domingo, novembro 08, 2009

Resposta à Folha de São Paulo

Victor Emanuel Vilela Barbuy*

A Folha de S. Paulo publicou, no último domingo, um artigo que, intitulado Sangue na Praça da Sé e assinado pelo jornalista Mário Magalhães, trata da vergonhosa tocaia de que foram vítimas os militantes integralistas a 07 de outubro de 1934, quando se celebrava o segundo aniversário do chamado Manifesto de Outubro. A divulgação deste Manifesto, redigido por Plínio Salgado, marcara o surgimento oficial da AIB (Ação Integralista Brasileira), que constituiu o primeiro “movimento de massas” do Brasil e, como ressalta Gerardo Mello Mourão, o “mais fascinante grupo da inteligência do País”.

O tristemente famoso atentado daquele dia tem sido deturpado pelos arautos do preconceito ideológico, que em geral transformam em “vilões” os integralistas, que nada mais desejavam do que celebrar pacificamente o segundo aniversário da AIB, ao mesmo tempo em que pintam como “heróis” seus covardes agressores, os militantes da “esquerda”, adeptos ou simpatizantes do odioso credo de Karl Marx, que já matou mais seres humanos do que qualquer outra das ideologias da História.

Não foi muito diferente o artigo do Sr. Mário Magalhães, repleto de absurdos ataques contra o Integralismo, que preferimos julgar ser produto de ignorância do que de má fé e de que passaremos a cuidar nas próximas linhas.

Ao contrário do que afirma Magalhães, os integralistas jamais representaram a “extrema-direita”, mesmo porque o Integralismo, partindo da concepção integral do Universo e do Homem, rejeita as concepções de “esquerda” e de “direita”, que remontam à chamada Revolução Francesa e nada mais exprimem nos tempos atuais. Além do mais, ao afirmar que os integralistas defendiam o “nacionalismo renhido”, a Igreja e a propriedade privada, o autor se esqueceu de dizer que o nacionalismo integralista é antiimperialista e tendente ao universalismo, que o Integralismo sempre foi um movimento plenamente ecumênico e que jamais deixou de sustentar a necessidade da função social da propriedade.

Ainda ao contrário do que afirma Magalhães, o Integralismo jamais “mimetizou” o fascismo ou o nazismo, tendo diversos pontos de discordância em relação a estes movimentos. O separa do primeiro, sobretudo, sua concepção antitotalitária do Estado, enquanto do segundo se distancia especialmente em virtude de sua oposição ao racismo. Quanto ao uso de uniformes e símbolos, era este comuníssimo naquela época, sendo adotado inclusive por movimentos da chamada “esquerda”, tais como a social-democrata Frente de Ferro, da Alemanha, e a União Comunista Leninista da Juventude (Komsomol), da União Soviética.

Isto posto, cumpre ressaltar que Plínio Salgado sempre condenou, no nazismo, as ideias racistas, a inspiração pagã e o culto exacerbado do Führer, como podemos ver em diversos artigos da década de 1930, bem como na célebre Carta de Natal e fim de ano, de 1935. Ademais, houve vários judeus integralistas e Plínio Salgado sempre se opôs ao antissemitismo, como podemos ver, por exemplo, na Carta aos Camisas-Verdes, de 1934.

As declarações de Plínio Salgado após o atentado da Praça da Sé, ressaltando o papel que neste tiveram os judeus, devem ser interpretadas no contexto da época, quando, aliás, a presença judaica era inegavelmente preponderante nos movimentos comunistas em todo o Mundo. Vale lembrar, com efeito, que Winston Churchill, que ninguém associará ao nazismo, salientou o papel dos judeus na chamada Revolução Russa de 1917 de forma análoga à que Plínio Salgado usou para ressaltar o papel dos mesmos na denominada “Batalha da Praça da Sé”.

Por fim, cumpre frisar que, ao contrário do que afirma o jornalista, o ilustre Professor Goffredo Telles Junior foi, até o último de seus dias, um partidário do Integralismo, movimento que via como uma forma de “socialismo com Deus”, tanto que colaborou até o fim com a Casa de Plínio Salgado, instituição de que tenho a honra de ser o 1° Vice-Presidente, e meses antes de partir para a Milícia do Além, se referiu ao Manifesto de Outubro como “o nosso Manifesto”.



* Presidente da FIB (Frente Integralista Brasileira) e 1° Vice-Presidente da Casa de Plínio Salgado.

quinta-feira, setembro 24, 2009

A Verdade sobre a Batalha da Praça da Sé

Jorge Figueira*

O dia 07 de outubro de 1934, a Praça da Sé, em São Paulo, entrou para história devido a um ataque terrorista praticado por grupos socialistas, em especial a Frente Única Antifascista (FUA), contra militantes integralistas que promoviam um ato para celebrar o aniversário de dois anos de existência da Ação Integralista Brasileira (AIB).

A marcha Integralista que teve início pela manhã já transformava a Avenida Brigadeiro Luís Antônio em um mar verde com mais de 10.000 milicianos marchando quando os primeiros incidentes entre comunistas e integralistas tiveram início.

O ponto alto desse conflito, porém, foi na Praça da Sé aonde se concentravam milhares de integralistas vindo de diversas ruas transversais da praça. Por sua vez, os comunistas armados de metralhadoras e escondidos nas sacadas dos prédios, principalmente no edifício chamado de Palacete Santa Helena observavam atentamente a concentração integralista e abriram fogo assim que houve um grande número de militantes concentrados, os tiros tiveram início e logo feriram diversos plinianos, blusas verdes e camisas verdes que ali se encontravam assistindo os discursos dos líderes.

O conflito da Praça da Sé durou cerca de uma hora, durante esse espaço de tempo os camisas verdes tentavam se proteger das metralhadoras comunistas. Alguns integralistas que eram militares, revidaram ao fogo, forçando finalmente os comunistas a se retirarem.

Os milicianos cariocas tiveram um importante papel nesta batalha, a milícia do antigo Distrito Federal marchava à frente do desfile, sendo dessa forma um dos grupos mais visados pelos comunistas que atiraram sobre os integralistas das janelas dos edifícios. Os camisas-verdes cariocas se comportaram com a maior das bravuras permanecendo na praça e entoando o hino nacional. Os dois legionários do Sigma que marchavam a frente da tropa se destacam, os camisas verdes Adhemar Dias de Oliveira e Idelvel Soleade Rebouças que era o porta-flama da milícia, marchando a frente da legião. Este último integralista, segundo o jornal paulista Diário da Noite, foi cercado por um grupo de comunistas que o agrediram a bengala e cacetetes. Desvencilhando-se dos seus agressores, o porta-flama da milícia carioca correu para o local onde se achava o seu chefe entregando-lhe o estandarte e tombando exausto em seguida.

O saldo do conflito foi sangrento, mais de 30 pessoas ficaram feridas e algumas foram assassinadas, entre elas estavam os integralistas Jayme Barbosa Guimarães, falecido no dia 08/10/34 e Caetano Spinelli, falecido mais tarde, em 23/11/34. Vale destacar que o miliciano Jayme Barbosa Guimarães devido a sua bravura durante o conflito foi promovido a Tenente-General pelo Chefe Nacional, inspirando outros integralistas de todo o Brasil a combaterem o comunismo.

Os comunistas demonstraram nesta ação sua índole terrorista ao atacar civis numa festividade comemorativa. E, ao contrário da bravata que costumam espalhar, os Integralistas dominaram a Praça da Sé, de onde expulsaram os comunistas. Ao contrário do que se disse na época, e afirmam nos dias de hoje, o integralismo entre 1934 e 1937, quando a AIB foi fechada, cresceu e se multiplicou, ao contrário das organizações comunistas, até chegar a cerca de 1 milhão de adeptos, pois o ataque da Praça da Sé, com os dois Mártires que gerou, acabou por servir como Propaganda ao Movimento, e comprovou o caráter terrorista e antidemocrático dos comunistas. Encerro esse artigo com a frase publicada no Jornal A Offensiva do dia 11/11/34 do grande integralista Brigadeiro Arthur Thompson sobre os acontecimentos do 7 de outubro de 1934:
“Nós voltaremos a São Paulo quantas vezes forem necessárias”.

* Σ – Publicitário - RJ.

domingo, julho 12, 2009

LIBERDADE, CAMINHO DA ESCRAVIDÃO

Plínio Salgado

Todos os sofrimentos do mundo moderno se originam de um só defeito da grande máquina: a falta de disciplina.

O conceito da liberdade excessiva, o predomínio do individualismo mais desenfreado determinou o desequilíbrio social que perturba o ritmo da vida do nosso século.

Desde a Revolução Francesa, outro não tem sido o grito da humanidade, senão aquele que atroou todos os recantos do mundo e do século:
- Liberdade! Liberdade!

E foi a liberdade que espalhou pelas nações as doutrinas mais contraditórias, as afirmativas mais absurdas, os brados mais lancinantes de angústia do pensamento e do coração.

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Liberdade! Clamava o homem e, clamando, tratava de conquistar os meios com que pudesse exercer, com forte base econômica, a faculdade de ser livre.

Foi assim que se formaram os primeiros capitais da avareza.

Liberdade! Clamavam os banqueiros, e foi assim clamando que dominaram as Nações, escravizaram as indústrias e o comércio, humilharam os produtores.

Liberdade! Clamavam os industriais e comerciantes e, entregues às leis da concorrência, livraram-se da disciplina do Estado, mas caíram no cativeiro dos agiotas.

Liberdade! Clamavam os patrões, e, em nome da liberdade de contrato, passaram a explorar os pobres, e o trabalho humano transformou-se em mercadoria sujeita às leis da oferta e procura.

Liberdade! Clamavam, por sua vez os proletários, os quais, assistindo ao espetáculo de luxo e paganismo de seus chefes, endureceram o coração e lançaram-se nas tremendas lutas de classe, feitas de ódio e de revolta.

Liberdade! Clamavam os pais, os esposos, os filhos, e ruiu a estrutura dos velhos lares felizes e tranquilos.

Liberdade! Clamava a imprensa, e na livre concorrência comercializou-se ao gosto depravado das turbas, que precisou agradar, e dos argentários, aos quais precisou vender-se.

E, em nome da liberdade, o gênero humano caminha para a ruína total, destruindo o ritmo de sua existência com a morte da disciplina.

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A indisciplina destrona a modéstia e erige em ídolo a vaidade e o orgulho; transforma o amor em puro instinto sexual; reduz a amizade a uma questão de oportunidade; considera a honra como um ponto de vista; examina os costumes como relatividade de conveniências; semeia ódio sobre a terra; cria uma civilização de rebelados.

Já o homem não sabe defender-se dos vícios. Libertando-se da disciplina do espírito, cai na escravidão dos instintos.

O homem, agora, é livre. Livre de todos os preconceitos. Não tem sentimento nem religioso nem cívico. A Pátria, que é a Pátria, depois que lhe deram a significação meramente política de “vontade geral”? A Pátria é uma convenção.

Assim julga a mentalidade capitalista. Assim também a imagina a classe operária.

É que a Pátria, ela mesma, é uma expressão de disciplina. E, tendo desaparecido a disciplina, desaparece a Pátria.

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Desta forma a humanidade marcha até a Grande Guerra. Culmina no seu grande delírio e desce, agora, a encosta dolorosa da desilusão, da tristeza surda, da insatisfação.

Essa insatisfação não se aplacará em qualquer regime, seja ele qual for.

O próprio comunismo é uma ilusão. Pois devendo impor uma atroz disciplina, virá contrariar o individualismo, que atualmente busca nele o derivativo máximo.

Liberdade! Liberdade! Nunca o gênero humano foi mais infeliz! Nunca foi tão prisioneiro...

Nem mais escravo.

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E a Liberdade é o supremo dom do homem. É a dignidade da nossa Espécie. É a alegria dos nossos movimentos. É nossa honra e nossa glória, nossa aspiração superior.

Quem a degradou assim? Quem a tornou uma enfermidade e um opróbrio?

O Liberalismo.

Como salvaremos a Liberdade?

Pela disciplina.

Salgado, Plínio. O Soffrimento Universal. 3ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936. Transcrito das páginas 185 até 190.

domingo, abril 12, 2009

MENSAGEM NA SEMANA HERÓICA*
Plínio Salgado.
No meio das tremendas lutas em que nós, Integralistas, nos empenhamos no ardente desejo de criar a Nação Melhor:
Por entre as perfídias, ironias, sarcasmos, injúrias, mentiras, calúnias, sofismas, perseguições e violências que se mobilizam para humilhar-nos, ferir-nos, oprimir-nos;
por entre as confusões e as dúvidas do momento atual, os sobressaltos de cada instante que no seio das famílias sopram como ventos álgidos;
diante do espetáculo de dissimulações, de dolosas reservas, de silêncios criminosos, falsas palavras, vagas ameaças, traições e ruínas da hora presente;
- eis que é preciso, durante, ao menos uma hora, dessarilhar armas, folgar sentinelas ao mundo exterior, aplacar este elã revolucionário que nos impele para meditarmos um pouco sobre Aquele cuja morte comemora esta semana toda a Cristandade.
Abstrair um pouco dessas preocupações de lutas concretas iminentes, de perigos inevitáveis, de maldade dos que, para combater-nos, não escolhem armas, das conjurações de que nos cercam os inimigos da Pátria, e volver os nossos olhos para dentro de nós mesmos, para aí surpreender novas legiões de inimigos do nosso próprio Ideal.
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Quando penso que a massa Integralista, constituída hoje de mais de 400.000 homens, é feita do mesmo barro humano de que são feitos os nossos adversários. E que só a vaidade estúpida nos poderá insinuar que somos diferentes;
quando considero que pesa sobre esse verdadeiro exército de Camisas Verdes a responsabilidade muito maior, a dos que tiveram ocasião de se aproximar mais de perto da verdade e da graça que Deus nos deu de compreendermos as causas desses horríveis efeitos da anarquia social;
quando medito sobre isso, ó Camisas Verdes, sinto que os nossos mais temíveis adversários são as nossas próprias condições humanas, a rebelião dos nossos instintos, a tendência desagregadora que temos de conter, com vontade de aço, em nosso próprio mundo interior.
Estas são as minhas palavras na Semana Heróica. Este é meu grito de sentinela dentro da noite carregada de trevas do Desconhecido Mundo, do Ignorado Universo em que refervem as larvas do limbo da terra de que proviemos, na escuridão dos nossos tenebrosos mistérios interiores.
Estas são as minhas palavras, como as sirenes das naves na cerração traidora; como o alarme do sineiro na noite tétrica; a voz do aviso...
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Esta Revolução Integralista é, principalmente, dirigida contra nós mesmos. É um movimento de libertação. Que cada um se liberte de si próprio. É movimento de humanidade. Que cada um procure se conhecer e corrigir. É movimento de patriotismo. Que cada um procure um modelo de vida mais adequado à harmonia social e à felicidade nacional. É afirmação de espiritualismo. Que cada um conheça as cadeias que o prendem à tirania da matéria, para se livrar delas na ânsia suprema do infinito.
Se este movimento Integralista pretende salvar o nosso Brasil, se pretende fazer dele a Grande Nação objetivadora das supremas finalidades do Homem, cumpre, ó Integralistas, que conheçamos a fundo as causas das desgraças que se abatem sobre nossa Pátria, procurando combate-las, não somente no que vemos em redor de nós, porém, muito mais, no que existe dentro de nós.
Esta é a Semana do Sacrifício. Sacrifiquemos as nossas vaidades. Esta é a semana das meditações: meditemos sobre as enfermidades morais do mundo e do nosso país.
O mundo está doente de covardia e traição. O mundo está roído de orgulho e de rebeldia. O mundo está engorgitado de cólera e despeito.
A reunião de Stresa será nos séculos vindouros considerada ridícula e reveladora de um estado de espírito mórbido, tão mórbido como o pavor recíproco da Inglaterra, da Rússia, da Alemanha, da França e da Itália.
Ninguém mais acredita na letra dos tratados, na ordem interna dos povos, na ordem externa, internacional. A China está em chamas; descem no solo da África as legiões romanas do Fascio; a América do Sul está incendiada e ensangüentada; a Rússia mantém o maior exército do mundo; a Alemanha se arma e o Japão se prepara. Todos se temem, nas relações internacionais. Ninguém fala a verdade. A diplomacia é ainda a velha arte de enganar. A economia está nas mãos de grupos particulares jogando com a sorte do mundo. A imprensa, o cinema, o rádio, todas as formas de publicidade, ao serviço do espírito das trevas, da confusão, da mentira e do escândalo. Os povos se desesperam. No desespero, armam-se. A luta se prepara mais terrível do que nunca.
E, enquanto isso se passa no mundo, como vai nosso país? Nosso Brasil vive o instante mais triste, mais desmoralizador, mais tenebroso. Entramos na época do despistamento. Nunca a política foi mais pérfida, mais perturbadora nas suas tramas, mais indigna na falta de cumprimento de seus compromissos, mais torpe nas suas conspirações e nas suas desumanidades.
Nunca se viu um tempo tão escuro, em que já não se pode escrever o que os homens falam, nem se pode confiar naquilo mesmo que eles escrevem. Chegamos a tal ponto que se criaram duas sortes de opiniões e pareceres: uma para efeito da imprensa, outra apara efeito particular. Mas as próprias opiniões particulares se dividem em duas castas: uma para iludir, outra para enganar. De sorte que já ninguém confia, ninguém fica tranqüilo a respeito da palavra de seu semelhante.
Ilude-se o povo diariamente. Inventam-se mentiras que ele engole; injúrias e calúnias que o envenenam e boatos que o animam ou aterrorizam. As correntes políticas se infiltram mutuamente. Multiplicam-se os espiões. Proliferam os segredos e cochichos. Agitam-se as ambições, as vaidades, os orgulhos. Hipertrofiam-se os personalismos dissolventes. O medo recíproco arma ciladas recíprocas. Os recíprocos ódios preparam botes mortíferos. O cinismo impera. A aflição popular aumenta. A desilusão fere os menos maus. O ceticismo anula os esforços. O materialismo cai sobre todos como um crepúsculo.
Esse é o panorama da nossa Pátria.
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E, pois, que os Integralistas se propõe, no meio de tudo isso, impor ordem à Nação, iniciar uma época de reabilitação de cada um e de todos, é necessário que cada Camisa Verde se coloque em atitude de penitencia diante do Eterno, pedindo-lhe para sua fraqueza, energia; para a sua vaidade, humildade; para seu ódio, coração limpo; para suas ambições, capacidade de renúncia; para seu instinto de prazeres materiais, a aspiração de alegrias superiores.
Camisas Verdes, fazei a revolução interior. Não confieis em vós mesmos, porém, nas virtudes da raça e na graça do Altíssimo. E uma vez que não há modelo na terra que vos sirva de padrão para vosso esforço no rumo do “perfeito”, lembrai-vos do Inocente que foi pregado na cruz. Ele é o cordeiro que tira os pecados do mundo. Só ele nos poderá indicar os seguros caminhos. O mundo esqueceu-se dele. Por isso é que o mundo está morrendo de medo recíproco. Todos os pactos internacionais exprimem a covardia do século. Toda a agitada, dolorosa e humilhante vida nacional que vivemos, entre traições e misérias incríveis, origina-se das mútuas ambições, dos mútuos ódios, das perfídias e felonias recíprocas, da falta de coragem, enfim, para dizer alto o que se pensa.
Ora, toda lição de coragem está na morte do Nazareno. Porque a verdadeira coragem não é sair armado para encontrar outro homem armado, mas é sair desarmado para morrer. O Integralismo que está na rua, desde o Manifesto de Outubro, não sairá das ruas, em hipótese nenhuma, disponha dos elementos que dispuser, encontre-se em que circunstâncias se encontrar, tenha que enfrentar as perseguições que vierem; haja de contar com as incompreensões que surgirem; com as infâmias que lhe assacarem, com as calúnias com que o ferirem e com as violências com que pretenderem abate-lo.
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Se o mundo está morrendo de medo e se nossa Pátria está definhando de terrores generalizados, onde poderemos ir buscar coragem senão n’Aquele que foi o mais corajoso e que perguntou a Pedro, quando este fugia de Roma: “Para onde vai?”
Se os homens se calam de medo uns dos outros, é preciso que falemos claramente a cada um e a todos em conjunto, sempre as mesmas coisas e cada vez mais nítidas.
Se os homens usam a técnica do despistamento, inauguremos a técnica da franqueza. Se as coisas neste país se concertam nas trevas, concertaremos as nossas à luz do sol. Que queremos nós? Uma Pátria cristã; paz nacional pela função política das corporações; o respeito à autoridade oriunda não das trevas das revoluções e das traições à palavra dada, mas oriunda das claras e solares campanhas de formação da consciência popular; a disciplina nacional; o prestígio do Brasil no Exterior; a consciência do dever para cada um, da dignidade e liberdade da pessoa humana; a grandeza da Nação, fundamentada na trilogia sagrada: - Deus, Pátria e Família. Acaso constituirá isso um crime? Se é crime, a Pátria Brasileira já foi dissolvida; se tal não se dá, por que temermos? E se falarmos sempre a verdade, se não iludirmos nosso próximo, nem a nossa consciência, tenhamos certeza, ó Camisas Verdes, que os olhos dos nossos adversários não verão, mas os olhos de Deus nos enxergam no fundo de nossos espíritos e é a Ele que teremos um dia de dar contas de quanto fizermos e de quanto pensarmos.
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Para fazermos tudo isso, poderemos confiar exclusivamente em nós? Que vaidade imbecil terá entrado no coração Integralista que possa levá-lo a exclamação: eu sou perfeito! Ninguém é perfeito neste mundo e o mais que poderemos fazer é nos julgarmos diariamente com severidade antes de julgarmos o próximo. E pedirmos à Energia Eterna, à Soberana Vontade que nos dê fortaleza para imitarmos, ao menos de longe, o modelo de todos os modelos, a luz de todas as luzes.
Essa batalha tremenda nós só poderemos ganha-la contra nós mesmos, pela meditação diária, na hora dos profundos silêncios e desamparadas solitudes, sem outro ponto de referência senão nossa própria luz interior, acerca da vida d’Aquele que foi injuriado pelos maus, que foi guerreado pelos políticos do tempo, que foi caluniado como perdulário por Judas Iscariotes, como comilão e beberrão, pelos fariseus escandalizados porque Ele se sentava à mesa dos publicanos, como desordeiro violento, pelos mercadores do Templo, como transgressor das leis de Moisés, pelos Sumos Sacerdotes, como inimigo das tradições nacionais pelos escribas, como revolucionário, anarquista, charlatão e louco, pelas autoridades romanas.
A linha do equilíbrio entre a justiça e a misericórdia, entre o coração e a razão, entre a bondade e a violência, entre a brandura e a energia, entre o perdão e o castigo, entre a humildade e a autoridade nunca teve um desvio de milímetro na vida extraordinária do Inocente imolado aos pecados do mundo.
Integralistas, eu sei que sois fracos, sei que ainda não sois Integralistas, sei que estais longe do que desejamos todos ser. Eu sei, Camisas Verdes, das vossas inquietações e dos vossos remorsos, quando verificais que não estais procedendo integralisticamente.
Que sabemos nós? Que somos nós? Que nos falta? Como proceder de modo a sermos Integralistas capazes de realizar a Grande Revolução?
Não julgueis, Integralistas, que eu não vos conheça, um a um, desde os mais graduados aos mais obscuros. A circunstância do lugar onde me encontro na direção do nosso movimento me oferece os dados acerca de todos vós. E, em verdade, penso que muito deveis de vos esforçardes para que consigais merecer o título de Integralista.
Nesta Semana do Sacrifício e do Heroísmo, a Semana da Morte de Jesus, da sua Paixão, pensei muito em vós e em mim próprio. Pensei em nosso Brasil.
Agora, que dois mil anos se passaram, e que vemos o espetáculo da Idade Contemporânea, todas as desgraças e todos os desesperos que desabam sobre os povos, como furacões e terremotos, compreendemos bem as causas das infelicidades universais e nacionais. Elas se originam, exclusivamente, da nossa pouca atenção, do nosso esquecimento, acerca dessa Vida, que é modelo de indivíduos, de famílias, de nacionalidades e de humanidade.
Camisas Verdes! Possa o nosso Brasil, na alvorada de uma ressurreição, no milagre de um movimento que pertence menos a nós que aos Desígnios Eternos, levantar-se na glória de um Grande Império, iluminado pela verdade imortal, e tendo nas mãos a chave dos segredos políticos e sociais que, afinal de contas, é modelada pela mesma pequenina chave com que cada um de vós, à força de meditação e de sacrifício, de coragem e de fé, abrirá as portas misteriosas do próprio coração.

* Publicado em “A Offensiva”, Rio de Janeiro, Ano II, Nº 49, 20 de Abril de 1935, páginas 1 e 2.
Este Artigo do Chefe Nacional foi lido em Reunião do NIERJ em 11 de Abril de 2009.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

 MANIFESTO DA GUANABARA.

O Companheiro Victor Emanuel lendo o Manifesto durante o 3º Congresso Nacional da F.I.B.
Breve Histórico: Durante os dias 22, 23, 24 e 25 de Janeiro de 2009 realizou-se o Fórum Integralista Rio 2009, em que foram discutidosos problemas nacionais e as respectivas soluções Integralistas. Como ponto alto do Magna Encontro, foi amplamente debatido e aprovado pelo Plenário do 3º Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira (F.I.B.) - que reuniu-se sob a Presidência do Companheiro Marcelo Silveira no dia 24 de Janeiro -, o Manifesto da Guanabara, redigido pelo Secretário Nacional de Doutrina e Estudos da F.I.B., o Companheiro Victor Emanuel Vilela Barbuy. No dia 25 de Janeiro de 2009, às 11h30min., no Largo do Paço, diante do Monumento ao General Osório, o próprio Companheiro Victor Emanuel leu o Manifesto, lançando-o publicamente. Terminada a leitura, aplausos e Anauês saudaram o Manifesto e seu Autor. A seguir, a íntegra do Documento:
MANIFESTO DA GUANABARA.
Preâmbulo

Nós, os soldados de Deus e da Pátria, reunidos no Largo do Paço, nesta histórica cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, nesta data natalícia da igualmente histórica cidade de São Paulo do Campo de Piratininga, sob as bençãos de Deus, realidade primordial, suprema e absoluta, e em nome Deste, da Pátria e da Família, lançamos o presente manifesto, sabendo que de nosso triunfo ou derrota dependerá o triunfo ou derrota do Brasil e de que moralmente a vitória já é nossa.

Introdução

Art. 1° - O Integralismo é uma Doutrina que, por Deus, Ser Supremo e Absoluto, pela Pátria, Terra dos Pais, que é também nossa e de nossos filhos nascidos ou por nascer, e pela Família, cellula mater da Sociedade, compreende o Universo de um modo integral, pretendendo edificar o Novo Estado, a Nova Sociedade e a Nova Civilização de acordo com a hierarquia de seus valores espirituais e materiais, segundo as leis que regem seus movimentos e sob dependência de Deus, que criou o Homem à sua imagem e semelhança, lhe conferindo uma destinação superior, um destino transcendente.
Parágrafo único: A hierarquia supracitada, em que se fundam o princípio e o exercício da Autoridade, faz prevalecer o Espiritual sobre o Moral, o Moral sobre o Social, o Social sobre o Nacional e, por derradeiro, o Nacional sobre o Particular.
Art. 2º - O Integralismo é um movimento cívico-político que tem por objetivos a felicidade do povo brasileiro, a Justiça Social, a grandeza da Nação, que deve ser redimida e reconduzida à marcha de seu destino histórico, a edificação de um Estado Ético e de uma Democracia Integral e a criação de uma Ordem Jurídica que - emanada da íntima essência nacional, da Tradição e do Passado Integral da Nação, refletindo, pois, o Brasil real, profundo e autêntico – concretize as normas do Direito Natural, levando sempre em conta as circunstâncias de tempo e de lugar.
Art. 3º - O Integralismo, não defendendo expressamente nem a Monarquia e nem a República e reunindo tanto monarquistas quanto republicanos, não é um sistema de governo e sim um regime, podendo ser implantado tanto numa Monarquia quanto numa República.
Parágrafo único: O Integralismo edificará uma Democracia Integral, que poderá ser coroada ou não, de acordo com a vontade consciente do povo brasileiro.
Art. 4º - Não é possível que haja um Novo Estado, uma Nova Sociedade ou uma Nova Civilzação sem que haja um Novo Homem, sendo em razão disto que o Integralismo prega a Revolução Interior, Revolução do Espírito, mudança de atitude em face da realidade e dos problemas, que necessariamente deve anteceder à Revolução Exterior, Revolução das Instituições, que não pode em hipótese alguma violar a Liberdade, a Integridade e a Intangibilidade da Pessoa Humana, de seu livre-arbítrio e dos Grupos Naturais a que esta pertence e nos quais melhor exerce seus direitos e cumpre seus deveres em face da Sociedade, da Pátria e da Família.


Capítulo I: Da Religião


Art. 5º - O Integralismo é um movimento espiritualista, afirmando a imortalidade do espírito e o amor a Deus e à Pátria Celestial acima de todas as coisas.
Art. 6º - O Integralismo é uma frente ampla espiritualista, reunindo pessoas de todos os credos irmanadas na luta contra o materialismo grosseiro e avassalador, tanto em sua face liberal quanto em sua face comunista.
Art. 7º - O Integralismo se propõe a respeitar a liberdade de culto, desde que o culto não constitua uma afronta à Moral, à Ética e aos Bons Costumes ou uma ameaça à Segurança Nacional, defendendo, em matéria de cooperação religiosa, o regime de Concordata, sem prejuízo da autonomia das partes e visando sempre a grandeza e a felicidade da Nação dentro de suas bases cristãs, do ideal cristão sob cujo signo nasceu e floresceu nossa Sociedade.

Capítulo II: Da Pessoa Humana e de seus Deveres e Direitos Naturais

Art. 8º - A Pessoa Humana, substância individual de natureza racional criada por Deus à sua imagem e semelhança, possui um espírito imortal, dotado de inteligência e de livre-arbítrio, devendo encontrar nos Grupos Naturais e no Estado os meios de melhor cumprir seus deveres e de melhor exercer seus direitos, de acordo com sua natureza transcendente.
Art. 9º - O Ente Humano, que tem o mister de praticar, em sua marcha sobre a Terra, as virtudes que o enobrecem, não deve ter seu valor medido pelos bens que possui ou pela classe social ou etnia a que pertence, mas sim por suas virtudes morais, éticas e cívicas e pelo trabalho por ele exercido em benefício do Bem Comum, compreendido este como o conjunto de condições externas adequadas a permitir o integral desenvolvimento do Homem e dos Grupos Naturais.
Art. 10º - O Ser Humano, que deve ter sua Integridade, sua Dignidade, sua Intangibilidade e sua Liberdade respeitadas pelo Estado, é dotado de Direitos Naturais impostergáveis, sagrados e invioláveis, tais como:
I – O Direito à Vida, desde a concepção até à morte natural;
II – O Direito à Liberdade, desde que usada para o bem;
III – O Direito ao Trabalho, direito de cumprir um dever social e humano, remunerado de forma justa, de modo que o trabalhador progrida e se desenvolva moral, ética, mental, social, política e economicamente;
IV – O Direito à Associação, isto é, o direito de se unir a outras pessoas para formar associações autônomas de ordem cultural, científica, social, econômica, profissional ou recreativa, com o fim de proteger os interesses de seus membros e de fortalecer o Bem Comum;
V – O Direito à Religião, direito de cumprir seu dever de confessar a Deus e de prestar-Lhe culto público e privado;
VI – O Direito à Propriedade, dentro dos limites impostos pelo Bem Comum, ou seja, o Direito de Propriedade exercido de modo justo, em proveito de toda a Sociedade;
VII – O Direito de constituir Família por meio do matrimônio e de organizá-la;
VIII – O Direito à Educação Integral, isto é, à formação física, intelectual, ética, moral, cívica e religiosa.

Capítulo III: Do Direito Natural e do Direito Positivo

Art. 11 – O Ente Humano, na esfera de suas aspirações intelectuais, morais e materiais, possui, como vimos, Direitos Naturais decorrentes de sua própria essência e não do Estado, que tem, com efeito, o dever de respeitá-los.
Art. 12 – A Doutrina do Sigma defende o Direito Natural clássico, concreto e autêntico, opondo-se tanto ao Direito Natural laicizante, abstrato e inautêntico do “Iluminismo” quanto ao estatalismo moral-ético-jurídico caracterizado pela crença de que o Estado é a fonte única e exclusiva da Moral, da Ética e do Direito.
Art. 13 – O Direito Natural clássico tem suas bases assentadas sobre a tradição formada pelos filósofos da Grécia, pelos jurisconsultos de Roma e pelos teólogos e canonistas da denominada Idade Média.
Art. 14 – O Direito Natural deve ser completado pelo Direito Positivo, cabendo a este a concretização das máximas gerais daquele, tomando em consideração as circunstâncias de tempo e de espaço e estando plenamente de acordo com a Tradição Integral e o Espírito da Nação.

Capítulo IV: Da Família

Art. 15 – A Família, instituição natural e divina, tendo por fundamento o matrimônio entre pessoas de sexos distintos, é a cellula mater da Sociedade, o primeiro e mais importante dos Grupos Naturais, posto que constitui o nascedouro da vida social e o repositório das mais lídimas tradições pátrias.
Art. 16 – O Estado deve fazer tudo o que for possível para manter a integridade da Família, respeitando a intangibilidade de seus direitos e lastreando sua autonomia com sólidas bases de natureza econômica.
Art. 17 - A fim de que cumpra sua missão natural e histórica, tem a Família o direito:
I - A salário suficiente para atender a suas necessidades morais, intelectuais e materiais básicas;
II – A moradia digna e sã, tanto no aspecto material como no aspecto moral, e que não seja distante de maneira excessiva do local de trabalho;

Capítulo V: Da Propriedade

Art. 18 – A Propriedade Privada é legítima, uma vez que está de acordo com a natureza humana e porque, de maneira geral, tal regime é o que melhor assegura a utilização dos bens materiais e a Liberdade da Pessoa Humana.
Art. 19 – Os bens materiais da Terra estão destinados, antes e acima de tudo, à satisfação das necessidades sociais da Coletividade, de modo que o Direito de Propriedade deve ser exercido de maneira justa, em proveito de todos. Em outras palavras, a Propriedade deve cumprir sua Função Social.
Parágrafo único: A Propriedade que não exercer sua Função Social deverá ser expropriada para fins de Reforma Agrária (caso esteja localizada na zona rural) ou de Reforma Urbana (caso se situe na zona urbana), recebendo seu proprietário indenização justa e prévia.
Art. 20 – Por Reforma Agrária entendemos o conjunto de medidas visando à revisão das relações jurídicas e sócio-econômicas relativas à propriedade e ao trabalho rural, no sentido de uma mais justa e eqüitativa distribuição da terra e da renda, tendo por fim a promoção da Justiça Social, do Progresso e do bem-estar do Homem do campo e o integral, sustentável e harmonioso desenvolvimento econômico e social do País, com a gradual extinção das formas antieconômicas e anti-sociais de exploração da terra, ou seja, do latifúndio e do minifúndio.
Parágrafo único: A Reforma Agrária de que o nosso Brasil carece é uma Reforma Agrária justa, equilibrada, sadia, integral e democrática, sem propósitos ideológicos de qualquer espécie, do mesmo modo que a Reforma Agrária de que não necessitamos é a Reforma Agrária confiscatória, motivada por interesses de natureza ideológica, em proveito de movimentos propagadores de doutrinas estranhas à nossa Tradição e assentadas no ódio, na violência, no terror e na desagregação moral, ética e social.

Capítulo VI: Do Município, da Pátria e da Nação

Art. 21 – De acordo com a Doutrina Integralista, marcadamente municipalista, o Município, cellula mater da Nação, é uma reunião de pessoas livres e de famílias politicamente organizadas, constituindo um Grupo Natural da Sociedade e devendo ser autônomo em tudo aquilo que respeitar a seus peculiares interesses.
Art. 22 – A Pátria, composta dos mortos que a fundaram, dos vivos que a continuam hoje e daqueles que estão por nascer e a continuarão amanhã, é um patrimônio espiritual, uma amplificação da entidade familiar.
Parágrafo único: O Integralismo prega o patriotismo, sentimento espontâneo e decorrente da Lei Natural.
Art. 23 – A Nação é caracterizada por sua Tradição e formada por seus filhos e pelos Grupos Naturais de que estes fazem parte e em que melhor cumprem seus deveres e exercem seus direitos, consistindo em uma entidade inconfundível, um organismo dinâmico dotado de modo de vida, de fórmula sociológica e de missão próprios, decorrentes de seu Passado e Tradição Integral.
§ 1° - O Integralismo sustenta o nacionalismo sadio, construtivo, justo e ponderado, tendente ao Universalismo e entendido como virtude moral que nos impele a amar e defender a Nação e seus superiores interesses, pressupondo não somente o patriotismo mas também o tradicionalismo.
§ 2° - O nosso tradicionalismo não se confunde com o passadismo ou o conservantismo, sendo antes um pressuposto para o verdadeiro Progresso e a verdadeira Renovação.

Capítulo VII: Da questão étnica

Art. 24 – O Integralismo é contrário a toda e qualquer forma de preconceito étnico, considerando que o Ser Humano não deve ser julgado pela cor de sua pele ou por sua etnia, mas sim por seus valores morais, éticos e cívicos e pelo trabalho que exerce em benefício do Bem Comum.
Art. 25 – A Doutrina Integralista considera que as diferentes etnias são diversas mas não adversas, se opondo, portanto, à “luta de raças” que nossa “esquerda” vem tentando implantar no País.

Capítulo IX: Da questão econômica e social

Art. 26 – A Economia deve ser um instrumento a serviço da Pessoa Humana, ao contrário do que tem ocorrido em geral desde pelo menos a chamada Revolução Industrial.
Parágrafo único: Toda a vida econômica da Nação deve estar subordinada ao Bem Comum e ao fim último do Homem, que é o Sumo Bem, isto é, Deus.
Art. 27 – O Integralismo defende o regime da livre iniciativa, que não se confunde com o do livre mercado, devendo o Estado intervir na Economia, em colaboração com a iniciativa privada, de acordo com o Princípio da Subsidiariedade.
§ 1° - O Integralismo prega que a Economia deve ser dirigida no sentido da supremacia do Social sobre o Nacional e do Nacional sobre o Individual.
§ 2º - O Estado deve se contrapor aos interesses dos grandes grupos econômicos e financeiros internacionais que ameaçam a sua Soberania.
Art. 28 – Questão Social é, em sentido estrito, a questão das relações existentes entre o Capital e o Trabalho, notadamente no que tange à situação da classe operária.
§ 1° - A Questão Social só será resolvida pela cooperação de todos, com a adoção de novos processos de regulamentação da indústria e do comércio, de sorte que se evitem os desequilíbrios tão nocivos à estabilidade da Sociedade, e com a socialização e o aprimoramento constante dos Direitos Fundamentais da Pessoa Humana.
§ 2° - O trabalhador deve perceber salário justo e adequado às suas necessidades, ter participação nos resultados de acordo com seu esforço e sua capacidade e tomar parte nas decisões governamentais.
§ 3° - O Integralismo se opõe a luta de classes , defendendo que estas, sendo diversas mas não adversas, podem e devem viver em harmonia.

Capítulo X: Do Estado e da Constituição

Art. 29 – O Estado Integral, síntese nacionalista do Estado Cristão, é o Estado Ético a um só tempo antitotalitário e antiindividualista, que, não constituindo um princípio e nem um fim, mas apenas um meio, um instrumento a serviço da Pessoa Humana e do Bem Comum, está subordinado a Deus e é transcendido pela Ética e movido por um ideal ético.
Art. 30 – O Estado Integral, síntese de uma hierarquia de grupos, existe para proteger o Homem e não para violentá-lo, devendo promover o Progresso e a Renovação com Permanência e realizar a síntese da Civilização Brasileira na Filosofia, na Literatura, no Direito, nas Artes que exprimirão o verdadeiro Espírito Nacional.
Art. 31 – É ao Estado Integral que cumprirá a defesa da Soberania Nacional e a missão de restaurar a grandeza de nossa Nação e de fomentar o seu prestígio no exterior, fazendo com que ela se torne uma Nação efetivamente respeitada no coro das grandes nações, assumindo o papel de liderança que lhe cabe não só na América do Sul, mas também em toda a dita América Latina, no Mundo Lusófono e Hispânico, em todo o Hemisfério Meridional e mesmo em todo o Orbe Terrestre.
Parágrafo único: O Brasil deve lutar pela fundação de três grandes confederações de Estados irmãos unindo moral, cultural, política e economicamente, de maneira respectiva:
I – Todos os países de Língua Portuguesa;
II – Todas as nações da América Hispânica, ressaltando-se que o Brasil é tão hispânico quanto seus vizinhos, da mesma forma que Portugal é tão hispânico quanto a vizinha Espanha, com quem divide o território da Península Hispânica, ou Ibérica;
III – Todo o Mundo Hispânico, composto por todas as Nações de Língua e de Cultura castelhana e portuguesa.
Art. 32 – A Nação Brasileira necessita de uma Constituição que constitua o espelho do País real, do Brasil profundo e autêntico, Brasil das igrejas e demais locais em que elevamos nossas preces a Deus e dos cemitérios em que repousam os nossos antepassados, Brasil de nossas moradas, onde labutamos pelo nosso pão cotidiano e pelo engrandecimento do Bem Comum, isto é, uma Constituição que, ao contrário das demagógicas, abstratas e artificiais constituições burguesas que temos tido e que refletem idéias importadas da Europa e dos Estados Unidos da América, onde, aliás, não são tão menos abstratas e inautênticas do que aqui.
Parágrafo único: A Constituição, que deve, como toda a Ordem Jurídica, emanar da Tradição Integral do Brasil, tem o mister de consagrar todos os direitos concretos do Homem, delimitando da melhor forma possível as competências de cada um dos órgãos e Poderes do Estado, bem como as diferenças entre este e o Governo.

Conclusão

É chegado o momento de, uma vez mais, acordar as forças ocultas que dormem no seio da Grande Pátria e, assim, despertar novamente o Brasil de seu sono e de seu sonho, o reconduzindo às bases morais de sua formação e ao caminho de seu destino histórico.
É chegado o momento de restaurar o Primado do Espírito e a Filosofia Perene e de reconduzir a Ciência Jurídica ao Direito Natural clássico, a Sociedade à Tradição e as relações internacionais ao Universalismo personalista que a chamada Idade Média tão bem realizou.
Devemos ter em mente que de nossa marcha depende não apenas o futuro do Brasil como também o de todo o Mundo e que de nossa marcha depende, ademais, a vitória ou derrota final de nossa Nação.


Secretaria de Doutrina e Estudos da Frente Integralista Brasileira, São Sebastião do Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 2009, no 455º aniversário de São Paulo do Campo de Piratininga.
Anauê!

sexta-feira, janeiro 09, 2009

O Manifesto Integralista de 1932

O MANIFESTO INTEGRALISTA DE 1932

Acácio Vaz de Lima Filho*

Setenta e dois anos são passados, desde que, em Outubro de 1932, Plínio Salgado lançou o seu “Manifesto à Nação Brasileira”, ato inaugural do surgimento da “Ação Integralista Brasileira – A.I.B.”, ulteriormente do “Partido de Representação Popular”, e, por fim, da “Confederação dos Centros Culturais da Juventude” (O Movimento Águia Branca). E a inveterada campanha difamatória lançada ao longo deste tempo contra o Integralismo; campanha partida de fontes marxistas, filomarxistas e liberais, faz surgir a necessidade de esclarecer a geração atual sobre quem era Plínio Salgado, o que é o Integralismo, e quais os seus propósitos.

Em recente artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo”, o insigne professor Miguel Reale, com a autoridade de antigo Secretário Nacional de Doutrina da Ação Integralista Brasileira, abordou o assunto (Vide “O Integralismo Revisitado”, edição de 28-8-2004). Aqui, como antigo Secretário de Doutrina do inesquecível “Grêmio Cultural Jackson de Figueiredo”, tento dar a minha contribuição sobre a matéria.

O primeiro ponto a ser elucidado é o relativo a ter sido, a Doutrina do Sigma, uma concepção do Universo do Homem, de cunho nitidamente espiritualista. Neste sentido, o Manifesto de 1932 assim tem início: “Deus dirige os destinos dos povos”. Assim, o Integralismo surgiu se opondo à concepção materialista, posta em voga pelo marxismo-leninismo. Sucede que a doutrina de Plínio Salgado se opunha radicalmente, também, ao materialismo da concepção liberal-burguesa da Sociedade!... Este ponto é maldosamente escamoteado pela mídia - em parte, dotada de uma ignorância crassa em História - que timbra em apresentar os “camisas verdes” como cães de fila do capital. Isto é injusto e mentiroso: no livro O Espírito da Burguesia, Plínio Salgado demonstra, de maneira irretorquível, em primeiro lugar, que a burguesia, antes de ser uma classe social, é um estado de espírito, marcado pelo egoísmo e pelo comodismo, e, em segundo lugar, que o comunista e o burguês – ambos materialistas – são o verso e o reverso de uma só realidade...


O Integralismo foi a primeira doutrina filosófica e política a valorizar as raças formadoras da Nação Brasileira: o lusitano, o índio e o negro – em uma época em que os “intelectuais” da moda, influenciados – ainda! – pelas doutrinas européias de Chamberlain e de Gobineau, falavam dos indígenas e dos afro-descendentes como de “raças inferiores”. Nesta ordem de idéias, e insurgindo-se contra o reducionismo da Ciência do Século XIX, a Doutrina do Sigma proclamou que não havia causas isoladas para os fenômenos.

Esta foi a Doutrina Integralista, que, na ordem política, econômica e social, preconizou o Estado Ético (isto é, influenciado pela Moral) e buscou uma “terceira via”, entre os excessos do individualismo burguês e os do coletivismo do Comunismo.

E Plínio Salgado? Inteligência polimorfa e espírito culto, foi pensador, ideólogo, historiador, romancista e ... poeta. Fosse este um país sério, e os seus livros O Estrangeiro, O Esperado, O cavaleiro de Itararé e A Voz do Oeste, seriam de leitura obrigatória na Escola Média. Cultuasse este país a sua própria História, e os cadetes de todas as Escolas Militares, os alunos das Escolas de Sargentos, e os reservistas em geral, seriam levados a decorar o Poema da Fortaleza de Santa Cruz, também de Plínio Salgado.

O papel desempenhado pelos integralistas na recente História do Brasil, atesta a importância da Doutrina do Sigma. A Revolução de Março de 1964 foi deflagrada por um integralista, o general Olympio Mourão Filho. O vigente Código de Processo Civil resultou do labor de um outro integralista, o professor Alfredo Buzaid. A Teoria Tridimensional do Direito do professor Miguel Reale (que poderia ser chamada de “Teoria Integral do Direito”), reflete a concepção do Universo e do Homem defendida por Plínio Salgado. E o novo Código Civil foi o fruto do trabalho de uma comissão de juristas chefiada pelo integralista Miguel Reale... Indo além, a Igreja Católica, no Brasil, começou a se preocupar seriamente com os problemas sociais, pela voz do integralista padre Hélder Câmara. Quando a Revolução de Março de 1964, desviada da sua pureza original, desembocou em uma tecnoburocracia insípida, foi o integralista professor Goffredo da Silva Telles Júnior quem, na “Carta aos Brasileiros”, externou os reclamos da nacionalidade!...

Hoje, quando a mídia, a serviço de interesses internacionais inconfessáveis, aponta como modelo para os jovens um homossexual e usuário de drogas, redobra o meu orgulho pelo fato de, em minha juventude, ter pugnado pelos valores da tríade “Deus, Pátria e Família”, na qual continuo a acreditar, pois busco vivenciar o conselho com que Plínio Salgado encerra o “Código de Ética do Estudante”:

“Se és incapaz de sonhar, nasceste velho. Se os teus sonhos te impedem de agir segunda a realidade, nasceste inútil. Se, porém, és capaz de transformar sonhos em realidades, e tocar as realidades que encontras com a luz dos teus sonhos, então, tu serás grande na tua Pátria, e a tua Pátria será grande em ti!”

* Acácio Vaz de Lima Filho, Bacharel, Mestre e Doutor em Direito pela USP (Largo de São Francisco), é Advogado e Professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Publicado originalmente na Gazeta de São João, São João da Boa Vista (SP), em 23-10-2.004, Sábado, pág. 4.
Nós o transcrevemos do periódico Integralista “Sei que vou por aqui!”(dirigido por Gumercindo Rocha Dorea), Ano 1, São Paulo, setembro-dezembro de 2004. Nº 2, págs. III e IV.


sábado, janeiro 03, 2009

A VERDADEIRA MISSÃO DA JUVENTUDE.
Explicação mais que necessária:
Esse texto foi originalmente escrito (1957) para orientar os membros dos Centros Culturais da Juventude, que no seu período de apogeu chegou ao número de 500 Grêmios, reunidos na Confederação dos Centros Culturais da Juventude, presidida por Gumercindo Rocha Dórea e tendo Plínio Salgado como Presidente de Honra. Todos os Grêmios tinham denominações que homenageavam os grande vultos da Nacionalidade, e de seus quadros (os famosos "Águias Brancas") saíram Filósofos, Historiadores, Juristas, Ministros, Secretários de Estado, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos e Vereadores, Professores, Empresários, Sociólogos, Economistas, Escritores, enfim, Brasileiros que se destacaram nas suas respectivas esferas de atuação.

Julgamos de grande oportunidade reproduzir na íntegra esse magistral escrito do Chefe Nacional Plínio Salgado, pois, lamentavelmente, indivíduos pérfidos que se dizem Integralistas estão desorientando jovens apresentando como Integralismo algo que está longe de sê-lo, criando organizações pseudo-Integralistas e engajando jovens ingênuos em atividades que nada têm de Integralistas. Que tais jovens leiam o Texto do Chefe Nacional a seguir, e comparem os rumos apontados por Plínio Salgado com os que são transmitidos pelos chefetes caricatos que os guiam, e tomem uma decisão consciente: Ou ficam com o Integralismo, o autêntico, o do Chefe Nacional Plínio Salgado, ou ficam com o pseudo-Integralismo. E depois, não venham dizer que ninguém os alertou!

A VERDADEIRA MISSÃO DA JUVENTUDE

Plínio Salgado
Se a juventude traz consigo o Amanhã da Pátria é porque dela deverão sair os responsáveis pela sobrevivência da Nação. Prepará-la para que produza os valores humanos, de que a comunidade nacional precisa, deve ser toda a nossa aspiração e o nosso esforço.

A mocidade não se prepara nas ruas, no fragor das batalhas transitórias. Lançar os jovens nas empresas de demolição do Mal, sem a iniciação prévia na ciência e na arte de construir o Bem, será desviá-los de um destino superior. As mais belas campanhas, se resultantes do improviso, hão de ser, inevitavelmente, como estrondo das ondas na superfície do mar. As ondas facilmente se deixam levar pelo magnetismo da lua ou pelos ventos inconstantes que sopram em todas as direções. Só as águas profundas resistem. Só elas trazem consigo as potências da irredutibilidade.

A irredutibilidade no Homem é a estrutura do caráter. O caráter se forja pelo concurso de três elementos: Personalidade, Cultura e Educação. Desenvolver a personalidade, enriquece-la pela cultura, dar-lhe ritmo pela formação moral e espiritual - eis o que nos cumpre quando nos entregamos no magistério da palavra esclarecedora e da ação criadora, no esforço de suscitar o advento de grandes homens para a Pátria.

A mobilização dos moços para uma campanha de moralização, de luta contra os desmandos e contra a degradação dos costumes é iniciativa que merece todo respeito; mas é expediente empírico, visando o tratamento meramente sintomático da enfermidade social. Não vai às raízes da moléstia. Não procura as causas históricas das desgraças que lamentamos.

O conceito moral depende de uma concepção de vida. A concepção de vida decorre do conhecimento da verdade e da compreensão da realidade. Pois a mesma verdade pode ser desvirtuada e abastada na concretização dos seus objetivos, se a mente desavisada opera sob a injunção de circunstâncias desconhecidas.

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Se queremos estabelecer o império da Moral, cumpre-nos promover, antes de tudo, a iniciação dos espíritos nos conhecimento do "verdadeiro" e do "real". Cumpre-nos traçar, com firmeza, a própria definição da moralidade. Do contrário, perder-nos-emos na confusão que o utilitarismo inglês de Bentham e de James Mill lançou sobre o século XIX, a tal ponto que se tornaram imprecisas e contraditórias as noções do "útil" e do "justo". Foi tal a confusão que desnorteou a humanidade, produziu o pragmatismo americano - essa filosofia de mercadores; - o cientificismo evolucionista, que inspirou o delírio de Nietzsche, a gritar nas torres do Pensamento, e as conclusões de Marx, a resmungar e a conspirar no rés-de-chão, dos armazéns de comestíveis e, finalmente, os torpes postulados dessa moderna metafísica de Limpeza Pública, que vibra na pituitária dos faxineiros de Freud.

A iniciação dos espíritos jovens exige trabalho metódico, sistemático. Repele o "dispersivo" para se ater ao "reflexivo". Evita o "extenso" para que predomine o "intenso". E não se entrega à exteriorização sem precede-la de longos dias de interiorização.

O jovem deve construir-se primeiro, para depois pensar em construir a sociedade. A autoconstrução não se faz nas praças públicas nem no fragor das manifestações coletivas; pelo contrário, forja-se no estudo, na meditação, na discussão, na troca de idéias.

Os comícios na ágora de Atenas nada legaram nem para o futuro da Grécioa, nem para o futuro do mundo. Mas os diálogos de Sócrates, os passeios de Aristóteles, o recolhimento nos jardins de Epicuro produziram homens no seu tempo, no tempo da posteridade helênica e romana e até nos dias de hoje.

Os missionários da Companhia de Jesus não se entregavam a vida apostolar senão depois dos prolongados exercícios de Santo Inácio. Construiam-se primeiro, para depois construir os outros.
João Batista não começou a sua campanha contra os desregramentos da sociedade herodiana, sem antes se recolher, anos a fio, nos descritos da Peréia. E a sua réplica anti-Cristã, configurada no Zaratustra de Nietzsche, não iniciou a propaganda do Super-Homem sem ter antes construído a própria personalidade na montanha silenciosa.

A epopéia das Navegações foi precedida pela Escola de Sagres, mas antes desta o preparo se realizara no Castelo de Tomar pelos Freires de Cristo, que por sua vez guardavam as tradições dos Templários.

Não se improvisa um Bolivar, que para suas empresas se preparou culturalmente em longos anos de estudos e de viagens. E um José Bonifácio não surge por acaso no cenário da Independência, porque o Patriarca foi o resultado de uma auto-construção através de longas peregrinações e meditações sobre quanto ia observando na vida dos povos.

A cerimônia ritual em que se armavam os cavaleiros da Idade Média – guerreiros teutônicos ou paladinos da Távola Redonda do Rei Artur – era precedida pelas vigílias d’armas, que simbolizavam a preparação do herói. A vigília d’armas, em nosso tempo, há de ser o adestramento intelectual e a formação moral. Sem isso, não conseguiremos reformar os costumes nem produzir os homens de que o Brasil vai precisar daqui a cinco ou dez anos.

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Se os nossos estabelecimentos de ensino fabricam apenas profissionais e são insuficientes para incutir nos moços brasileiros os sentimentos de civismo, a noção dos deveres, o espírito público; se nos próprios lares, na sua atmosfera materialista e egoísta, as crianças e os adolescentes já não encontram àquele ambiente que propicia o florescimento das virtudes, a aspiração à vida heróica - então, de que elementos nos iremos valer, buscando a Mocidade, para dar ao Brasil aquilo de que essa mesma mocidade está necessitando? Não será perigoso lançar a Juventude, sem os parafernais dos conhecimentos que ela própria possa administrar em seu proveito, numa campanha - ainda que benemérita - em prol de uma indefinida moralidade empírica, sem base de uma formação religiosa, filosófica, histórica e sociológica? Não se transformarão os comícios e as agitações da praça pública em formas de derivativos, a substituir os divertimentos em que se estiola a maioria dos moços em nosso país? Não haverá o perigo de se tornarem os jovens (que é tudo o que esta Pátria ainda possui de esperança) em instrumentos de interesses político partidários?

Moralidade por oposição e visando destruição sem sentido de construção, é moralidade de superfície, promotora de escândalos públicos e sem nenhum resultado positivo para o futuro de uma Pátria que está precisando, antes de tudo, elevar seu nível cultural. Pois se no Brasil existem negociatas, malversações de dinheiros públicos, oligarquias parasitárias, venalidade de funcionários, domínio do suborno e da gorjeta, esbanjamentos e irresponsabilidades, preguiça e imprevidência, ambições irrefreáveis e sensualidades irreprimíveis, temos de convir que o responsável inconsciente por tudo isso é o próprio povo que prefere, sistematicamente, nos comícios eleitorais, os que fazem mais barulho, os que gastam mais dinheiro, os que acenam com mais promessas, os que se mostram mais ignorantes e grosseiros.

Por conseguinte, o problema da moralidade é um problema de cultura. E o problema da cultura popular (formação da consciência de um povo) só será resolvido forjando-se uma geração que possa fazer valer, em face da inversão de todos os valores, os legítimos direitos de orientação de uma forte aristocracia intelectual e moral.

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Forjar essa geração - eis o de que o Brasil precisa. Esse o motivo da fundação em todo o país, dos Centros Culturais da Juventude, filiados à Confederação, que lhes dá unidade, dentro da mesma linha de direção filosófica. Nesses centros se organizam bibliotecas, estimulando-se a leitura dos grandes pensadores do nosso tempo; realizam-se cursos de filosofia, sociologia, história, doutrinas econômicas, geografia; promovem-se conferências sobre temas de interesse humano e nacional; comemoram-se as datas importantes da História Brasileira; estudam-se as personalidades dos nossos estadistas, filósofos, pedagogos. Economistas, militares, artistas, prosadores e poetas; - e mais do que tudo – nesses grêmios se procura criar a mística das virtudes, dos sacrifícios, dos heroísmos, num sentido cristão e consoante os sentimentos mais puros de brasilidade.

Que se lancem campanhas pela moralidade nacional e que para ela se mobilizem os moços, contra isso não podemos, em princípio, nos opor; mas que essas campanhas distraiam a juventude do esforço que ela deve empregar no sentido de construir-se por meio de uma revolução moral interior e de uma elevação intelectual indispensável, contra esse desvio nos opomos. E se uma campanha dessa natureza vier a servir ao interesse de partidos políticos ou da "demagogia da honestidade", que, à mingua de outros predicados de nossos homens públicos, se apresenta hoje como cartaz para a conquista de postos eletivos, então devemos ter a coragem de condená-la. E se, ainda, a habilidade técnica do comunismo internacional intervier sub-repticiamente para utilizar-se como "massa de manobra", desse patrimônio da Pátria, que é Juventude, coordenando-a, sem que ela o perceba, como tem feito a todos os nobres e puros movimentos da opinião sentimental e desprevenida no que respeita às artimanhas dos pescadores de águas turvas, nesse caso devemos estar alertas para prevenir os que não se preparam para conhecer os fatores intervenientes e as circunstâncias advenientes que surpreendem sempre as melhores intenções.

Escrevo estas linhas para os duzentos Centros Culturais da Juventude filiados à Confederação. Para que os seus associados as leiam, as meditem, pondo-se de sobreaviso, e redobrando os seus esforços na obra serena, firme, impertubável, perseverante da construção de suas próprias personalidades como fundamento da construção do Brasil de Amanhã.

(Plínio Salgado. Reconstrução do Homem. 1ª edição. Rio de Janeiro. Livraria Clássica Brasileira. S/data. Págs. 103 e segs.)

Algumas reflexões antes do Congresso "Integralismo para o Século XXI"

Explicação necessária:
O Companheiro Léo Matos - que é o responsável pelo magnífico Portal "Sigma Integralista" -, resolveu alinhavar algumas reflexões como contribuição ao 1º Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira, em Dezembro de 2004. No momento em que está prestes a realizar-se o Fórum Integralista Rio 2009, julgamos oportuno republicar tal Texto, como subsídio aos Companheiros que se reunirão na Cidade do Rio de Janeiro para traçar os destinos do Integralismo, do Brasil e do Mundo.


Algumas reflexões antes do Congresso "Integralismo para o Século XXI".

Léo Matos.*

A Democracia é algo que agrega. O problema é que hoje se confunde Democracia com o sufrágio universal. O sufrágio universal não é a Democracia, ao contrário, destrói a Democracia, pois promove a ditadura da maioria, geralmente cega, manipulada pelos donos do capital.

A Democracia Orgânica, com base nas classes profissionais, o voto familiar e a eleição indireta para cargos do executivo faria uma Democracia funcionar.

Jamais um Camisa Verde verdadeiro pode-se dizer defensor de ditaduras. Ditaduras são manifestações de povos pouco evoluídos, em que as forças vivas da nação ainda não têm capacidade de se fazer presentes na direção da nação. Um Integralista deve saber exatamente o significado e o funcionamento da Democracia Orgânica, que é a Democracia de fato e não o democratismo do sufrágio universal.

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O Integralismo não é de direita. As denominações de direita e esquerda foram criadas para designar os adeptos da economia clássica e do materialismo histórico.
Os frutos da economia clássica e do materialismo histórico são três: Comunismo e seus descendentes, o Liberalismo e seus descendentes e o Autoritarismo e seus descendentes.
O Integralismo, na base, já não pode ser classificado como esquerda ou direita, pois, confia toda a estrutura de sua Doutrina na Concepção Espiritualista do Mundo, e não materialista.

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Empresas multinacionais, não devemos proibi-las. Devemos controlá-las com a ferramenta chamada legislação. O lucro gerado é declarado à receita. É só exigir que esse lucro, ou a maioria (80% ou 90%), deverá ser reinvestido aqui mesmo em nosso território. E ainda, esses 10% restantes seriam altamente taxados quando deixassem nosso país.

Na verdade, para simplificar, devemos preparar "armadilhas" legislativas para que as empresas venham, fiquem e que reinvistam dentro do país. O que acontece hoje é que elas têm lucros e mandam tudo para fora. Sei que isso pode afastar empresas de médio porte, porém empresas grandes continuarão interessadas no país, pois, nosso mercado é muito bom.

Σ

Enfim, algumas medidas sugeridas:
1º Uma reforma política, acabando com os partidos políticos que dividem a nação e o sufrágio universal, fazendo a Democracia Funcional Orgânica, onde os representantes de cada classe profissional elegerão seus representantes dentre eles, acabando com a falta de representatividade da Democracia atual. Os congressistas eleitos escolherão os líderes executivos.

2º Substituição do senado (poder dos estados) pela Câmara Orgânica (poder das classes profissionais).

3º Diminuição do poder dos estados (estados dentro dos estado), transformando-os em Províncias.

4º Privilegiar os Municípios e não as Províncias no repasse de recursos.

5º Incentivo ao ensino moral e cívico em todas as instancias do ensino.

6º Valorização legislativa da instituição familiar, com a legalização do voto familiar, que seria inserido na Democracia Orgânica, valorizando o grupo social que precede todos os outros.

7º Valorização das Forças Armadas e subordinação das policias estaduais à policia federal.

8º Acabar com a reeleição.

9º Programas de recuperação e valorização cultural.

10º Programas de incentivo aos empreendimentos, com o objetivo de desafogar o mercado de empregos.

11º Admitir e procurar a posição de liderança da América do Sul e África.

Termino relembrando um trecho do Capítulo 7º do Manifesto de Outubro:
"A questão social deve ser resolvida pela cooperação de todos, conforme a justiça e o desejo que cada um nutre de progredir e melhorar. O direito de propriedade é fundamental para nós, considerado no seu caráter natural e pessoal."

* Σ – São Paulo – SP.

sábado, dezembro 27, 2008

FÓRUM INTEGRALISTA RIO 2009.

Brasileiros!
Em 2009 serão realizados dois Fóruns no Brasil: O Fórum Social Mundial e o Fórum Integralista Rio 2009. O primeiro - uma reunião onde estrangeiros e Brasileiros apátridas simularão um discurso de dissidência à Globalização, trata-se de oposição consentida ao Capitalismo Financeiro Internacional -, terá ampla cobertura de toda a Imprensa, Nacional e Internacional; o segundo, o Fórum Integralista Rio 2009, não terá qualquer cobertura jornalística, exceto por alguma ocasional notícula, invariavelmente caluniando o Integralismo, como é praxe. Todavia, se o Fórum Integralista não é financiado pelo Banqueirismo Internacional, se o Fórum Integralista não terá a presença de milhares de assalariados de Ongs, se o Fórum Integralista não terá uma linha benévola do Jornalismo, o Fórum Integralista terá em compensação algo muito mais precioso: VOCÊ! Sim, você, Brasileiro Consciente, que não se deixa levar e imbecilizar pelo lenga-lenga "politicamente correto". Você, Brasileiro Inteligente, que pensa com a própria cabeça, não aceitando que os meios de comunicação de massa ditem o que deve ser pensado. Você, Brasileiro Politizado, que crê na Verdadeira Liberdade e que recusa participar dessa pantomima, dessa farsa grotesca, que é a falsa liberdade com que o Liberalismo vem enganando os Povos. Você, Brasileiro Nacionalista, que recusa terminantemente o internacionalismo, seja o de direita (Capitalismo), seja o de esquerda (Marxismo). Sim, com a parcela esclarecida da População Brasileira pode contar o Fórum Integralista Rio 2009, enquanto o Fórum da burguesia podre só poderá dispor dos milhares de empregados das Ongs, mas, que serão exibidos na TV como milhares de participantes ‘voluntários’ vindos de todo o mundo...
Portanto, Brasileiro, seja você Integralista ou não, compareça ao Fórum Integralista Rio 2009, pois, sua participação é fundamental para traçarmos os Rumos de nossa Pátria. Mais uma vez, o Integralismo, reafirma o seu papel de Porta-Voz autêntico do Povo Brasileiro, e todos os que amam a Nação Brasileira não poderão deixar de trazer sua contribuição para a Construção do Brasil Grande que todos sonhamos.
Veja o Vídeo sobre o Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismo.org.br/novo/?
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Inscreva-se no Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismorio.org/rio2009/inscricao.html
Quaisquer dúvidas sobre o Fórum Integralista Rio 2009, escrevam para: rio2009@integralismorio.org
Brasileiro, PARTICIPE!

Pelo Bem do Brasil!
Anauê!
Sérgio de Vasconcellos.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O Homem Integral, de Plínio Salgado, seria o mesmo que o Super-Homem, de Nietzsche?*

Sérgio de Vasconcellos.**
Em 1991, o Companheiro Ubiratan Pimentel empregou, no Manifesto da Ação da Juventude Integralisa – JI., a expressão “super-homem”. Imediatamente, diversos Integralistas protestaram – Oldemar Veiga Magalhães (de Santa Catarina), Jáder Araújo de Medeiros (do Rio de Janeiro) e outros -, pois, sustentavam que a concepção nietzscheana era anti-Cristã, logo, incompatível com o Integralismo.

Diante da geral reclamação, o Companheiro Pimentel veio a público dar as explicações necessárias:

1º. Que apesar do Manifesto ser destinado ao Jovens de todas as Idades, pois, conforme a Palavra de Ordem do Chefe Nacional Plínio Salgado, no Integralismo ninguém envelhece, ele não poderia ignorar os leitores mais jovens cronologicamente, para os quais o termo “super-homem” é familiar e certamente teria aceitação por causa de uma certa história em quadrinho e não pela obra filosófica de Nietzsche.

2º. Que o próprio Plínio Salgado utilizara o termo “super-homem”, mas, conceituando-o de forma distinta da de Nietzsche. Se bem que, o Chefe posteriormente substituira “super-homem” por “homem superior”, justamente para impedir que os pescadores de águas turvas o fizessem ser partidário de idéias que nunca perfilhou. Eis as palavras exatas de Plínio Salgado:
“Evidente que, após tão largo período, em que nunca descansei no estudo dos problemas humanos e nacionais, tive de exercer sobre mim mesmo uma autocrítica rigorosa, expungindo de quanto anteriormente havia escrito tudo aquilo que se prestasse a interpretações deformadoras da doutrina que esposo. Meus mais recentes trabalhos ganharam em clareza de exposição e em capacidade estilística e didática, apresentando-se com a terminologia e as expressões mais adequadas à tradução do pensamento espiritualista, cristão, nacional-brasileiro, que é a espinha dorsal da minha construção filosófico-política”(1).

3º. Que sendo fato inquestionável o seu caráter de Integralista ortodoxo, não poderia a expressão “super-homem”, usada no Manifesto de sua Autoria, ser entendida fora do Conceito de Homem Integral, e que, portanto, o “super-homem” proposto aos Jovens da J.I. era o oposto do “super-homem” de Nietzsche.

Tais explicações foram perfeitamente aceitas pela Velha-Guarda, que considerou-as satisfatórias e corretas, tendo o Manifesto da J.I. ampla difusão nos meios Integralistas, circulando como panfleto ou sendo publicado em periódicos Integralistas, como o “Alerta!”, do saudoso Companheiro Arcy Lopes Estrella.

Σ

Hoje, volvidos tantos anos, toda uma nova geração aproximou-se do Sigma, mas, no entanto, muitos jovens tem idéias completamente equivocadas sobre a nossa Doutrina. Sem conhecimentos exatos das nossas Idéias, ouvindo falar que sustentamos os Conceitos de “Vida Heróica e Revolucionária”, de “Homem Superior”, de “Super-Homem”, de “Homem Integral”, de “Homem Novo”, e sem preocupar-se em apreender e aprender o que queremos dizer com tais expressões, associam-nas ao “super-homem” de Nietzsche, que, aliás, só conhecem imperfeita e superficialmente. Assim, assistimos estupefactos o surgimento de um Integralismo nietzscheano, uma monstruosidade ideológica, fruto da ignorância de muitos e da má-fé de alguns. Cumprimos, pois, um dever, vindo desfazer essa confusão, expondo o Conceito de Homem Integral, genialmente proposto por Plínio Salgado, confrontando-o com o “super-homem” imaginado por Nietzsche.

Σ

Desacreditando de Deus e desprezando aos Homens – particularmente aos seus contemporâneos alemães -, toda a obra de Nietzsche é fruto de uma necessidade existencial de tentar forjar uma Filosofia que substituísse as Crenças Cristãs Protestantes em que fora criado.

Assim, Deus é substituído pela “terra”, a Imortalidade da Alma pelo “eterno retorno”; para substituir Nosso Senhor Jesus Cristo inventa “Zaratustra” (que não deve ser confundido com o Zaratustra ou Zoroastro histórico); propõe a transmutação de todos os valores, a adoção da “moral dos senhores” que substitui a “moral dos escravos, isto é, a Moral Judaico-Cristã; o Homem Novo paulino, fraco e covarde no seu entendimento, deve ser suplantado pelo “super-homem”, orgulhoso e sem compaixão. Lamentavelmente, escapa inteiramente aos limites e finalidade deste, examinar a filosofia de Nietzsche(2), cotejando-a com a Filosofia Integral. Passemos, pois, ao super-homem.

Não reconhecendo nenhuma realidade além da material, Nietzsche, só admitia no homem a dimensão corporal, não existindo uma alma, nem qualquer forma de sobrevivência pós-morte, exceto pelo “eterno retorno”. Ora, Nietzsche só enxergava nos homens os seus vícios e fraquezas – fúteis, vaidosos, mentirosos, vis, mesquinhos, pusilânimes, subservientes, comodistas, etc. -, e atribuía ao Cristianismo a origem de tais males, com sua “moral de escravos”, com o seu niilismo. Então, preso as concepções evolucionistas de sua época, afirma que o único papel do homem é ser o elo intermediário entre o macaco e o super-homem. Que o super-homem seria senhor de seu próprio destino, criador de sua própria tábua de valores morais, um aristocrata que só reconheceria como igual, um outro super-homem. Tudo aquilo que o Cristianismo reconhece como valores morais edificantes – a humildade, a paciência, a mansuetude, o amor ao próximo, etc -, são inexistentes no super-homem que cultiva outras virtudes, virtudes mais elevadas, mais belas, pois, não negam a vida, afirmam-na em sua implacabilidade. Eis as virtudes morais do super-homem: Crueldade, egoísmo, amoralidade, completa falta de compaixão, enfim, exercício livre de sua “vontade de potência”. Exemplos históricos de super-homens: César Bórgia e Napoleão Bonaparte, que não se detinham diante de coisa alguma para dar plena expansão a vontade de poder.

O super-homem é a exaltação máxima, ensoberbecida e desenfreada do Individualismo. “O Homem, no individualismo, hipertrofia-se. Ele parte de Rousseau e vai a Nietzsche”(3). Nada, portanto, mais distante do Pensamento Integralista, que é Espiritualista, Cristão, democrático e pluralista.

Eis o que o Chefe disse sobre Nietzsche, em Discurso na Câmara Federal, na Sessão de 30 de Novembro de 1961:

“Surgiram concepções do homem, as mais variadas, no século passado(4),as quais ainda influem poderosamente nas mentalidades de nosso tempo; e cingindo-se todas elas a interpretações fragmentárias, ou confusas. Examinemos algumas. A concepção de Frederico Nietzsche: entendeu ele, baseado no evolucionismo inglês e no materialismo dominante em quase toda a Europa, que o homem atual é uma transição apenas para a realização do homem do futuro. Pregou a teoria do super-homem anticristão, contrário a toda idéia de piedade ou complacência. Pregou a doutrina do orgulho e da crueldade, e justificou, mediante a evolução das espécies e as teorias materialistas, toda a atitude humana no sentido da ambição do poder.

“Essa concepção do homem agigantado, que ultrapassa a linha média de sua própria realidade, teve em contraposição o conceito marxista do ser humano. O conceito marxista é contrário ao de Frederico Nietzsche, que concebia o homem agigantado, o homem forte, o homem violento, o homem orgulhoso, inimigo de toda bondade cristã. Frederico Nietzsche foi sincero, foi um dos homens mais sinceros de seu tempo. Anti-Cristão, pregou abertamente o anti-Cristianismo, já no seu livro Assim Falava Zaratustra , já nas páginas audaciosas do Anticristo, onde se sublinha nas expressões do seu ateísmo, do seu materialismo e da sua mensagem aconselhando a violência, o arbítrio e o domínio”(5). 

Numa Conferência pronunciada em 1944, durante o seu exílio em Portugal, Plínio Salgado vai fazer as seguintes paradoxais ponderações:

“Como conseqüência de todas essas correntes do pensamento e do cientificismo experimentalista de Lamarck, Darwin, Wallace, Haeckel e dos seus predecessores no século XVIII, cujas raízes mais remotas se embebem no indutivismo de Bacon, surgiram duas figuras de grande atualidade em nossos dias: Frederico Nietzsche e Karl Marx.

“Ambos se servem do individualismo, para fins aparentemente opostos mas, na realidade, os mesmos.

“É curioso notar como ambos investem furiosamente contra o Cristianismo. Enquanto Nietzsche acusa a doutrina de Cristo de ser a doutrina da tristeza, da humilhação, da subserviência, contrária à livre expansão das forças heróicas do homem, o outro, Karl Marx, aponta a religião do Mestre, e todas as outras, como um empecilho ao desenvolvimento da luta de classe e da revolução do proletariado.

“Tendo por objeto de sua elocubrações esse mesmíssimo homem que os panfletários materialistas indicavam como o centro das concepções religiosas do universo, tanto Nietzsche como Marx não consideravam a criatura humana dentro daquele senso de proporcionalidade que nos veio do Evangelho e que se exprime em tão harmoniosa forma na “Filosofia Perene” de Tomás de Aquino.

“Nietzsche viu o homem, porém hipertrofiado na desmedida ambição do domínio e na expansão de todas as forças bárbaras da violência implacável e do sonho insensato de poder e de glória. É o Super-Homem esmagando todos os preconceitos morais e sacrificando os seus semelhantes na construção de um mundo de refulgentes castelos e lendários heróis. É o Ser Humano repelindo a caridade e a humildade, como virtudes negativas ao convívio esplêndido dos fortes, e forjando o coração como o aço frio das espadas.

“Marx viu também o Homem, porém, amesquinhado e reduzido pelo egoísmo vulgar e pela aspiração a um nivelamento destrutor das marcas expressivas da personalidade. O homem deslocado dos grupos naturais, isolado no individualismo, depois pulverizado pela concorrência capitalista e pelas triturações da “cluta de lasse”; finalmente fundido no rebojo da revolução e transformado em simples molécula na pasta amorfa da grande massa plasmável ao gosto dos dirigentes cruéis. Não mais o Super-Homem de Nietzsche, mas o Sub-Homem, o Homo Economicus a que se reduziu o Homo Sapiens; o Homem sem Deus, sem Pátria, sem Família, sem moral e – o que é mais doloroso! – sem aquilo que o seu egoísmo mais amou: a sua liberdade.
“Sim: essa famosa liberdade de que tanto lhe falaram terá sido apenas um andaime para a construção do edifício socialista; e agora, que a construção terá terminado, para que serve a liberdade senão para esconder a obra dos grandes arquitetos?

“É aqui que se encontram Nietzsche e Marx. Partiram de extremidades opostas, mas atingiram o mesmo ápice. Ambos filhos do individualismo de Rousseau e do materialismo científico, e tomando como base de seus raciocínios o egoísmo implacável do Homem na ânsia de satisfazer os seus instintos: o primeiro proclama o direito dos étnica e biologicamente privilegiados se elevarem dominadoramente sobre as massas, ao passo que o segundo reivindica para as massas o direito de absorverem todos os seres humanos na expressão uniforme de um coletivismo arrasador.

“Cria Nietzsche o monstro Singularidade Humana, feroz como os deuses antigos, tendo por pasto de seus apetites as multidões inermes. Cria Marx o monstro Pluralidade Humana, terrificante e tenebroso, alimentando-se de todos os caracteres específicos da personalidade, apagando relevos e polindo arestas de tudo o que no Homem possa revelar a originalidade do seu espírito.
“Entretanto, para existir o Super-Homem de Nietzsche, é necessário que exista a massa coletiva dos Sub-Homens de Marx. E para que exista o coletivismo marxista é forçoso existirem Super-Homens dirigentes, de fisionomia, estrutura, sensibilidade e concepção da vida exatamente as mesmas descritas no tipo dominador, engendrado pela poderosa alucinação de Nietzsche.

“E, dessa maneira, as duas mais eloqüentes antíteses, criadas no século XIX, encontram-se e fundem-se na mesma expressão delirante de um mundo de brutalidades e de rebaixamento do Homem; do Homem que se pretende arrancar do trono que Deus lhe outorgou desde o instante em que a argila foi animada pelo sopro divino do Criador.

“Não é, pois, para nos admirarmos que os dois pensamentos – o de Frederico Nietzsche e o de Karl Marx – hajam dado origem a normas de vida em tudo semelhantes e tão contrárias ao sentido de equilíbrio e de harmonia que procede da religião cristã”(6). 

E na Faculdade de Direito do Recife, em 1933, Plínio Salgado vai nos dizer:

“Entretanto, contrapondo-se à mediocridade do pensamento burguês, e ao oportunismo conformista dos adeptos de Marx, ergueu-se uma voz no século XIX, que vibrou como um protesto universal. Foi a voz de Frederico Nietzsche.

“Contra o individualismo rasteiro, da democracia liberal, e contra o coletivismo, anulador da personalidade humana, o pensamento gritante do criador de Zaratustra tem o valor de uma revolta, sibilando, como um chicote de fogo às faces do século científico.

“Em Nietzsche encontramos a atitude anticristã do desprezo aos humildes, de glorificação dos homens superiores. Atitude condenável de orgulho, de superdivinização dos heróis, ela teve o mérito, porém, (tão certo é que Deus fala pela boca de seus próprios inimigos), de mostrar, no instante em que delineava a marcha coletivizadora, a anulação completa do indivíduo, prestes a transformar-se em peça da máquina, esta verdade suprema: - O Homem existe!

“E Nietzsche é a grande luneta de aumento, na hora em que o homem começava a perder a estatura moral e a desaparecer escravizado na massa.

“Eis porque hoje verificamos que Nietzsche foi também um trecho da verdade, deturpada pelas projeções exageradas com que se apresentou.

“Era preciso que aparecesse Marx, para mostrar as conseqüências de uma civilização materialista. Marx, por certo, é o próprio interprete da burguesia, falando uma linguagem estranha, que a sociedade materialista, em pavor, não reconhece. E a voz de Marx, é a sua própria voz!

“Ele quer a destruição do indivíduo, que será assimilado, para sempre, no monstro Coletividade. O deus de Comte, burguês prudente e cauto, transfigura-se no Moloch aterrador do socialismo. O homem se animaliza; torna-se menos do que um animal, porque é uma peça de máquina.

“Sobre esse panorama da miséria, reboa a voz de Zaratustra que desce da montanha.

“Mas ele, sendo também o erro, é o contra-veneno de Marx.

“O marxismo quer os anões do Niebelungen; Nietzsche conclama os gigantes da montanha.

“Nós, Integralistas, não queremos nem o anão, nem o gigante, mas, apenas, o Homem.

“O Homem Integral”(7).

Mas, então, afinal, o que é o Homem Integral? E por que Homem “Integral”, e não simplesmente o “Homem”?

A expressão “Homem Integral” foi e é necessária na medida em que realça, que assinala, que caracteriza a nossa Concepção do Ser Humano, isto é, que o Homem deve ser compreendido na sua inteireza, íntegro. A Concepção Integralista do Homem se distingue exatamente por isso: Enquanto destacados Pensadores, nos últimos três séculos, tendo abandonado o realismo filosófico para entregar-se ao fantasioso devaneio filosófico, brindaram a Humanidade com as mais variadas, desencontradas, fragmentárias e unilaterais concepções do Homem, o Integralismo, reatando a linha de equilíbrio, vai nos dar uma definição precisa do Ser Humano(8).

O Integralismo, partindo de uma concepção substancialista do Homem, aquela de Boécio, não se deixa extraviar por nenhum escapismo religioso. O Homem – criado por Deus - é “uma dualidade consubstancial exprimindo-se numa unidade substancial”, isto é, não é apenas corpo ou apenas alma, mas, ambos unidos e exprimindo-se substancialmente. Ora, sendo o Homem o conjunto de corpo e alma, ele tem necessidades materiais, físicas (alimentar-se, morar, vestir-se, etc.), bem como, necessidades intelectuais, morais e espirituais, ligadas a sua finalidade transcendente. A Felicidade Humana, portanto, é a plena realização das aspirações e finalidades do Homem nas esferas material, intelectual e espiritual(9). Ora, evidentemente, no mundo contemporâneo, a efetiva Realização Integral do Ser Humano está longe de acontecer. Daí a necessidade de instaurarmos um novo regime, que garanta a Liberdade e a Intangibilidade da Pessoa Humana e de suas projeções (a Propriedade e os Grupos Naturais – a Família, os Grupos Profissionais, Culturais e Políticos, o Município, a Nação e a Sociedade Religiosa): O Estado Integral. Somente na Civilização Integralista, o Homem, consciente de seus Direitos e Deveres, poderá afirmar-se livremente, pois, não será uma mercadoria sujeita a lei da oferta e da procura, como no capitalismo, nem uma engrenagem da máquina no coletivismo marxista, e nem tampouco um megalomaníaco como o “super-homem” de Nietzsche, e sim, apenas e simplesmente, o Homem, o Homem Integral(10). 

Anauê!

* Palestra proferida em de 06 Dezembro de 2008, na Sede dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB – RIO).
* * Σ – Rio de Janeiro. Comerciante. Secretário de Doutrina dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB – RIO).
NOTAS:
1 Plínio Salgado – O que é o Integralismo (1933). 6ª edição. São Paulo. Editora das Américas. 1959. Prefácio da 5ª edição (1955). Págs. 15 e 16.
2 As principais obras de Nietzsche, de leitura indispensável para quem desejar realmente conhecer suas idéias, são: A Origem da Tragédia(1872), Considerações Intempestivas(1873-1876), A filosofia na Idade Trágica dos Gregos(1873), Humano, demasiado humano(1878), O Viandante e a sua Sombra(1880), Aurora(1881), Gaia Ciência(1882), Para Além do Bem e do Mal(1886), A Genalogia da Moral(1887), O Crepúsculo dos Ídolos(1889), O Anti-Cristo(1895), Vontade de Potência(1901), Ecce Homo (1908) e, o mais famoso, Assim Falava Zaratustra(1883-1885).

3 Plínio Salgado – “Palavra Nova dos Tempos Novos” – 1ª edição – Rio de Janeiro – José Olympio – 1936. Pág. 58.

4 Refere-se ao Século XIX.

5 Plínio Salgado – “Discursos Parlamentares” – Brasília – Câmara dos Deputados – 1982 – pág. 45

8 Plínio Salgado – A Aliança do Sim e do Não (1944) – 4ª edição – São paulo – Editora das Américas – 1955 – págs. 39 e segs.

7 Plínio Salgado – A Quarta Humanidade – 1ª edição – Rio de Janeiro – José Olympio – 1934 – págs. 107 e segs.

8 Plínio Salgado – O Integralismo na Vida Brasileira – Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira/Edições GRD – S/data – pág. 177.

9 Plínio Salgado – Direitos e Deveres do Homem – 3ª edição - São Paulo – Editora das Américas – 1955 – págs. 233 e segs.; 243 e segs.

10 Aos que realmente desejarem conhecer o Pensamento de Plínio Salgado, sugerimos o estudo dedicado de suas Obras, entre as quais destacamos como principais as seguintes: O Estrangeiro(1926), Literatura e Política(1927), O Oriente(1931), O Esperado(1931), Manifesto de Outubro(1932), O Cavaleiro de Itararé(1933), O que é o Integralismo(1933), Psicologia da Revolução(1933), o Sofrimento Universal (1934), A Quarta Humanidade(1934), Despertemos a Nação!(1935), A Doutrina do Sigma(1935), Palavra Nova dos Tempos Novos(1936) Páginas de Combate(1937), O Poema da Fortaleza de Santa Cruz(1939), Vida de Jesus(1942), A Aliança do Sim e do Não(1944), Conceito Cristão da Democracia(1945), Manifesto Diretiva(1945), A Mulher no Século XX(1946), Como Nasceram as Cidades Brasileiras(1945), Madrugada do Espírito(1945), Primeiro, Cristo!(1946), O Integralismo perante a Nação(1946), Discursos -1ª Série(1948), Direitos e Deveres do Homem (1948), Extremismo e Democracia(1948), O Espírito da Burguesia(1951), Mensagem às Pedras do Deserto(1954), O Ritmo da História(1955), Páginas de Ontem(1955), Mensagem ao Povo Brasileiro(1955), O Livro Verde da Minha Campanha (1956), Doutrina e Tática Comunistas(1956), Reconstrução do Homem(1957), O Integralismo na Vida Brasileira(1958), Palestras com o Povo(1959), Poemas do Século Tenebroso(1961), Compêndio de Instrução Moral e Cívica(1964), Trepandé(1972), Discursos Parlamentares(1982).




sexta-feira, novembro 28, 2008

"DIREITAS" E "ESQUERDAS"

Plínio Salgado.

A sangrenta heresia do comunismo não se combate também contrapondo-lhe a chamada reação das "direitas". A concepção de "esquerdas" e "direitas" no domínio político é uma concepção do século XIX, o século que deu começo consciente à chamada "luta de classes", baseada no antagonismo entre o capital e o trabalho.

É preciso dizer-se que não foi Marx quem concebeu o mundo dividido em dois campos de interesses materiais antagônicos; foram os chamados liberalistas. Quebrada a concepção espiritualista da sociedade, estabeleceu-se a luta entre os agrupamentos políticos, assim como a luta entre os agrupamentos econômicos, aqueles regidos pelas múltiplas ideologias contraditórias e estes pela lei da oferta e da procura. No campo econômico, os produtores de mercadorias, com o fim de vendê-las em melhores condições e mais barato do que os seus adversários, tiveram necessidade de usar de dois expedientes: aumentar a eficiência das máquinas e baixar o custo da mão de obra. O trabalho humano foi considerado uma mercadoria sujeita à lei da oferta e da procura, perdendo toda a nobre significação e espiritualidade que lhe imprimia o cristianismo. Tornando-se as máquinas mais aperfeiçoadas, de modo a uma só produzir por centenas de homens, o trabalho humano tornou-se uma mercadoria menos procurada e, portanto, mais barata. As conseqüências na vida individual e familiar eram evidentes: aumentou a pobreza dos operários enquanto avultava a riqueza dos grupos financeiros e das nações industriais.

Essa situação gravíssima vem pintada com realismo cru na encíclica Rerum Novarum, do Santo Padre Leão XIII, nos fins do século XIX. Foi dentro de tal situação que o Manifesto Comunista de 1848 lançou o brado: "operários de todo o mundo, uni-vos!" Esta a luta impropriamente denominada "do capital e do trabalho", porque na verdade o marxismo não pretende suprimir o capital como soma de trabalho acumulado, mas apenas como privilégio de indivíduos ou de grupos, passando, entretanto, o capital para as mãos do Estado, que se torna o único patrão e que exerce as funções dos antigos capitalistas, substabelecendo os seus poderes a favor de uma burocracia, o que vem, em última análise, recompor a situação anterior do predomínio de uma classe. Economicamente a verdadeira luta do comunismo é contra a propriedade familiar, já que a revolução dialética precipita as etapas da evolução capitalista, atingindo o grande monopólio do socialismo de Estado, forma em que se completam todos os monopólios de grupos, que também atentam contra o princípio da pequena propriedade, base física da família, e propulsionando a crescente proletarização das massas, razão pela qual foram condenados pela encíclica de Leão XIII e, em nossos dias, pelas de Pio XI e Pio XII.

Mas, para armar ao efeito, o marxismo diz lutar contra o capital e contra o chamado "imperialismo econômico" das nações favorecidas pelo maior acúmulo dos meios de produção. Esse cartaz deu à batalha social um caráter de internacionalismo. Influindo no mundo político, gerou a concepção de "direitas" e de "esquerdas", entendendo-se por "esquerdas" tudo aquilo que favorecia o desenvolvimento da revolução, pelo que se incluiu na linha do "esquerdismo" os chamados "reformistas", constituídos pelos liberais avançados, pelos socialistas moderados, pelos burgueses progressistas, enfim pelos transacionistas de todos os credos políticos fundados no indiferentismo religioso ou num cristianismo de elástica transigência.

Hoje, entretanto, já não se pode dizer que existam "direitas" e "esquerdas". Essa manobra tática do marxismo não ilude mais a ninguém. O nazismo, por exemplo, foi considerado por muitos um movimento das "direitas" mas a sua base filosófica era a mesma do comunismo, pois partia de uma concepção meramente biológica do homem e de nítido conceito materialista da crítica histórica e os seus fins identificavam-se com os do comunismo, pela ereção de um Estado Totalitário destruidor da personalidade humana. As chamadas democracias poderiam ser tomadas como expressões das "direitas" colocando-se num campo antagônico ao totalitarismo soviético, mas essas democracias além de serem agnósticas, isto é, não considerarem os problemas do Espírito, fundam-se no mesmo princípio doutrinário da transformação social segundo o ilimitado processo dialético de Hegel adotado pelo marxismo, porque subordinam os tipos de Estado e de Governo, as formas sociais e as normas jurídicas, não ao critério de uma imutável concepção dó mundo e das leis imprescritíveis da moralidade impostas por Deus, mas ao critério aritmético das maiores somas de votos, o que leva as ditas democracias a negarem-se a si mesmas nas conseqüências dos atos eleitorais.

Temos, assim, uma nova forma de totalitarismo, — o totalitarismo das democracias agnósticas, totalitarismo despótico das massas, cujo peso quantitativo manobrado por hábeis técnicos da formação da opinião pública e pelo poder do dinheiro, conforme salientou o Santo Padre Pio XII, atenta contra os direitos do Espírito e contra todo o princípio moral, nada impedindo que pela força das massas majoritárias sejam os fundamentos da Religião e os próprios princípios da liberdade postergados e suprimidos. Fica assim também provado que a democracia clássica do tipo de Rousseau não é um instrumento idôneo de defesa do gênero humano contra a calamidade comunista.

O mundo, como se vê, não pode hoje ser considerado sob o aspecto de "esquerdas" e "direitas", mesmo porque apreciáveis multidões de operários se arregimentam em muitos países para combater o comunismo, enquanto homens ricos, burgueses engravatados se alinham na corrente do marxismo revolucionário, que lhes faculta a liberdade aos baixos instintos e aos costumes degradantes de traficâncias indecorosas e um sexualismo sem freios.

A questão está hoje posta nos termos do "espiritualismo" e do "materialismo". Hoje, não se é mais econômica ou politicamente da "direita" ou da "esquerda"; é-se espiritualista ou materialista. Crer ou não crer em Deus, eis a questão. O mundo está dividido entre os que crêem e os que não crêem em Deus. O comunismo não é uma política, é uma mística às avessas, uma concepção anti-religiosa do universo. É o mundo sem Deus. E o totalitarismo mais completo, o maior de todos, conforme disse, com muito acerto, o Padre Leonel Franca. O mais completo, porque contém em si todas as formas particulares dos outros totalitarismos. O maior, porque não se restringe aos limites de uma nacionalidade, mas alarga-se por todos os continentes aspirando o monopólio das almas e a escravidão dos povos.

Explorando diabolicamente os justos ressentimentos históricos das classes sofredoras, fazendo as mesmas críticas que fazemos das injustiças e desumanidades do capitalismo, tudo promete aos homens, usando de artifícios e de mentiras. "Assim se hipnotizam as massas", escreve o Padre Leonel Franca, "se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia ateia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo esse patrimônio de riquezas humanas, que só tem valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção de vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas".

A grande heresia do século, a heresia do ateísmo militante, só pode, portanto, ser combatida, pela religião militante. Essa religião de combatentes é exatamente aquela que constitui o objeto do ódio mais feroz do marxismo: a religião de Cristo, a única religião da terra cujo senso de realismo social traz consigo a marca da sabedoria divina.

(Transcrito das págs. 45 até 49 de "Primeiro, Cristo!" – 4ª edição – São Paulo/Brasília – Voz do Oeste/INL-MEC – 1979 – XVIII + 175 págs.)