralista terá em compensação algo muito mais precioso: VOCÊ! Sim, você, Brasileiro Consciente, que não se deixa levar e imbecilizar pelo lenga-lenga "politicamente correto". Você, Brasileiro Inteligente, que pensa com a própria cabeça, não aceitando que os meios de comunicação de massa ditem o que deve ser pensado. Você, Brasileiro Politizado, que crê na Verdadeira Liberdade e que recusa participar dessa pantomima, dessa farsa grotesca, que é a falsa liberdade com que o Liberalismo vem enganando os Povos. Você, Brasileiro Nacionalista, que recusa terminantemente o internacionalismo, seja o de direita (Capitalismo), seja o de esquerda (Marxismo). Sim, com a parcela esclarecida da População Brasileira pode contar o Fórum Integralista Rio 2009, enquanto o Fórum da burguesia podre só poderá dispor dos milhares de empregados das Ongs, mas, que serão exibidos na TV como milhares de participantes ‘voluntários’ vindos de todo o mundo...
Portanto, Brasileiro, seja você Integralista ou não, compareça ao Fórum Integralista Rio 2009, pois, sua participação é fundamental para traçarmos os Rumos de nossa Pátria. Mais uma vez, o Integralismo, reafirma o seu papel de Porta-Voz autêntico do Povo Brasileiro, e todos os que amam a Nação Brasileira não poderão deixar de trazer sua contribuição para a Construção do Brasil Grande que todos sonhamos.
Veja o Vídeo sobre o Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismo.org.br/novo/?
Leia mais sobre o Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismorio.org/rio2009/
Inscreva-se no Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismorio.org/rio2009/inscricao.html
Quaisquer dúvidas sobre o Fórum Integralista Rio 2009, escrevam para: rio2009@integralismorio.org
Brasileiro, PARTICIPE!

Pelo Bem do Brasil!
Anauê!
Sérgio de Vasconcellos.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O Homem Integral, de Plínio Salgado, seria o mesmo que o Super-Homem, de Nietzsche?*

Sérgio de Vasconcellos.**
Em 1991, o Companheiro Ubiratan Pimentel empregou, no Manifesto da Ação da Juventude Integralisa – JI., a expressão “super-homem”. Imediatamente, diversos Integralistas protestaram – Oldemar Veiga Magalhães (de Santa Catarina), Jáder Araújo de Medeiros (do Rio de Janeiro) e outros -, pois, sustentavam que a concepção nietzscheana era anti-Cristã, logo, incompatível com o Integralismo.

Diante da geral reclamação, o Companheiro Pimentel veio a público dar as explicações necessárias:

1º. Que apesar do Manifesto ser destinado ao Jovens de todas as Idades, pois, conforme a Palavra de Ordem do Chefe Nacional Plínio Salgado, no Integralismo ninguém envelhece, ele não poderia ignorar os leitores mais jovens cronologicamente, para os quais o termo “super-homem” é familiar e certamente teria aceitação por causa de uma certa história em quadrinho e não pela obra filosófica de Nietzsche.

2º. Que o próprio Plínio Salgado utilizara o termo “super-homem”, mas, conceituando-o de forma distinta da de Nietzsche. Se bem que, o Chefe posteriormente substituira “super-homem” por “homem superior”, justamente para impedir que os pescadores de águas turvas o fizessem ser partidário de idéias que nunca perfilhou. Eis as palavras exatas de Plínio Salgado:
“Evidente que, após tão largo período, em que nunca descansei no estudo dos problemas humanos e nacionais, tive de exercer sobre mim mesmo uma autocrítica rigorosa, expungindo de quanto anteriormente havia escrito tudo aquilo que se prestasse a interpretações deformadoras da doutrina que esposo. Meus mais recentes trabalhos ganharam em clareza de exposição e em capacidade estilística e didática, apresentando-se com a terminologia e as expressões mais adequadas à tradução do pensamento espiritualista, cristão, nacional-brasileiro, que é a espinha dorsal da minha construção filosófico-política”(1).

3º. Que sendo fato inquestionável o seu caráter de Integralista ortodoxo, não poderia a expressão “super-homem”, usada no Manifesto de sua Autoria, ser entendida fora do Conceito de Homem Integral, e que, portanto, o “super-homem” proposto aos Jovens da J.I. era o oposto do “super-homem” de Nietzsche.

Tais explicações foram perfeitamente aceitas pela Velha-Guarda, que considerou-as satisfatórias e corretas, tendo o Manifesto da J.I. ampla difusão nos meios Integralistas, circulando como panfleto ou sendo publicado em periódicos Integralistas, como o “Alerta!”, do saudoso Companheiro Arcy Lopes Estrella.

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Hoje, volvidos tantos anos, toda uma nova geração aproximou-se do Sigma, mas, no entanto, muitos jovens tem idéias completamente equivocadas sobre a nossa Doutrina. Sem conhecimentos exatos das nossas Idéias, ouvindo falar que sustentamos os Conceitos de “Vida Heróica e Revolucionária”, de “Homem Superior”, de “Super-Homem”, de “Homem Integral”, de “Homem Novo”, e sem preocupar-se em apreender e aprender o que queremos dizer com tais expressões, associam-nas ao “super-homem” de Nietzsche, que, aliás, só conhecem imperfeita e superficialmente. Assim, assistimos estupefactos o surgimento de um Integralismo nietzscheano, uma monstruosidade ideológica, fruto da ignorância de muitos e da má-fé de alguns. Cumprimos, pois, um dever, vindo desfazer essa confusão, expondo o Conceito de Homem Integral, genialmente proposto por Plínio Salgado, confrontando-o com o “super-homem” imaginado por Nietzsche.

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Desacreditando de Deus e desprezando aos Homens – particularmente aos seus contemporâneos alemães -, toda a obra de Nietzsche é fruto de uma necessidade existencial de tentar forjar uma Filosofia que substituísse as Crenças Cristãs Protestantes em que fora criado.

Assim, Deus é substituído pela “terra”, a Imortalidade da Alma pelo “eterno retorno”; para substituir Nosso Senhor Jesus Cristo inventa “Zaratustra” (que não deve ser confundido com o Zaratustra ou Zoroastro histórico); propõe a transmutação de todos os valores, a adoção da “moral dos senhores” que substitui a “moral dos escravos, isto é, a Moral Judaico-Cristã; o Homem Novo paulino, fraco e covarde no seu entendimento, deve ser suplantado pelo “super-homem”, orgulhoso e sem compaixão. Lamentavelmente, escapa inteiramente aos limites e finalidade deste, examinar a filosofia de Nietzsche(2), cotejando-a com a Filosofia Integral. Passemos, pois, ao super-homem.

Não reconhecendo nenhuma realidade além da material, Nietzsche, só admitia no homem a dimensão corporal, não existindo uma alma, nem qualquer forma de sobrevivência pós-morte, exceto pelo “eterno retorno”. Ora, Nietzsche só enxergava nos homens os seus vícios e fraquezas – fúteis, vaidosos, mentirosos, vis, mesquinhos, pusilânimes, subservientes, comodistas, etc. -, e atribuía ao Cristianismo a origem de tais males, com sua “moral de escravos”, com o seu niilismo. Então, preso as concepções evolucionistas de sua época, afirma que o único papel do homem é ser o elo intermediário entre o macaco e o super-homem. Que o super-homem seria senhor de seu próprio destino, criador de sua própria tábua de valores morais, um aristocrata que só reconheceria como igual, um outro super-homem. Tudo aquilo que o Cristianismo reconhece como valores morais edificantes – a humildade, a paciência, a mansuetude, o amor ao próximo, etc -, são inexistentes no super-homem que cultiva outras virtudes, virtudes mais elevadas, mais belas, pois, não negam a vida, afirmam-na em sua implacabilidade. Eis as virtudes morais do super-homem: Crueldade, egoísmo, amoralidade, completa falta de compaixão, enfim, exercício livre de sua “vontade de potência”. Exemplos históricos de super-homens: César Bórgia e Napoleão Bonaparte, que não se detinham diante de coisa alguma para dar plena expansão a vontade de poder.

O super-homem é a exaltação máxima, ensoberbecida e desenfreada do Individualismo. “O Homem, no individualismo, hipertrofia-se. Ele parte de Rousseau e vai a Nietzsche”(3). Nada, portanto, mais distante do Pensamento Integralista, que é Espiritualista, Cristão, democrático e pluralista.

Eis o que o Chefe disse sobre Nietzsche, em Discurso na Câmara Federal, na Sessão de 30 de Novembro de 1961:

“Surgiram concepções do homem, as mais variadas, no século passado(4),as quais ainda influem poderosamente nas mentalidades de nosso tempo; e cingindo-se todas elas a interpretações fragmentárias, ou confusas. Examinemos algumas. A concepção de Frederico Nietzsche: entendeu ele, baseado no evolucionismo inglês e no materialismo dominante em quase toda a Europa, que o homem atual é uma transição apenas para a realização do homem do futuro. Pregou a teoria do super-homem anticristão, contrário a toda idéia de piedade ou complacência. Pregou a doutrina do orgulho e da crueldade, e justificou, mediante a evolução das espécies e as teorias materialistas, toda a atitude humana no sentido da ambição do poder.

“Essa concepção do homem agigantado, que ultrapassa a linha média de sua própria realidade, teve em contraposição o conceito marxista do ser humano. O conceito marxista é contrário ao de Frederico Nietzsche, que concebia o homem agigantado, o homem forte, o homem violento, o homem orgulhoso, inimigo de toda bondade cristã. Frederico Nietzsche foi sincero, foi um dos homens mais sinceros de seu tempo. Anti-Cristão, pregou abertamente o anti-Cristianismo, já no seu livro Assim Falava Zaratustra , já nas páginas audaciosas do Anticristo, onde se sublinha nas expressões do seu ateísmo, do seu materialismo e da sua mensagem aconselhando a violência, o arbítrio e o domínio”(5). 

Numa Conferência pronunciada em 1944, durante o seu exílio em Portugal, Plínio Salgado vai fazer as seguintes paradoxais ponderações:

“Como conseqüência de todas essas correntes do pensamento e do cientificismo experimentalista de Lamarck, Darwin, Wallace, Haeckel e dos seus predecessores no século XVIII, cujas raízes mais remotas se embebem no indutivismo de Bacon, surgiram duas figuras de grande atualidade em nossos dias: Frederico Nietzsche e Karl Marx.

“Ambos se servem do individualismo, para fins aparentemente opostos mas, na realidade, os mesmos.

“É curioso notar como ambos investem furiosamente contra o Cristianismo. Enquanto Nietzsche acusa a doutrina de Cristo de ser a doutrina da tristeza, da humilhação, da subserviência, contrária à livre expansão das forças heróicas do homem, o outro, Karl Marx, aponta a religião do Mestre, e todas as outras, como um empecilho ao desenvolvimento da luta de classe e da revolução do proletariado.

“Tendo por objeto de sua elocubrações esse mesmíssimo homem que os panfletários materialistas indicavam como o centro das concepções religiosas do universo, tanto Nietzsche como Marx não consideravam a criatura humana dentro daquele senso de proporcionalidade que nos veio do Evangelho e que se exprime em tão harmoniosa forma na “Filosofia Perene” de Tomás de Aquino.

“Nietzsche viu o homem, porém hipertrofiado na desmedida ambição do domínio e na expansão de todas as forças bárbaras da violência implacável e do sonho insensato de poder e de glória. É o Super-Homem esmagando todos os preconceitos morais e sacrificando os seus semelhantes na construção de um mundo de refulgentes castelos e lendários heróis. É o Ser Humano repelindo a caridade e a humildade, como virtudes negativas ao convívio esplêndido dos fortes, e forjando o coração como o aço frio das espadas.

“Marx viu também o Homem, porém, amesquinhado e reduzido pelo egoísmo vulgar e pela aspiração a um nivelamento destrutor das marcas expressivas da personalidade. O homem deslocado dos grupos naturais, isolado no individualismo, depois pulverizado pela concorrência capitalista e pelas triturações da “cluta de lasse”; finalmente fundido no rebojo da revolução e transformado em simples molécula na pasta amorfa da grande massa plasmável ao gosto dos dirigentes cruéis. Não mais o Super-Homem de Nietzsche, mas o Sub-Homem, o Homo Economicus a que se reduziu o Homo Sapiens; o Homem sem Deus, sem Pátria, sem Família, sem moral e – o que é mais doloroso! – sem aquilo que o seu egoísmo mais amou: a sua liberdade.
“Sim: essa famosa liberdade de que tanto lhe falaram terá sido apenas um andaime para a construção do edifício socialista; e agora, que a construção terá terminado, para que serve a liberdade senão para esconder a obra dos grandes arquitetos?

“É aqui que se encontram Nietzsche e Marx. Partiram de extremidades opostas, mas atingiram o mesmo ápice. Ambos filhos do individualismo de Rousseau e do materialismo científico, e tomando como base de seus raciocínios o egoísmo implacável do Homem na ânsia de satisfazer os seus instintos: o primeiro proclama o direito dos étnica e biologicamente privilegiados se elevarem dominadoramente sobre as massas, ao passo que o segundo reivindica para as massas o direito de absorverem todos os seres humanos na expressão uniforme de um coletivismo arrasador.

“Cria Nietzsche o monstro Singularidade Humana, feroz como os deuses antigos, tendo por pasto de seus apetites as multidões inermes. Cria Marx o monstro Pluralidade Humana, terrificante e tenebroso, alimentando-se de todos os caracteres específicos da personalidade, apagando relevos e polindo arestas de tudo o que no Homem possa revelar a originalidade do seu espírito.
“Entretanto, para existir o Super-Homem de Nietzsche, é necessário que exista a massa coletiva dos Sub-Homens de Marx. E para que exista o coletivismo marxista é forçoso existirem Super-Homens dirigentes, de fisionomia, estrutura, sensibilidade e concepção da vida exatamente as mesmas descritas no tipo dominador, engendrado pela poderosa alucinação de Nietzsche.

“E, dessa maneira, as duas mais eloqüentes antíteses, criadas no século XIX, encontram-se e fundem-se na mesma expressão delirante de um mundo de brutalidades e de rebaixamento do Homem; do Homem que se pretende arrancar do trono que Deus lhe outorgou desde o instante em que a argila foi animada pelo sopro divino do Criador.

“Não é, pois, para nos admirarmos que os dois pensamentos – o de Frederico Nietzsche e o de Karl Marx – hajam dado origem a normas de vida em tudo semelhantes e tão contrárias ao sentido de equilíbrio e de harmonia que procede da religião cristã”(6). 

E na Faculdade de Direito do Recife, em 1933, Plínio Salgado vai nos dizer:

“Entretanto, contrapondo-se à mediocridade do pensamento burguês, e ao oportunismo conformista dos adeptos de Marx, ergueu-se uma voz no século XIX, que vibrou como um protesto universal. Foi a voz de Frederico Nietzsche.

“Contra o individualismo rasteiro, da democracia liberal, e contra o coletivismo, anulador da personalidade humana, o pensamento gritante do criador de Zaratustra tem o valor de uma revolta, sibilando, como um chicote de fogo às faces do século científico.

“Em Nietzsche encontramos a atitude anticristã do desprezo aos humildes, de glorificação dos homens superiores. Atitude condenável de orgulho, de superdivinização dos heróis, ela teve o mérito, porém, (tão certo é que Deus fala pela boca de seus próprios inimigos), de mostrar, no instante em que delineava a marcha coletivizadora, a anulação completa do indivíduo, prestes a transformar-se em peça da máquina, esta verdade suprema: - O Homem existe!

“E Nietzsche é a grande luneta de aumento, na hora em que o homem começava a perder a estatura moral e a desaparecer escravizado na massa.

“Eis porque hoje verificamos que Nietzsche foi também um trecho da verdade, deturpada pelas projeções exageradas com que se apresentou.

“Era preciso que aparecesse Marx, para mostrar as conseqüências de uma civilização materialista. Marx, por certo, é o próprio interprete da burguesia, falando uma linguagem estranha, que a sociedade materialista, em pavor, não reconhece. E a voz de Marx, é a sua própria voz!

“Ele quer a destruição do indivíduo, que será assimilado, para sempre, no monstro Coletividade. O deus de Comte, burguês prudente e cauto, transfigura-se no Moloch aterrador do socialismo. O homem se animaliza; torna-se menos do que um animal, porque é uma peça de máquina.

“Sobre esse panorama da miséria, reboa a voz de Zaratustra que desce da montanha.

“Mas ele, sendo também o erro, é o contra-veneno de Marx.

“O marxismo quer os anões do Niebelungen; Nietzsche conclama os gigantes da montanha.

“Nós, Integralistas, não queremos nem o anão, nem o gigante, mas, apenas, o Homem.

“O Homem Integral”(7).

Mas, então, afinal, o que é o Homem Integral? E por que Homem “Integral”, e não simplesmente o “Homem”?

A expressão “Homem Integral” foi e é necessária na medida em que realça, que assinala, que caracteriza a nossa Concepção do Ser Humano, isto é, que o Homem deve ser compreendido na sua inteireza, íntegro. A Concepção Integralista do Homem se distingue exatamente por isso: Enquanto destacados Pensadores, nos últimos três séculos, tendo abandonado o realismo filosófico para entregar-se ao fantasioso devaneio filosófico, brindaram a Humanidade com as mais variadas, desencontradas, fragmentárias e unilaterais concepções do Homem, o Integralismo, reatando a linha de equilíbrio, vai nos dar uma definição precisa do Ser Humano(8).

O Integralismo, partindo de uma concepção substancialista do Homem, aquela de Boécio, não se deixa extraviar por nenhum escapismo religioso. O Homem – criado por Deus - é “uma dualidade consubstancial exprimindo-se numa unidade substancial”, isto é, não é apenas corpo ou apenas alma, mas, ambos unidos e exprimindo-se substancialmente. Ora, sendo o Homem o conjunto de corpo e alma, ele tem necessidades materiais, físicas (alimentar-se, morar, vestir-se, etc.), bem como, necessidades intelectuais, morais e espirituais, ligadas a sua finalidade transcendente. A Felicidade Humana, portanto, é a plena realização das aspirações e finalidades do Homem nas esferas material, intelectual e espiritual(9). Ora, evidentemente, no mundo contemporâneo, a efetiva Realização Integral do Ser Humano está longe de acontecer. Daí a necessidade de instaurarmos um novo regime, que garanta a Liberdade e a Intangibilidade da Pessoa Humana e de suas projeções (a Propriedade e os Grupos Naturais – a Família, os Grupos Profissionais, Culturais e Políticos, o Município, a Nação e a Sociedade Religiosa): O Estado Integral. Somente na Civilização Integralista, o Homem, consciente de seus Direitos e Deveres, poderá afirmar-se livremente, pois, não será uma mercadoria sujeita a lei da oferta e da procura, como no capitalismo, nem uma engrenagem da máquina no coletivismo marxista, e nem tampouco um megalomaníaco como o “super-homem” de Nietzsche, e sim, apenas e simplesmente, o Homem, o Homem Integral(10). 

Anauê!

* Palestra proferida em de 06 Dezembro de 2008, na Sede dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB – RIO).
* * Σ – Rio de Janeiro. Comerciante. Secretário de Doutrina dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB – RIO).
NOTAS:
1 Plínio Salgado – O que é o Integralismo (1933). 6ª edição. São Paulo. Editora das Américas. 1959. Prefácio da 5ª edição (1955). Págs. 15 e 16.
2 As principais obras de Nietzsche, de leitura indispensável para quem desejar realmente conhecer suas idéias, são: A Origem da Tragédia(1872), Considerações Intempestivas(1873-1876), A filosofia na Idade Trágica dos Gregos(1873), Humano, demasiado humano(1878), O Viandante e a sua Sombra(1880), Aurora(1881), Gaia Ciência(1882), Para Além do Bem e do Mal(1886), A Genalogia da Moral(1887), O Crepúsculo dos Ídolos(1889), O Anti-Cristo(1895), Vontade de Potência(1901), Ecce Homo (1908) e, o mais famoso, Assim Falava Zaratustra(1883-1885).

3 Plínio Salgado – “Palavra Nova dos Tempos Novos” – 1ª edição – Rio de Janeiro – José Olympio – 1936. Pág. 58.

4 Refere-se ao Século XIX.

5 Plínio Salgado – “Discursos Parlamentares” – Brasília – Câmara dos Deputados – 1982 – pág. 45

8 Plínio Salgado – A Aliança do Sim e do Não (1944) – 4ª edição – São paulo – Editora das Américas – 1955 – págs. 39 e segs.

7 Plínio Salgado – A Quarta Humanidade – 1ª edição – Rio de Janeiro – José Olympio – 1934 – págs. 107 e segs.

8 Plínio Salgado – O Integralismo na Vida Brasileira – Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira/Edições GRD – S/data – pág. 177.

9 Plínio Salgado – Direitos e Deveres do Homem – 3ª edição - São Paulo – Editora das Américas – 1955 – págs. 233 e segs.; 243 e segs.

10 Aos que realmente desejarem conhecer o Pensamento de Plínio Salgado, sugerimos o estudo dedicado de suas Obras, entre as quais destacamos como principais as seguintes: O Estrangeiro(1926), Literatura e Política(1927), O Oriente(1931), O Esperado(1931), Manifesto de Outubro(1932), O Cavaleiro de Itararé(1933), O que é o Integralismo(1933), Psicologia da Revolução(1933), o Sofrimento Universal (1934), A Quarta Humanidade(1934), Despertemos a Nação!(1935), A Doutrina do Sigma(1935), Palavra Nova dos Tempos Novos(1936) Páginas de Combate(1937), O Poema da Fortaleza de Santa Cruz(1939), Vida de Jesus(1942), A Aliança do Sim e do Não(1944), Conceito Cristão da Democracia(1945), Manifesto Diretiva(1945), A Mulher no Século XX(1946), Como Nasceram as Cidades Brasileiras(1945), Madrugada do Espírito(1945), Primeiro, Cristo!(1946), O Integralismo perante a Nação(1946), Discursos -1ª Série(1948), Direitos e Deveres do Homem (1948), Extremismo e Democracia(1948), O Espírito da Burguesia(1951), Mensagem às Pedras do Deserto(1954), O Ritmo da História(1955), Páginas de Ontem(1955), Mensagem ao Povo Brasileiro(1955), O Livro Verde da Minha Campanha (1956), Doutrina e Tática Comunistas(1956), Reconstrução do Homem(1957), O Integralismo na Vida Brasileira(1958), Palestras com o Povo(1959), Poemas do Século Tenebroso(1961), Compêndio de Instrução Moral e Cívica(1964), Trepandé(1972), Discursos Parlamentares(1982).




sexta-feira, novembro 28, 2008

"DIREITAS" E "ESQUERDAS"

Plínio Salgado.

A sangrenta heresia do comunismo não se combate também contrapondo-lhe a chamada reação das "direitas". A concepção de "esquerdas" e "direitas" no domínio político é uma concepção do século XIX, o século que deu começo consciente à chamada "luta de classes", baseada no antagonismo entre o capital e o trabalho.

É preciso dizer-se que não foi Marx quem concebeu o mundo dividido em dois campos de interesses materiais antagônicos; foram os chamados liberalistas. Quebrada a concepção espiritualista da sociedade, estabeleceu-se a luta entre os agrupamentos políticos, assim como a luta entre os agrupamentos econômicos, aqueles regidos pelas múltiplas ideologias contraditórias e estes pela lei da oferta e da procura. No campo econômico, os produtores de mercadorias, com o fim de vendê-las em melhores condições e mais barato do que os seus adversários, tiveram necessidade de usar de dois expedientes: aumentar a eficiência das máquinas e baixar o custo da mão de obra. O trabalho humano foi considerado uma mercadoria sujeita à lei da oferta e da procura, perdendo toda a nobre significação e espiritualidade que lhe imprimia o cristianismo. Tornando-se as máquinas mais aperfeiçoadas, de modo a uma só produzir por centenas de homens, o trabalho humano tornou-se uma mercadoria menos procurada e, portanto, mais barata. As conseqüências na vida individual e familiar eram evidentes: aumentou a pobreza dos operários enquanto avultava a riqueza dos grupos financeiros e das nações industriais.

Essa situação gravíssima vem pintada com realismo cru na encíclica Rerum Novarum, do Santo Padre Leão XIII, nos fins do século XIX. Foi dentro de tal situação que o Manifesto Comunista de 1848 lançou o brado: "operários de todo o mundo, uni-vos!" Esta a luta impropriamente denominada "do capital e do trabalho", porque na verdade o marxismo não pretende suprimir o capital como soma de trabalho acumulado, mas apenas como privilégio de indivíduos ou de grupos, passando, entretanto, o capital para as mãos do Estado, que se torna o único patrão e que exerce as funções dos antigos capitalistas, substabelecendo os seus poderes a favor de uma burocracia, o que vem, em última análise, recompor a situação anterior do predomínio de uma classe. Economicamente a verdadeira luta do comunismo é contra a propriedade familiar, já que a revolução dialética precipita as etapas da evolução capitalista, atingindo o grande monopólio do socialismo de Estado, forma em que se completam todos os monopólios de grupos, que também atentam contra o princípio da pequena propriedade, base física da família, e propulsionando a crescente proletarização das massas, razão pela qual foram condenados pela encíclica de Leão XIII e, em nossos dias, pelas de Pio XI e Pio XII.

Mas, para armar ao efeito, o marxismo diz lutar contra o capital e contra o chamado "imperialismo econômico" das nações favorecidas pelo maior acúmulo dos meios de produção. Esse cartaz deu à batalha social um caráter de internacionalismo. Influindo no mundo político, gerou a concepção de "direitas" e de "esquerdas", entendendo-se por "esquerdas" tudo aquilo que favorecia o desenvolvimento da revolução, pelo que se incluiu na linha do "esquerdismo" os chamados "reformistas", constituídos pelos liberais avançados, pelos socialistas moderados, pelos burgueses progressistas, enfim pelos transacionistas de todos os credos políticos fundados no indiferentismo religioso ou num cristianismo de elástica transigência.

Hoje, entretanto, já não se pode dizer que existam "direitas" e "esquerdas". Essa manobra tática do marxismo não ilude mais a ninguém. O nazismo, por exemplo, foi considerado por muitos um movimento das "direitas" mas a sua base filosófica era a mesma do comunismo, pois partia de uma concepção meramente biológica do homem e de nítido conceito materialista da crítica histórica e os seus fins identificavam-se com os do comunismo, pela ereção de um Estado Totalitário destruidor da personalidade humana. As chamadas democracias poderiam ser tomadas como expressões das "direitas" colocando-se num campo antagônico ao totalitarismo soviético, mas essas democracias além de serem agnósticas, isto é, não considerarem os problemas do Espírito, fundam-se no mesmo princípio doutrinário da transformação social segundo o ilimitado processo dialético de Hegel adotado pelo marxismo, porque subordinam os tipos de Estado e de Governo, as formas sociais e as normas jurídicas, não ao critério de uma imutável concepção dó mundo e das leis imprescritíveis da moralidade impostas por Deus, mas ao critério aritmético das maiores somas de votos, o que leva as ditas democracias a negarem-se a si mesmas nas conseqüências dos atos eleitorais.

Temos, assim, uma nova forma de totalitarismo, — o totalitarismo das democracias agnósticas, totalitarismo despótico das massas, cujo peso quantitativo manobrado por hábeis técnicos da formação da opinião pública e pelo poder do dinheiro, conforme salientou o Santo Padre Pio XII, atenta contra os direitos do Espírito e contra todo o princípio moral, nada impedindo que pela força das massas majoritárias sejam os fundamentos da Religião e os próprios princípios da liberdade postergados e suprimidos. Fica assim também provado que a democracia clássica do tipo de Rousseau não é um instrumento idôneo de defesa do gênero humano contra a calamidade comunista.

O mundo, como se vê, não pode hoje ser considerado sob o aspecto de "esquerdas" e "direitas", mesmo porque apreciáveis multidões de operários se arregimentam em muitos países para combater o comunismo, enquanto homens ricos, burgueses engravatados se alinham na corrente do marxismo revolucionário, que lhes faculta a liberdade aos baixos instintos e aos costumes degradantes de traficâncias indecorosas e um sexualismo sem freios.

A questão está hoje posta nos termos do "espiritualismo" e do "materialismo". Hoje, não se é mais econômica ou politicamente da "direita" ou da "esquerda"; é-se espiritualista ou materialista. Crer ou não crer em Deus, eis a questão. O mundo está dividido entre os que crêem e os que não crêem em Deus. O comunismo não é uma política, é uma mística às avessas, uma concepção anti-religiosa do universo. É o mundo sem Deus. E o totalitarismo mais completo, o maior de todos, conforme disse, com muito acerto, o Padre Leonel Franca. O mais completo, porque contém em si todas as formas particulares dos outros totalitarismos. O maior, porque não se restringe aos limites de uma nacionalidade, mas alarga-se por todos os continentes aspirando o monopólio das almas e a escravidão dos povos.

Explorando diabolicamente os justos ressentimentos históricos das classes sofredoras, fazendo as mesmas críticas que fazemos das injustiças e desumanidades do capitalismo, tudo promete aos homens, usando de artifícios e de mentiras. "Assim se hipnotizam as massas", escreve o Padre Leonel Franca, "se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia ateia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo esse patrimônio de riquezas humanas, que só tem valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção de vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas".

A grande heresia do século, a heresia do ateísmo militante, só pode, portanto, ser combatida, pela religião militante. Essa religião de combatentes é exatamente aquela que constitui o objeto do ódio mais feroz do marxismo: a religião de Cristo, a única religião da terra cujo senso de realismo social traz consigo a marca da sabedoria divina.

(Transcrito das págs. 45 até 49 de "Primeiro, Cristo!" – 4ª edição – São Paulo/Brasília – Voz do Oeste/INL-MEC – 1979 – XVIII + 175 págs.)

A Vida Heróica e Revolucionária.
Explicação necessária: Infelizmente, alguns tontos resolveram confundir o Conceito de Vida Heróica e Revolucionária, proposto por Plínio Salgado, com o "Super-Homem", surgido do cérebro demente de Nietzsche. Ora, nada mais distante do Conceito de Homem Heróico e Revolucionário, que tem fundamento Espiritualista e Cristão, do que o produto da mente perturbada do filósofo tedesco. Para comprová-lo, reproduzimos abaixo o maravilhoso Artigo da saudosa Companheira Margarida Corbisier – publicado originalmente em "A Offensiva"(13/04/1935), em que se evidencia a nenhuma semelhança entre a genial criação de Plínio Salgado e a alucinação de Nietzsche.

CONCEITO DE VIDA HERÓICA.

Margarida Cavalcanti de Albuquerque Corbisier.

Já se vai precisamente, no processo misterioso dos tempos, a hora em que os homens ainda uma vez despertos para a realidade de sua tarefa de "homens", ainda uma vez conscientes de sua "irremediável" dignidade, saberão galhardamente "fazer a vida" ao invés de esperar que a vida os fizesse.

Havia uma imensa terra verde, um entrechoque monstruoso de sangues, de matéria humana... hibridismos raciais, riquezas de complexidade.

Um sopro de vida impulsionou aquela exuberância de elementos dispersos em ritmo vitalizante de agregação... e já se vai forjando o extensíssimo laboratório geográfico, em crisol de muitas histórias, uma geração de claridade e frescura, elástica e inquebrantável como os jungos. Virginalmente fecundada de essências.

Geração de aço, pois sua consistência é a simplicidade, - geração de fogo, pois sua força é o impulso das energias nucleares - um dia, essa geração falará ao mundo: sua voz terá o calor dos estios queimantes e a doçura do mel dos manacás... entoará para os homens velhos da Terra o canto guerreiro da Vida Heróica!

Nos mais fundos recessos do Universo latejam sempre, surdamente, as forças de desagregação e de morte. O imperioso movimento de Criação é um eterno desafio à capacidade de luta dos seres. Ressoa um grito de alerta pelos espaços inter-estelares. Existir é a palma de uma conquista incessante. E os seres lutam sem trégua pela sua afirmação. Sucumbem corpos na conservação das espécies. Altera-se a matéria na fixação das formas. Cada berço cava o alicerce de uma sepultura, cada crepúsculo encerra a promessa de uma aurora. Combatem a Vida e a Morte a grande batalha do Cosmos... processo de misteriosa elaboração... E o homem também vem ao mundo com o instinto secreto de luta. No olhar das crianças chameja o impulso das arrancadas irresistíveis. Esses pequeninos, quase ainda só de terra e de sangue, anseiam por aventuras cheias de perigo e de glória. Na indefinição de seu alvorecer, encerram todo o ímpeto de suas potencialidades totais... e arrojam-se combativos a viver por antecipação em seus brinquedos, epopéias e lances heróicos de toda a sorte. Ora são exploradores, audazes caçadores de feras, guerreiros denodados; ora missionários entre tribos selvagens, senhores de fantásticos impérios. Nunca os atemorizam obstáculos, confiam imperturbáveis no pleno êxito de suas façanhas.
Mais tarde, se lhes amortece o brilho do olhar. Descobrem a exigüidade do Espaço e do Tempo que os aprisionam. Aflige-se a banalidade de suas conquistas. Não cabem mais dentro da Vida que os asfixia, desencantam-se ante as perspectivas descoloridas que ela lhes oferece. Tão diferente fora tudo que sonharam...

E amesquinhado o Ideal, desfeitas as visões maravilhosas da infância, perdem o gosto pela luta. Se tudo é relativo, busquemos o que for mais a acessível. Deslizam pela corrente das comodidades, amargos e cínicos. Anquilozam-se progressivamente pela inação. Entorpecidos, deixam-se arrastar pelas forças implacáveis de destruição e de morte.

Não mentem, porém, nem os impulsos ardentes das primaveras humanas, nem as sombrias revelações dos primeiros embates. As crianças conhecem os segredos das intuições profundas... E o heroísmo é a vocação própria do homem. Mas, na esfera humana, a luta se desloca para a ordem moral e adquire um sentido trágico.

No início dos tempos batalhava o Cosmos. Batia surda e massiça a marcha em sentido de fatal unidade. Tudo era escuro.

Houve um estremecimento de gênese. Lampejou na treva uma centelha divina. Surgiu para o ser a alma humana.

Vinha marcada de predestinação aos êxtases supremos – estigmatizada de liberdade – rescendente de essência e de divino.

E a grande batalha começou. A que ressoa na Eternidade. A Batalha do Bem e do Mal.

Bem e Mal!... Dupla face do trágico e sublime e imortal destino humano!

À dignidade do Ser Livre cabe a grande luta. Como todas as coisas criadas, o homem terá de dar testemunho do Criador. Fa-lo-á, porém, quer pela afirmação, quer pela negação. Nascido para o Absoluto, terá de escolher entre o relativo. E essa limitação lhe será dolorosa. Durante toda a sua trajetória terrestre a sua vocação ao Infinito o perturbará. Aguilhão de Vida – que castiga na Terra.

Terá de traçar, assim, a sua feição definitiva incessantemente solicitado por forças contrárias. Será, na ordem moral, o árbitro supremo dos destinos da Criação. Filho de Deus, especialmente elaborado à Sua Imagem, é o escolhido do Céu para cooperar na Grande Obra...

Tal é a revelação misteriosa que encerram os pressentimentos juvenis. Neles palpita o germe de nossa grandeza. E essa mesma grandeza é nossa tentação e a nossa perda. Impele-nos a torrente de nossa potencialidade virgem. Sentimo-nos grandes, pressentimo-nos imortais. Atraem-nos os combates, sobretudo pelo papel que neles podemos desempenhar. Trabalhamos para nossa própria glória. Somos pequenos heróis, pequenos reis – cheios de vaidades.

É então que a vida nos ensina a lição do limite e da morte. Desfolham-se quando as tocamos, as rosas que colhemos. Diminui o mundo à medida que crescemos. Afigura-se-nos quixotesco o nosso heroísmo. Tudo se perde na voragem do tempo. Ninguém nos compreende. Os homens são seresinhos pequeninos e egoístas que se roçam uns aos outros e se desconhecem. Tudo se vai envolvendo de uma densidade cinzenta de ceticismo...

Baixa o crepúsculo sobre a nossa alma. É o resfriamento do coração, a poda das melhores energias.

Mas as grandes noites engendram as auroras luminosas... No desamparo de nossa solidão sentimos doidamente a ausência de uma Plenitude. O vácuo imenso de nossa vida é um apelo ao Infinito... A revelação de nossa profunda miséria... impotentes, desorientados, aniquilados brota de nossa alma exangue um grito de desespero e de socorro !

... e então desvendam-se para nós os horizontes supremos das eternas consolações. Reconhecida e aceita a nossa inutilidade, aprendemos o segredo dos heroísmos invencíveis. Compreendemos que a renúncia a si mesmo é o penhor da afirmação para sempre. Já não mais lutamos insensatos, para nossa própria glória; e sim para a Grande Causa! Lutamos pela honra de servir. Pouco importa a tarefa que nos cabe, o que importa é cumpri-la. Tudo é sublime no Resultado Absoluto.
Fixa-se, indelével, o nosso caráter. A Fé nos unifica, organiza, disciplina, abrindo-nos o horizonte das esperanças totais... identificando-nos a nós mesmos como se renascessemos – e esse renascimento consciente trás toda a frescura e a alegria das alvoradas. Agimos com a serenidade quente das convicções inabaláveis, profundas. Invencíveis pelo desprezo absoluto de nós mesmos nada mais nos demoverá. Caminharemos até a meta final sustentados pela Força de Misteriosa Atração...

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Um dia, os "camisas verdes" da terra moça do Brasil falarão ao mundo: sua voz terá o calor dos estilos queimantes e a doçura do mel dos manacás... e entoará para todos os homens da Terra o hino guerreiro da Vida Heróica.

(Transcrito das páginas 53 até 60 do "Estudos e Depoimentos", volume V da Enciclopédia do Integralismo – Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira/GRD – 1958 – 186 págs.)

domingo, outubro 19, 2008

O ETERNO E O EFÊMERO

Nota Explicativa:
O Texto a seguir é de Autoria de Genésio Pereira Filho, quando era Secretário Estadual de Estudos e Plano Governamentais do Diretório Estadual de São Paulo do Partido de Representação Popular (PRP). Escrito especialmente para a Revista Integralista “Avante!” (que se editava em Ribeirão Preto), alcançou enorme sucesso tendo sido republicado em diversos jornais e revistas, bem como editado várias vezes na forma de Folheto, também foi acolhido no Volume VIII da Enciclopédia do Integralismo. Mais recentemente tem sido difundido pela Internet, porém, constatamos que suas reproduções virtuais contém erros e, por isso, resolvemos reeditá-lo virtualmente, com tais erros devidamente expurgados. Todos os Integralistas devem ler e reler este Artigo, meditando-o.

Ser Integralista - Não ser Integralista (O Eterno e o Efêmero).

Genésio Pereira Filho*
Ser Integralista não é fácil. O Integralista aceita uma série de compromissos que não se rompem com desembaraço. E, antes de mais nada, ser Integralista significa tomar atitude, conhecendo a verdade da vida e crendo nela.
Que é tomar atitude? É tomar posição diante das crenças exatas em um momento histórico e através da dialética, pelos movimentos incessantes do devir, procurar chegar ao conhecimento da Verdade final. Que é esta Verdade final, senão a autenticidade da própria vida e a presença do homem, puro de alma, diante do Belo e do Bem?
Domina todo raciocínio a idéia de Verdade. E esta idéia de Verdade como pode ser atingida? Através do pensamento. Logo, tomar atitude é pensar. Diante do mundo cheio de mistérios, de terrores, de incertezas, de ameaças, diante das almas angustiadas e dos corações desesperados, ante destinos rotos e esperanças desfeitas, que faz o homem? Pensa. Procura penetrar as profundezas sem fim da destinação humana, na tentativa de projetar-se além dos mistérios e do incognoscível. Aí está o binômio capaz de criar o homem integral, aquele que dignifica a existência: razão e crença. Não podendo vislumbrar a Verdade última pela fragilidade das ciências, que se esboroam ante o mistério insondável do infinito, o homem sente necessidade de crer. E crendo, plasma uma realidade para tudo, para as coisas que o cercam e para os universos que adivinha, afirma-se na realidade do próprio mundo e caminha fortalecido pela pujança de sua presença animada de ideais.
Não é possível, portanto, crer sem colocar na crença toda força da alma e toda identificação. O ideal que domina o homem tem que ser aceito integralmente, sem reservas, completamente, perfeita e absolutamente. A raiz da verdade é profunda, e não admite superfícies. Vai ao âmago dos corações, enreda-se pelos escaninhos, domina, subjuga, absorve, consome, infiltra-se, penetra, impera, prevalece e prepondera. Não aceita limites. O ideal é ou deixa de ser si tomado em meio termo. Quem crê fá-lo radicalmente, ou não crê. Quem busca verdades parciais numa crença não conhece o pensamento exato, puro e último.
Quem crê revela uma essência. A essência designa e caracteriza o SER, aquilo que é, porque independe das relatividades existenciais. O SER não precisa estar em outro objeto para ser. É em si mesmo, sempre e necessariamente sujeito.
Não sendo nem atributo, nem acidente, nem substância, a essência marca o SER em sua permanência, enquanto tudo à sua volta possa mudar.
Uma essência, irrealizada em uma época, inaceitada, não perde nunca sua força de permanência, porque é eternamente viável. Por isso, costumo dizer que dois verbos diferenciam o Integralista dos demais políticos. Fiel a uma doutrina, que é essencial porque derivada de uma atitude tomada e pensada, não têm caracteres transitórios os gestos do Integralista.
SER e ESTAR são verbos. O Integralista é, afirma-se perenemente através de um movimento de idéias que a relatividade das existências jamais destruirá. Somos um movimento, não estamos num movimento. Afirmamos para a eternidade. O eterno supera o tempo, opõe-se mesmo ao tempo, cuja idéia constitui-lhe antinomia. O que é transitório tem começo e tem fim, vive no tempo e no espaço, submete-se ao devir, às contingências, à existência. Assim sendo, os que não são Integralistas estão simplesmente... Existem. Estão hoje na “União Democrática Nacional”, como estiveram ontem no “Partido Social Democrático” e estarão amanhã no “Partido Trabalhista Nacional”. O Integralista, ao invés, afirma: “EGO SUM”. Sou porque afirmo. Afirmo porque creio. Creio porque penso.
Se me perguntarem se sou de São Paulo, responderei que não. Estou em São Paulo, como estive há tempos em Ribeirão Preto e outrora em Jaboticabal, em Mococa, em Silveiras. Mas sou de São Bento do Sapucaí, minha terra natal, cujas montanhas enchem-me a alma de ideais e de fé; os pinheirais da Mantiqueira são símbolos de minha nobreza e a vibração telúrica do meu ser tem raízes nas escarpas e nas grotas, nas encostas íngremes e nos abismos insondáveis... Estou transitoriamente no asfalto, existo em superfícies, em paisagens de simplórios gramados, mas sou das montanhas de selvas indômitas, habitadas por mistérios e recordadas pelas lendas.
O Integralista é marcado pela continuidade constante do ser, que se revela na vida de ação permanente.
O homem que crê, aceita e elege. Aceitando e elegendo princípios, integra-se. Integrando-se, torna-se responsável. Já disse Julián Marías que a responsabilidade não é consecutiva ao ato humano, mas constitutiva dele mesmo. Sendo constitutiva, está em sua própria natureza. Não pode o homem, pois, titubear em sua vida, mas deve marcá-la pela decisão, sem o que não estará dando “presença” de si mesmo no mundo. Vagará por ele, como sombra tênue, como corpo sem alma. De indecisos está cheio o mundo. De cadáveres que fantasmagoriam cenários e criam universos tenebrosos. De cansados está saturada a terra. De reotropismo negativo está dominada a humanidade.
A existência tem que ser marcada pela atividade constante, pelo trabalho dos audazes e dos decididos, daqueles que ferem o mundo com atitudes firmes e o agridem com sonhos insólitos. Desses é o futuro, porque eles é que fazem a Beleza da Vida e são eles que redimem o gênero humano. Nada de liberalismos tolerantes, nada de totalitarismos negadores da dignidade humana. Precisamos de afirmações corajosas dos ideais abraçados. Sonhar pela Arte e realizar pela Ação, eis a vida bem vivida e bem sentida. Vida que, sendo um eterno presente, não pode abandonar a tradição nem deixar de mirar o futuro. Nação que esquece o passado perde a própria memória. Nação que não vive o presente avilta-se na covardia. Nação que não olha o futuro envenena-se pelos atos limitados do egoísmo.
O homem Integral, o homem eterno, este se apóia na memória dos povos, em sua história, realiza o presente com denodo e constrói para o futuro. Assim agindo, afirma sua essência, lutando contra o tempo que nada perdoa. Disse o filósofo que tudo é destruído pelo tempo, a mulher, a flor, as construções, os impérios, as palavras – ai deles! – o Tempo fá-los inexoravelmente perecer. Nem mesmo os sonhos são perdoados. Nem as obras de Arte. Há, contudo, algo que resiste: o Ideal. Com as obras de arte perece o Belo. Com o Ideal resiste o Sublime, que supera o Tempo.
Afirmemos, portanto, Integralistas, com bastante coragem, nosso Ideal. Afirmemos, porque ele resiste ao Tempo e existirá para sempre. Irrealizado hoje, se incapaz nossa geração de aceitá-lo, será possível no amanhã. “Ego Sum”. Somos um movimento para a Eternidade. E quem afirma para a Eternidade, caminha para o Bem Supremo, alvo último de nosso destino: DEUS.
(Transcrito da Revista “Avante!” – Ano 1 – Fevereiro-Abril de 1950 – Nº 2 – pág. 50).

* Σ – São Paulo (SP). Jurista.

sábado, outubro 18, 2008

Ascendino Leite critica a guerra de silêncio infligida a Plínio Salgado.

O renomado escritor Ascendino Leite, no seu afamado “As Coisas Feitas”, insuspeitamente, pois nunca foi Integralista, protesta contra o silêncio criminoso em relação a Plínio Salgado e sua Obra, eis o que ele diz:
“Plínio foi (é) um exemplo ilustrativo do que afirmo. Sua obra literária, propriamente dita, que abrange romances como O Esperado e O Estrangeiro, está a sofrer o obscurecimento planejado de historiadores e críticos engajados em campo oposto ao do inspirador do Integralismo, no sentido de destruir qualquer lembrança do valor dessa mesma obra.
“(...).
“Não me canso de ler essa Vida de Jesus, de Plínio Salgado, obra prima, duma grande, extraordinária perfeição. Sobre o tema, não há em português uma só que a supere sob qualquer aspecto em que se a aprecie. Linguagem, composição e estilo, tudo nela exprime o máximo das qualidades positivas dum escritor, dum poeta, dum mestre apaixonado pelo seu tema, sem exagero, sem heresia. Mais de vinte edições, uma dezena fora do nosso país, em outros idiomas.
“Mas entre nós quem fala nela? Silêncio completo. Até a Igreja Católica parece ignorá-la. Ninguém, nenhum crítico, nem mesmo Tristão de Ataíde, se abala a comentar a existência desse livro, não obstante a singular mensagem que nele se contém, - belíssimo monumento dedicado à propagação da divindade, da glória e da humanidade de Cristo. Livro tão importante quanto o de Renan. Bem mais perfeito e tocante que o de Mauriac.
“A censura política cegou o espírito crítico em nosso país e acabou transformando o seu autor num escritor maldito, e a sua considerável contribuição à nossa expressão literária, numa obra proibida”.
(Ascendino Leite – “As Coisas Feitas – Jornal Literário” – Rio de Janeiro – Eda Editora – 1980 – págs. 125 e 126).
Opinião de Cassiano Ricardo sobre Plínio Salgado.
Mário de Andrade, Cassiano Ricardo, Menotti Del Picchia, Alfredo Ellis Jr., Plínio Salgado, Oswald de Andrade, Raul Bopp, Cândido Mota Filho, Tasso da Silveira e tantos outros constituíram a brilhante geração intelectual do Modernismo Brasileiro.
Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, que participaram do Verde Amarelismo e da Anta, foram amigos por toda a vida, apesar de politicamente terem divergido, pois, Plínio Salgado, em 1932, criou o Integralismo, essencialmente democrático e pluralista, enquanto Cassiano Ricardo, em 1936, fundou a Bandeira, um movimento de cunho fascista, que acabou cooptado pelo totalitário Estado Novo, de Getúlio Vargas, em 1937. No seu Livro de Memórias, Cassiano Ricardo, nos dá um “3 x 4” de Plínio Salgado:
“Caipira do Vale do Paraíba mas civilizado; pode-se incluir na família intelectual de Lobato e Euclides pelo feitio pessoal, teluricamente brasileiro. Inquieto, instantâneo para escrever; mas a um só tempo, capaz de graves reflexões sociológicas, artísticas, “poiéticas” que exigiam vagar. Vivo como corrupira no seu poder de invenção, era cinético no seu convívio. Capacidade de comando e de proselitismo. Mas esse já é outro capítulo que não cabe nos idos do grupo Verde-Amarelo ou do Correio Paulistano. Nem nessa ficha de identificação”.
(Cassiano Ricardo – “Viagem no Tempo e no Espaço” – Rio de Janeiro – Civilização Brasileira – 1970 – XVI + (1) + 330 págs.; transcrição da pág. 35, nota 1).