Mostrando postagens com marcador Frente Integralista Brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Frente Integralista Brasileira. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, abril 08, 2015

O QUE É A DEMOCRACIA ORGÂNICA


Luiz Gonçalves Alonso Ferreira

Movidos por ignorância ou má fé, acusam alguns espíritos superficiais os integralistas de se posicionarem contra o voto e defenderem a implantação no Brasil de uma ditadura de tipo fascista.

Nada mais falso.

Na verdade, tais vilanias, dentre tantas outras assacadas contra os seguidores da doutrina do Sigma, nada mais são do que fruto do ódio cego cultivado pelos tradicionais adversários políticos do Integralismo, única corrente de ideias que representa hoje em nosso país, através da Frente Integralista Brasileira (FIB), a legítima reação ao moribundo regime liberal-burguês e às falsas oposições de cunho socialista e/ou comunista.

Em seus ataques irracionais, desconhecem ou se esquecem os detratores do Integralismo que este movimento, na crítica que sempre realizou à liberal-democracia, jamais se colocou, em toda sua trajetória história e política, contra a própria Democracia, em sua concepção mais ampla. Pregou e continua pregando, isto sim, seu aperfeiçoamento, através da superação do Estado de caráter liberal-burguês – anacronismo do século XVIII, cujos erros e males vêm se acumulando nos últimos trezentos anos - pela construção de uma forma mais perfeita de Estado, fundamentada sobre os princípios da Democracia Orgânica – ideia nova dos séculos XX e XXI - proposta no Brasil pelo gênio político de Plínio Salgado (1895-1975). Da mesma forma, jamais se declarou o Integralismo contra o voto, propugnando, isto sim, sua valorização, pela defesa de uma urgente reforma no sistema representativo brasileiro, que conceda funções legislativas ás representações de classe, ou seja, aos setores produtivos que contribuem verdadeiramente para a riqueza material, cultural, moral e espiritual da nação.

Mas, num plano geral, no que consiste a Democracia Orgânica?

Para o bom entendimento da proposta, de forma didática, Plínio Salgado comparava o funcionamento do Estado com o funcionamento do próprio corpo humano. Neste, cada órgão cumpre uma atividade específica e, conjuntamente, cooperam todos para a realização plena de nossas funções vitais. Se acometido por alguma enfermidade, um órgão passa a desempenhar mal seu trabalho, não somente ele, mas todos os demais órgãos sentirão sua debilidade. Assim como na vida biológica, o mesmo ocorre na vida social. Os trabalhadores – do capital, do trabalho, da inteligência -, órgãos da nação, cada qual em sua área de atuação, competem todos para o progresso e desenvolvimento do país. Se as necessidades básicas de qualquer setor produtivo não forem atendidas, resultará que, observando-se as relações de interdependência, a saúde do organismo social, toda ela, ficará comprometida.

Nesta visão integral, os grupos profissionais devem ser reconhecidos pelo Estado conforme sua importância para a sociedade, pois são eles os lídimos construtores da riqueza nacional. O atual sistema de representação é falho e inviável precisamente por ignorar e desdenhar a relevância social dos setores produtivos, não considerando suas justas aspirações. O erro provém da Revolução Francesa, cujo preconceito iluminista e burguês contra as instituições da Idade Média abolira as antigas corporações de ofício, as quais regulavam e organizavam o trabalho, representando-o à época junto aos centros de decisão política. Com o surgimento dos partidos políticos – idealizados como organismos artificiais de representação para remediar a situação -, elementos intermediários foram criados, isolando governo e trabalhadores. Estes passaram a designar para as funções legislativas homens que, pertencendo a profissões diferentes, jamais poderiam defender de forma satisfatória os interesses de seus eleitores. Era instituído então o voto deslocado, perdido. Considerado em sua expressão meramente numérica, ele não estabelecia uma base de correspondência entre o que votava e o que era votado. O erro perdurou. E, até os dias atuais, vemos, por exemplo, um professor elegendo um médico para cuidar de seus interesses, um comerciante elegendo um advogado, um agricultor elegendo um industrial, etc. O absurdo é maior se dirigirmos nossa atenção para os altos escalões dos governos: ministérios e secretarias, muitos deles estratégicos, são reservados a indivíduos que, sem familiaridade alguma com as áreas para as quais foram destinados – por não terem formação nelas -, recebem pastas levando-se em conta apenas o mesquinho critério da filiação partidária. No corpo humano, tal descalabro seria como se o fígado quisesse realizar as tarefas do coração ou os rins as do estômago. Um Estado assim, funcionando em descompasso, dificilmente estará apto a sanar os problemas relativos ao Trabalho. Pelo contrário: distanciando o governo dos setores produtivos da nação – daí a origem dos sindicatos, forma legítima encontrada pelos trabalhadores para fazerem valer seus direitos - viverá sempre em clima de tensão social, preparando terreno fértil ao avanço de movimentos defensores de filosofias políticas negativistas, que trabalham com oportunismo na exploração da luta de classes, através da manipulação dos órgãos de representação profissional.

Para restaurar o equilíbrio entre governo e trabalhadores, Plínio Salgado considerava justo o Estado delegar funções legislativas ás representações de classe, com o estabelecimento das chamadas Câmaras Orgânicas. Nos EUA, foi o ex-bispo de Nova Iorque, Fulton Sheen quem, defendendo a ideia, justificava-a com um argumento poderoso: “Há mais motivo de identidade de interesse entre um ferroviário da Califórnia, no Pacífico, e outro em Nova Iorque, no Atlântico, do que entre duas pessoas que, residindo na mesma cidade – e até votando na mesma seção eleitoral, acrescentamos nós - são de profissão diferente”.

Inúmeros pontos contam a favor da Câmara Orgânica. De fato, mais que os partidos políticos, são os grupos profissionais os que, pela experiência cotidiana, detém o conhecimento e a capacidade técnica necessários para empreender projetos e leis eficientes, viabilizando soluções efetivas para os mais variados problemas nacionais. A qualidade intelectual de nossos representantes aumentaria. A Câmara Orgânica conciliaria as relações entre Capital e Trabalho, ao garantir assento tanto a empregados quanto a empregadores que, compartilhando dos mesmos poderes e atribuições, estariam representados em igualdade de direitos. Combateria a corrupção: os grupos econômicos deixariam de pressionar os políticos, sugestionando-os financeiramente com propinas ou doações para campanhas, pois os grupos profissionais seriam elevados na vida nacional como membros efetivos de participação política. Limitando-se em épocas eleitorais a campanha e propaganda política aos círculos mais restritos das representações de classe, os recursos necessários para cobrir os gastos com campanhas milionárias – note-se a atualidade do problema – perderiam seu sentido. Candidatos humildes e capazes teriam mais condições de expor suas ideias e elegerem-se.

Naturalmente, não obstante a perenidade e imutabilidade de seus valores doutrinários essenciais, reconhecem e reafirmam os integralistas o caráter prospectivo e dinâmico da História, o que determina - na marcha empreendida pelo movimento em pleno século XXI, bem como, na complexidade do tempo que ora vivemos - a necessidade da constante revisão e atualização de seus valores acidentais.

Dessa forma, com a Democracia Orgânica, não colimam os integralistas a extinção dos atuais partidos políticos, mas sua continuidade e fortalecimento. Tampouco menosprezam a importância do voto, mas valoriza-o, dando-lhe um real significado, ao ligar o eleitor a um candidato inserido em sua categoria profissional e, portanto, identificado com seus justos anseios e aspirações.

Assim, dentre várias propostas estudadas pelos integralistas para a efetivação da Democracia Orgânica e o voto profissional, destaca-se, por exemplo, a da necessidade da estruturação no seio das organizações político-partidárias das representações de classe, que elegeriam para as Câmaras e Assembleias Técnicas os candidatos inscritos em suas legendas. Estes, por sua vez, passariam a desempenhar suas funções legislativas de acordo com a orientação doutrinária e programática de seus respectivos partidos. Nos pleitos internos dos partidos, os representantes de classe reunidos na mesma legenda política, poderiam eleger os dirigentes da agremiação nas três esferas: municipal, estadual e federal.

Como se vê, longe de se constituir um modelo acabado, a instituição da Democracia Orgânica deve obrigatoriamente ser precedida por uma ampla discussão nacional sobre sua organização e funcionamento, a qual convidam os integralistas os mais amplos setores pensantes da sociedade brasileira – juristas, imprensa, professores, cientistas políticos, etc. – e mesmo seus adversários no campo político.

Num momento em que a sociedade brasileira acaba de comparecer às urnas para a escolha de seu novo Presidente da República, triste é constatar, nos diversos debates políticos travados entre os candidatos – tanto em primeiro quanto em segundo turno –, a total ausência de propostas concretas para as principais reformas reclamadas pela nação. Dentre elas, a elaboração de um novo sistema representativo para o país é certamente a mais ignorada, embora das mais urgentes.

Reorganizados no século XXI, são os integralistas hoje a única corrente de pensamento e ação política que se apresenta como portadora de uma proposta clara, eficaz e verdadeiramente revolucionária para o problema.


Nesta luta pelo estabelecimento da Democracia Orgânica, nós, da Frente Integralista Brasileira, pedimos o apoio e a participação de todos os trabalhadores, de todos os setores produtivos da nação, infelizmente negligenciados e desvalorizados pelas falhas e omissões de um sistema representativo que opera tão somente em benefício dos caciques dos partidos, dos politiqueiros profissionais e dos grupos plutocráticos que os apoiam.

sábado, setembro 13, 2014

Orientação Eleitoral aos Integralistas

FRENTE INTEGRALISTA BRASILEIRA - FIB

Orientação Eleitoral aos Integralistas

Parece hoje evidente que, principalmente desde o final do Regime Militar, está em curso um projeto de paulatina instauração de um Estado totalitário no Brasil, em que todos os Governos ditos Civis deram sua contribuição.

No campo eleitoral, diversos Partidos de esquerda aparentam disputar entre si, mas, de fato, formam um bloco ideológico, que está desgovernando o País.

Assim, cabe-nos apenas relembrar o que dissemos nas Orientações Eleitorais anteriores, e que é apenas repetição da Orientação Histórica do Movimento, desde 1932: Os Integralistas não podem apoiar direta ou indiretamente quaisquer Partidos comunistas ou socialistas. Portanto, cada Integralista, que é um Eleitor Consciente do Valor do seu Voto, deverá examinar aqueles Candidatos que se oferecem a sua escolha, rejeitando todos os que uma vez Eleitos vão cooperar, direta ou indiretamente, para a implantação de um Regime totalitário marxista em nossa Terra.

Igualmente, ressaltamos que aqueles Candidatos comprometidos parcial ou totalmente à agenda globalista do capitalismo financeiro internacional, em hipótese alguma poderão ser sufragados pelos Integralistas. O Integralismo é visceralmente contrário ao liberalismo, em todas as formas que possa assumir, com seu amoralismo dissolvente, o seu falso conceito de liberdade, seu individualismo exacerbado que é incompatível com o autêntico Conceito de Pessoa Humana, com a plutocracia se fingindo de Democracia, com seu agnosticismo (a forma mais torpe de materialismo), enfim, com o seu espírito burguês corruptor de todas as Nacionalidades.

Os demais Candidatos deverão ser examinados à luz da Doutrina Integralista, e, encontrando-se algum que se aproxime dos nossos Princípios, a este deve ser dado o Voto. Obviamente, havendo Candidato Integralista, este deve ser Votado pelos Camisas Verdes.

A Direção Nacional da Frente Integralista Brasileira – FIB -, à guisa de sugestão aos Companheiros, poderá emitir um Documento específico recomendando Candidatos. Neste caso, antecipamos que tais Candidatos já foram examinados exaustivamente pela Direção Nacional e merecem a confiança de todos os Integralistas.

São Paulo, 28 de Agosto de 2014.
Ano LXXXI da Era Integralista.

Sérgio de Vasconcellos
Secretário Nacional de Doutrina e Estudos
Frente Integralista Brasileira

quinta-feira, março 28, 2013

Um breve esclarecimento sobre o Integralismo e os Partidos Políticos

Sérgio de Vasconcellos*.

Ao Companheiro Lucas Cardeal.

Dúvidas sempre surgem sobre o Integralismo e os Partidos, então, resolvi expor a sucinta elucidação:

1°) O Integralismo é, como o esclarece o Chefe no Volume I da Enciclopédia do Integralismo, antes de mais nada, uma Filosofia e um Método.

2º) O Integralismo não é um Partido, mas, um Movimento Político e Social, que reúne Brasileiros que se reconhecem como seguidores e continuadores da genial criação de Plínio Salgado.

3º) Todavia, apesar de não ser um Partido e de criticar o regime de representação baseado nos Partidos, que pretende substituir pela Democracia Orgânica, o Integralismo entende que, na vigência da atual "regra do jogo", é imprescindível a participação dos Integralistas nos Partidos Políticos Nacionais e, ainda, em momento azado, a fundação de um Partido próprio (o Movimento já dispôs de dois Partidos, a Acção Integralista Brasileira e o Partido de Representação Popular).

4º) Tendo vindo de duas experiências partidárias, uma na oposição (o Partido Municipalista) e outra na situação (o Partido Republicano Paulista), o Chefe convenceu-se definitivamente do equívoco que é o demo-liberalismo e da necessidade de se criar um novo e autêntico Partido Nacional - no Brasil de então só existiam Partidos regionais e um Partido internacional (o comunista) -, e disso ele já dava conta em Carta enviada de Milão, em 1930.

5º) O Integralismo, como está perfeitamente estabelecido em toda a nossa Literatura Doutrinária, desde o Manifesto de Outubro até nossos dias, é terminantemente contrário ao uso da violência para se chegar ao Poder da República. Nossa Técnica Revolucionária não é a de Sorel, mas, a de Cristo, como o explicou admiravelmente em texto importantíssimo o próprio Plínio Salgado.

6º) Assim sendo, o Integralismo ao longo das gerações vem trabalhando por construir uma Nova Consciência Nacional através do esclarecimento e do convencimento.

7º) O maior ou menor resultado deste nosso trabalho de constituição de uma sólida e autêntica Opinião Pública Nacional vai sendo aferido quer pelo sufrágio dos Candidatos Integralistas inscritos nos Partidos burgueses, quer pelo crescimento das legendas Partidárias próprias do Movimento. Em duas ocasiões, o avassalador crescimento dos Partidos Integralistas, assustando o Poder Econômico Internacional que escraviza o Brasil, acabou por gerar dois golpes de Estado, que com a desculpa de combater o comunismo tinham como finalidade verdadeira golpear o avanço do Integralismo: O Estado Novo (10 de Novembro de 1937) e o Estado Novíssimo (31 de Março de 1964).

8º) Hoje, no instante mesmo em que escrevo estas linhas, todos nós, Integralistas, percebemos as forças brutais que se lançam contra a Frente Integralista Brasileira, pois, os inimigos do Povo Brasileiro querem nos jugular ainda no nascedouro, mas, qual Hércules Brasílico, a FIB estrangulará tais serpentes e, em breve, defenestrará os que usurparam o Poder da Republica, e o fará dentro da Lei, porque, como disse o nosso Chefe, o Integralismo é uma Revolução Legal.

Pelo Bem do Brasil!

Anauê!

Σ. Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira - FIB.

sexta-feira, março 15, 2013

Carta à Mocidade Brasileira.




Gustavo Barroso.

Moços do meu Brasil,

O crepúsculo que Barbusse previu logo depois da grande guerra alastra pelo mundo as suas sombras tristes. O liberalismo impotente e hipócrita agoniza. O credo comunista cria duas humanidades, declarando que nem a morte apaga o antagonismo entre o operário e o burguês. Mais horrendo que o fantasma das discórdias civis, se ergue o espectro da guerra das classes. Ao embate das contradições, o nosso país corre para o naufrágio. Só a mocidade, que é o futuro, lhe resta como tábua de salvação, somente ela é capaz de renová-lo, como, ao som da Giovinezza, reformou a Itália, consertou Portugal e redimiu a Alemanha.

Do alto das serranias do meu pátrio Ceará, quando o sol inclemente das secas combure os esqueletos das caatingas e todo o sertão imenso se alonga nu e preto, as copas verdes dos juazeiros úteis e heroicos, cuja sombra abriga a rês sequiosa e o vaqueiro emagrecido, cuja rama e cujo fruto alimentam o gado e o retirante, pontilham a desolação. Quanto mais a estiagem se prolonga, quanto mais a canícula dos longos dias de estio calcina a terra infeliz, e mais cresce a solidão, e mais aumenta a agonia, mais viçoso, mais belo, mais senhoril e mais verde pompeia o juazeiro, como um estandarte de Esperança!

Sede como o juazeiro, moços do Brasil! Sede como o juazeiro, eretos, varonis e sempre cheios de fé, tanto mais eretos, mais varonis e mais cheios de fé quanto mais cresçam as dores, e aumentem as provações e se multipliquem as dificuldades!

Meu olhar se espraia pelos largos horizontes da Pátria e avista as negras nuvens que ficaram para trás, e os nimbos escuros que se adensam à nossa frente. A complexidade dos problemas nacionais desafia o esforço da geração nova. Na vasta planície lamacenta dos preconceitos e da inércia, das chatices e dos conchavos pessoais, os moços idealistas, ainda não contaminados pelas baixezas do ambiente, são os úteis e heroicos juazeiros verdes em que residem as derradeiras esperanças do Brasil, moços de hoje, homens de amanhã, construtores da futura sociedade.

Unicamente vós podereis opor barreiras intransponíveis ao alude das maiorias incapazes e aos assaltos das minorias estéreis que guerreiam a arte e a ciência, que combatem os mais altos, nobres e sagrados ideais humanos, pretendendo reduzir o panorama das pátrias a pântanos peçonhentos ou monótonas estepes moscovitas. Somente a mocidade poderá salvar o mundo.

Falo-vos com o coração, do meio do caminho de minha vida, em que não pratiquei um ato de que me possa envergonhar. Falo-vos com a convicção duma doutrina e com a força dum idealismo construtor. São já demasiadas as ruínas que enchem a superfície da terra. Antes de descer a ladeira sombria da montanha que trabalhosamente subi, sorrio de prazer, porque avisto por cima da paisagem causticada de sol, agitados ao vento da manhã radiosa, os verdes e gloriosos estandartes da mocidade!

(Transcrito na íntegra da página 07 até a 12 do Livro “O Integralismo em Marcha”. 1. ed. Rio de Janeiro: Schmidt, Editor.  1933.)

domingo, março 10, 2013

O Que é Integralismo?



João Carlos Fairbanks*

I

Em matemática define-se INTEGRAL como a soma de um número infinitamente grande de parcelas, sendo cada parcela infinitamente pequena. Por ANALOGIA, dir-se-ia que o elefante ou a figueira brava seria, cada um, a integral de células animais ou vegetais. Cada célula é pequeníssima; somadas as células em avultadíssimo número, dão o colosso do elefante ou da figueira. O oceano seria a integral de moléculas de água; o deserto do Saara, a integral de grãos de areia.

Pois bem, o Estado deve ser o oceano, o elefante ou a figueira do exemplo; deve ser a soma de todas as células operosas do organismo social. Sem nenhuma esquecer. O Estado é a integral dessas células. Cada pequeno lavrador é uma célula, e seu conjunto constitui o galho da federação agrícola integral do Estado. Cada operário, cada industrial, cada artífice idem, idem. Daí a formação dos sindicatos, que são integrais parciais de classe para a integralização social comum.


Se integral significa soma, total, PARTIDO significa parcela, parte, fragmento. Assim, no organismo do elefante, se este, o organismo, é o total, as células, os membros, são partes, são parciais. Daí já se deduz a impossibilidade do Estado-parcela, do Estado-partido, que faliu no mundo inteiro. O Estado há de ser TOTAL, integral, cada célula produzindo para a totalidade social, e a totalidade social vigiando o bem-estar de cada célula, como a parábola bíblica do Bom Pastor: estão abrigadas as 99 ovelhas? Pois vamos cuidar de abrigar a centésima tresmalhada.

E é coerente com o que se observa na Natureza. Meu corpo – a integral de infinitas células – goza de saúde; de repente, pequenas células de um dente enfermam, a ramificação do nervo respectivo fica descoberta. A dor transmite-se ao cérebro. Todo o imenso rebanho corporal de células sofreu, porque algumas sofreram. Vou ao dentista, isto é, vou procurar atender às necessidades das poucas ovelhas tresmalhadas das células dentárias. Curo-me, todo o rebanho celular corporal sente-se bem. Porque nosso organismo não segue a política do Estado partidário, o conjunto celular do corpo não dirá às células doentes: nós estamos bem, vocês se arrumem...

O mal dos partidos é este: cada um olha para o seu interesse, para a organização de sua disciplina interna. Como vivem em luta entre si, são forças que se subtraem e, portanto, não podem constituir o Estado, como soma das aspirações gerais.

Essa impressão eu a trago da adolescência: em 1907, ao concluir preparatórios, assisti em S. Paulo às conferências do Sr. Paulo Doumer, depois Presidente da França, que causaram grande sensação naquela época. Meu bom pai, com o carinho que sempre dispensou à sã leitura dos filhos, pôs-nos nas mãos a obra daquele estadista, ”Le livre de mes fils”, no qual o insigne patriota – aliás, chefe de partido - solicitava dos descendentes cuidarem mais das necessidades nacionais que das partidárias, profligando a generalidade ocorrente em sentido oposto.

Meus olhos de quinze anos aprenderam, então, sob pasmo, que, contrariamente ao que estudávamos em educação cívica, os homens políticos cuidavam sempre muito mais dos seus partidos do que do interesse comum. Porque, acima de tudo, eram PARCIAIS, viam parcialmente as necessidades públicas, sob o ângulo particular do mesquinho interesse de partido.


Não é bem assim na Natureza: nosso aparelho digestivo é o único a comer; mas, pela TOTALIDADE, pela INTEGRALIDADE do nosso organismo, espalha o benefício do alimento pelos vasos quilíferos.
Se o aparelho digestivo não fosse INTEGRALISTA, se seguisse a política PARCIAL ou PARTIDÁRIA, diria aos vasos quilíferos: “vocês não funcionem; nós já comemos, o resto que se amole”.

E aconteceria o que aconteceu aos Estados formados de partidos; cada um comeria esquecido do total. O total pereceria e com ele os partidos egoístas. Ora, se o aparelho digestivo egoisticamente não permitisse que o cérebro, o coração, os membros, recebessem o benefício do alimento, o corpo todo – a integral geral – morreria e com ele o órgão assim tornando egoísta. O acessório segue sempre o principal...

Também os rins filtram os líquidos, separando impurezas que intoxicariam todo o organismo. Se os rins fossem políticos partidários, fariam essa purificação no interesse próprio. Resultado: todo o corpo se envenenaria e, no seu perecimento, morreriam também os rins.

O mesmo raciocínio se aplicaria aos vegetais: se as raízes, depois de alimentadas seguissem o partidarismo, impediriam a seiva elaborada de subir pelo tronco. Pois se o interesse parcial delas estava satisfeito, que lhes importaria o interesse integral da árvore?

Donde se deduz que a natureza segue o INTEGRALISMO, não o PARTIDARISMO. E que o Estado integral é conforme a Natureza, e o Estado partidário a ela se opõe pela simples razão que o Integralismo dentro da REALIDADE NATURAL, considera a PARTE NO TODO, e NÃO o TODO NA PARTE, no que afinal consiste o absurdo da concepção partidária.

II

Salientaremos que o Integralismo se opõe a partidarismo, como a ideia de soma se antagoniza à de parcela.

Partidarismo é o sistema de governo em que o interesse parcial de um grupo se antepõe ao interesse geral da Nação.

Integralismo é o sistema oposto: nenhum interesse, NADA acima do interesse da Nação.

Esta Nação é integralmente concebida como a federação dos municípios; os municípios como a federação das corporações profissionais ou culturais e, portanto, representando a totalidade das famílias municipais, por isso os respectivos pais e mães, incumbidos de sustentá-las, já se acham representados nos sindicatos de seus ofícios ou classes laboriosas.

Se uma Câmara Municipal vier abranger amanhã representantes de todas as atividades locais – lavoura, comércio, indústria, patrões, empregados, classes intelectuais – tal Câmara representará todas as famílias do município, porque será constituída pelos elementos ativos que dão de comer, de vestir e educação a todas as famílias e a todas as pessoas de cada família. Será uma Câmara integralista.

Se, pelo contrário, a Câmara vier a ser composta de elementos meramente partidários será corporação meramente partidária. Nada representará de real, de concreto, de objetivo. Apenas votará impostos para custear propagandas partidárias, como o ensinava a velha experiência.

E todas as famílias e cada uma de suas pessoas serão sacrificadas em taxações para continuar sem escolas, sem água, sem esgotos, sem sarjetas, etc.

Nesse sentido é que deve fixar-se a revolução social. Não há mais lugar nem para revoluções políticas, nem para o prevalecimento de partidos, nem para o Estado liberal-individualista.

Rui Barbosa, retornando ao Senado em 1921, previu a época dessa transformação e do consequente desaparecimento dos partidos, se não se disciplinassem no sentido do bem público.

Eis suas palavras:

“Por enquanto, Sr. Presidente, as revoluções eram políticas, tinham praias que as circundavam e lhe punham visíveis raias. Depois que se fizeram sociais, e sociais são hoje todas, todas beiram nesse mar tenebroso, cujo torvo mistério assombra de ameaças, as plagas do mundo contemporâneo”.

Rui Barbosa, o maior gigante do Estado liberal, e dos seus partidos componentes, rezou, assim, o “de profundis” da era político-partidária.

A era que surge da revolução social-mundial contém as ameaças do comunismo – o Estado sem Deus, sem Pátria, sem Família. Mas, trás, também o Integralismo: O Estado em nome de Deus, para a Pátria, pela Família, as necessidades materiais desta atendidas nas reivindicações profissionais de seus respectivos chefes.

*∑. João Carlos Fairbanks. Engenheiro e economista. Foi o primeiro Deputado Integralista na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Transcrito de “Estudos e Depoimentos”, Volume III da Enciclopédia do Integralismo. Rio de Janeiro: Livraria Clássica Brasileira/Edições GRD, 1958; íntegra da página 179 até 187.

terça-feira, janeiro 15, 2013

INTEGRALISMO HISTÓRICO E O INTEGRALISMO DO SÉCULO XXI

Os Companheiros José Baptista de Carvalho e Marcelo  Silveira, respectivamente, Presidentes da Casa de Plínio Salgado (CPS) e do Centro de Estudos e Debates Integralistas (CEDI), que co-presidiram o 1º Congresso Nacional Integralista do Século XXI, realizado nos dias 04 e 05 de Dezembro de 2004, em São Paulo. (Fonte: https://picasaweb.google.com/113485118109961085819/Pos1975#5578142918193773426 )


INTEGRALISMO HISTÓRICO E O INTEGRALISMO DO SÉCULO XXI

Marcelo Silveira*

Pronunciado no 1º Congresso do Movimento Integralista Brasileiro para o século XXI em 04/12/2004

Prezados companheiros,

É com grande satisfação que venho a me reunir convosco neste conclave, cujo objetivo principal, é o estabelecimento de um consenso no sentido da possível reorganização no Brasil de um movimento Integralista realmente participativo na sociedade.

Digo participativo porque, após o louvável esforço do Partido de Representação Popular, extinto há cerca quarenta anos, os círculos ligados ao Integralismo se sedimentaram praticamente como grupos culturais fechados, raramente com uma proposta mais séria de atuação política combativa como caracterizado pela proposta original dos principais idealizadores da Doutrina do Sigma.

Em que se pese o fato de que, analisando a situação com a visão de uma geração muito mais nova que o fenômeno histórico a que o Integralismo esteve subordinado, não podemos olvidar a série de impedimentos, conjunturais e ideológicos, que dificultaram imensamente uma rearticulação significativa e efetiva após a II Guerra Mundial.

Sendo impossível enumerar num mero ensaio como este escrito praticamente de improviso, todos esses impedimentos, creio importante, nesse momento, voltarmos um pouco nossas atenções, antes com uma breve retrospectiva, para depois analisarmos o momento mundial atual e suas principais implicativas conjunturais, assim como estas mesmas têm subordinado nossa nação.

Historicamente o Integralismo surgiu, decididamente impulsionado pelas ideias centrais de Plínio Salgado – ainda que se distanciando enormemente de um bloco monolítico – como uma alternativa nacional e localizada, em mesmo tempo que universalista e espiritualista, que respondia perfeitamente às problemáticas de seu tempo.

Nesse sentido, quando falamos de propostas formuladas para o país por intelectuais patrícios, há cerca de oito décadas, em torno de certas ideias, não podemos perder de vista o contexto e as peculiaridades da época. O Integralismo brasileiro, republicano e de inspiração tomista, surgiu em 1932, através do "Manifesto de Outubro", num momento extremamente propício ao que ele representava. Era uma época de indefinição política no mundo inteiro. E uma época em que os fascismos e autoritarismos estavam em voga sendo considerados caminhos políticos plenamente viáveis.

No Brasil, o pensamento de homens como Francisco Campos, Oliveira Vianna, Alberto Torres, Mário de Andrade, entre muitos outros, tinha uma forte influência no meio intelectual. No mundo inteiro, muitos movimentos procuravam no corporativismo e em modelos autárquicos, uma forma de resolver as contradições até então – e até hoje – existentes entre os conceitos de Estado e Nação.

Formada a partir de uma convergência de ideias e fatores, a Ação Integralista Brasileira meritoriamente soube catalisar as ansiedades gerais brasileiras em torno da real necessidade da nação amparar-se num Estado forte, propondo-se como um meio para instrumentá-lo efetivamente, buscando a solução dos seus graves problemas nacionais de natureza social, econômica, política e moral.

Previu os excessos do capitalismo e as mazelas do cosmopolitismo, num país que ainda vivia uma época que podia ser definida como pré-capitalista e prestes a entrar numa era industrial em maior plenitude. Inserida neste contexto, alertou para a consequência dos desmandos capitalistas e dos enormes riscos do avanço do marxismo em solo pátrio, defendendo uma economia planificada com um programa de libertação nacional anti-imperialista, contrário à exploração racional dos nossos recursos naturais e do argentarismo internacional a que somos vítimas desde o nascedouro. Propôs ainda, em consonância com experiências bem-sucedidas realizadas na Europa da primeira metade do século passado, a substituição do Estado liberal democrático e dos partidos políticos regionalistas de então, por estruturas corporativas nacionais. E, acima de tudo, fez o maior chamado da História do Brasil, através um clamor patriótico e exemplo de civismo, até hoje sem qualquer paralelo no país, para este povo emergir da sua secular condição de coadjuvante, finalmente assumindo seu devido papel colocando-nos entre as nações poderosas e predestinadas pelo Criador.

Obviamente, que em pleno século XXI, devemos fazer certas ressalvas e reconhecer, como inclusive escreveu o emérito nonagenário Dr. Miguel Reale ainda há poucos meses atrás, a existência de diversos aspectos transitórios e temporários que foram esboçados em linhas gerais de 1932 a 1937. E, portanto, não mais aplicáveis no contexto sócioeconômico em que o Brasil e a maioria das nações importantes hoje se encontram.

Não haveria sentido algum, por exemplo, em tentar reeditar as propostas da década da trinta do século passado, no sentido da organização jurídica, político e econômica da sociedade e do Estado, tal qual feitas àquela época. Da mesma maneira, após sete décadas, o fabuloso incremento da complexidade dos meios de produção, a evolução tecnológica e o crescimento populacional mundial, levaram a humanidade a uma situação visivelmente diferenciada, em inumeráveis aspectos, sendo que a busca de soluções para os problemas contemporâneos, requer outros enfoques e análises, assim como abordagens focalizadas em uma infinidade de novos aspectos. Esse é um grande desafio que nos depara de imediato.

De qualquer forma, espantosamente, e de toda maneira, no cerne e na origem dos nossos maiores problemas ainda podemos reconhecer que os impedimentos para uma verdadeira emancipação da nação permanecem residindo num conjunto de influências nocivas e em obstáculos que o Integralismo, já naquele tempo, se propunha a combater começando por uma revolução interior em cada brasileiro.

Hoje, mesmo em plano global, as mesmas antigas críticas pontuais podem ratificar idêntico raciocínio. Daquele período até o momento, não nos foi apresentado um cenário em que realmente tenha havido qualquer distinção dada no sentido de uma orientação filosófica geral, ao passo que, universalmente, os maiores questionamentos refletem cada vez mais as milenares e indeléveis angústias humanas. Ou talvez, em outras palavras, o eterno conflito imanente das "invariantes axiológicas" teorizadas pelo Dr. Reale na sua maior obra filosófica pós-integralismo.

Por sua vez, no campo prático, a realidade continua respondendo a algumas afirmativas que permanecem igualmente inalteradas em nosso cenário político com uma terrível continuidade histórica. Mais do que isso, influenciados por uma ética utilitarista que tem potencializado seus efeitos negativos na civilização ocidental através das décadas, viemos nós brasileiros, durante todo esse período, apenas assistindo sem nenhuma reação condigna os mesmos velhos impedimentos contra a nação metamorfoseando-se constantemente em roupagens diferenciadas, mais complexas e aprofundadas. Ou seja, diferenciando-se em sua forma e amplitude, mas não em sua natureza:

- Continuamos sendo vítimas passivas do imperialismo financeiro das nações hegemônicas forjado por uma determinada e muito bem conhecida oligarquia financeira;

- Vemos ainda, cerca de quatro décadas após a contrarrevolução de 1964, o socialismo internacional e materialista, agora fortemente inspirado por Gramsci, agindo de forma sub-reptícia na esfera cultural e nas universidades;

- Presenciamos a prevalência do nefasto coronelismo (sempre fisiologista e subserviente a interesses alienígenas) e do clientelismo em diversas regiões do solo pátrio;

- Notamos com clareza, a continuidade dos mesmos surrados esquemas políticos e a atuação de partidos que não passam de meras legendas de aluguel sem qualquer sentido social ou institucional;

- E, observamos hoje, mais do que nunca, a juventude e as pessoas em geral cada vez mais inebriadas por modismos fantásticos e escravizadas a uma visão hedonista de vida.

Não obstante, uma análise atenta dos resultados civilizatórios visíveis espelhados em nossa própria realidade, e ambivalente cotidiano cosmopolita, como advindos da práxis política dirigida pelos organizadores do mundo (movidos pela visão ideológica dos vencedores do último conflito mundial), nos faz constatar que permanecem mais atuais do que nunca os antigos ideais Integralistas, assim como cada vez mais sufocantes e evidentes, os males e ameaças para que ele advertiu.

Numa digressão que entendo necessária, nos remetamos à chamada "crise de modernidade" já há algum tempo muito discutida em meios acadêmicos. Foi a partir dela e, ironicamente, a partir do pós-estruturalismo surgido a partir de pensadores enquadrados dentro da chamada "esquerda" francesa como Focault, e em Analles, que passou a existir um forte questionamento sobre a questão da metodologia modernista na história e da própria noção da história cultural e universal, assim como de todos os postulados iluministas.

Esses intelectuais buscaram as antinomias - as contradições - que derivam do paradigma central de tudo aquilo enquadrado como racionalista e, por conseguinte, na natureza ontológica da discrepância que existe entre o passado e a história entendida como epistemologia.

Observando tal posicionamento, notamos a importância da ideologia e do relativismo cultural que são inerentes ao processo de pesquisa, sendo possível estabelecer que não existe, e nunca poderá existir, uma história; ou melhor, versões históricas definitivas. Sem dúvida, ter em mente essa visão desconstrutiva da história-devir como ciência é útil a qualquer historiador ou escritor que deseje buscar, através de uma versão diferenciada da conhecida história "oficial", abalar as estruturas do chamado "establishment", que é amplamente embasado em discursos "históricos" necessários para criar as prerrogativas que estão embutidas, sustentam e dão significado aos discursos dos arautos do expediente político-ideológico vigente.

"Não nos enganemos: a imagem que fazemos de outros povos, e de nós mesmos, está associada à História que nos ensinaram quando éramos crianças", escreveu Marc Ferro. Enquanto discursa sobre o papel das representações que nos marcam desde a mais tenra idade, para deixarem suas marcas até o final dos nossos dias, defende este pensador da esquerda que "hoje já está no tempo de se colocarem frente a frente todas essas representações porque, com a ampliação do mundo, sua unificação econômica e fragmentação política, o passado das sociedades é mais do que nunca um dos alvos do confronto entre Estados e Nações, entre culturas e etnias".

E, em suma, no mais feliz axioma de Orwell está a máxima que "quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado". De fato, como repetiu Ferro, "controlar o passado ajuda o dominar o presente e a legitimar tanto dominações como rebeldias".

Está aqui posto, pois, o grande problema para aceitação da sociedade com relação ao Integralismo: a pecha de fascismo; ou, no entender dos poucos mais jovens que se aproximaram superficialmente do tema, uma mera espécie de imitação de fascismo na sua versão tupiniquim. Mais ainda: o denominado "fascista" se tornou, por tabela, o mesmo que "nazista”; que é hoje, para o homem comum, uma das mais graves ofensas.

Mas o que seria mesmo o fascismo?

Sobre uma palavra que, nos dias atuais, quase unanimemente desperta repúdio, paira ainda, porém, um certo ar de mistério. Fazem-se, portanto, mais do que pertinentes alguns comentários a respeito do chavão que acabou sendo cunhado para generalidade e, no pós-guerra, se tornou quase uma espécie de impropério. Ou ainda, uma maneira mais politizada de referir-se a manifestações de violência, opressão, imperialismo, racismo, chauvinismo, machismo, pobreza intelectual, imoralidade, estupidez e assim por diante.

Em verdade, o fascismo, surgido primeiramente na Itália de Mussolini, constituiu em seu tempo, como nos dizeres de Zeev Sterhell, "uma Ideologia de ruptura por excelência" – e a repulsa à cultura política associada à herança do século XVIII e da Revolução Francesa. Ou, ainda, ecoando as palavras do imortal "General da Milícia" Gustavo Barroso, como uma reação "ao materialismo e ao internacionalismo dissolvente", na forma de movimentos baseados em ideias que se inspiravam numa mística nacionalista. Uma síntese transnacional que se opunha ao espírito do século XIX, da Reforma, da Enciclopédia e da Revolução Francesa.

Contrário às abstrações individualistas de natureza materialista e, por conseguinte, de natureza marxista ou liberal, o fascismo pretendia lançar as bases de uma nova civilização que preconizava uma visão espiritualista e rejeitava de início qualquer sobreposição do indivíduo ao bem comum. Uma civilização comunitária e anti-individualista que valorizaria a abnegação pela coletividade como norma de conduta, e onde seriam perfeitamente integradas todas as camadas e todas as classes sociais emolduradas, harmônica e organicamente, pela nação.

Nesse sentido, todos os fascismos declararam uma guerra aberta ao iluminismo e a todos os sistemas diretamente dele derivados. Uma luta sem trégua ao espírito burguês. Uma contraposição ao postulado principal do marxismo e seu reducionismo que relaciona todas contradições humanas às questões econômicas. E valorizando, acima de tudo, o heroísmo e a coragem como sentimentos totalmente desconexos de qualquer objetivo material ou de lucro.

Obviamente, naquele tempo, não havia essa conotação depreciativa que existe hoje para a palavra fascismo. Afinal, em 1936, encontrávamos movimentos com traços comuns organizados e representativos em pelo menos 31 países: Afeganistão, África do Sul, Alemanha, Argélia, Argentina, Áustria, Bélgica, Brasil, Bulgária, Canadá, Checoslováquia, Chile, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Inglaterra, Iraque, Irlanda, Itália, Iugoslávia, Japão, México, Peru, Polônia, Portugal, Romênia, Rússia - com heroicos movimentos clandestinos -, Suécia, Suíça, Turquia e Uruguai.

Fato é que o fascismo, entendido como fenômeno transacional, se tornou um assunto para intelectuais dos quatro cantos do orbe terrestre. Em suas fileiras estiveram gênios do porte de um Ezra Pound, Oswald Mosley, Hendrik de Man, T.S. Eliot, Primo de Rivera, Fernando Pessoa, Windham Louis e, obviamente, nosso Plínio Salgado.

Fortemente inspirado pela Doutrina Social da Igreja Católica, por Farias Brito e Jackson Figueiredo, Plínio Salgado foi um bravo combatente das teorias deletérias, e fez o Integralismo livre dos excessos do fascismo com relação à inversão dos papéis do Estado e da Nação. A qual, para ele, deveria emoldurar o primeiro, e não o contrário.

Afastando de suas concepções o finalismo imanente do culto ao Estado expresso na visão de Hegel e, portanto, repudiando a ideia do totalitarismo como forma de coerção e anulação completa do indivíduo, defendeu o Chefe Nacional que o homem não deve perder sua personalidade e o justo equilíbrio entre a Família, a Sociedade e o Estado.

Rejeitando os delírios de Nietzsche e a apologia à violência de Sorel, para irradiar o sentimento de cristandade, brindou-nos, Plínio Salgado, com a transmissão de sua enorme sabedoria aferroada numa exemplar resolução aos mais altos princípios.

Resgatar a justa memória é nossa obrigação!

Não podemos mais permitir, em nome também do resgate da própria identidade nacional brasileira, que esta – ainda chamada – "esquerda", órfã de um regime falido e frustrado pela realidade, de uma concepção errônea do homem, da natureza humana e da sua história, continue dando livremente as cartas e impingindo à população, nas universidades, na esfera artística e cultural, assim como na mídia de massa inimiga do povo, suas aberrações intelectuais sem ao menos uma tentativa de contrapartida.

Devemos dar um basta a esse pretenso "anti-fascismo" anacrônico que prima por distorções do início ao fim. Não queremos mais aceitar essa prepotente intimidação. Pois, juntos e coesos, somos um grupo que pode abalar muitas estruturas!

Até quando teremos que suportar calados, perante a sociedade, a associação esdrúxula que é feita do Integralismo com o nacional socialismo alemão? É imperativo, portanto, colocar as coisas como realmente foram e analisarmos a situação atual com crítica e apreensão.

Ainda sobre o fenômeno do fascismo, sob o qual o Integralismo sem dúvida esteve em certa medida identificado, logicamente que variações ocorreram de caso em caso, e muitas peculiaridades foram enxertadas ou retiradas, conforme a realidade de cada país. No entanto, é digno de nota que em todos esses fascismos existia, além dos pontos de contato referentes a exterioridades de certa similaridade; à hierarquia e disciplina; à supremacia do Estado; ao anti-liberalismo e ao anti-marxismo; uma bandeira irredutível: o combate sem tréguas à usurocracia internacional e sem pátria.

E aqui chego, finalmente, numa questão extremamente polêmica, mas que entendo deva ser abordada nesse momento. Os devaneios racistas do nazismo, colocados em prática no último conflito mundial levaram, sem dúvida, a uma das maiores tragédias da história da humanidade. Não no sentido da polarização total ou exponenciação de "mal absoluto" (entendendo que essa é apenas mais uma mera armadilha ideológica). Mas reconhecendo que o fracasso militar de Hitler serviu para potencializar e fazer avançar tudo o que ele mais temia.

Em contraste a ter sido certamente a mais poderosa expressão material de enquadrado fascismo que existiu em seu tempo, está o fato que o nazismo, com sua derrota militar, acabou levando ao calvário todos os regimes análogos que existiram e sobre os quais citei genericamente ainda há pouco. O chamado "holocausto" com suas alegadas câmaras de gás homicidas para suposto extermínio de milhões de seres humanos indefesos, foi a armadilha ideológica que a elite financeira internacional precisava, incutindo artificialmente na mente dos povos um complexo de culpa coletivo, para colocar em descrédito qualquer força política que primasse por princípios similares em relação ao fim da contínua acumulação de riqueza por uma pequena e poderosíssima elite financeira, amplamente, mas não exclusivamente, representada por indivíduos integrantes de um conluio imperialista anglo-sionista.

O fato é que, historicamente, os crimes do comunismo transcenderam em muito os crimes perpetrados em período de guerra pelas forças do Eixo. Mais do que isso: grande parte do lado mais sombrio e nefasto instrumentado pelo totalitarismo nazista teve herança direta em métodos empregados na antiga URSS contra seus inimigos, ou supostos inimigos políticos. Infelizmente, os crimes contra a humanidade cometidos do lado comunista sempre são relevados ou esquecidos.

Mas o mal maior hoje se afigura de outra maneira. Com o fim da "Guerra Fria", vivemos agora numa espécie de sociedade que tem como referência imposta uma simbiose de idéias socialistas adaptadas a um sistema capitalista. Ou até um "radicalismo de centro", como no entender Alain de Benoist.

Não há sentido em falar num movimento Integralista hoje, sem partir do pressuposto que ele jamais negligencie o combate ao andamento de um processo de neocolonialismo que, através da imposição da falsa noção de um caminho único a seguir, está, em passos largos, descaracterizando o ser humano ao mais bestial materialismo; enquanto ameaça decididamente a possibilidade para a autodeterminação dos povos e às suas culturas, assim como modos de vida diferenciados. Em suma, uma ditadura global, tirânica e inaudita.

A verdade é que, por trás desse ingênuo romantismo que se esconde por trás da chamada globalização, se esconde o mais ambicioso projeto de toda história da humanidade: através de ordens e organizações multicruzadas, norteadas pelo mais crasso materialismo, vislumbra-se, através da máxima concentração de poderes políticos e econômicos, a possibilidade do completo domínio da ciência e de todos os processos de produção pela via pacífica do convencimento do mercado, minando lentamente, em paralelo, os valores patrióticos (para que não surjam contestações ideológicas ou resistências armadas, civis ou militares) possibilitando uma reorganização consentida de toda humanidade em torno dos interesses de uma reduzida elite financeira.

A meta final é destruir os estados nacionais e seu poder de intervir na vida econômica dos seus países, abolindo suas fronteiras fixas e o conceito de soberania. Para isso, existem dois pontos inamovíveis: é necessário lentamente suprimir todas as Forças Armadas nacionais, substituindo-as por um contingente policial supranacional que tenha respaldo de uma "corte internacional" à qual ninguém tenha condições de oferecer a mínima resistência; e o gradual afastamento da civilização ocidental dos seus antigos valores morais, éticos e religiosos, substituindo-os por uma nova "ética" materialista, com base exclusiva na razão, no conhecimento científico e no direito positivo.

O movimento Integralista para o século XXI deve, dessa forma, atacar de frente as falácias liberais e marxistas expostas pelo fracasso generalizado das suas práticas no último século. É delas que tem decorrido a maior parte das aflições da humanidade. A promessa iluminista de felicidade por via da razão e do progresso não tem se cumprido.

É hora, portanto, de abandonar certos falsos pragmatismos e reconhecer a necessidade de buscar um caminho que tenha como premissa uma concepção espiritualista do Universo e do Homem.

* ∑. São Paulo (SP). Marcelo Silveira foi  Fundador e 1º Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira.
(Fonte: https://picasaweb.google.com/113485118109961085819/Pos1975#5578165291650405218  )

sábado, outubro 27, 2012

Os Integralistas Estudam.


Todo Integralista tem a obrigação de visitar constantemente o Portal Oficial da Frente Integralista Brasileira mantendo-se sempre em dia com as determinações, orientações, informações, etc., referentes ao Movimento Integralista. Recentemente, ao cumprir tal dever me deparei com uma importantíssima NOTA do Companheiro Lucas Carvalho, Diretor Administrativo Nacional, o de que todo o acervo do Antigo Portal Nacional fora devidamente transferido para o Atual Portal.

A iniciativa, das mais inteligentes, preserva assim os vários momentos da História recente do Movimento, bem como mantem disponível inúmeros Textos Doutrinários e as variadas Determinações e Orientações emanadas da Direção Nacional da Frente Integralista Brasileira, que mesmo aquelas de cunho puramente conjuntural servem para marcar claramente o que é e o que pretende a Frente Integralista Brasileira.

Ora, o que me ficou também patente é a insuficiência de uma reclamação constante no meio virtual: O da carência de material para o estudo do Integralismo. Segundo o nobre Companheiro Lucas Carvalho os arquivos oriundos do Antigo Portal acrescidos aos que já se encontravam no Portal Novo totalizam mais de 1500 (mil e quinhentas) publicações, que somados a  todo o imenso acervo dos mais de 50 Blogs Integralistas nos dão um vasto material para o aprendizado do Integralismo, logo, me perdoem a fraqueza, não se trata de falta de material de estudo e pesquisa, e, sim, falta de empenho em conhecer a nossa Doutrina e História.

O Chefe Nacional Plínio Salgado sempre dizia que “os Integralistas estudam”, portanto, Companheiros, honremos as Palavras do Chefe e larguemos por uma hora que seja os jogos virtuais, as redes sociais e debrucemo-nos sobre o Pensamento Integralista, para que a atual geração do Sigma – a Quarta segundo o brilhante Artigo do Companheiro Gumercindo Rocha Dorea no primeiro número do Jornal “A 4ª Geração” -, não seja inferior àquelas que nos precederam e esteja à altura dos desafios da Hora Presente.

Pelo Bem do Brasil!

Anauê! 

Sérgio de Vasconcellos.



domingo, setembro 23, 2012

TEOFOBIA

Marcelo Carvalho*

Cresce em nosso país um sentimento teofóbico que se manifesta em atos provocativos de grupos e indivíduos contra a liberdade religiosa de terceiros. Não deixa de ser uma situação paradoxal onde os que clamam pelo fim do preconceito agem da mesma forma destilando preconceitos em suas manifestações. Neste texto me limitarei aos atos de intolerância direcionados aos católicos, mas que se aplicam igualmente aos cristãos em geral. Assim, proliferam por toda parte atos provocativos como o “beijo gay” coletivo que foi realizado ano passado em frente à catedral metropolitana de Florianópolis, ou a recente invasão de uma igreja no Rio de Janeiro por uma mulher que mostrava os seios e participava da tal “marcha das vadias”. Lamentavelmente, tais atos de intolerância contra cristãos estão se repetindo com certa frequência em nosso país, o que nos leva a refletir sobre o assunto.

De forma sutil, a teofobia está presente, também, na própria universidade. Com efeito, recriminar a reitora e vice-reitora por terem solicitado a celebração de uma missa de ação de graças pelo início da sua administração, enfatizando na sua crítica que espera “que não haja conversões de última hora ao deus de Abraão, Jacó e Isaac por conta da missa e menos ainda algum sacrifício no altar do servilismo”, é atitude deselegante que demonstra pouca sensibilidade com quem não “professa” o ateísmo. Afinal, o que haveria de errado se houvesse alguma conversão? É nessa estranheza que reside o preconceito. Revela também um aspecto do discurso intolerante e discriminatório de um ateísmo militante onde o que está sendo posto não é a afirmação positiva do ateísmo daquele que faz a crítica, mas a intenção de cercear a liberdade da manifestação religiosa dos outros. Sem problemas, enquanto isso se limitar a uma mera opinião e não se transformar em ações provocativas e discriminatórias como as mencionadas no parágrafo anterior. O problema, contudo, vai além disso. Se tal teofobismo não for combatido pela raiz, corremos o risco de deixar de fazer o bem àqueles que desesperadamente procuram ajuda. Vejamos o caso da pastoral universitária que atende na paróquia da Santíssima Trindade. Há uma demanda constante por parte de alunos e pais que procuram os serviços oferecidos na igreja em busca de orientação para os problemas típicos da vida universitária. São alunos que, repentinamente, têm que morar sozinhos e, diante das dificuldades do curso e da nova situação em que se encontram, muitas vezes recorrem ao vício do álcool e das drogas. Outros simplesmente estão desmotivados e, quando não se rendem ao desânimo e à depressão, não querem mais estudar gastando suas energias em festas intermináveis ou em militância de partidos políticos fazendo mera agitação estudantil. Aqueles que despertam para a seriedade da própria condição onde encontram ajuda? Uma parte procura a pastoral universitária. Nesse contexto, nada mais racional que a administração da universidade una esforços ao trabalho assistencial de quem quer que seja na sua missão de ajudar quem os procura, independente de credo e condição social. Sim, mas dirão os teofóbicos que, como eles são da igreja católica e a universidade é laica, tal união de forças não pode ocorrer. Ora, se os que criticam não propõem solução que deixem os outros fazerem o que precisa ser feito. Do contrário, sua única motivação será mesmo uma cruzada teofóbica.

Há pessoas que abusam de um discurso pretensiosamente acadêmico demonstrando receio de que questões religiosas se constituam numa “investida contra o Estado desfigurando-o de sua laicidade e tornando-o um instrumento de opressão de consciências, julgando ser “de fundamental importância que a universidade – denominada nos países hispânicos de a Máxima Casa do Saber – seja demasiadamente lúcida na separação entre o laico e o religioso. Nem se quer um culto ecumênico deveria acontecer”. O receio é pertinente, mas contraditório quando fala de opressão de consciências, principalmente se quem discursa é um simpatizante do marxismo, fanatismo doutrinário que, travestido de científico mas adotando uma dinâmica tipicamente religiosa e apoiado em “crenças” como o materialismo histórico, conseguiu o nível máximo de  opressão das consciências com o comunismo e ainda hoje fomenta um sectarismo perigoso quando se encastela na universidade sob as mais diversas formas com finalidade de doutrinação. Só assim  podemos entender a existência de um instituto como o IELA que pensa a América Latina unicamente sob a ótica marxista. (Seria  útil sabermos a fonte de financiamento deste instituto).

Voltemos ao teofobismo. O fato é que ele aponta o risco da utilização do laicismo como instrumento de coerção a qualquer expressão religiosa. Com efeito, há povos cuja identidade está profundamente arraigada na religião e que historicamente sofreram a investida do Estado tentando limitar sua identidade religiosa em prol de um laicismo extremado. O bom povo mexicano experimentou e sobreviveu a esta investida quando, mesmo submetido ao ateísmo momentâneo das ondas revolucionárias, nunca deixou de afirmar sua devoção a Nossa Senhora de Guadalupe, cuja imagem, estampada há mais de 500 anos na tilma do índio São Juan Diego, reina imponente na catedral da basílica de Nossa Senhora de Guadalupe. Esta violência revolucionária, que fracassou em destruir o sentimento religioso do povo mexicano (bem como a tilma), se configura de forma precisa nos “Povos” a que se refere o profeta Isaías em 8, 9-10: “Povos, fiquem sabendo que vocês serão derrotados. Atenção, países distantes: armem-se quanto quiserem que vocês sairão derrotados; façam planos a vontade que fracassarão; façam ameaças: elas não se cumprirão, porque Deus está conosco.” O povo mexicano, movido pela ação inspiradora do Espírito Santo na história, de forma heroica, atualizou mais uma vez esta eterna profecia.

*∑. Florianópolis (SC). Professor do Departamento de Matemática

Publicado originalmente no “Jornal do Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical) Florianópolis, 09 de Julho de 2012, nº 774, pág. 2

quinta-feira, julho 26, 2012

Mensagem aos Companheiros.

Os Companheiros Victor Emanuel Vilela Barbuy e Lucas P. Carvalho, respectivamente, Presidente e Diretor Administrativo Nacional da Frente Integralista Brasileira - FIB.
Lucas P. Carvalho*

Li alguns comentários que indicam uma tendência que não raramente aparece e que é natural. A lógica parece indicar que devamos nos voltar ao foco individual, à própria sobrevivência.

Mas, obedecemos a mandamentos superiores à nossa vontade, portanto evidentemente superiores à nossa motivação. A razão interfere na motivação, portanto na emoção e não há como blindar a mente embora alguns percam tempo com esta possibilidade fictícia.

Observem que no combate longo precisamos ter um revezamento; somente super-heróis seriam capazes de aguentar seguidos turnos sem descanso. Isso não significa que devamos abandonar definitivamente a guerra, mas apenas nos recolher temporariamente para nos alimentarmos e curarmos alguns danos pessoais.

Asseguro-lhes que pior que o sentimento de estar sozinho tentando segurar um ser indestrutível, é o sentimento de estar longe do combate.

A verdade é que o inimigo que enfrentamos é tão grande que em alguns momentos não conseguimos ver que a muitos quilômetros há outros guerreiros lutando contra o mesmo.

Alguém comentou que Plínio Salgado desanimava, mas não é verdade. Em um desses momentos de uma breve fase pessimista, perguntei ao Sr. Gumercindo se o Chefe sempre se manteve animado com o futuro do Brasil e ele respondeu: SEMPRE.

Sei que não preciso escrever as razões de nossa luta, ela está na mente e principalmente nos corações de todos. Movidos apenas pela emoção estão os loucos que nos atrapalham seja por seus chiliques, seja por seus buracos negros da depressão. Movido apenas pela razão ninguém vive, negamos a natureza humana, é o caminho do suicídio muitas vezes de fato.

A única luta válida é a luta por Deus, pela Pátria e pela Família. Não podemos abandonar esta luta pela ausência ou pela presença de um ou outro elemento. Muito menos pela cortesia ou ausência dela em qualquer um dos outros soldados: não estamos aqui para uma confraternização, mas para uma guerra.

Em alguns momentos as circunstâncias forçam um foco individualista, mas este não representará a verdade. Trata-se apenas de um erro do qual muito rapidamente saem os justos companheiros.

A quem vai para o alojamento ou para a enfermaria: vá sabendo que não será capaz de se distanciar muito do fronte - e que precisamos de você!

Anauê!

--------------------------

Mensagem aos covardes (estes creio que não são e nunca serão nossos companheiros):
Façam-nos o favor de atrapalhar os movimentos liberais individualistas ou os comunistas.

* ∑ - São Paulo (SP). Diretor Administrativo Nacional da Frente Integralista Brasileira – FIB.