sábado, janeiro 03, 2009

A VERDADEIRA MISSÃO DA JUVENTUDE.
Explicação mais que necessária:
Esse texto foi originalmente escrito (1957) para orientar os membros dos Centros Culturais da Juventude, que no seu período de apogeu chegou ao número de 500 Grêmios, reunidos na Confederação dos Centros Culturais da Juventude, presidida por Gumercindo Rocha Dórea e tendo Plínio Salgado como Presidente de Honra. Todos os Grêmios tinham denominações que homenageavam os grande vultos da Nacionalidade, e de seus quadros (os famosos "Águias Brancas") saíram Filósofos, Historiadores, Juristas, Ministros, Secretários de Estado, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos e Vereadores, Professores, Empresários, Sociólogos, Economistas, Escritores, enfim, Brasileiros que se destacaram nas suas respectivas esferas de atuação.

Julgamos de grande oportunidade reproduzir na íntegra esse magistral escrito do Chefe Nacional Plínio Salgado, pois, lamentavelmente, indivíduos pérfidos que se dizem Integralistas estão desorientando jovens apresentando como Integralismo algo que está longe de sê-lo, criando organizações pseudo-Integralistas e engajando jovens ingênuos em atividades que nada têm de Integralistas. Que tais jovens leiam o Texto do Chefe Nacional a seguir, e comparem os rumos apontados por Plínio Salgado com os que são transmitidos pelos chefetes caricatos que os guiam, e tomem uma decisão consciente: Ou ficam com o Integralismo, o autêntico, o do Chefe Nacional Plínio Salgado, ou ficam com o pseudo-Integralismo. E depois, não venham dizer que ninguém os alertou!

A VERDADEIRA MISSÃO DA JUVENTUDE

Plínio Salgado
Se a juventude traz consigo o Amanhã da Pátria é porque dela deverão sair os responsáveis pela sobrevivência da Nação. Prepará-la para que produza os valores humanos, de que a comunidade nacional precisa, deve ser toda a nossa aspiração e o nosso esforço.

A mocidade não se prepara nas ruas, no fragor das batalhas transitórias. Lançar os jovens nas empresas de demolição do Mal, sem a iniciação prévia na ciência e na arte de construir o Bem, será desviá-los de um destino superior. As mais belas campanhas, se resultantes do improviso, hão de ser, inevitavelmente, como estrondo das ondas na superfície do mar. As ondas facilmente se deixam levar pelo magnetismo da lua ou pelos ventos inconstantes que sopram em todas as direções. Só as águas profundas resistem. Só elas trazem consigo as potências da irredutibilidade.

A irredutibilidade no Homem é a estrutura do caráter. O caráter se forja pelo concurso de três elementos: Personalidade, Cultura e Educação. Desenvolver a personalidade, enriquece-la pela cultura, dar-lhe ritmo pela formação moral e espiritual - eis o que nos cumpre quando nos entregamos no magistério da palavra esclarecedora e da ação criadora, no esforço de suscitar o advento de grandes homens para a Pátria.

A mobilização dos moços para uma campanha de moralização, de luta contra os desmandos e contra a degradação dos costumes é iniciativa que merece todo respeito; mas é expediente empírico, visando o tratamento meramente sintomático da enfermidade social. Não vai às raízes da moléstia. Não procura as causas históricas das desgraças que lamentamos.

O conceito moral depende de uma concepção de vida. A concepção de vida decorre do conhecimento da verdade e da compreensão da realidade. Pois a mesma verdade pode ser desvirtuada e abastada na concretização dos seus objetivos, se a mente desavisada opera sob a injunção de circunstâncias desconhecidas.

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Se queremos estabelecer o império da Moral, cumpre-nos promover, antes de tudo, a iniciação dos espíritos nos conhecimento do "verdadeiro" e do "real". Cumpre-nos traçar, com firmeza, a própria definição da moralidade. Do contrário, perder-nos-emos na confusão que o utilitarismo inglês de Bentham e de James Mill lançou sobre o século XIX, a tal ponto que se tornaram imprecisas e contraditórias as noções do "útil" e do "justo". Foi tal a confusão que desnorteou a humanidade, produziu o pragmatismo americano - essa filosofia de mercadores; - o cientificismo evolucionista, que inspirou o delírio de Nietzsche, a gritar nas torres do Pensamento, e as conclusões de Marx, a resmungar e a conspirar no rés-de-chão, dos armazéns de comestíveis e, finalmente, os torpes postulados dessa moderna metafísica de Limpeza Pública, que vibra na pituitária dos faxineiros de Freud.

A iniciação dos espíritos jovens exige trabalho metódico, sistemático. Repele o "dispersivo" para se ater ao "reflexivo". Evita o "extenso" para que predomine o "intenso". E não se entrega à exteriorização sem precede-la de longos dias de interiorização.

O jovem deve construir-se primeiro, para depois pensar em construir a sociedade. A autoconstrução não se faz nas praças públicas nem no fragor das manifestações coletivas; pelo contrário, forja-se no estudo, na meditação, na discussão, na troca de idéias.

Os comícios na ágora de Atenas nada legaram nem para o futuro da Grécioa, nem para o futuro do mundo. Mas os diálogos de Sócrates, os passeios de Aristóteles, o recolhimento nos jardins de Epicuro produziram homens no seu tempo, no tempo da posteridade helênica e romana e até nos dias de hoje.

Os missionários da Companhia de Jesus não se entregavam a vida apostolar senão depois dos prolongados exercícios de Santo Inácio. Construiam-se primeiro, para depois construir os outros.
João Batista não começou a sua campanha contra os desregramentos da sociedade herodiana, sem antes se recolher, anos a fio, nos descritos da Peréia. E a sua réplica anti-Cristã, configurada no Zaratustra de Nietzsche, não iniciou a propaganda do Super-Homem sem ter antes construído a própria personalidade na montanha silenciosa.

A epopéia das Navegações foi precedida pela Escola de Sagres, mas antes desta o preparo se realizara no Castelo de Tomar pelos Freires de Cristo, que por sua vez guardavam as tradições dos Templários.

Não se improvisa um Bolivar, que para suas empresas se preparou culturalmente em longos anos de estudos e de viagens. E um José Bonifácio não surge por acaso no cenário da Independência, porque o Patriarca foi o resultado de uma auto-construção através de longas peregrinações e meditações sobre quanto ia observando na vida dos povos.

A cerimônia ritual em que se armavam os cavaleiros da Idade Média – guerreiros teutônicos ou paladinos da Távola Redonda do Rei Artur – era precedida pelas vigílias d’armas, que simbolizavam a preparação do herói. A vigília d’armas, em nosso tempo, há de ser o adestramento intelectual e a formação moral. Sem isso, não conseguiremos reformar os costumes nem produzir os homens de que o Brasil vai precisar daqui a cinco ou dez anos.

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Se os nossos estabelecimentos de ensino fabricam apenas profissionais e são insuficientes para incutir nos moços brasileiros os sentimentos de civismo, a noção dos deveres, o espírito público; se nos próprios lares, na sua atmosfera materialista e egoísta, as crianças e os adolescentes já não encontram àquele ambiente que propicia o florescimento das virtudes, a aspiração à vida heróica - então, de que elementos nos iremos valer, buscando a Mocidade, para dar ao Brasil aquilo de que essa mesma mocidade está necessitando? Não será perigoso lançar a Juventude, sem os parafernais dos conhecimentos que ela própria possa administrar em seu proveito, numa campanha - ainda que benemérita - em prol de uma indefinida moralidade empírica, sem base de uma formação religiosa, filosófica, histórica e sociológica? Não se transformarão os comícios e as agitações da praça pública em formas de derivativos, a substituir os divertimentos em que se estiola a maioria dos moços em nosso país? Não haverá o perigo de se tornarem os jovens (que é tudo o que esta Pátria ainda possui de esperança) em instrumentos de interesses político partidários?

Moralidade por oposição e visando destruição sem sentido de construção, é moralidade de superfície, promotora de escândalos públicos e sem nenhum resultado positivo para o futuro de uma Pátria que está precisando, antes de tudo, elevar seu nível cultural. Pois se no Brasil existem negociatas, malversações de dinheiros públicos, oligarquias parasitárias, venalidade de funcionários, domínio do suborno e da gorjeta, esbanjamentos e irresponsabilidades, preguiça e imprevidência, ambições irrefreáveis e sensualidades irreprimíveis, temos de convir que o responsável inconsciente por tudo isso é o próprio povo que prefere, sistematicamente, nos comícios eleitorais, os que fazem mais barulho, os que gastam mais dinheiro, os que acenam com mais promessas, os que se mostram mais ignorantes e grosseiros.

Por conseguinte, o problema da moralidade é um problema de cultura. E o problema da cultura popular (formação da consciência de um povo) só será resolvido forjando-se uma geração que possa fazer valer, em face da inversão de todos os valores, os legítimos direitos de orientação de uma forte aristocracia intelectual e moral.

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Forjar essa geração - eis o de que o Brasil precisa. Esse o motivo da fundação em todo o país, dos Centros Culturais da Juventude, filiados à Confederação, que lhes dá unidade, dentro da mesma linha de direção filosófica. Nesses centros se organizam bibliotecas, estimulando-se a leitura dos grandes pensadores do nosso tempo; realizam-se cursos de filosofia, sociologia, história, doutrinas econômicas, geografia; promovem-se conferências sobre temas de interesse humano e nacional; comemoram-se as datas importantes da História Brasileira; estudam-se as personalidades dos nossos estadistas, filósofos, pedagogos. Economistas, militares, artistas, prosadores e poetas; - e mais do que tudo – nesses grêmios se procura criar a mística das virtudes, dos sacrifícios, dos heroísmos, num sentido cristão e consoante os sentimentos mais puros de brasilidade.

Que se lancem campanhas pela moralidade nacional e que para ela se mobilizem os moços, contra isso não podemos, em princípio, nos opor; mas que essas campanhas distraiam a juventude do esforço que ela deve empregar no sentido de construir-se por meio de uma revolução moral interior e de uma elevação intelectual indispensável, contra esse desvio nos opomos. E se uma campanha dessa natureza vier a servir ao interesse de partidos políticos ou da "demagogia da honestidade", que, à mingua de outros predicados de nossos homens públicos, se apresenta hoje como cartaz para a conquista de postos eletivos, então devemos ter a coragem de condená-la. E se, ainda, a habilidade técnica do comunismo internacional intervier sub-repticiamente para utilizar-se como "massa de manobra", desse patrimônio da Pátria, que é Juventude, coordenando-a, sem que ela o perceba, como tem feito a todos os nobres e puros movimentos da opinião sentimental e desprevenida no que respeita às artimanhas dos pescadores de águas turvas, nesse caso devemos estar alertas para prevenir os que não se preparam para conhecer os fatores intervenientes e as circunstâncias advenientes que surpreendem sempre as melhores intenções.

Escrevo estas linhas para os duzentos Centros Culturais da Juventude filiados à Confederação. Para que os seus associados as leiam, as meditem, pondo-se de sobreaviso, e redobrando os seus esforços na obra serena, firme, impertubável, perseverante da construção de suas próprias personalidades como fundamento da construção do Brasil de Amanhã.

(Plínio Salgado. Reconstrução do Homem. 1ª edição. Rio de Janeiro. Livraria Clássica Brasileira. S/data. Págs. 103 e segs.)

Algumas reflexões antes do Congresso "Integralismo para o Século XXI"

Explicação necessária:
O Companheiro Léo Matos - que é o responsável pelo magnífico Portal "Sigma Integralista" -, resolveu alinhavar algumas reflexões como contribuição ao 1º Congresso Nacional da Frente Integralista Brasileira, em Dezembro de 2004. No momento em que está prestes a realizar-se o Fórum Integralista Rio 2009, julgamos oportuno republicar tal Texto, como subsídio aos Companheiros que se reunirão na Cidade do Rio de Janeiro para traçar os destinos do Integralismo, do Brasil e do Mundo.


Algumas reflexões antes do Congresso "Integralismo para o Século XXI".

Léo Matos.*

A Democracia é algo que agrega. O problema é que hoje se confunde Democracia com o sufrágio universal. O sufrágio universal não é a Democracia, ao contrário, destrói a Democracia, pois promove a ditadura da maioria, geralmente cega, manipulada pelos donos do capital.

A Democracia Orgânica, com base nas classes profissionais, o voto familiar e a eleição indireta para cargos do executivo faria uma Democracia funcionar.

Jamais um Camisa Verde verdadeiro pode-se dizer defensor de ditaduras. Ditaduras são manifestações de povos pouco evoluídos, em que as forças vivas da nação ainda não têm capacidade de se fazer presentes na direção da nação. Um Integralista deve saber exatamente o significado e o funcionamento da Democracia Orgânica, que é a Democracia de fato e não o democratismo do sufrágio universal.

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O Integralismo não é de direita. As denominações de direita e esquerda foram criadas para designar os adeptos da economia clássica e do materialismo histórico.
Os frutos da economia clássica e do materialismo histórico são três: Comunismo e seus descendentes, o Liberalismo e seus descendentes e o Autoritarismo e seus descendentes.
O Integralismo, na base, já não pode ser classificado como esquerda ou direita, pois, confia toda a estrutura de sua Doutrina na Concepção Espiritualista do Mundo, e não materialista.

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Empresas multinacionais, não devemos proibi-las. Devemos controlá-las com a ferramenta chamada legislação. O lucro gerado é declarado à receita. É só exigir que esse lucro, ou a maioria (80% ou 90%), deverá ser reinvestido aqui mesmo em nosso território. E ainda, esses 10% restantes seriam altamente taxados quando deixassem nosso país.

Na verdade, para simplificar, devemos preparar "armadilhas" legislativas para que as empresas venham, fiquem e que reinvistam dentro do país. O que acontece hoje é que elas têm lucros e mandam tudo para fora. Sei que isso pode afastar empresas de médio porte, porém empresas grandes continuarão interessadas no país, pois, nosso mercado é muito bom.

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Enfim, algumas medidas sugeridas:
1º Uma reforma política, acabando com os partidos políticos que dividem a nação e o sufrágio universal, fazendo a Democracia Funcional Orgânica, onde os representantes de cada classe profissional elegerão seus representantes dentre eles, acabando com a falta de representatividade da Democracia atual. Os congressistas eleitos escolherão os líderes executivos.

2º Substituição do senado (poder dos estados) pela Câmara Orgânica (poder das classes profissionais).

3º Diminuição do poder dos estados (estados dentro dos estado), transformando-os em Províncias.

4º Privilegiar os Municípios e não as Províncias no repasse de recursos.

5º Incentivo ao ensino moral e cívico em todas as instancias do ensino.

6º Valorização legislativa da instituição familiar, com a legalização do voto familiar, que seria inserido na Democracia Orgânica, valorizando o grupo social que precede todos os outros.

7º Valorização das Forças Armadas e subordinação das policias estaduais à policia federal.

8º Acabar com a reeleição.

9º Programas de recuperação e valorização cultural.

10º Programas de incentivo aos empreendimentos, com o objetivo de desafogar o mercado de empregos.

11º Admitir e procurar a posição de liderança da América do Sul e África.

Termino relembrando um trecho do Capítulo 7º do Manifesto de Outubro:
"A questão social deve ser resolvida pela cooperação de todos, conforme a justiça e o desejo que cada um nutre de progredir e melhorar. O direito de propriedade é fundamental para nós, considerado no seu caráter natural e pessoal."

* Σ – São Paulo – SP.

sábado, dezembro 27, 2008

FÓRUM INTEGRALISTA RIO 2009.

Brasileiros!
Em 2009 serão realizados dois Fóruns no Brasil: O Fórum Social Mundial e o Fórum Integralista Rio 2009. O primeiro - uma reunião onde estrangeiros e Brasileiros apátridas simularão um discurso de dissidência à Globalização, trata-se de oposição consentida ao Capitalismo Financeiro Internacional -, terá ampla cobertura de toda a Imprensa, Nacional e Internacional; o segundo, o Fórum Integralista Rio 2009, não terá qualquer cobertura jornalística, exceto por alguma ocasional notícula, invariavelmente caluniando o Integralismo, como é praxe. Todavia, se o Fórum Integralista não é financiado pelo Banqueirismo Internacional, se o Fórum Integralista não terá a presença de milhares de assalariados de Ongs, se o Fórum Integralista não terá uma linha benévola do Jornalismo, o Fórum Integralista terá em compensação algo muito mais precioso: VOCÊ! Sim, você, Brasileiro Consciente, que não se deixa levar e imbecilizar pelo lenga-lenga "politicamente correto". Você, Brasileiro Inteligente, que pensa com a própria cabeça, não aceitando que os meios de comunicação de massa ditem o que deve ser pensado. Você, Brasileiro Politizado, que crê na Verdadeira Liberdade e que recusa participar dessa pantomima, dessa farsa grotesca, que é a falsa liberdade com que o Liberalismo vem enganando os Povos. Você, Brasileiro Nacionalista, que recusa terminantemente o internacionalismo, seja o de direita (Capitalismo), seja o de esquerda (Marxismo). Sim, com a parcela esclarecida da População Brasileira pode contar o Fórum Integralista Rio 2009, enquanto o Fórum da burguesia podre só poderá dispor dos milhares de empregados das Ongs, mas, que serão exibidos na TV como milhares de participantes ‘voluntários’ vindos de todo o mundo...
Portanto, Brasileiro, seja você Integralista ou não, compareça ao Fórum Integralista Rio 2009, pois, sua participação é fundamental para traçarmos os Rumos de nossa Pátria. Mais uma vez, o Integralismo, reafirma o seu papel de Porta-Voz autêntico do Povo Brasileiro, e todos os que amam a Nação Brasileira não poderão deixar de trazer sua contribuição para a Construção do Brasil Grande que todos sonhamos.
Veja o Vídeo sobre o Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismo.org.br/novo/?
Leia mais sobre o Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismorio.org/rio2009/
Inscreva-se no Fórum Integralista Rio 2009: http://www.integralismorio.org/rio2009/inscricao.html
Quaisquer dúvidas sobre o Fórum Integralista Rio 2009, escrevam para: rio2009@integralismorio.org
Brasileiro, PARTICIPE!

Pelo Bem do Brasil!
Anauê!
Sérgio de Vasconcellos.

terça-feira, dezembro 09, 2008

O Homem Integral, de Plínio Salgado, seria o mesmo que o Super-Homem, de Nietzsche?*

Sérgio de Vasconcellos.**
Em 1991, o Companheiro Ubiratan Pimentel empregou, no Manifesto da Ação da Juventude Integralisa – JI., a expressão “super-homem”. Imediatamente, diversos Integralistas protestaram – Oldemar Veiga Magalhães (de Santa Catarina), Jáder Araújo de Medeiros (do Rio de Janeiro) e outros -, pois, sustentavam que a concepção nietzscheana era anti-Cristã, logo, incompatível com o Integralismo.

Diante da geral reclamação, o Companheiro Pimentel veio a público dar as explicações necessárias:

1º. Que apesar do Manifesto ser destinado ao Jovens de todas as Idades, pois, conforme a Palavra de Ordem do Chefe Nacional Plínio Salgado, no Integralismo ninguém envelhece, ele não poderia ignorar os leitores mais jovens cronologicamente, para os quais o termo “super-homem” é familiar e certamente teria aceitação por causa de uma certa história em quadrinho e não pela obra filosófica de Nietzsche.

2º. Que o próprio Plínio Salgado utilizara o termo “super-homem”, mas, conceituando-o de forma distinta da de Nietzsche. Se bem que, o Chefe posteriormente substituira “super-homem” por “homem superior”, justamente para impedir que os pescadores de águas turvas o fizessem ser partidário de idéias que nunca perfilhou. Eis as palavras exatas de Plínio Salgado:
“Evidente que, após tão largo período, em que nunca descansei no estudo dos problemas humanos e nacionais, tive de exercer sobre mim mesmo uma autocrítica rigorosa, expungindo de quanto anteriormente havia escrito tudo aquilo que se prestasse a interpretações deformadoras da doutrina que esposo. Meus mais recentes trabalhos ganharam em clareza de exposição e em capacidade estilística e didática, apresentando-se com a terminologia e as expressões mais adequadas à tradução do pensamento espiritualista, cristão, nacional-brasileiro, que é a espinha dorsal da minha construção filosófico-política”(1).

3º. Que sendo fato inquestionável o seu caráter de Integralista ortodoxo, não poderia a expressão “super-homem”, usada no Manifesto de sua Autoria, ser entendida fora do Conceito de Homem Integral, e que, portanto, o “super-homem” proposto aos Jovens da J.I. era o oposto do “super-homem” de Nietzsche.

Tais explicações foram perfeitamente aceitas pela Velha-Guarda, que considerou-as satisfatórias e corretas, tendo o Manifesto da J.I. ampla difusão nos meios Integralistas, circulando como panfleto ou sendo publicado em periódicos Integralistas, como o “Alerta!”, do saudoso Companheiro Arcy Lopes Estrella.

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Hoje, volvidos tantos anos, toda uma nova geração aproximou-se do Sigma, mas, no entanto, muitos jovens tem idéias completamente equivocadas sobre a nossa Doutrina. Sem conhecimentos exatos das nossas Idéias, ouvindo falar que sustentamos os Conceitos de “Vida Heróica e Revolucionária”, de “Homem Superior”, de “Super-Homem”, de “Homem Integral”, de “Homem Novo”, e sem preocupar-se em apreender e aprender o que queremos dizer com tais expressões, associam-nas ao “super-homem” de Nietzsche, que, aliás, só conhecem imperfeita e superficialmente. Assim, assistimos estupefactos o surgimento de um Integralismo nietzscheano, uma monstruosidade ideológica, fruto da ignorância de muitos e da má-fé de alguns. Cumprimos, pois, um dever, vindo desfazer essa confusão, expondo o Conceito de Homem Integral, genialmente proposto por Plínio Salgado, confrontando-o com o “super-homem” imaginado por Nietzsche.

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Desacreditando de Deus e desprezando aos Homens – particularmente aos seus contemporâneos alemães -, toda a obra de Nietzsche é fruto de uma necessidade existencial de tentar forjar uma Filosofia que substituísse as Crenças Cristãs Protestantes em que fora criado.

Assim, Deus é substituído pela “terra”, a Imortalidade da Alma pelo “eterno retorno”; para substituir Nosso Senhor Jesus Cristo inventa “Zaratustra” (que não deve ser confundido com o Zaratustra ou Zoroastro histórico); propõe a transmutação de todos os valores, a adoção da “moral dos senhores” que substitui a “moral dos escravos, isto é, a Moral Judaico-Cristã; o Homem Novo paulino, fraco e covarde no seu entendimento, deve ser suplantado pelo “super-homem”, orgulhoso e sem compaixão. Lamentavelmente, escapa inteiramente aos limites e finalidade deste, examinar a filosofia de Nietzsche(2), cotejando-a com a Filosofia Integral. Passemos, pois, ao super-homem.

Não reconhecendo nenhuma realidade além da material, Nietzsche, só admitia no homem a dimensão corporal, não existindo uma alma, nem qualquer forma de sobrevivência pós-morte, exceto pelo “eterno retorno”. Ora, Nietzsche só enxergava nos homens os seus vícios e fraquezas – fúteis, vaidosos, mentirosos, vis, mesquinhos, pusilânimes, subservientes, comodistas, etc. -, e atribuía ao Cristianismo a origem de tais males, com sua “moral de escravos”, com o seu niilismo. Então, preso as concepções evolucionistas de sua época, afirma que o único papel do homem é ser o elo intermediário entre o macaco e o super-homem. Que o super-homem seria senhor de seu próprio destino, criador de sua própria tábua de valores morais, um aristocrata que só reconheceria como igual, um outro super-homem. Tudo aquilo que o Cristianismo reconhece como valores morais edificantes – a humildade, a paciência, a mansuetude, o amor ao próximo, etc -, são inexistentes no super-homem que cultiva outras virtudes, virtudes mais elevadas, mais belas, pois, não negam a vida, afirmam-na em sua implacabilidade. Eis as virtudes morais do super-homem: Crueldade, egoísmo, amoralidade, completa falta de compaixão, enfim, exercício livre de sua “vontade de potência”. Exemplos históricos de super-homens: César Bórgia e Napoleão Bonaparte, que não se detinham diante de coisa alguma para dar plena expansão a vontade de poder.

O super-homem é a exaltação máxima, ensoberbecida e desenfreada do Individualismo. “O Homem, no individualismo, hipertrofia-se. Ele parte de Rousseau e vai a Nietzsche”(3). Nada, portanto, mais distante do Pensamento Integralista, que é Espiritualista, Cristão, democrático e pluralista.

Eis o que o Chefe disse sobre Nietzsche, em Discurso na Câmara Federal, na Sessão de 30 de Novembro de 1961:

“Surgiram concepções do homem, as mais variadas, no século passado(4),as quais ainda influem poderosamente nas mentalidades de nosso tempo; e cingindo-se todas elas a interpretações fragmentárias, ou confusas. Examinemos algumas. A concepção de Frederico Nietzsche: entendeu ele, baseado no evolucionismo inglês e no materialismo dominante em quase toda a Europa, que o homem atual é uma transição apenas para a realização do homem do futuro. Pregou a teoria do super-homem anticristão, contrário a toda idéia de piedade ou complacência. Pregou a doutrina do orgulho e da crueldade, e justificou, mediante a evolução das espécies e as teorias materialistas, toda a atitude humana no sentido da ambição do poder.

“Essa concepção do homem agigantado, que ultrapassa a linha média de sua própria realidade, teve em contraposição o conceito marxista do ser humano. O conceito marxista é contrário ao de Frederico Nietzsche, que concebia o homem agigantado, o homem forte, o homem violento, o homem orgulhoso, inimigo de toda bondade cristã. Frederico Nietzsche foi sincero, foi um dos homens mais sinceros de seu tempo. Anti-Cristão, pregou abertamente o anti-Cristianismo, já no seu livro Assim Falava Zaratustra , já nas páginas audaciosas do Anticristo, onde se sublinha nas expressões do seu ateísmo, do seu materialismo e da sua mensagem aconselhando a violência, o arbítrio e o domínio”(5). 

Numa Conferência pronunciada em 1944, durante o seu exílio em Portugal, Plínio Salgado vai fazer as seguintes paradoxais ponderações:

“Como conseqüência de todas essas correntes do pensamento e do cientificismo experimentalista de Lamarck, Darwin, Wallace, Haeckel e dos seus predecessores no século XVIII, cujas raízes mais remotas se embebem no indutivismo de Bacon, surgiram duas figuras de grande atualidade em nossos dias: Frederico Nietzsche e Karl Marx.

“Ambos se servem do individualismo, para fins aparentemente opostos mas, na realidade, os mesmos.

“É curioso notar como ambos investem furiosamente contra o Cristianismo. Enquanto Nietzsche acusa a doutrina de Cristo de ser a doutrina da tristeza, da humilhação, da subserviência, contrária à livre expansão das forças heróicas do homem, o outro, Karl Marx, aponta a religião do Mestre, e todas as outras, como um empecilho ao desenvolvimento da luta de classe e da revolução do proletariado.

“Tendo por objeto de sua elocubrações esse mesmíssimo homem que os panfletários materialistas indicavam como o centro das concepções religiosas do universo, tanto Nietzsche como Marx não consideravam a criatura humana dentro daquele senso de proporcionalidade que nos veio do Evangelho e que se exprime em tão harmoniosa forma na “Filosofia Perene” de Tomás de Aquino.

“Nietzsche viu o homem, porém hipertrofiado na desmedida ambição do domínio e na expansão de todas as forças bárbaras da violência implacável e do sonho insensato de poder e de glória. É o Super-Homem esmagando todos os preconceitos morais e sacrificando os seus semelhantes na construção de um mundo de refulgentes castelos e lendários heróis. É o Ser Humano repelindo a caridade e a humildade, como virtudes negativas ao convívio esplêndido dos fortes, e forjando o coração como o aço frio das espadas.

“Marx viu também o Homem, porém, amesquinhado e reduzido pelo egoísmo vulgar e pela aspiração a um nivelamento destrutor das marcas expressivas da personalidade. O homem deslocado dos grupos naturais, isolado no individualismo, depois pulverizado pela concorrência capitalista e pelas triturações da “cluta de lasse”; finalmente fundido no rebojo da revolução e transformado em simples molécula na pasta amorfa da grande massa plasmável ao gosto dos dirigentes cruéis. Não mais o Super-Homem de Nietzsche, mas o Sub-Homem, o Homo Economicus a que se reduziu o Homo Sapiens; o Homem sem Deus, sem Pátria, sem Família, sem moral e – o que é mais doloroso! – sem aquilo que o seu egoísmo mais amou: a sua liberdade.
“Sim: essa famosa liberdade de que tanto lhe falaram terá sido apenas um andaime para a construção do edifício socialista; e agora, que a construção terá terminado, para que serve a liberdade senão para esconder a obra dos grandes arquitetos?

“É aqui que se encontram Nietzsche e Marx. Partiram de extremidades opostas, mas atingiram o mesmo ápice. Ambos filhos do individualismo de Rousseau e do materialismo científico, e tomando como base de seus raciocínios o egoísmo implacável do Homem na ânsia de satisfazer os seus instintos: o primeiro proclama o direito dos étnica e biologicamente privilegiados se elevarem dominadoramente sobre as massas, ao passo que o segundo reivindica para as massas o direito de absorverem todos os seres humanos na expressão uniforme de um coletivismo arrasador.

“Cria Nietzsche o monstro Singularidade Humana, feroz como os deuses antigos, tendo por pasto de seus apetites as multidões inermes. Cria Marx o monstro Pluralidade Humana, terrificante e tenebroso, alimentando-se de todos os caracteres específicos da personalidade, apagando relevos e polindo arestas de tudo o que no Homem possa revelar a originalidade do seu espírito.
“Entretanto, para existir o Super-Homem de Nietzsche, é necessário que exista a massa coletiva dos Sub-Homens de Marx. E para que exista o coletivismo marxista é forçoso existirem Super-Homens dirigentes, de fisionomia, estrutura, sensibilidade e concepção da vida exatamente as mesmas descritas no tipo dominador, engendrado pela poderosa alucinação de Nietzsche.

“E, dessa maneira, as duas mais eloqüentes antíteses, criadas no século XIX, encontram-se e fundem-se na mesma expressão delirante de um mundo de brutalidades e de rebaixamento do Homem; do Homem que se pretende arrancar do trono que Deus lhe outorgou desde o instante em que a argila foi animada pelo sopro divino do Criador.

“Não é, pois, para nos admirarmos que os dois pensamentos – o de Frederico Nietzsche e o de Karl Marx – hajam dado origem a normas de vida em tudo semelhantes e tão contrárias ao sentido de equilíbrio e de harmonia que procede da religião cristã”(6). 

E na Faculdade de Direito do Recife, em 1933, Plínio Salgado vai nos dizer:

“Entretanto, contrapondo-se à mediocridade do pensamento burguês, e ao oportunismo conformista dos adeptos de Marx, ergueu-se uma voz no século XIX, que vibrou como um protesto universal. Foi a voz de Frederico Nietzsche.

“Contra o individualismo rasteiro, da democracia liberal, e contra o coletivismo, anulador da personalidade humana, o pensamento gritante do criador de Zaratustra tem o valor de uma revolta, sibilando, como um chicote de fogo às faces do século científico.

“Em Nietzsche encontramos a atitude anticristã do desprezo aos humildes, de glorificação dos homens superiores. Atitude condenável de orgulho, de superdivinização dos heróis, ela teve o mérito, porém, (tão certo é que Deus fala pela boca de seus próprios inimigos), de mostrar, no instante em que delineava a marcha coletivizadora, a anulação completa do indivíduo, prestes a transformar-se em peça da máquina, esta verdade suprema: - O Homem existe!

“E Nietzsche é a grande luneta de aumento, na hora em que o homem começava a perder a estatura moral e a desaparecer escravizado na massa.

“Eis porque hoje verificamos que Nietzsche foi também um trecho da verdade, deturpada pelas projeções exageradas com que se apresentou.

“Era preciso que aparecesse Marx, para mostrar as conseqüências de uma civilização materialista. Marx, por certo, é o próprio interprete da burguesia, falando uma linguagem estranha, que a sociedade materialista, em pavor, não reconhece. E a voz de Marx, é a sua própria voz!

“Ele quer a destruição do indivíduo, que será assimilado, para sempre, no monstro Coletividade. O deus de Comte, burguês prudente e cauto, transfigura-se no Moloch aterrador do socialismo. O homem se animaliza; torna-se menos do que um animal, porque é uma peça de máquina.

“Sobre esse panorama da miséria, reboa a voz de Zaratustra que desce da montanha.

“Mas ele, sendo também o erro, é o contra-veneno de Marx.

“O marxismo quer os anões do Niebelungen; Nietzsche conclama os gigantes da montanha.

“Nós, Integralistas, não queremos nem o anão, nem o gigante, mas, apenas, o Homem.

“O Homem Integral”(7).

Mas, então, afinal, o que é o Homem Integral? E por que Homem “Integral”, e não simplesmente o “Homem”?

A expressão “Homem Integral” foi e é necessária na medida em que realça, que assinala, que caracteriza a nossa Concepção do Ser Humano, isto é, que o Homem deve ser compreendido na sua inteireza, íntegro. A Concepção Integralista do Homem se distingue exatamente por isso: Enquanto destacados Pensadores, nos últimos três séculos, tendo abandonado o realismo filosófico para entregar-se ao fantasioso devaneio filosófico, brindaram a Humanidade com as mais variadas, desencontradas, fragmentárias e unilaterais concepções do Homem, o Integralismo, reatando a linha de equilíbrio, vai nos dar uma definição precisa do Ser Humano(8).

O Integralismo, partindo de uma concepção substancialista do Homem, aquela de Boécio, não se deixa extraviar por nenhum escapismo religioso. O Homem – criado por Deus - é “uma dualidade consubstancial exprimindo-se numa unidade substancial”, isto é, não é apenas corpo ou apenas alma, mas, ambos unidos e exprimindo-se substancialmente. Ora, sendo o Homem o conjunto de corpo e alma, ele tem necessidades materiais, físicas (alimentar-se, morar, vestir-se, etc.), bem como, necessidades intelectuais, morais e espirituais, ligadas a sua finalidade transcendente. A Felicidade Humana, portanto, é a plena realização das aspirações e finalidades do Homem nas esferas material, intelectual e espiritual(9). Ora, evidentemente, no mundo contemporâneo, a efetiva Realização Integral do Ser Humano está longe de acontecer. Daí a necessidade de instaurarmos um novo regime, que garanta a Liberdade e a Intangibilidade da Pessoa Humana e de suas projeções (a Propriedade e os Grupos Naturais – a Família, os Grupos Profissionais, Culturais e Políticos, o Município, a Nação e a Sociedade Religiosa): O Estado Integral. Somente na Civilização Integralista, o Homem, consciente de seus Direitos e Deveres, poderá afirmar-se livremente, pois, não será uma mercadoria sujeita a lei da oferta e da procura, como no capitalismo, nem uma engrenagem da máquina no coletivismo marxista, e nem tampouco um megalomaníaco como o “super-homem” de Nietzsche, e sim, apenas e simplesmente, o Homem, o Homem Integral(10). 

Anauê!

* Palestra proferida em de 06 Dezembro de 2008, na Sede dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB – RIO).
* * Σ – Rio de Janeiro. Comerciante. Secretário de Doutrina dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB – RIO).
NOTAS:
1 Plínio Salgado – O que é o Integralismo (1933). 6ª edição. São Paulo. Editora das Américas. 1959. Prefácio da 5ª edição (1955). Págs. 15 e 16.
2 As principais obras de Nietzsche, de leitura indispensável para quem desejar realmente conhecer suas idéias, são: A Origem da Tragédia(1872), Considerações Intempestivas(1873-1876), A filosofia na Idade Trágica dos Gregos(1873), Humano, demasiado humano(1878), O Viandante e a sua Sombra(1880), Aurora(1881), Gaia Ciência(1882), Para Além do Bem e do Mal(1886), A Genalogia da Moral(1887), O Crepúsculo dos Ídolos(1889), O Anti-Cristo(1895), Vontade de Potência(1901), Ecce Homo (1908) e, o mais famoso, Assim Falava Zaratustra(1883-1885).

3 Plínio Salgado – “Palavra Nova dos Tempos Novos” – 1ª edição – Rio de Janeiro – José Olympio – 1936. Pág. 58.

4 Refere-se ao Século XIX.

5 Plínio Salgado – “Discursos Parlamentares” – Brasília – Câmara dos Deputados – 1982 – pág. 45

8 Plínio Salgado – A Aliança do Sim e do Não (1944) – 4ª edição – São paulo – Editora das Américas – 1955 – págs. 39 e segs.

7 Plínio Salgado – A Quarta Humanidade – 1ª edição – Rio de Janeiro – José Olympio – 1934 – págs. 107 e segs.

8 Plínio Salgado – O Integralismo na Vida Brasileira – Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira/Edições GRD – S/data – pág. 177.

9 Plínio Salgado – Direitos e Deveres do Homem – 3ª edição - São Paulo – Editora das Américas – 1955 – págs. 233 e segs.; 243 e segs.

10 Aos que realmente desejarem conhecer o Pensamento de Plínio Salgado, sugerimos o estudo dedicado de suas Obras, entre as quais destacamos como principais as seguintes: O Estrangeiro(1926), Literatura e Política(1927), O Oriente(1931), O Esperado(1931), Manifesto de Outubro(1932), O Cavaleiro de Itararé(1933), O que é o Integralismo(1933), Psicologia da Revolução(1933), o Sofrimento Universal (1934), A Quarta Humanidade(1934), Despertemos a Nação!(1935), A Doutrina do Sigma(1935), Palavra Nova dos Tempos Novos(1936) Páginas de Combate(1937), O Poema da Fortaleza de Santa Cruz(1939), Vida de Jesus(1942), A Aliança do Sim e do Não(1944), Conceito Cristão da Democracia(1945), Manifesto Diretiva(1945), A Mulher no Século XX(1946), Como Nasceram as Cidades Brasileiras(1945), Madrugada do Espírito(1945), Primeiro, Cristo!(1946), O Integralismo perante a Nação(1946), Discursos -1ª Série(1948), Direitos e Deveres do Homem (1948), Extremismo e Democracia(1948), O Espírito da Burguesia(1951), Mensagem às Pedras do Deserto(1954), O Ritmo da História(1955), Páginas de Ontem(1955), Mensagem ao Povo Brasileiro(1955), O Livro Verde da Minha Campanha (1956), Doutrina e Tática Comunistas(1956), Reconstrução do Homem(1957), O Integralismo na Vida Brasileira(1958), Palestras com o Povo(1959), Poemas do Século Tenebroso(1961), Compêndio de Instrução Moral e Cívica(1964), Trepandé(1972), Discursos Parlamentares(1982).




sexta-feira, novembro 28, 2008

"DIREITAS" E "ESQUERDAS"

Plínio Salgado.

A sangrenta heresia do comunismo não se combate também contrapondo-lhe a chamada reação das "direitas". A concepção de "esquerdas" e "direitas" no domínio político é uma concepção do século XIX, o século que deu começo consciente à chamada "luta de classes", baseada no antagonismo entre o capital e o trabalho.

É preciso dizer-se que não foi Marx quem concebeu o mundo dividido em dois campos de interesses materiais antagônicos; foram os chamados liberalistas. Quebrada a concepção espiritualista da sociedade, estabeleceu-se a luta entre os agrupamentos políticos, assim como a luta entre os agrupamentos econômicos, aqueles regidos pelas múltiplas ideologias contraditórias e estes pela lei da oferta e da procura. No campo econômico, os produtores de mercadorias, com o fim de vendê-las em melhores condições e mais barato do que os seus adversários, tiveram necessidade de usar de dois expedientes: aumentar a eficiência das máquinas e baixar o custo da mão de obra. O trabalho humano foi considerado uma mercadoria sujeita à lei da oferta e da procura, perdendo toda a nobre significação e espiritualidade que lhe imprimia o cristianismo. Tornando-se as máquinas mais aperfeiçoadas, de modo a uma só produzir por centenas de homens, o trabalho humano tornou-se uma mercadoria menos procurada e, portanto, mais barata. As conseqüências na vida individual e familiar eram evidentes: aumentou a pobreza dos operários enquanto avultava a riqueza dos grupos financeiros e das nações industriais.

Essa situação gravíssima vem pintada com realismo cru na encíclica Rerum Novarum, do Santo Padre Leão XIII, nos fins do século XIX. Foi dentro de tal situação que o Manifesto Comunista de 1848 lançou o brado: "operários de todo o mundo, uni-vos!" Esta a luta impropriamente denominada "do capital e do trabalho", porque na verdade o marxismo não pretende suprimir o capital como soma de trabalho acumulado, mas apenas como privilégio de indivíduos ou de grupos, passando, entretanto, o capital para as mãos do Estado, que se torna o único patrão e que exerce as funções dos antigos capitalistas, substabelecendo os seus poderes a favor de uma burocracia, o que vem, em última análise, recompor a situação anterior do predomínio de uma classe. Economicamente a verdadeira luta do comunismo é contra a propriedade familiar, já que a revolução dialética precipita as etapas da evolução capitalista, atingindo o grande monopólio do socialismo de Estado, forma em que se completam todos os monopólios de grupos, que também atentam contra o princípio da pequena propriedade, base física da família, e propulsionando a crescente proletarização das massas, razão pela qual foram condenados pela encíclica de Leão XIII e, em nossos dias, pelas de Pio XI e Pio XII.

Mas, para armar ao efeito, o marxismo diz lutar contra o capital e contra o chamado "imperialismo econômico" das nações favorecidas pelo maior acúmulo dos meios de produção. Esse cartaz deu à batalha social um caráter de internacionalismo. Influindo no mundo político, gerou a concepção de "direitas" e de "esquerdas", entendendo-se por "esquerdas" tudo aquilo que favorecia o desenvolvimento da revolução, pelo que se incluiu na linha do "esquerdismo" os chamados "reformistas", constituídos pelos liberais avançados, pelos socialistas moderados, pelos burgueses progressistas, enfim pelos transacionistas de todos os credos políticos fundados no indiferentismo religioso ou num cristianismo de elástica transigência.

Hoje, entretanto, já não se pode dizer que existam "direitas" e "esquerdas". Essa manobra tática do marxismo não ilude mais a ninguém. O nazismo, por exemplo, foi considerado por muitos um movimento das "direitas" mas a sua base filosófica era a mesma do comunismo, pois partia de uma concepção meramente biológica do homem e de nítido conceito materialista da crítica histórica e os seus fins identificavam-se com os do comunismo, pela ereção de um Estado Totalitário destruidor da personalidade humana. As chamadas democracias poderiam ser tomadas como expressões das "direitas" colocando-se num campo antagônico ao totalitarismo soviético, mas essas democracias além de serem agnósticas, isto é, não considerarem os problemas do Espírito, fundam-se no mesmo princípio doutrinário da transformação social segundo o ilimitado processo dialético de Hegel adotado pelo marxismo, porque subordinam os tipos de Estado e de Governo, as formas sociais e as normas jurídicas, não ao critério de uma imutável concepção dó mundo e das leis imprescritíveis da moralidade impostas por Deus, mas ao critério aritmético das maiores somas de votos, o que leva as ditas democracias a negarem-se a si mesmas nas conseqüências dos atos eleitorais.

Temos, assim, uma nova forma de totalitarismo, — o totalitarismo das democracias agnósticas, totalitarismo despótico das massas, cujo peso quantitativo manobrado por hábeis técnicos da formação da opinião pública e pelo poder do dinheiro, conforme salientou o Santo Padre Pio XII, atenta contra os direitos do Espírito e contra todo o princípio moral, nada impedindo que pela força das massas majoritárias sejam os fundamentos da Religião e os próprios princípios da liberdade postergados e suprimidos. Fica assim também provado que a democracia clássica do tipo de Rousseau não é um instrumento idôneo de defesa do gênero humano contra a calamidade comunista.

O mundo, como se vê, não pode hoje ser considerado sob o aspecto de "esquerdas" e "direitas", mesmo porque apreciáveis multidões de operários se arregimentam em muitos países para combater o comunismo, enquanto homens ricos, burgueses engravatados se alinham na corrente do marxismo revolucionário, que lhes faculta a liberdade aos baixos instintos e aos costumes degradantes de traficâncias indecorosas e um sexualismo sem freios.

A questão está hoje posta nos termos do "espiritualismo" e do "materialismo". Hoje, não se é mais econômica ou politicamente da "direita" ou da "esquerda"; é-se espiritualista ou materialista. Crer ou não crer em Deus, eis a questão. O mundo está dividido entre os que crêem e os que não crêem em Deus. O comunismo não é uma política, é uma mística às avessas, uma concepção anti-religiosa do universo. É o mundo sem Deus. E o totalitarismo mais completo, o maior de todos, conforme disse, com muito acerto, o Padre Leonel Franca. O mais completo, porque contém em si todas as formas particulares dos outros totalitarismos. O maior, porque não se restringe aos limites de uma nacionalidade, mas alarga-se por todos os continentes aspirando o monopólio das almas e a escravidão dos povos.

Explorando diabolicamente os justos ressentimentos históricos das classes sofredoras, fazendo as mesmas críticas que fazemos das injustiças e desumanidades do capitalismo, tudo promete aos homens, usando de artifícios e de mentiras. "Assim se hipnotizam as massas", escreve o Padre Leonel Franca, "se mobilizam as energias religiosas da alma a serviço de uma ideologia ateia. Fé e esperança, dedicação e sacrifício, amor da justiça e da liberdade, todo esse patrimônio de riquezas humanas, que só tem valor numa ordem ontológica de realidades espirituais, são exploradas para acelerar a implantação de uma nova concepção de vida que as declara ficções sem conteúdo e abstrações malfazejas".

A grande heresia do século, a heresia do ateísmo militante, só pode, portanto, ser combatida, pela religião militante. Essa religião de combatentes é exatamente aquela que constitui o objeto do ódio mais feroz do marxismo: a religião de Cristo, a única religião da terra cujo senso de realismo social traz consigo a marca da sabedoria divina.

(Transcrito das págs. 45 até 49 de "Primeiro, Cristo!" – 4ª edição – São Paulo/Brasília – Voz do Oeste/INL-MEC – 1979 – XVIII + 175 págs.)

A Vida Heróica e Revolucionária.
Explicação necessária: Infelizmente, alguns tontos resolveram confundir o Conceito de Vida Heróica e Revolucionária, proposto por Plínio Salgado, com o "Super-Homem", surgido do cérebro demente de Nietzsche. Ora, nada mais distante do Conceito de Homem Heróico e Revolucionário, que tem fundamento Espiritualista e Cristão, do que o produto da mente perturbada do filósofo tedesco. Para comprová-lo, reproduzimos abaixo o maravilhoso Artigo da saudosa Companheira Margarida Corbisier – publicado originalmente em "A Offensiva"(13/04/1935), em que se evidencia a nenhuma semelhança entre a genial criação de Plínio Salgado e a alucinação de Nietzsche.

CONCEITO DE VIDA HERÓICA.

Margarida Cavalcanti de Albuquerque Corbisier.

Já se vai precisamente, no processo misterioso dos tempos, a hora em que os homens ainda uma vez despertos para a realidade de sua tarefa de "homens", ainda uma vez conscientes de sua "irremediável" dignidade, saberão galhardamente "fazer a vida" ao invés de esperar que a vida os fizesse.

Havia uma imensa terra verde, um entrechoque monstruoso de sangues, de matéria humana... hibridismos raciais, riquezas de complexidade.

Um sopro de vida impulsionou aquela exuberância de elementos dispersos em ritmo vitalizante de agregação... e já se vai forjando o extensíssimo laboratório geográfico, em crisol de muitas histórias, uma geração de claridade e frescura, elástica e inquebrantável como os jungos. Virginalmente fecundada de essências.

Geração de aço, pois sua consistência é a simplicidade, - geração de fogo, pois sua força é o impulso das energias nucleares - um dia, essa geração falará ao mundo: sua voz terá o calor dos estios queimantes e a doçura do mel dos manacás... entoará para os homens velhos da Terra o canto guerreiro da Vida Heróica!

Nos mais fundos recessos do Universo latejam sempre, surdamente, as forças de desagregação e de morte. O imperioso movimento de Criação é um eterno desafio à capacidade de luta dos seres. Ressoa um grito de alerta pelos espaços inter-estelares. Existir é a palma de uma conquista incessante. E os seres lutam sem trégua pela sua afirmação. Sucumbem corpos na conservação das espécies. Altera-se a matéria na fixação das formas. Cada berço cava o alicerce de uma sepultura, cada crepúsculo encerra a promessa de uma aurora. Combatem a Vida e a Morte a grande batalha do Cosmos... processo de misteriosa elaboração... E o homem também vem ao mundo com o instinto secreto de luta. No olhar das crianças chameja o impulso das arrancadas irresistíveis. Esses pequeninos, quase ainda só de terra e de sangue, anseiam por aventuras cheias de perigo e de glória. Na indefinição de seu alvorecer, encerram todo o ímpeto de suas potencialidades totais... e arrojam-se combativos a viver por antecipação em seus brinquedos, epopéias e lances heróicos de toda a sorte. Ora são exploradores, audazes caçadores de feras, guerreiros denodados; ora missionários entre tribos selvagens, senhores de fantásticos impérios. Nunca os atemorizam obstáculos, confiam imperturbáveis no pleno êxito de suas façanhas.
Mais tarde, se lhes amortece o brilho do olhar. Descobrem a exigüidade do Espaço e do Tempo que os aprisionam. Aflige-se a banalidade de suas conquistas. Não cabem mais dentro da Vida que os asfixia, desencantam-se ante as perspectivas descoloridas que ela lhes oferece. Tão diferente fora tudo que sonharam...

E amesquinhado o Ideal, desfeitas as visões maravilhosas da infância, perdem o gosto pela luta. Se tudo é relativo, busquemos o que for mais a acessível. Deslizam pela corrente das comodidades, amargos e cínicos. Anquilozam-se progressivamente pela inação. Entorpecidos, deixam-se arrastar pelas forças implacáveis de destruição e de morte.

Não mentem, porém, nem os impulsos ardentes das primaveras humanas, nem as sombrias revelações dos primeiros embates. As crianças conhecem os segredos das intuições profundas... E o heroísmo é a vocação própria do homem. Mas, na esfera humana, a luta se desloca para a ordem moral e adquire um sentido trágico.

No início dos tempos batalhava o Cosmos. Batia surda e massiça a marcha em sentido de fatal unidade. Tudo era escuro.

Houve um estremecimento de gênese. Lampejou na treva uma centelha divina. Surgiu para o ser a alma humana.

Vinha marcada de predestinação aos êxtases supremos – estigmatizada de liberdade – rescendente de essência e de divino.

E a grande batalha começou. A que ressoa na Eternidade. A Batalha do Bem e do Mal.

Bem e Mal!... Dupla face do trágico e sublime e imortal destino humano!

À dignidade do Ser Livre cabe a grande luta. Como todas as coisas criadas, o homem terá de dar testemunho do Criador. Fa-lo-á, porém, quer pela afirmação, quer pela negação. Nascido para o Absoluto, terá de escolher entre o relativo. E essa limitação lhe será dolorosa. Durante toda a sua trajetória terrestre a sua vocação ao Infinito o perturbará. Aguilhão de Vida – que castiga na Terra.

Terá de traçar, assim, a sua feição definitiva incessantemente solicitado por forças contrárias. Será, na ordem moral, o árbitro supremo dos destinos da Criação. Filho de Deus, especialmente elaborado à Sua Imagem, é o escolhido do Céu para cooperar na Grande Obra...

Tal é a revelação misteriosa que encerram os pressentimentos juvenis. Neles palpita o germe de nossa grandeza. E essa mesma grandeza é nossa tentação e a nossa perda. Impele-nos a torrente de nossa potencialidade virgem. Sentimo-nos grandes, pressentimo-nos imortais. Atraem-nos os combates, sobretudo pelo papel que neles podemos desempenhar. Trabalhamos para nossa própria glória. Somos pequenos heróis, pequenos reis – cheios de vaidades.

É então que a vida nos ensina a lição do limite e da morte. Desfolham-se quando as tocamos, as rosas que colhemos. Diminui o mundo à medida que crescemos. Afigura-se-nos quixotesco o nosso heroísmo. Tudo se perde na voragem do tempo. Ninguém nos compreende. Os homens são seresinhos pequeninos e egoístas que se roçam uns aos outros e se desconhecem. Tudo se vai envolvendo de uma densidade cinzenta de ceticismo...

Baixa o crepúsculo sobre a nossa alma. É o resfriamento do coração, a poda das melhores energias.

Mas as grandes noites engendram as auroras luminosas... No desamparo de nossa solidão sentimos doidamente a ausência de uma Plenitude. O vácuo imenso de nossa vida é um apelo ao Infinito... A revelação de nossa profunda miséria... impotentes, desorientados, aniquilados brota de nossa alma exangue um grito de desespero e de socorro !

... e então desvendam-se para nós os horizontes supremos das eternas consolações. Reconhecida e aceita a nossa inutilidade, aprendemos o segredo dos heroísmos invencíveis. Compreendemos que a renúncia a si mesmo é o penhor da afirmação para sempre. Já não mais lutamos insensatos, para nossa própria glória; e sim para a Grande Causa! Lutamos pela honra de servir. Pouco importa a tarefa que nos cabe, o que importa é cumpri-la. Tudo é sublime no Resultado Absoluto.
Fixa-se, indelével, o nosso caráter. A Fé nos unifica, organiza, disciplina, abrindo-nos o horizonte das esperanças totais... identificando-nos a nós mesmos como se renascessemos – e esse renascimento consciente trás toda a frescura e a alegria das alvoradas. Agimos com a serenidade quente das convicções inabaláveis, profundas. Invencíveis pelo desprezo absoluto de nós mesmos nada mais nos demoverá. Caminharemos até a meta final sustentados pela Força de Misteriosa Atração...

Σ
Σ Σ

Um dia, os "camisas verdes" da terra moça do Brasil falarão ao mundo: sua voz terá o calor dos estilos queimantes e a doçura do mel dos manacás... e entoará para todos os homens da Terra o hino guerreiro da Vida Heróica.

(Transcrito das páginas 53 até 60 do "Estudos e Depoimentos", volume V da Enciclopédia do Integralismo – Rio de Janeiro – Livraria Clássica Brasileira/GRD – 1958 – 186 págs.)

domingo, outubro 19, 2008

O ETERNO E O EFÊMERO

Nota Explicativa:
O Texto a seguir é de Autoria de Genésio Pereira Filho, quando era Secretário Estadual de Estudos e Plano Governamentais do Diretório Estadual de São Paulo do Partido de Representação Popular (PRP). Escrito especialmente para a Revista Integralista “Avante!” (que se editava em Ribeirão Preto), alcançou enorme sucesso tendo sido republicado em diversos jornais e revistas, bem como editado várias vezes na forma de Folheto, também foi acolhido no Volume VIII da Enciclopédia do Integralismo. Mais recentemente tem sido difundido pela Internet, porém, constatamos que suas reproduções virtuais contém erros e, por isso, resolvemos reeditá-lo virtualmente, com tais erros devidamente expurgados. Todos os Integralistas devem ler e reler este Artigo, meditando-o.

Ser Integralista - Não ser Integralista (O Eterno e o Efêmero).

Genésio Pereira Filho*
Ser Integralista não é fácil. O Integralista aceita uma série de compromissos que não se rompem com desembaraço. E, antes de mais nada, ser Integralista significa tomar atitude, conhecendo a verdade da vida e crendo nela.
Que é tomar atitude? É tomar posição diante das crenças exatas em um momento histórico e através da dialética, pelos movimentos incessantes do devir, procurar chegar ao conhecimento da Verdade final. Que é esta Verdade final, senão a autenticidade da própria vida e a presença do homem, puro de alma, diante do Belo e do Bem?
Domina todo raciocínio a idéia de Verdade. E esta idéia de Verdade como pode ser atingida? Através do pensamento. Logo, tomar atitude é pensar. Diante do mundo cheio de mistérios, de terrores, de incertezas, de ameaças, diante das almas angustiadas e dos corações desesperados, ante destinos rotos e esperanças desfeitas, que faz o homem? Pensa. Procura penetrar as profundezas sem fim da destinação humana, na tentativa de projetar-se além dos mistérios e do incognoscível. Aí está o binômio capaz de criar o homem integral, aquele que dignifica a existência: razão e crença. Não podendo vislumbrar a Verdade última pela fragilidade das ciências, que se esboroam ante o mistério insondável do infinito, o homem sente necessidade de crer. E crendo, plasma uma realidade para tudo, para as coisas que o cercam e para os universos que adivinha, afirma-se na realidade do próprio mundo e caminha fortalecido pela pujança de sua presença animada de ideais.
Não é possível, portanto, crer sem colocar na crença toda força da alma e toda identificação. O ideal que domina o homem tem que ser aceito integralmente, sem reservas, completamente, perfeita e absolutamente. A raiz da verdade é profunda, e não admite superfícies. Vai ao âmago dos corações, enreda-se pelos escaninhos, domina, subjuga, absorve, consome, infiltra-se, penetra, impera, prevalece e prepondera. Não aceita limites. O ideal é ou deixa de ser si tomado em meio termo. Quem crê fá-lo radicalmente, ou não crê. Quem busca verdades parciais numa crença não conhece o pensamento exato, puro e último.
Quem crê revela uma essência. A essência designa e caracteriza o SER, aquilo que é, porque independe das relatividades existenciais. O SER não precisa estar em outro objeto para ser. É em si mesmo, sempre e necessariamente sujeito.
Não sendo nem atributo, nem acidente, nem substância, a essência marca o SER em sua permanência, enquanto tudo à sua volta possa mudar.
Uma essência, irrealizada em uma época, inaceitada, não perde nunca sua força de permanência, porque é eternamente viável. Por isso, costumo dizer que dois verbos diferenciam o Integralista dos demais políticos. Fiel a uma doutrina, que é essencial porque derivada de uma atitude tomada e pensada, não têm caracteres transitórios os gestos do Integralista.
SER e ESTAR são verbos. O Integralista é, afirma-se perenemente através de um movimento de idéias que a relatividade das existências jamais destruirá. Somos um movimento, não estamos num movimento. Afirmamos para a eternidade. O eterno supera o tempo, opõe-se mesmo ao tempo, cuja idéia constitui-lhe antinomia. O que é transitório tem começo e tem fim, vive no tempo e no espaço, submete-se ao devir, às contingências, à existência. Assim sendo, os que não são Integralistas estão simplesmente... Existem. Estão hoje na “União Democrática Nacional”, como estiveram ontem no “Partido Social Democrático” e estarão amanhã no “Partido Trabalhista Nacional”. O Integralista, ao invés, afirma: “EGO SUM”. Sou porque afirmo. Afirmo porque creio. Creio porque penso.
Se me perguntarem se sou de São Paulo, responderei que não. Estou em São Paulo, como estive há tempos em Ribeirão Preto e outrora em Jaboticabal, em Mococa, em Silveiras. Mas sou de São Bento do Sapucaí, minha terra natal, cujas montanhas enchem-me a alma de ideais e de fé; os pinheirais da Mantiqueira são símbolos de minha nobreza e a vibração telúrica do meu ser tem raízes nas escarpas e nas grotas, nas encostas íngremes e nos abismos insondáveis... Estou transitoriamente no asfalto, existo em superfícies, em paisagens de simplórios gramados, mas sou das montanhas de selvas indômitas, habitadas por mistérios e recordadas pelas lendas.
O Integralista é marcado pela continuidade constante do ser, que se revela na vida de ação permanente.
O homem que crê, aceita e elege. Aceitando e elegendo princípios, integra-se. Integrando-se, torna-se responsável. Já disse Julián Marías que a responsabilidade não é consecutiva ao ato humano, mas constitutiva dele mesmo. Sendo constitutiva, está em sua própria natureza. Não pode o homem, pois, titubear em sua vida, mas deve marcá-la pela decisão, sem o que não estará dando “presença” de si mesmo no mundo. Vagará por ele, como sombra tênue, como corpo sem alma. De indecisos está cheio o mundo. De cadáveres que fantasmagoriam cenários e criam universos tenebrosos. De cansados está saturada a terra. De reotropismo negativo está dominada a humanidade.
A existência tem que ser marcada pela atividade constante, pelo trabalho dos audazes e dos decididos, daqueles que ferem o mundo com atitudes firmes e o agridem com sonhos insólitos. Desses é o futuro, porque eles é que fazem a Beleza da Vida e são eles que redimem o gênero humano. Nada de liberalismos tolerantes, nada de totalitarismos negadores da dignidade humana. Precisamos de afirmações corajosas dos ideais abraçados. Sonhar pela Arte e realizar pela Ação, eis a vida bem vivida e bem sentida. Vida que, sendo um eterno presente, não pode abandonar a tradição nem deixar de mirar o futuro. Nação que esquece o passado perde a própria memória. Nação que não vive o presente avilta-se na covardia. Nação que não olha o futuro envenena-se pelos atos limitados do egoísmo.
O homem Integral, o homem eterno, este se apóia na memória dos povos, em sua história, realiza o presente com denodo e constrói para o futuro. Assim agindo, afirma sua essência, lutando contra o tempo que nada perdoa. Disse o filósofo que tudo é destruído pelo tempo, a mulher, a flor, as construções, os impérios, as palavras – ai deles! – o Tempo fá-los inexoravelmente perecer. Nem mesmo os sonhos são perdoados. Nem as obras de Arte. Há, contudo, algo que resiste: o Ideal. Com as obras de arte perece o Belo. Com o Ideal resiste o Sublime, que supera o Tempo.
Afirmemos, portanto, Integralistas, com bastante coragem, nosso Ideal. Afirmemos, porque ele resiste ao Tempo e existirá para sempre. Irrealizado hoje, se incapaz nossa geração de aceitá-lo, será possível no amanhã. “Ego Sum”. Somos um movimento para a Eternidade. E quem afirma para a Eternidade, caminha para o Bem Supremo, alvo último de nosso destino: DEUS.
(Transcrito da Revista “Avante!” – Ano 1 – Fevereiro-Abril de 1950 – Nº 2 – pág. 50).

* Σ – São Paulo (SP). Jurista.

sábado, outubro 18, 2008

Ascendino Leite critica a guerra de silêncio infligida a Plínio Salgado.

O renomado escritor Ascendino Leite, no seu afamado “As Coisas Feitas”, insuspeitamente, pois nunca foi Integralista, protesta contra o silêncio criminoso em relação a Plínio Salgado e sua Obra, eis o que ele diz:
“Plínio foi (é) um exemplo ilustrativo do que afirmo. Sua obra literária, propriamente dita, que abrange romances como O Esperado e O Estrangeiro, está a sofrer o obscurecimento planejado de historiadores e críticos engajados em campo oposto ao do inspirador do Integralismo, no sentido de destruir qualquer lembrança do valor dessa mesma obra.
“(...).
“Não me canso de ler essa Vida de Jesus, de Plínio Salgado, obra prima, duma grande, extraordinária perfeição. Sobre o tema, não há em português uma só que a supere sob qualquer aspecto em que se a aprecie. Linguagem, composição e estilo, tudo nela exprime o máximo das qualidades positivas dum escritor, dum poeta, dum mestre apaixonado pelo seu tema, sem exagero, sem heresia. Mais de vinte edições, uma dezena fora do nosso país, em outros idiomas.
“Mas entre nós quem fala nela? Silêncio completo. Até a Igreja Católica parece ignorá-la. Ninguém, nenhum crítico, nem mesmo Tristão de Ataíde, se abala a comentar a existência desse livro, não obstante a singular mensagem que nele se contém, - belíssimo monumento dedicado à propagação da divindade, da glória e da humanidade de Cristo. Livro tão importante quanto o de Renan. Bem mais perfeito e tocante que o de Mauriac.
“A censura política cegou o espírito crítico em nosso país e acabou transformando o seu autor num escritor maldito, e a sua considerável contribuição à nossa expressão literária, numa obra proibida”.
(Ascendino Leite – “As Coisas Feitas – Jornal Literário” – Rio de Janeiro – Eda Editora – 1980 – págs. 125 e 126).
Opinião de Cassiano Ricardo sobre Plínio Salgado.
Mário de Andrade, Cassiano Ricardo, Menotti Del Picchia, Alfredo Ellis Jr., Plínio Salgado, Oswald de Andrade, Raul Bopp, Cândido Mota Filho, Tasso da Silveira e tantos outros constituíram a brilhante geração intelectual do Modernismo Brasileiro.
Cassiano Ricardo e Plínio Salgado, que participaram do Verde Amarelismo e da Anta, foram amigos por toda a vida, apesar de politicamente terem divergido, pois, Plínio Salgado, em 1932, criou o Integralismo, essencialmente democrático e pluralista, enquanto Cassiano Ricardo, em 1936, fundou a Bandeira, um movimento de cunho fascista, que acabou cooptado pelo totalitário Estado Novo, de Getúlio Vargas, em 1937. No seu Livro de Memórias, Cassiano Ricardo, nos dá um “3 x 4” de Plínio Salgado:
“Caipira do Vale do Paraíba mas civilizado; pode-se incluir na família intelectual de Lobato e Euclides pelo feitio pessoal, teluricamente brasileiro. Inquieto, instantâneo para escrever; mas a um só tempo, capaz de graves reflexões sociológicas, artísticas, “poiéticas” que exigiam vagar. Vivo como corrupira no seu poder de invenção, era cinético no seu convívio. Capacidade de comando e de proselitismo. Mas esse já é outro capítulo que não cabe nos idos do grupo Verde-Amarelo ou do Correio Paulistano. Nem nessa ficha de identificação”.
(Cassiano Ricardo – “Viagem no Tempo e no Espaço” – Rio de Janeiro – Civilização Brasileira – 1970 – XVI + (1) + 330 págs.; transcrição da pág. 35, nota 1).

terça-feira, setembro 30, 2008

A Semana de Arte Moderna e o Pensamento de Plínio Salgado

A Semana de Arte Moderna e o Pensamento de Plínio Salgado.

Fabrícia Lopes*.
A Semana de Arte Moderna de 1922 pode ser considerada como marco do modernismo no Brasil. O evento aconteceu na capital paulista e reuniu intelectuais de distintas linhas ideológicas. Apesar das divergências, buscavam a mudança da velha mentalidade estética por outra, em valores e propósitos. Tal semana, na época em que ocorreu, não abalou estruturas e nem foi um movimento de massa. Sua repercussão só ganharia contornos nos anos sucessivos.
Dentre os desdobramentos da Semana, surge o Movimento Cultural Verde-Amarelo e Grupo Anta, fundado em 1926. O movimento contou com a presença do jornalista e escritor Plínio Salgado, que teve ao seu lado nomes como Cassiano Ricardo, Menotti del Picchia e Cândido Mota Filho. Eram os fomentadores do Manifesto do Verde-Amarelismo, que tem como base o nacionalismo tupi.
Anteriormente a sua participação na Semana de Arte Moderna, Plínio Salgado passou por um momento que mudaria o rumo de suas convicções filosóficas. Antes da morte de sua esposa, em 1919, o jornalista teve contato com doutrinas materialistas e revolucionárias de Sorel, Marx, Trotski e Feuerbach. Entretanto, com a perda da companheira, o escritor buscaria refugio no Cristianismo, que passará a influenciar sua produção literária.
Em 1922, sua presença na Semana de Arte Moderna foi crucial para a formação intelectual e política de seu pensamento, sendo ela responsável pelo amadurecimento de suas convicções ideológicas nacionalistas. Foi por meio de sua atuação no movimento modernista que Plínio Salgado confirmou seu sentimento patriótico, travando debates com outra vertente modernista, composta por Mário de Andrade. Em sua produção literária, o jornalista ressalta a importância de valores para a constituição de uma identidade brasileira.
O estilo modernista adotado por Plínio Salgado em suas obras literárias acabou sendo visto com preconceito, devido a sua atuação política ter sido associada ao nazi-facismo. Esta acusação normalmente partia dos intelectuais de esquerda, que se opunham à sua visão dualista, visto que se embasavam no materialismo e no relativismo cultural para produção de suas obras.
Observando a obra do autor, é possível notar seu respeito ao ser humano, e o culto a virtudes que são necessárias para uma plena convivência com o próximo, mostrando que para ser intelectual e romper com velhos paradigmas não é necessário negar valores que são imutáveis, como Deus, a família, e a Pátria. De fato, Salgado é um exemplo para os intelectuais da pós-modernidade, que para serem aceitos assumem posicionamentos ateístas e agnósticos, que não respondem aos seus anseios interiores.
* Estudante de Jornalismo (Quarto Semestre). Araçatuba, São Paulo.
# Escrito por Jornalismo UniToledo, às 09h33, dia 29/08/2008.
Os Integralistas e a Guerra Civil Espanhola.
Marcus Ferreira*
A Legião estrangeira Espanhola.
Em 1916, aos 22 anos, Francisco Franco era apenas um capitão, o mais jovem da Espanha. Havia um ano que fora transferido para o Marrocos, colônia espanhola, onde poderia ganhar mais e as promoções eram por bravura e não por algum serviço administrativo, como na metrópole. Lá enfrentavam a guerrilha local, que resistia a invasão. Franco, sempre na linha de frente, fora ferido e condenado à morte pelos médicos. Sua família foi chamada, e seus superiores cogitaram lhe promover postumamente a major pela bravura. Contrariando as expectativas sobreviveu e recuperou-se. Exigiu e recebeu a promoção. Os inimigos criaram a lenda que ele possuía “Baraka”, que seria uma força misteriosa, “o sopro da vida”, que o protegia.
Nos meses seguintes, o major Franco e seu amigo, o coronel Millan Astray, alistaram mais 550 legionários, e os instruíram para combater o chefe Abd-el-Krim. Finalmente em uma licença, cinco anos depois de afastado de sua noiva, casou-se com sua amada, tendo, para surpresa de seu sogro, a presença do general Losada, representando o rei da Espanha, Afonso XIII. Apesar das pesadas perdas, a Legião Estrangeira Espanhola lutou com bravura, tendo Franco sempre na primeira linha de combate. Ele e Millan Astray impuseram um código com oito itens aos legionários:
I – O espírito legionário: o único e substancial dever é a agressividade cega e feroz: encurtar sempre à distância para o inimigo, para atacá-lo com a baioneta.
II – O espírito de camaradagem: "jurais que não abandonareis jamais um legionário no campo de luta, mesmo com o risco de morrerem todos".
III – O espírito de união e socorro: ao chamado – A mi la legion! – todos correrão para prestar ajuda ao legionário, que, com ou sem motivo, se encontra em perigo.
IV – O espírito de marcha: um legionário jamais dirá que está cansado; antes preferirá cair morto.
V – O espírito de dor e de resistência: o legionário não se queixará de cansaço, nem de dor, nem de fome, nem de sede, nem de sono.
VI – O espírito de disciplina: o legionário cumprirá o seu dever até a morte.
VII – O espírito de combate: a legião pedirá sempre para combater sem tréguas, sem contar os dias, nem os meses, nem os anos.
VIII – O espírito de morte: morrer em combate é a maior das honras. A morte liberta de todas as dores e não é terrível, como parece. Mais terrível é viver como covarde. A bandeira da legião será a mais gloriosa, porque é manchada com o sangue de legionário.
A Bandeira da Legião – É a mais gloriosa por que está tingida com o sangue dos legionários.
Todos os homens legionários são bravos, cada nação tem fama de bravura, aqui deve demonstrar que pode ser mais valente.
De fato, lutar sob o comando de Franco não era fácil. Diz-se que era inflexível, duro, minucioso e exigente. Não fazia muitas amizades, mas jamais exigia sacrifícios de sua tropa que não estivesse disposto a exigir de si próprio. Suas tropas eram experientes, disciplinadas e vorazes - como seu líder. Este homem e seus soldados se levantariam contra a Frente Popular que ganhou as eleições legislativas na Espanha.
A internacionalização de uma Guerra Civil.
Quando a revolta nacionalista começou, Franco constatou que quase toda a Marinha e a Aeronáutica estavam do lado republicano, e, com seu exército fora do continente, seria impossível retomar a Espanha. Por isso procurou apoio estrangeiro. As duas maiores potências anticomunistas na época eram a Alemanha nazista, de Adolf Hitler, e a Itália fascista, de Benito Mussolini. Havia também Portugal, de Salazar, que se tornou seu amigo mais tarde. Franco não hesitou em pedir auxílio. A ajuda alemã chegou a partir de agosto de 1936, na forma de 50 aviões Junkers Ju-86. Estes, somados aos aviões de transporte italianos, serviram para o transporte dos primeiros soldados e material bélico. A “Legião Condor”, comandada por Ritter Von Thomas era formada por voluntários da Luftwaffe [a força aérea alemã]. Habilmente treinados e perfeitamente disciplinados, colocariam em prática as táticas que até então eram apenas teorias sobre a guerra aérea e o bombardeio terrestre.
Os italianos colaboraram com dezenas de milhares de soldados e milhões de liras para a compra de armas e suprimentos. Os italianos tiveram milhares de baixas no conflito. Portugal enviou a “Legião de Viriato”, composta por 20.000 voluntários, que sofreu também perdas consideráveis. A Legião Viriato foi formada pelo major Jorge Botelho Moniz, presidente do Rádio Clube Português e amigo de Oliveira Salazar. Este deixou simplesmente que a idéia da Legião prosseguisse, mas não se responsabilizou por ela. É de Oliveira Salazar a frase que descreve melhor este momento: "a internacionalização de uma guerra desenvolvendo-se no quadro de um território nacional".
Quando a guerra começou e se tornou conhecida ao mundo, começaram a chegar novos voluntários, que formaram a “Legião Joana d’Arc”. Cerca de 600 irlandeses, 10 ingleses e 100 franceses. Chegou também uma companhia de russos brancos, e sete membros da Guarda de Ferro romena. Da América do Sul chegaram grupos de argentinos e uruguaios, entre outros - há indícios da participação de brasileiros ao lado de Franco no conflito, mas minhas pesquisas ainda não provaram isto. Estes voluntários eram monarquistas, fascistas, nacionalistas, católicos ou até mesmo descendentes de espanhóis. Em comum só o anticomunismo.
A ação irlandesa e romena.
A motivação dos irlandeses foi basicamente o ódio aos comunistas. Eles ouviram que "os vermelhos estavam queimando igrejas e caçando padres e freiras". O grupo foi liderado por Eoin O'Duffy, líder dos "camisas azuis", movimento fascista irlandês. A viagem foi patrocinada por católicos e por jornais nacionalistas. Partiram de Dublin, em 13 de novembro de 1936. Formaram a 15ª bandeira da Legião Estrangeira Espanhola. Ao chegarem em Jarama, em 11 de Fevereiro de 1937, se envolveram em um combate ferrenho na linha de frente, enfrentando as Brigadas Internacionais. Ambos os lados tiveram enormes baixas. A unidade foi retirada de combate, para praticamente não mais lutar. O’Duff retornou a Espanha em 1938, publicando o livro Crusade in Spain, onde se vangloria da luta anticomunista. Faleceu em 1944, sendo enterrado com honras militares.
A Guarda de Ferro romena, também conhecida como Movimento Legionário, enviou um grupo meramente simbólico para o conflito. Eram todos líderes do movimento, que participaram de sua fundação e organização. Muitos outros se propuseram a partir, mas o movimento não tinha recursos para a viagem. Partiram em 24 de novembro de 1936, e a tropa era liderada por Ion Mota, cunhado do líder da legião Corneliu Codreanu - além dele, foram o padre ortodoxo Dumitrescu Borsa e outros cinco voluntários. Chegando à Espanha, foram incorporados à 21ª companhia da Legião Estrangeira Espanhola, sob o comando do coronel Yague. Em 13 de janeiro de 1937, defenderam a cidade de Majadahonda de um ataque republicano. Tiveram dois mortos, um ferido e um doente, e vitoriosos, se retiraram dos combates voltando para seu país. Os romenos da Guarda de Ferro, após breve período em que administraram o país ao lado do ditador Ion Antonescu, deste divergiram e foram internados pelos alemães no campo de concentração de Buchenwald. Depois foram liberados pelos alemães para se defenderem da invasão russa, em 1945, quando já era tarde demais. Após a guerra muitos fugiram do país, inclusive para o Brasil. Os que foram para a Espanha, fizeram um grande monumento em memória de seus mortos, Ion Mota e Vasile Marin, na cidade onde tombaram.
O Brasil na rota nacionalista.
Alguns grupos de voluntários da América do Sul passaram pelo Rio de Janeiro, em 1936, em direção à Espanha. No Brasil existia a Ação Integralista Brasileira, partido nacionalista fundado em 7 de outubro de 1932, liderado por Plínio Salgado, seu “Chefe Nacional”. A AIB tinha afinidades ideológicas com a falange de Primo de Rivera, e apoiava a ação anticomunista de Franco.
Na Cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal, estava o jornal A Offensiva, seu principal órgão noticioso. A sede do jornal recebeu dois destes grupos voluntários. O primeiro grupo, chegou em 9 de setembro de 1936, e era formado por 10 espanhóis e 3 uruguaios. O grupo era procedente de Buenos Aires e Montevidéu. Chegou no paquete alemão General San Martin. Os uruguaios, Antonio Arribas, Benito Arribas e Bernardo Corrosso eram aviadores. Os argentinos, Carlos Castro, Amélio Fernandez, Manoel Mendez, Juan Arregri, Antonio Dapena, Ramon Ramoni, Benito Átrio, Laureano Casero e Rufo Arguñarena eram milicianos.
Rumo a Espanha, Voluntários Nacionalistas confraternizam com Integralistas, no Rio de Janeiro.
Em 1º de setembro de 1937 chegou outro grupo, no vapor General Artigas. Eram liderados pelo Chefe Nicolas Guintane e pelo sub-Chefe Enrique Rodrigues. Estavam com eles Sebastian Cereceda e Emílio Rosado. Foram recebidos pelo segundo no comando na AIB, Gustavo Barroso, e pelo diretor do jornal, Madeira de Freitas. Este, empolgado com aqueles homens, escreveu no editorial do dia 4 de setembro:
Vi-os, quando, atraídos pela força do ideal comum, procuraram a redação de A Offensiva. Saudei-os, como integralista, em nome e por ordem do Chefe Nacional. E vendo-os, adivinhei quanto de grave, de sublime e de transcendente lhes iluminava o olhar, onde um brilho estranho falaria bem mais alto do que as suas palavras de retribuição “al saludo de los hermanos del Brasil”.
(...) Integralistas e camisas-azuis, compreenderam-se. E marcham, com os patriotas do mundo inteiro, para a apoteose da grande epopéia, para o raiar de uma nova aurora, ao ritmo novo de um novo conceito de vida, o conceito da própria dignidade humana.
Finalmente, em 13 de Janeiro de 1937, chegou ao Rio de Janeiro, de Sevilla e indo para Buenos Aires, Raul Iglesias, agente da falange espanhola. Este estava em Barcelona no início das hostilidades, e se alistou no Exército de Moscardo. Recuou com estes para Alcazar, e lá ficou cercado durante meses. Levantado o cerco, participou do ataque bem sucedido a Irun. Lá, se tornou emissário da Falange e foi enviado para a Argentina. Na ocasião disse: “Pode publicar em seu jornal que a Espanha não é comunista e que os espanhóis nacionalistas estão certos da vitória pela confiança que tem no general Franco e pela fé que tem em Deus”.
Finalmente, em 13 de janeiro de 1937, chegou ao Rio de Janeiro, de Sevilla, e indo para Buenos Aires, Raul Iglesias, agente da falange espanhola. Este estava em Barcelona no início das hostilidades, e se alistou no Exército de Moscardo. Recuou com estes para Alcazar, e lá ficou cercado durante meses. Levantado o cerco, participou do ataque bem sucedido a Irun. Lá, se tornou emissário da Falange e foi enviado para a Argentina. Na ocasião, disse: “Pode publicar em seu jornal que a Espanha não é comunista e que os espanhóis nacionalistas estão certos da vitória pela confiança que tem no general Franco e pela fé que tem em Deus”.
A guerra se torna mundial.
Terminada a Guerra Civil, marcada pela extrema violência de ambos os lados em conflito, Franco começou a lenta reestruturação do país. Logo começou a 2ª Guerra Mundial, e lhe foi cobrada uma posição no conflito. O encontro com Hitler foi em 13 de Novembro de 1940, em Hendaye, na França. O encontro com Mussolini foi em 7 de Março de 1941, em Bordighera, na Itália. Franco optou pela neutralidade enviando para a Alemanha apenas uma divisão de infantaria, conhecida como “Divisão Azul”, a de número 250 da Wehrmacht, comandada pelo General-major Muñoz Grandes. Esta divisão era composta por voluntários espanhóis, na maior parte falangistas, e por cerca de 15 portugueses, ex-membros da Legião Viriato. Engajou-se na luta no setor de Leningrado, na Rússia, até ser retirada de combate, com cerca de seis mil baixas.
Dos portugueses desta divisão, somente um retornou vivo. A maior parte morreu no frio de 35º abaixo de zero das estepes russas. Chamava-se João Rodrigues Júnior. Este, em 1936, depois de ter cumprido o serviço militar, partiu para Espanha, onde havia começado a guerra Civil, e se alistara na Legião Estrangeira Espanhola. Em 1941, terminaria seu contrato de cinco anos com a Legião, mas decidiu por renová-lo para lutar contra o comunismo. Em 1942, aos 26 anos, retornou para sua casa, ainda um idealista.
Fontes:
Revista A Esfera. Portugal, 1942.
Jornal A Offensiva. Rio de Janeiro, 1936-1938.
Carap, Julia. Delírios e destinos. Niterói, RJ: Muiraquitã. 1997.
Legiunea In Imagini. Madrid: Editura Miscárii Legionari, 1977.
Revista “Anauê!”. Rio de Janeiro, 1935-1937.
* Historiador. Rio de Janeiro.