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sexta-feira, dezembro 14, 2012

LIBERDADE, CAMINHO DA ESCRAVIDÃO / DA ESCRAVIDÃO ATUAL...


Plínio Salgado


Todos os sofrimentos do mundo moderno se originam de um só defeito da grande máquina: a falta de disciplina.

O conceito da liberdade excessiva, o predomínio do individualismo mais desenfreado que determinou o desequilíbrio social que perturba o ritmo da vida do nosso século.

Desde a Revolução Francesa, outro não tem sido o grito da humanidade senão aquele atroou todos os recantos do mundo e do século:

- Liberdade! Liberdade!

E foi a liberdade que espalhou sobre as nações as doutrinas mais contraditórias, as afirmativas mais absurdas, os brados mais lancinantes de angústia do pensamento e do coração.


Liberdade! Clamava o homem e, clamando, tratava de conquistar os meios com que pudesse exercer, com forte base econômica, a faculdade de ser livre.

Foi assim que se transformaram os primeiros capitais da avareza.

Liberdade! Clamavam os banqueiros, e foi assim clamando que dominaram as nações, escravizaram as indústrias e o comércio, humilharam os produtores.

Liberdade! Clamavam os industriais e comerciantes e, entregues às leis da concorrência, livraram-se da disciplina do Estado, mas caíram no cativeiro dos agiotas.

Liberdade! Clamavam os patrões e, em nome da liberdade de contrato, passaram a explorar os pobres, e o trabalho humano transformou-se em mercadoria sujeita às leis da oferta e da procura.

Liberdade! Clamavam, por sua vez, os proletários, os quais, assistindo ao espetáculo de luxo e paganismo de seus chefes, endureceram o coração e lançaram-se nas tremendas lutas de classe, feitas de ódio e de revolta.

Liberdade! Clamavam os pais, os esposos, os filhos, e ruiu a estrutura dos velhos lares felizes e tranqüilos.

Liberdade! Clamava a imprensa, e na livre concorrência comercializou-se, ao gosto depravado das turbas que precisou agradar, e dos argentários, aos quais precisou vender-se.

E, em nome da liberdade, o gênero humano caminha para a ruína total, destruindo o ritmo de sua existência com a morte da disciplina.

A indisciplina destrona a modéstia e erige em ídolo a vaidade e o orgulho; transforma o amor em puro instinto sexual; reduz a amizade a uma questão de oportunidade; considera a honra como um ponto de vista; examina os costumes como relatividade de convenientes; semeia o ódio sobre a Terra; cria uma civilização de rebelados.

Já o homem não sabe defender-se dos vícios. Libertando-se da disciplina do espírito, cai na escravidão dos instintos.

O homem, agora, é livre. Livre de todos os preconceitos. Não tem sentimento nem religioso nem cívico. A Pátria, que é a Pátria, depois que lhe deram a significação meramente política de vontade geral? A Pátria é uma convenção.

Assim a julga a mentalidade capitalista. Assim também a imagina a classe operária.

É que a Pátria, ela mesma, é uma expressão de disciplina. E, tendo desaparecido a disciplina, desaparece a Pátria.


Dessa forma a humanidade marcha até a Grande Guerra. Culmina no seu delírio e desce, agora, a encosta dolorosa da desilusão, da tristeza surda, da insatisfação.

Essa insatisfação não se aplacará em qualquer regimen, seja ele qual for.

O próprio comunismo é uma ilusão. Pois, devendo impor uma atroz disciplina, virá contrariar o individualismo, que atualmente busca nele o derivativo máximo.

Liberdade! Liberdade!

Nunca o gênero humano foi mais infeliz! Nunca foi tão prisioneiro... Nem mais escravo.


E a liberdade é o supremo dom do Homem. É a dignidade da nossa Espécie. É a alegria dos nossos movimentos. É a nossa honra e a nossa glória, nossa aspiração superior.

Quem a degradou assim? Quem a tornou uma enfermidade e um opróbrio?

O liberalismo. Como salvaremos a liberdade?

Pela disciplina.

(“O Sofrimento Universal”, José Olympio Editora, 1934 - São Paulo, pags. 217 a 220).*




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DA ESCRAVIDÃO ATUAL...

Marcelo Silveira


Ao discutirmos sobre o enfoque dado por Plínio Salgado, neste admirável e atual texto, creio que seria de bom grado sintetizar uma parte das definições controversas da palavra liberdade.

Derivada do latim, libertas, em termos gerais, esta se refere à condição daquele que é livre, possuindo capacidade de autodeterminação. Ou, melhor dizendo, capacidade de agir por si mesmo.

Nos dizeres de Descartes, “a liberdade consiste unicamente em que, ao afirmar ou negar, realizar ou enviar o que o entendimento nos prescreve, agimos de modo a sentir que, em nenhum momento, qualquer força exterior nos constrange”.

Em primeiro lugar, se faz necessário analisar as abordagens em que podemos contextualizar liberdade, abrangendo o seu sentido ético e o seu sentido político, para entendermos que a justa crítica de Plínio Salgado se referia, diretamente, ao frágil apelo à “liberdade” e à “democracia”, repetido recorrentemente de forma vaga e demagógica pelos arautos da liberal democracia.

Embora ambos enfoques estejam sempre em tênue fronteira – bastando para isso conhecer as críticas que diversos pensadores antiliberais fizeram ao pensamento de filósofos como Descartes, Espinosa, Kant e Spencer – a “liberdade” do enunciado não tem exatamente a ver com liberdade per si, termo que envolve um debate fechado em torno de um tema altamente complexo e não consensual dentro do campo filosófico.

Para demonstrar os desencontros que envolvem o assunto, partamos de algumas premissas colocadas por Miguel Reale, já desobrigado de sua posição integralista, num trabalho escrito para o XII Congresso Internacional de Filosofia de 1958, em Veneza, entendendo como, de fato, um dos pontos mais conflitantes em que entrara a problemática filosófica no final do século XIX, se traduz justamente naquilo que tange o tema liberdade e valor.

Aduzindo o trabalho de Wilhelm Windelband, o filósofo Reale constatava como o problema se funda na distinção essencial entre leis naturais e leis normativas. De um lado, a lei determinista; de outro, a lei do dever moral. Portanto, podemos acrescentar, o problema permanece situado na questão iniciada por Kant, observando a impossibilidade da liberdade em sentido absoluto, “dados os condicionamentos biológicos, psicológicos e sociais”, e estabelecendo a mesma, dessa forma, como “ação em conformidade com a lei moral que nos outorgamos a nós mesmos”.

Na verdade, quando falamos que a liberdade consiste em obedecer à razão, vista como um conjunto de valores e normas, subordinadas a uma lei conscientemente reconhecida, ou mais precisamente, que esta vigência axiológica deva estar, como nas palavras de Reale, “em harmonia com o enlace teorético da casualidade natural”; parecemos nos voltar para as velhas postulações de Espinosa, o “Marrano da Razão”, tido por muitos pensadores como o mais influente filósofo da Era Moderna: “um homem guiado pela razão é mais livre num Estado, onde vive com a decisão comum, do que na solidão, em que ele somente obedece a si mesmo”. Assim, conforme elucidação de Roger Scruton, nada seria mais ilusório para o pensamento de Espinosa, que a idéia da vontade livre; liberdade se resumiria, em lugar disso, na consciência de necessidade. Há algo de significativamente diverso, quando Benedetto Croce proclamara o “nexo indissolúvel de necessidade e liberdade”?

Já derivando do aspecto central no existencialismo, tido por críticos vorazes como a decadência da filosofia, e ainda seguindo o trabalho mencionado mais acima, contrastemos a questão da liberdade colocada por René Lê Senne como a revelação do valor, com a dos existencialistas do grupo da impossibilidade do possível, nos dizeres de Abaggnano; que situam a liberdade, sem explicá-la, como fundamento dos fundamentos, consoante a afirmação radical de Heidegger: o poder que o homem tem de constituir-se como ipseidade – diferentemente da filosofia escolástica que o designa como o fato de um indivíduo ser ele mesmo, dotado de uma identidade própria e, por conseguinte, sendo diferente de todos os indivíduos – estabelece o termo em sentido do ser próprio do homem como Dasein (ser-aí) responsável.

No ato constitutivo da transcendência, o Dasein, a realidade humana, a existência, a quem somente o ser pode abrir-se; põe-se a si mesmo e ao mundo como ipseidade, de maneira que, em certo sentido, vem a confundir transcendência e liberdade. Plagiando Heidegger, que plasmou o pensamento de Frankfurt, vai o marxista Sartre: o homem é um ser que não pode não ser livre, não se podendo, em momento algum, se tratar de uma teoria de valores. Sartre, assim como os existencialistas em geral, falham em não penetrar no âmago da natureza das relações possíveis entre o indivíduo e a sociedade, os quais não podem ser entendidos como termos contrapostos.

Como bem colocou Miguel Reale, “a liberdade não é pura emanação do arbítrio, assim como não é resultado funcional da coação”. Podendo ser entendida, sim, “como uma linha de convergência e de complementação posta entre a subjetividade pura e as circunstâncias sociais e históricas em que o homem desenvolve sua personalidade”.

E prossegue: “se partirmos de um conceito de homem abstrato, desligado de suas circunstancias, tudo que ele vier a fazer, toda escolha que realizar, todo trabalho a que se entregar, todo projeto, em suma, de seu ser subjetivo no plano histórico, apresentar-se-á como alienação, como perda de autonomia e escravização a outrem. Nada justifica, porém, tal artifício, que olvida que a liberdade, exatamente por não ser puro arbítrio, nem o vazio de um querer abstrato, não pode ser senão querer como determinação, querer que só é real e racional enquanto se autolimita na relatividade de um contexto situacional”.


“O ser do homem é um ser de situação e de alteridade, a ninguém sendo dado libertar-se do próximo e das coisas”. Assim, o outro, ao contrário do famoso arroubo imoral sartriano – o inferno são os outros –, em que se renega ao homem a responsabilidade pelos seus próprios atos, “é tão essencial ao revelar-se do homem a si próprio quanto o é a natureza em que se haurem as forças essenciais a qualquer projeto existencial. Daí, ser necessário reconhecer a polaridade do ser humano que só pode ser para si enquanto o é para outrem”.

Por sua vez, em outro extremo, dentro da visão neopositivista, notamos como essa discussão sobre a tentativa de equacionar, em termos epistemológicos, uma correlação entre liberdade e valor, carece de qualquer sentido...

Como vemos, após muito breve e incompleta abordagem, não existe uma definição para liberdade, sob o aspecto metafísico, que encontre aceitação geral nas mais diversas vertentes do pensar humano. Nos voltemos, então, para o uso político e institucional que é feito em torno dessa abstração, e notemos como, de fato, ela tem sido usada muitas vezes, de forma escusa, a justificar exatamente tudo aquilo que ela não deveria representar: submissão, subserviência, dependência, servidão e escravidão.

Como organização política, é evidente, tão logo falamos em liberdade, vem à mente a palavra democracia. O problema é que na tradição ocidental, com a generalização dos conceitos, acabamos por confundir democracia e liberalismo. Na verdade, a democracia acaba perdendo qualquer especificidade, diluída no interior da expressão liberal democacia, onde a ênfase acontece na democracia, mas, na prática, acaba por ficar esta totalmente subordinada aos valores liberais que, por sua vez, e na maioria dos casos, são exatamente o oposto da verdadeira democracia.

Alain de Benoist escreveu que até 1789, “o ideal democrático permanece como puramente negativo: trata-se apenas de dizer não ao absolutismo”. Após a Revolução se abririam dois caminhos para as democracias: as de tipo anglo-saxônico e as de tipo latino. Segundo Giovanni Sartori, as primeiras, democracias pragmáticas, seriam resultantes de um processo de crescimento gradual, sendo eminentemente influenciadas pelo empirismo britânico. Conceder-se-ia, dessa forma, a liberdade como um meio de atingir a igualdade. Já as de tipo latino, influenciadas pelo racionalismo, abrangendo democracias igualmente utópicas e repletas de abstrações, sendo muitas vezes desaguadas na idéia da “ditadura do proletariado”, seriam um produto do espírito, em que se concederia a igualdade como meio de atingir um dia uma hipotética liberdade.

Na introdução de um tratado sobre os dilemas de Tocqueville, assinalou William Ebenstein como “toda revolução contém um elemento utópico que inspira seus promotores e é indispensável ao seu sucesso”, sendo que “os líderes das revoluções Inglesa, Francesa e Americana, nos séculos XVII e XVIII, olharam para a democracia não como um meio, mas como um fim – a antiga luta do homem por liberdade...”.

Devemos inclusive nos questionar, seriamente, se a democracia algum dia existiu de fato. De inspiração democrática, a Revolução Puritana logo se tornou uma ditadura. A Revolução Gloriosa, de 1688, se afigurou muito mais como uma revolução liberal-conservadora, a soldo das idéias de aristocratas como Montesquieu, do que com qualquer resquício de democracia. A Revolução Francesa, como é sabido, após a violência anticlerical envolvida em todos seus desdobramentos, rapidamente foi transformada por Napoleão. Mais tarde, sob a égide do socialismo internacional, e respaldadas por totalitarismos brutais, as chamadas “democracias populares” perpetraram o maior genocídio da história da humanidade. Hoje, o imperialismo econômico dos EUA, após décadas de uma hegemonia supostamente benigna, é imposto com todo arsenal de manipulação midiática aos povos perplexos, sob a capa de “democracia”.

Os arautos do liberalismo, por sua vez, tendem a rotular todos os seus adversários, sem qualquer cerimônia, como defensores de modelos autocráticos, autoritários ou defensores de modalidades de Estado de exceção. No entanto, é sabido que na primeira fase do Estado liberal não existia sufrágio universal, e sim o voto censitário, onde o valor do voto é medido pela riqueza do indivíduo.

Historicamente, existem alguns fatores que tornam muito difícil combater o liberalismo, e entre eles está justamente a dificuldade de delimitar o cunho divisório entre uma prática liberal e uma prática não liberal.

Da época que Plínio Salgado escreveu o texto que deu origem a estas reflexões, até hoje, durante muito tempo se falou em social-liberalismo, imaginando-se possível um diálogo construtivo entre o liberalismo e correntes da chamada esquerda. O que acabou acontecendo de fato, após a II G.G, com o fim da chamada “Era Dourada” terminada em 1972, e a quebra unilateral dos EUA do Tratado de Bretton Woods, foi uma gradativa anulação dos aspectos ditos sociais instrumentados por governos complacentes com práticas de livre mercado, porém em certa medida, defensores da idéia do chamado Estado provedor. Por sua vez, as agremiações antes consideradas social democratas se tornaram uma piada e os antigos comunistas, quase todos, capitularam ao sistema capitalista buscando tirar proveito político e pessoal da nova situação global instaurada após a queda do Muro de Berlim.

Falando especificamente do Brasil, com a perspectiva que temos hoje, podemos aceitar a premissa que no começo dos anos trinta do século passado, a despeito de um determinado clima de liberdade e independência, o país acabou por receber a influência de críticas ao liberalismo tão em voga na Europa daquele período e, portanto, nem sempre enquadradas em nossa realidade nacional. A rejeição aos partidos políticos, tanto em correntes nacionalistas como socialistas, era mundial, também à medida que eram vistos como herança do desenvolvimento da doutrina liberal clássica, embora sob aspectos não reducionistas. A crítica aos partidos, portanto, acabava por inserir-se em todas as insatisfações que decorriam do fato de ter-se amadurecido a idéia que o liberalismo não resolvia os problemas sociais.

Por aqui, mais que isso, havia crescente repulsa aos partidos como meros instrumentos no sentido de manter o poder concentrado em elites estaduais, ou, em outras palavras, o regionalismo desprovido de qualquer sentido nacional. A crítica integralista, nesse sentido, estava muito mais relacionada a este aspecto, do que a uma reivindicação abertamente antidemocrática como se deu no fascismo italiano ou no salazarismo.

O desmantelamento da ordem liberal burguesa, após a I G.G, culminando na Grande Depressão dos anos 30, provocou uma onda de desconfiança mundial nas teses liberais de livre-mercado, causando a adoção de medidas intervencionistas nos mais diversos estados, sendo as principais: controle cambial, práticas de comercio bilateral e estatização de setores estratégicos.

Na verdade, em que se pese o fato de que todos os grandes centros, ao seu tempo, terem promovido o isolacionismo, desenvolvendo tecnologias próprias antes de se atirarem ao livre-mercado, os principais expoentes intelectuais do liberalismo econômico, de Adam Smith e David Ricardo, chegando a Friedman, Hayek e von Mises; sempre colocaram o individualismo do laissez faire como a maior das prerrogativas, repugnando com veemência qualquer medida cautelar no sentido de equacionar as desigualdades sociais e contornar os problemas envolvidos com a concentração excessiva pelas elites econômicas privadas. Esse é o motivo pelo qual consideramos frívola e contraditória a idéia de “amadurecimento” do ideário liberal, ou novo liberalismo. O que existiu, na verdade, foi, em virtude da crise mundial, um abandono temporário do liberalismo econômico – e uma acomodação pragmática – antes da sua crescente retomada com maior violência do que nunca e, no Brasil, a partir da segunda metade dos anos 50 com a adoção do chamado modelo de desenvolvimento dependente.

Deve-se ressaltar, inclusive, o fato que o regime militar, a partir de 1964, acabou por ter um viés decididamente liberal desde o início, com alinhamento praticamente irrestrito aos EUA, à medida que abriu as portas para os investimentos diretos estrangeiros, tendo, com isso, um lacaio como Roberto Campos para guiar o “desenvolvimento” econômico do país e entregue setores estratégicos da economia nacional para as transnacionais. Esse exemplo mostra claramente que não há nada que necessariamente prenda o liberalismo à democracia, ou vice-e-versa.

Infelizmente, no início da década de trinta do século passado, época em que a moda era a adoção de modelos autóctones, muitos dos efeitos positivos daquele momento acabaram sendo anulados pelo fato das elites nacionais terem entregado o poder à ditadura castilhista e corrupta de Getúlio Vargas, com uma série de implicações negativas, o que acabou inviabilizando um amadurecimento político do nosso povo naquele período.

Já nos últimos trinta anos, o que vemos é apenas um agravamento da situação de dependência. Como amplos setores estratégicos do país foram irresponsavelmente entregues às transnacionais, a transferência de enormes montantes para o exterior foi crescentemente criando uma intolerável carga de déficit nas transações correntes. Esta foi agravada pela enorme tomada de crédito externo, depois complicada pela crise do petróleo, para financiar equipamentos importados para projetos industriais e de infra-estrutura, sob total dependência tecnológica.

Após 1982, a dívida interna passou a crescer exponencialmente, concomitantemente à ingerência de organismos multilaterais que, também patrões indiscutíveis da imprensa corrompida e dos veículos de comunicação de massa alienantes e destruidores dos valores cristãos, passaram a ditar regras aos nossos governos títeres: desnacionalização promovida por elevação escorchante das taxas de juros e da tributação, redução nos investimentos públicos e, recentemente, o mais escandaloso programa de entrega do patrimônio público da história pátria, sob o nome de “privatizações”. Nunca a nação esteve tão ameaçada.

Concluímos assim que o Brasil tem, em nome da “liberdade” dos oligarcas do sistema financeiro internacional de escravizar nosso povo, simplesmente renunciado, salvo raríssimas exceções, a qualquer projeto de desenvolvimento autônomo e, dessa forma, renunciado também à sua própria liberdade. Enquanto não encontrarmos uma liderança política patriótica, com autoridade, e capaz de impor uma ordem e disciplina nacional, nada será feito para que este gigante adormecido forje seu próprio destino livre das amarras da dependência externa.

Marcelo Silveira
Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira

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Referência bibliográfica / citações:

-           O Pensamento Revolucionário de Plínio Salgado, Antologia organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea, 2ª edição. Editora Voz do Oeste, São Paulo, 1988.

-           Dicionário de Filosofia , Nicola Abaggnano, Mestre Jou, São Paulo, 1982.

-           Pluralismo e Liberdade, Miguel Reale, Editora Expressão e Cultura, 2ª edição, 1998.

-           Espinosa, Roger Scruton, Editora Unesp, São Paulo, 1999.

-           Nova Direita – Nova Cultura – antologia crítica das idéias contemporâneas, Alain de Benoist, Edições Afrodite, Lisboa, 1981.

-           Great Political Thinkers – Plato to the Present, William Ebenstein, Oxford & Ibh Publishing Co. Pvt. Ltd., New Delhi, 1960.

-           As Idéias Políticas no Brasil (vol. II), Antonio Carlos Villaça, Antonio Paim e outros, Editora Convívio, São Paulo, 1979.

-           Soberania e Dignidade – Raízes da Sobrevivência, J.W. Bautista Vidal, Editora Vozes, Petrópolis, 1991.

-           Globalização versus Desenvolvimento, Adriano Benayon, Escrituras, São Paulo, 2005.

Publicado originalmente em 16 de Agosto de 2006.

*  Este sensacional Capítulo de “O Soffrimento Universal”, que inspirou o maravilhoso Artigo do Companheiro Marcelo Silveira, já foi publicado aqui no Blog, http://integralismo.blogspot.com.br/2009/07/liberdade-caminho-da-escravidao-plinio.html .

domingo, outubro 21, 2012

PELA DEFESA DO BRASIL E DO MUNDO LUSÓFONO


Baruch BenTzion*

É um ranço desprezível. Esses vermes no poder têm de ser eliminados a inseticidas! Esse ATENTADO à família, à moral,  à ética, aos valores humanos e de D'us através duma perversa, vulgar, medíocre em todos os sentidos, cruel, à dignidade, uma mera “apologia a BOYOLAGEM”, tem de acabar de uma vez por todas! Custe o que custar! Temos de defender nossos descendentes da infâmia diabólica comunista a serviço da “banca Internacional$$” sem nenhum valor sacro, mas só materialismo rudimentar na pura verdade!

O povo não quer:  Esse estatuto da Criança e do Adolescente, hipócrita e demagógico.

O povo não quer:  Essa carga tributária extorsiva  e o desperdício e  corrupção inerente a isso com as finanças públicas.

O povo não quer:  IMPUNIDADE aos delitos de toda ordem e esses ‘Desvalores’ dessa camarilha, esses pulhas dos Direitos Humanos aos facínoras ‘Humanos’(??) que em absolutamente NADA são 'Direitos'!

O povo não quer casamento gay.

O povo não quer a legalização do Aborto a encobrir  a promiscuidade que chegou essa SOCIEDADE RETRÓGRADA, que retornou aos moldes primitivos de SODOMA E GOMORRA, encoberta como desenvolvida, só por ter tido alguns avanços 'tecnológicos', mas que em NADA mudou a essência humana, mas, ao contrário, só a fez retroagir cível, moral, egoística e eticamente.

O povo em toda sua generosidade, sim, QUER penas pesadas a delinquentes e bandidos de toda ordem. O povo quer RESPEITO E SER OUVIDO! E, portanto, NÃO QUER esse SISTEMA DEMONICRÁTICO OCIDENTALISTA LIBERTINÓIDE, e suas  “Eleições Livres”, obrigatórias e vinculadas a 'partidos' que só servem para criarem  um Bolsão de negócios, que ridicularizam, quebram as nossas “Estatais”, criando um bando de parasitas bandidos  sustentados pelo suor do povo trabalhador  de todas as classes!

FORA COM  O “VOTO SARAIVA”!

Pela defesa não só do Brasil, mas de todo Mundo lusófono, pois, o internacionalismo apátrida só trouxe suor, escravidão, sangue e lágrimas!

Anauê!

(Escrito em 16 de Setembro de 2012)

* ∑. Rio de Janeiro (RJ). 

sábado, março 17, 2012

O HOMEM E A LIBERDADE


Dom A. D’Almeida Moraes Junior*

É o homem um ente extraordinário. Não é simplesmente matéria, porque a matéria lhe repugna, na sua contínua inércia, na sua limitação espacial, no seu passivismo, na sua necessidade. Não é simplesmente matéria, porque, se a matéria apela para o marasmo, a tranquilidade necessitante, ele traz em si a inquietude que o dinamiza. Se a matéria se limita na extensão, na ubilocação extensiva, ele sente em si um surto que se desprende dos limites, que não se enquadra nas linhas intransponíveis de uma situação contingente. Se a matéria se satisfaz numa exigência puramente finita, na realização de tendências puramente mecânicas, ele traz consigo a insatisfação continua, o desejo que cresce com a insaciabilidade das aspirações, que não descansa nos seus voos e que, de desilusão em desilusão, como o voo desprendido de sonho em sonho, tem horror à forma e às necessidades limitativas da matéria. Ele é também matéria. Mas matéria unida à luz! E tudo o que nele foge da acidentalidade e do limite está nessa luz, nesse clarão permanente, nesse espírito que nós chamamos a alma. Eis o homem! A matéria que sobe e a cintila do céu que desce, o resumo do mundo material que se encerra no seu corpo e o espírito que é a sua alma.
A filosofia, a ciência, a história, a poesia, a arte debruçaram-se sobre esse abismo para perscrutá-la, como o viajante, cansado da poeira do deserto, se detém ante a figura estranha da esfinge que fala na solidão a palavra misteriosa do enigma. E todos têm visto nesse conjunto admirável e assombroso três afirmações inegáveis – o espírito, o coração e a vida. O espírito fulgura na sua inteligência, na sua vida e no seu coração. Ele é a alma desse abismo. Toda a irrequieta atividade do homem, toda a sua ilimitação está no espírito. Só vive no infinito e do absoluto! Enchei-o do que vós o quiserdes. Bentham quis enchê-lo de um número de prazeres superior ao número dos infortúnios. Stuart-Mill desejou locupletá-lo com os prazeres qualitativos; Sócrates, com a satisfação das suas próprias tendências; Thierry, com sabedoria; Berthelot, com o passar de duas centúrias; Hello, com a ciência; Teofrasto, com a riqueza; Pirro, com a apatia; Calístenes, com a ausência das dores; Aristipo, com o hedonismo realizado; Epicuro, com a lama da volúpia... E após a agitação de todos os grandes sonhos do materialismo e do cientificismo, ele ficou palpitando angustiosamente sobre os escombros de todas essas ambições como a flor entristecida e murcha sobre as lajes frias do sepulcro. Erra quem procura fragmentar a entidade humana ou quebrar o elo espiritual que a prende ao supremo Bem. O homem pouco diferenciado de Büchner(1), o homem da seleção natural de Huxley(2), o homem da evolução de Darwin(3), o homem-organização puramente material, o homem força e matéria(4), o homem-máquina de La Mettrie(5), o homem puramente orgânico(6) de Cabanis, aí estão como o eco de um desespero secular a clamar a eterna opressão da dignidade humana. As teorias que se multiplicam, fragorosamente, negando-lhe o substractum espiritual, tornaram-no uma dolorosa incompreensão.
O homem da natureza(7), que Rousseau forjara, na sua concepção absoluta da bondade humana, na plenitude de suas perfeições, é uma dolorosa visão diante das tendências inegáveis da própria criança, que um ilustre autor chamara de pequenas perversidades do anjo – “petites perversités de l’ange”.
O homem do progresso – termo necessário da marcha ascensional da natureza, que vai subindo de grau em grau, de perfeição em perfeição, na aquisição contínua de novas elevações, que Fourier preparara, como Spencer, transplantando a lei progressiva necessária do mundo material para o mundo humano, é uma negação da realidade que sentimos no profundo abismo de nós mesmos.
O homem da razão, da filosofia dos séculos XVIII e XIX, na posse perfeita de todas as qualidades necessárias ao seu próprio destino, sem o menor desequilíbrio na harmonia perfeita de todas as suas potências, sem necessitar de coisa alguma, porque todo ser traz consigo as qualidades próprias – confundindo a bondade metafísica ou ontológica com a bondade física e moral – é uma bela visão dos nossos anseios, mas contrastante com a eterna luta de que nos fala S. Paulo, na sua Epístola aos Romanos(8). Toda essa negação vai colocando o homem na categoria de simples autômato, de simples incapacidade diante da marcha surda dos fatos, sem força para interferir nessav luta cósmico-social que Marx criou, adaptando ao materialismo frio de Feuerbach a dinâmica de Hegel e fazendo de todo o amargurado drama da humanidade apenas um simplismo econômico, como o denominou Paul Gille(9). A essência da liberdade vai assim perdendo o seu sentido na agitação incolor da massa, onde somente há o homem-indivíduo e não o homem-pessoa. É por isso que nas civilizações de estruturação puramente material surge como única dominância o individualismo, e daí vem a negação do homem no seu verdadeiro valor.
Os dois cimos mais expressivos a esse respeito são Nietzsche e Marx. Ambos, aparentemente antagônicos, se identificam na gênese da sua concepção filosófica. Em Nietzsche, om homem se destrói sob a forma individualista; em Marx, sob a forma coletiva. Mas essa força negativa vem da mesma fonte: o aniquilamento da personalidade. Sentindo que o homem é humilhação e vergonha, Nietzsche dirige a marcha para o super-homem, mas para alcança-lo rompe com o humano, nega o valor da personalidade. Ele, como acentua Berfiaeff(10), prega a rudeza para com o homem, me nome de fins super-humanos, em nome de um futuro longínquo, em nome da sublimidade. Mas tudo isso processando a negação do homem real. Marx, considerando a individualidade humana um preconceito da filosofia burguesa, pretende esmaga-la sob o peso da coletividade. Na sua filosofia coletivista há também a destruição da realidade essencial, porque há negação absoluta da personalidade.
A concepção desse individualismo não se aproxima da concepção de Goethe e de Herder. No fundo, porém, toda a concepção do puro individualismo vai destruindo o próprio sentido real do homem. “Vendo nele o sinal do, precário e do relativo, Cohen e Husserl lutam contra o chamado antropologismo. Mesmo os chamados antropoteístas como Steiner, o sujeitam às forças de uma evolução cósmica”, destruindo assim a noção da sua liberdade.
O individualismo anula o complexo profundo do ser humano, enfraquecendo a sua força, cuja única energia é uma resultante inegável das bases espirituais da humanidade. E essa negação despolariza o homem, arranca-o do centro do seu próprio ser para o superficialismo, a periferia, onde ele se atomiza em fragmentos de incapacidade. A base  da liberdade do homem se firma na própria razão da sua personalidade. Fazê-lo um simples indivíduo é fraternizá-lo a tudo o que enche o mundo, mas sem a luz da consciência e a força admirável do espírito. E ele é livre porque é pessoa, disse Maritain. “Pois o indivíduo está fundado somente sobre os postulados da matéria, isto é, o princípio de individuação, exigindo que ocupe um lugar e tenha quantidade. De sorte que, enquanto indivíduos, não somos senão fragmentos de matéria, uma parte deste universo, distinta sem dúvida, mas uma parte, um ponto desse imenso reservatório de forças e influências, físicas e cósmicas, vegetativas e animais, étnicas, atávicas, hereditárias, econômicas e históricas, cujas leis suportamos”.
Mas a pessoa não se integraliza na marcha necessária do mundo material. É um mundo a parte. E se integra a si mesma, pela força da liberdade. Assegura-nos a filosofia cristã: “a pessoa é uma substância individual completa, de natureza intelectual e senhora de suas ações “sui juris” (está aqui a essência da Liberdade), autônoma no sentido autêntico da palavra. Assim o nome de pessoa é reservado às substâncias que possuem essa coisa divina, o espírito, e que, por isso, são em si mesmas um mundo superior a toda ordem dos corpos, um mundo espiritual e moral que, propriamente, não é uma parte deste universo, e cujo segredo é inviolável até ao olhar natural dos anjos; o nome de pessoa  é reservado às substâncias que, escolhendo seu fim, são capazes de determinar os meios, e introduzir no universo, por sua liberdade, séries de acontecimentos novos; às substância que, a seu modo, podem dizer: “Fiat”, e será feito. O que faz sua dignidade é a alma espiritual e imortal”(11). E é na alma que está a fonte da liberdade “ubi spiritus, ibi libertas”. Porque as faculdades sobre que repousam as raízes da liberdade são faculdades espirituais: inteligência e vontade, ou faculdade intelectiva e faculdade volitiva. A inteligência é o grande olhar puramente cognoscitivo. A admirável gênese do conhecimento, em todo o seu profundo mistério de espiritualização pelo Verbo mental, é o simples olhar, sem nenhuma determinação para o objeto. A vontade, que é a projeção pessoal do homem, é que o leva à aquisição do objeto ou à repulsa. – Ali, nesse  jogo da vontade, a força livre.
Não que nos inclinemos a esse primado da vontade que se afirmou na Filosofia germânica, nas doutrinas de Kant, Fichte e mesmo no pessimismo de Schopenhauer, em oposição ao otimismo ensolarado de Leibniz(12). Mas na ordem moral, a vontade é a afirmativa do homem, como o é da personalidade. A inteligência é a gloriosa vanguardeira da vontade. E na ordem da espiritualização ascendente é de maior nobreza. A grande função da inteligência é transformar o sensível, por uma quase criação, por meio do intelecto agente, numa imagem espiritual, que mais e mais se abstraia de tudo o que é sensível e material.
Nesse sentido espiritualizador do objeto que passa a viver na própria intelecção, a inteligência adquire uma elevação mais sublime que a vontade. Porque a vontade tende sempre para o bem, mas, no momento atual da volição, quase sempre realizado nesse objeto do mundo sensível, e leva na sua marcha toda a impulsionativa do apetite sensitivo.
Na inteligência há a aquisição e o trabalho sobre a razão inteligível do objeto, ao passo que a vontade é também sensivelmente solicitada. Mas há a antecedência intelectual, como no seio augusto da Trindade, o pensamento(13), ou o conhecimento essencial, substancial, a imagem consubstancial está no começo incompreensível da atividade de Deus que é eternamente ativo – “In principio erat Verbum”(14). Porque a vontade é faculdade cega. Não só na ordem do conhecimento especulativo, mas mesmo na ordem prática, a retidão da vontade depende da retidão cognitiva da inteligência.
Não se tratando, porém, das verdades universais que dirigem o agir, mas do reto uso da própria atividade, a vontade exerce o seu predomínio. O próprio santo Tomás, sendo intelectualista quando estuda a gnoseologia, afirma de um modo inegável o valor da vontade, quando se trata da ação. É, segundo o Doutor Angélico, a vontade que, por sua indiferença a respeito de todo o bem criado, pela sua liberdade, faz a elevação moral do homem. É daquela própria retidão que dirige o juízo prático, em cada caso particular, que depende a atividade prática. A inteligência mais voltada para o seu objeto próprio, que é o universal, pouco poderá julgar do particular, ou do bem particular, se não for fixada de certo modo pela vontade. Não é mais conformidade apenas com a coisa, mas com a retidão do apetite. “Na ordem do conhecimento do singular operável, a vontade predomina”(15). Só, por conseguinte, a concepção do homem-pessoa é que nos faz compreender o privilégio da liberdade, pois que três elementos constituem a personalidade: a substância, a liberdade e a inteligência(16). O homem, se souber querer, pode desempenhar um papel no mundo, ele é pessoa. Sua liberdade haure no conhecimento do bem universal uma indiferença dominadora a respeito de todos os bens particulares, domina todas as influências do mundo físico e se torna senhora dos seus atos, sui juris. “Essa independência da matéria na ordem do querer supõe uma independência da matéria na ordem do conhecimento, e esta última, por sua vez, supõe uma independência da matéria no próprio ser “operari sequitor esse”, está aí a verdadeira subsistência”.
Daí nos vem claramente o sentido de que o homem é livre, não porque a liberdade lhe resulte das agitações dos instintos, dos agrilhoamentos passionários, como expressão de uma marcha evolutiva e como um grito da própria matéria, mas porque ele traz consigo o espírito. Ou antes, a alma, a força vital de todo o seu ser, a forma subsistente do corpo.
Arrancar do homem o sentido espiritual é desencadear-lhe a tormenta dos instintos, é negar-lhe a elevação da própria liberdade. É fazê-lo o monstro da apatia que Obblomoff representa no célebre Romance de Gontcharoff(17). E mesmo nesse negativismo da atividade, quando se coloca o homem como um bloco que desce da montanha, não, por um auto-dinamismo, mas, pelo inclinado do plano e pela força do seu próprio peso, ele lança na solidão em que o enclausuram, esses gritos angustiosos que apelam para um sentido espiritual, que é a própria base do seu valor entitativo. É a dolorosa amargura que atassalha o homem em ruínas, a agonia que Kierkegard chamava – “a doença mental”.
É então que o admirável símbolo de Herman Hesse, citado por Peter Wust(18), aparece em toda a sua profunda verdade. Aí está o homem como a figura de um lobo na estepe, em caça irrequieta, lançando no vasto é gélido deserto da civilização os seus horripilantes uivos, famintos e sedentos de “eternidade”. Famintos de eternidade! Só na alma há esse anseio. A matéria foi feita para o tempo. Sua extensão finita não se quadra com a inextensão da eternidade. E é nessa alma que foge do tempo que está a liberdade que não se curva às necessidades da matéria.
Quando Longin(19) afirmara que o sublime não é um som da matéria, mas é o som de uma grande alma, talvez não se lembrasse que esse som – porque é sublime – é também a fagulha de uma grande luz fulgurando no íntimo de todo o homem. Que o faz distinto no seio do pélago da matéria, como a luz do farol no seio dos mares: - a liberdade!

MORAIS JUNIOR, Dom A. d’Almeida de. Filosofia da Liberdade (Ensaio). 2. ed.  Apresentação do Prof. Dr. L. Van Acker. Petrópolis: Vozes, 1947. Transcrição integral das págs. 7 e segs.

* ∑ - Guaratinguetá (SP). O Ilustre Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, nasceu e faleceu em Guaratinguetá (1904 – 1984). Além de um dos mais destacados próceres do Integralismo, exerceu destacado papel na Igreja Católica, tendo sido sucessivamente Bispo de Montes Claros (MG), Arcebispo de Olinda e Recife (PE) e Arcebispo de Niterói (RJ). Orador Sacro dos mais renomados, também era um brilhante Escritor deixando diversas Obras sobre Filosofia e Teologia. Após o falecimento de Plínio Salgado, em fins de 1975, atendendo uma solicitação do nosso Chefe Nacional, preparou-se para assumir a Direção Nacional do Movimento Integralista, inclusive, resignando à Arquidiocese de Niterói. Lembro-me da Comissão que foi em Palácio, liderada pelo saudoso Companheiro Jáder Araújo de Medeiros, representando aos Integralistas de todo o Brasil, saudando-o e reconhecendo seu comando sobre os Camisas Verdes. Mas, infelizmente, Dom Antônio foi acometido de súbita moléstia, que o debilitou fisicamente, impedindo-o de desempenhar tal missão. Retornou à sua terra natal, no interior de São Paulo, para viver com a sua Família, mas, mesmo adoentado, liderou uma campanha e construiu em Guaratinguetá o Hospital Frei Galvão. Transferido para a Milícia do Além, em 12 de Novembro de 1984, certamente está lado a lado com o Chefe, velando pelo futuro do Povo Brasileiro.
Ao Companheiro Dom Antônio de Almeida Morais Júnior, três Anauês!
ANAUÊ! ANAUÊ! ANAUÊ!


Notas:
1 Büchner, L’hommem selon la Science, pág. 169.
2 Reusch, La Bible et la nature.
3 The descente of man.
4 B6uchner, Force et matière.
5 La Mettrie, Homme-machine, Demonstrations Evangéliques, vol. XII, p. 927.
6 Cabanis, Rapports du moral et du physique de l’homme, tom. I, pág. 152.
7 Besson, De la notion de l’homme, 1ª Conf.
8 S. Paulo, Romanos, VII, XV.
9 Paul Gille, Esquisse d’une Philosophie de la dignité humanine.
10 Berdiaeff, La nueva Edad Media, pág. 40.
11 Maritain, Trois Réformateurs, págs. 27n e 28.
12 Lahr, Elementos de Filosofia.
13 Bougaud, Le christianisme, etc. – Tome III.
14 S. João cap. I, 1.
15 Maritain, Trois Réformateurs, pág. 59.
16 Idem.
17 Berdiaeff, Le Christianismo et l’activité de l’homme.
18 Wust, A crise do homem no ocidente.
19 Lacordaire, Conférences – De la religion comme vertu et passion de l’humanité.

domingo, julho 12, 2009

LIBERDADE, CAMINHO DA ESCRAVIDÃO

Plínio Salgado

Todos os sofrimentos do mundo moderno se originam de um só defeito da grande máquina: a falta de disciplina.

O conceito da liberdade excessiva, o predomínio do individualismo mais desenfreado determinou o desequilíbrio social que perturba o ritmo da vida do nosso século.

Desde a Revolução Francesa, outro não tem sido o grito da humanidade, senão aquele que atroou todos os recantos do mundo e do século:
- Liberdade! Liberdade!

E foi a liberdade que espalhou pelas nações as doutrinas mais contraditórias, as afirmativas mais absurdas, os brados mais lancinantes de angústia do pensamento e do coração.

Σ

Liberdade! Clamava o homem e, clamando, tratava de conquistar os meios com que pudesse exercer, com forte base econômica, a faculdade de ser livre.

Foi assim que se formaram os primeiros capitais da avareza.

Liberdade! Clamavam os banqueiros, e foi assim clamando que dominaram as Nações, escravizaram as indústrias e o comércio, humilharam os produtores.

Liberdade! Clamavam os industriais e comerciantes e, entregues às leis da concorrência, livraram-se da disciplina do Estado, mas caíram no cativeiro dos agiotas.

Liberdade! Clamavam os patrões, e, em nome da liberdade de contrato, passaram a explorar os pobres, e o trabalho humano transformou-se em mercadoria sujeita às leis da oferta e procura.

Liberdade! Clamavam, por sua vez os proletários, os quais, assistindo ao espetáculo de luxo e paganismo de seus chefes, endureceram o coração e lançaram-se nas tremendas lutas de classe, feitas de ódio e de revolta.

Liberdade! Clamavam os pais, os esposos, os filhos, e ruiu a estrutura dos velhos lares felizes e tranquilos.

Liberdade! Clamava a imprensa, e na livre concorrência comercializou-se ao gosto depravado das turbas, que precisou agradar, e dos argentários, aos quais precisou vender-se.

E, em nome da liberdade, o gênero humano caminha para a ruína total, destruindo o ritmo de sua existência com a morte da disciplina.

Σ

A indisciplina destrona a modéstia e erige em ídolo a vaidade e o orgulho; transforma o amor em puro instinto sexual; reduz a amizade a uma questão de oportunidade; considera a honra como um ponto de vista; examina os costumes como relatividade de conveniências; semeia ódio sobre a terra; cria uma civilização de rebelados.

Já o homem não sabe defender-se dos vícios. Libertando-se da disciplina do espírito, cai na escravidão dos instintos.

O homem, agora, é livre. Livre de todos os preconceitos. Não tem sentimento nem religioso nem cívico. A Pátria, que é a Pátria, depois que lhe deram a significação meramente política de “vontade geral”? A Pátria é uma convenção.

Assim julga a mentalidade capitalista. Assim também a imagina a classe operária.

É que a Pátria, ela mesma, é uma expressão de disciplina. E, tendo desaparecido a disciplina, desaparece a Pátria.

Σ

Desta forma a humanidade marcha até a Grande Guerra. Culmina no seu grande delírio e desce, agora, a encosta dolorosa da desilusão, da tristeza surda, da insatisfação.

Essa insatisfação não se aplacará em qualquer regime, seja ele qual for.

O próprio comunismo é uma ilusão. Pois devendo impor uma atroz disciplina, virá contrariar o individualismo, que atualmente busca nele o derivativo máximo.

Liberdade! Liberdade! Nunca o gênero humano foi mais infeliz! Nunca foi tão prisioneiro...

Nem mais escravo.

Σ

E a Liberdade é o supremo dom do homem. É a dignidade da nossa Espécie. É a alegria dos nossos movimentos. É nossa honra e nossa glória, nossa aspiração superior.

Quem a degradou assim? Quem a tornou uma enfermidade e um opróbrio?

O Liberalismo.

Como salvaremos a Liberdade?

Pela disciplina.

Salgado, Plínio. O Soffrimento Universal. 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936. Transcrito das páginas 185 até 190.