sábado, maio 31, 2014

RECONSTRUÇÃO DO HOMEM

Plínio Salgado

Fiéis aos princípios do Manifesto de Outubro de 1932, desfraldamos hoje a bandeira do verdadeiro Nacionalismo, que luta contra os que pretendem usurpar nosso Poder Econômico, porém, igualmente luta, e sentindo a mais perigosa e próxima ameaça, contra os que nos querem roubar o dom precioso da nossa Liberdade e da nossa Dignidade, sem aa quais também não existe nem autonomia econômica, nem vida nacional.

As ideias contidas nos dois documentos que estamos pondo em confronto com as exigências da atualidade brasileira, seriam, entretanto, tão inúteis como inexequíveis se nos ativéssemos a uma atitude puramente utilitária e pragmática, inspirada por aquele agnosticismo de que provém hoje a desorientação do mundo.

A pedra angular, portanto da nossa construção nacional que parte da Pessoa Humana para o Grupo Natural, do Grupo Natural para a Nação e da Nação para o Estado e, como consequência estabelecer um critério de interpretação dos fenômenos sociais e um planejamento lógico de soluções integrais aos problemas do País, essa pedra angular deve estar no próprio Homem. De nada valerão regimes políticos, constituições, leis, planos de governo, se não contarmos com os homens capazes de os executar. Assim, num país como o nosso, onde baixou tanto o nível da mentalidade política, os padrões de moralidade dos costumes, imperando a geral confusão dos espíritos, a maior obra que temos a empreender é a de realizar a própria reconstrução do Homem.

Daí a importância fundamental que damos a por nós denominada “revolução interior”, que é a substituição do Homem Velho pelo Homem Novo.

O Homem Velho é que se escravizou aos maus instintos, o que se entregou à preguiça, à avareza ou a luxúria. O Homem Novo é o que superou em si mesmo às tendências ao ócio, à fascinação do dinheiro e a envolvente atração dos confortos e dos prazeres.

 O Homem Velho é o incapaz de outras preocupações que não sejam as dos seus interesses imediatos. O Homem Novo é o que eleva seu pensamento para os ideais superiores e vive por eles, expandindo os valores positivos da sua personalidade.

O Homem Velho é o que manifesta horror a toda ideia de sacrifício. O Homem Novo é o que encontra no sacrifício pelo Ideal o misterioso prazer do espírito que o vivifica iluminando-o de inenarrável alegria íntima.

O Homem Velho é o desiludido, o desesperançado ou melancólico, eterno marginal nos caminhos da História dos Povos. O Homem Novo é o que se compenetrou das imensas possibilidades do seu livre arbítrio e sabe que pode intervir nos fatos sociais, modificando-os, pela ação da Ideia Força que lhe incute as energias na iniciativa e lhe confere o fascínio magnético da persuasão com que se convence primeiro, para depois convencer a muitos outros.

O Homem Velho é fatalista e se entrega ao sabor da corrente, como um boneco de madeira que rola no curso dos acontecimentos históricos. O Homem Novo é o que luta energicamente contra a onda asfixiante de todas as circunstâncias, que se conjugam para aniquilá-lo, e combate, não apenas com o objetivo de vencer, mas pelo delicioso encantamento da própria batalha.

O Homem Velho é o que ficou para trás. O Homem Novo é o que vai para a frente.

O Homem Velho é o que vive a vida prosaica, escravo do quotidiano, prisioneiro das mil injunções do comodismo e dos interesses egoísticos e subalternos. O Homem Novo é o que conhece a Vida Heroica, essa maravilhosa vida que é um dom do Céu, mas que há de ser conquistado pela nossa atitude, pelo nosso esforço.

Criar esse Homem Novo em nossa Pátria é restaurar nossa grandeza antiga e preparar a grandeza maior do Futuro. É operar a própria ressurreição da Pátria, arrancando dos túmulos da apatia, da indecisão, da descrença do fatalismo, os que moralmente haviam morrido e que agora e ressurgem ao som das trombetas dos que se animaram pelo Espírito de Deus e conclamam seus irmãos para o grande empreendimento da Salvação Nacional.

Hoje, como ontem, nas gerações que vieram sucessivamente, de 1932 até nossos dias, e prosseguirão nas gerações futuras, - é com a mais ardente convicção que repetimos:
“O Integralista é o soldado de Deus, da Pátria e da Família, Homem Novo do Brasil, que vai construir uma Grande Nação”.


SALGADO, Plínio. Manifesto de Vitória (1957). Publicação da Difusão Doutrinária do Partido de Representação Popular – P.R.P. s./l.; s./d. Transcrito das páginas 32, 33 e 34.

sábado, maio 17, 2014

Síntese do Manifesto de Outubro de 1932.

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Plínio Salgado.

As ideias nucleares daquele Manifesto são as seguintes:

1º) – Concepção espiritualista do Universo e do Homem.

2°) – A Pessoa Humana, fundamento de toda a construção social e nacional.

3º) – Expansão da Pessoa Humana, dentro da harmonia social e excluída toda ideia de luta de classes, de raças e de indivíduos entre si.

4º) – Unidade Nacional e grandeza da Nação superando-se interesses particulares regionais, locais, partidários e individuais.

5º) – Culto ao Princípio de Autoridade e da Hierarquia Social segundo as normas institucionais e os valores morais.

6º) – Nacionalismo baseado nas tradições da Pátria, no culto à personalidade nacional, em contraposição ao cosmopolitismo, ao capitalismo internacional socialista, à influência estrangeira em nossos costumes.

7º) – Sustentação do Princípio da Propriedade e da Livre Iniciativa, esta com as limitações impostas pelo bem comum.

8º) – Sindicalismo, corporativismo e representação política das categorias profissionais.

9º) – Defesa da Família Cristã contra os agentes de destruição de suas bases materiais, de corrupção moral e contra qualquer tendência absorvente do Estado.

10º) – Municipalismo – Fortalecimento econômico dos Municípios como base de sua autonomia.

11º) – A Nação organicamente estruturada com base nas Famílias, nos demais Grupos Naturais e nos Municípios, é a criadora do Estado e, consequentemente superior a este, não devendo, portanto, confundir, no mesmo conceito, Estado e Nação, estatismo e nacionalismo.

12º) – Todos os problemas sociais e nacionais se correlacionam, se intercomunicam através de íntimas conexões, pelo que nenhum deles pode considerar-se a fonte das soluções dos outros, o que exige, um Governo esclarecido, largo planejamento administrativo, atendendo às consequências maléficas ou benéficas que as providências a favor de um setor econômico ou social possam acarretar a outros setores que também são vitais à sobrevivência e a saúde da Nação.

13º) – Construção da Democracia Orgânica, mantidos os três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), asseguradas as liberdades humanas, a autonomia dos Grupos Naturais, a representação política destes, a autonomia dos Municípios, e estabelecendo-se a temporariedade dos mandatos, a começar pelo Chefe da Nação.

Estas ideias, que constituem a súmula do pensamento integralista, ganharam hoje um valor de atualidade crescente. Atendem às necessidades da Nação Brasileira e às aspirações frequentemente evidenciadas pelo nosso Povo através dos órgãos econômicos, sociais, políticos e culturais do país.

Em vez de levar os homens públicos e os estudiosos dos problemas nacionais a rastejar no rés-do-chão das particularidades isoladas que, afinal, não encontram soluções satisfatórias, soerguem as mentalidades dirigentes, partindo do geral para o particular e enquadrando todas as questões no esquema panorâmico de uma concepção dos fenômenos político-sociais, econômico-financeiros, culturais e morais.
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Trecho do Manifesto de Vitória (1957), elaborado por Plínio Salgado e lançado durante Convenção Nacional do Partido de Representação Popular – P.R.P., em Vitória (ES), em 1957. Transcrito das páginas 15 e 16 de uma edição em folheto publicada pelo setor de Difusão Doutrinária do P.R.P. (s/l, s/d).