sábado, julho 17, 2010

UM GRANDE IDEAL

Explicação Necessária:

O Chefe Nacional Plínio Salgado sempre foi um crítico das Histórias em Quadrinho, por julgá-las inibidoras da imaginação Infantil. Todavia, em 1955, quando era Candidato à Presidência da República pelo Partido de Representação Popular - PRP -, os Companheiros que participavam da sua Campanha tentaram convencê-lo de que as HQ também deveriam seu usadas como instrumento de propaganda. Após muito relutar, o Chefe acabou por autorizar a HQ que aqui reproduzimos, de uma reedição dos anos 80, feita pela Editora Voz do Oeste. Clicando em cima de cada ilustração, ela se amplia, permitindo uma melhor leitura. Espero que apreciem.





























domingo, julho 11, 2010

Curiosidade Numerológica

O renomado astrólogo, Prof. Rubens Peiruque*, no seu raríssimo Livro, "Manual de Astrologia e Numerologia"¹, estuda numerologicamente diversos personagens da História do Brasil Contemporâneo², entre os quais, Plínio Salgado.

A título de curiosidade transcrevo a parte referente ao Chefe³:

"Vejamos outro exemplo:
PLÍNIO SALGADO

Convém, primeiramente, contarmos as letras do nome completo.

Achamos 13 letras.
Qualquer pessoa que usar na assinatura o referido número de letras sofrerá acidentes, fatalidades e ameaçãs de tragédias.
Sempre indica quedas, desastres e fatalidades abismais.

Mas vejamos o valor de cada letra:
....9...96....1.....1....6 = 32 = 5
P l í n i o...S a l g a d o
7 3..5......1....37...4....= 30 = 3

Na personalidade aparece o número 3, que siginifica energia mental, iniciativa e grande luta para progredir. Êste número está sempre ligado a papéis, livros, cartas. O leitor poderá ver mais amplas indicações no Capítulo II, justamente na parte que trata da "Interpretação do Simbolismo dos Números".

Na redução final dos algarismos da mentalidade, encontramos o número 5, que siginifica inteligência notável a par de muitas mudanças em vários setores da vida comum.

O número 5, como o leitor poderá ver na parte que trata da "Interpretação do Simbolismo dos Números", é indicador de grande capacidade cultural e mesmo de misteriosas energias internas.

Se somarmos o 5, que representa a mentalidade, co o 3, que representa a personalidade, teremos o 8, como representante do destino. Êste último número indica intrigas, calúnias, ameaças de traições, emboscadas e até perseguições ocultas de falsos amigos.

Conforme o meu sistema de interpretação dos números, sempre relaciono o 8 com o signo de Escorpião.

Sabemos que o referido signo indica grandes complicações por intrigas, tramas secretos, muitas mortes entre parentes e amigos, e várias ameaças de morte, para o próprio nativo."
"(...)
"(...) Treze letras sempre indicam dramas lamentáveis ou fatalidades abismais, assim como acidentes.
Vejamos as assinaturas seguintes:
(...)
PLÍNIO SALGADO
(...)
Tôdas elas têm 13 letras."

Notas:
¹ PEIRUQUE, Rubens. Manual de Astrologia e Numerologia. Grandes Revelações sôbre o Mistério do Destino. [2. ed.]. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1968.
² Páginas 176 e seguintes.
³ Transcrito das páginas 178, 179 e 180. Foi conservada a ortografia do original.

* O afamado astrólogo Rubens Peiruque fez parte daquela geração(Baptista de Oliveira, Botelho de Abreu, Demétrio de Toledo, João Romariz, Ullo Getzel e outros) que renovou, na primeira metade do Século XX, os estudos astrológicos no Brasil.

sexta-feira, julho 09, 2010

Considerações a respeito do artigo Plínio Salgado e a Ação Integralista Brasileira

Victor Emanuel Vilela Barbuy*

O prestigioso jornal O Lince, do Município de Aparecida-SP, veículo no qual tenho tido, aliás, a imensa honra de colaborar, publicou, na última edição, artigo da lavra do Sr. Leandro Pereira Gonçalves, a respeito de Plínio Salgado e a Ação Integralista Brasileira, que merece alguns reparos e esclarecimentos.

Em primeiro lugar, ao definir o Integralismo como sendo um movimento “essencialmente autoritário”, o autor deveria ter explicado o verdadeiro significado do termo “autoritário”, que diz respeito àquele que afirma o princípio de Autoridade, pressuposto da Ordem e da Liberdade, nada tendo que ver com arbitrário e, menos ainda, com totalitário.

Isto posto, cumpre ressaltar que, se, por um lado, Plínio Salgado (que nasceu em 1895 e não em 1885), como expôs o autor, se entusiasmou com as realizações de Mussolini na Itália – como, aliás, tantos homens de seu tempo, de Fernando Pessoa a Chesterton, de Ezra Pound a Mircea Eliade, de Emil Cioran a T.S. Eliot, de Hilaire Belloc a Knut Hamsun, de Oswald Mosley a José Antonio Primo de Rivera, de Céline a Carl Schmitt, de Drieu La Rochelle a Octavio de Faria, de Charles Maurras a Hendrik de Man, de Maurice Barrès a Whyndham Lewis, de Corneliu Codreanu a Alceu Amoroso Lima, de Gandhi a Winston Churchill -, por outro, ele jamais deixou de condenar certos aspectos da doutrina fascista e de ressaltar as diferenças existentes entre esta e o Integralismo, sobretudo no que diz respeito à concepção de Direito e de Estado.

Registre-se, ademais, que, ao contrário do que afirmou o Sr. Leandro Gonçalves, o Integralismo jamais pregou um “nacionalismo agressivo que impusesse a hegemonia brasileira na América do Sul”. Ao contrário, o Integralismo sempre defendeu um nacionalismo sadio e edificador, ou, como diria o próprio Plínio, “equilibrado e profundo, justo e lúcido”¹, e sustentou a integração harmoniosa do Brasil com seus vizinhos. Com efeito, já em 1934, em A Quarta Humanidade, Plínio Salgado pugnava pela formação de uma verdadeira confederação latino-americana, sustentando a necessidade da “união mais íntima entre os americanos meridionais” e da “suspensão de todas as barreiras alfandegárias entre esses povos e o mais íntimo intercâmbio cultural e espiritual”².

Quanto ao Ministério da Educação, oferecido por Getúlio Vargas a Plínio Salgado ou a quem por ele indicado, cumpre ressaltar que o autor de O estrangeiro o recusou, sendo então indicado Gustavo Barroso para tal Ministério, por decisão de líderes da Ação Integralista Brasileira. Mas o Ministro da Justiça, Francisco Campos, encarregado de transmitir a decisão a Vargas, acabou não o fazendo, de modo que o Ministério da Educação acabou indo para as mãos de Gustavo Capanema, que não pertencia à AIB.

Isto posto, é forçoso sublinhar que, ao contrário do que afirmou o Sr. Leandro Gonçalves, o Levante de 11 de Maio de 1938 não foi “um levante promovido pelos integralistas com o objetivo de liquidar Vargas”, mas sim uma precipitação do Movimento que, reunindo integralistas, liberais e militares descontentes, pretendia depor e prender Vargas e restaurar a Constituição de 1934 e o regime democrático. Com efeito, tal levante representou, como reconheceu o historiador Glauco Carneiro, a única reação armada contra a ditadura estadonovista até a deposição de Vargas, em 1945³.

No que tange ao Partido de Representação Popular (PRP), insta assinalar que, ao contrário do que afirmou o Sr. Leandro Gonçalves, não foi Plínio Salgado quem criou esta agremiação após seu retorno ao Brasil, em 1946, mas sim um grupo de militantes integralistas, em 1945. Ademais, tal partido não teve participação tão tímida na vida nacional quanto alega o Sr. Leandro Gonçalves, havendo, com efeito, elegido diversos Deputados Estaduais e Federais, Vereadores, Prefeitos e mesmo um Governador (Jorge Lacerda, de Santa Catarina), sendo importante frisar, ainda, que, em 1955, quando candidato à Presidência da República, Plínio Salgado foi o candidato mais votado no Paraná e teve votação expressiva em diversas outras províncias brasileiras.

Por derradeiro, cabe enfatizar que, diversamente, uma vez mais, do que afirmou o Sr. Leandro Gonçalves, Plínio Salgado não “apoiou de maneira incondicional” o regime instaurado a partir de 1964, havendo se oposto, por exemplo, ao Ato Institucional nº 2, de 1965, que extinguiu todos os partidos até então existentes.

Notas:
1 SALGADO, Plínio. O pensamento revolucionário de Plínio Salgado (antologia organizada por Augusta Garcia Rocha Dorea). 2ª ed. ampl.São Paulo: Voz do Oeste, 1988, p. 97.
2 Idem. A Quarta Humanidade. 1ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1934, p. 79.
3 CARNEIRO, Glauco. História das revoluções brasileiras. 2ª ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1989, p. 360.

Fonte: http://br.groups.yahoo.com/group/sigmaclube/

* Σ – São Paulo(SP). Presidente Nacional da Frente Integralista Brasileira - FIB.

quarta-feira, julho 07, 2010

A Questão Econômica

Leo Mattos*

O Integralismo acredita na livre concorrência das empresas. Na participação efetiva dos trabalhadores nos lucros da economia.

O Integralismo é contra o capital não usado diretamente na produção nacional, seja industrial ou agrícola pois acredita que Capital e Trabalho sejam a mesma coisa. Capital é condensação do Trabalho.

A diferença crucial do Integralismo, que o credencia a combater tanto o Capitalismo como o Comunismo é o fato de que o Integralismo rompe com o Materialismo Histórico.

Ambos, capitalismo e comunismo são cabeças do mesmo monstro e devem ser combatidos.

Para o Materialismo, trabalho é um meio de troca, transformando o trabalhador em uma maquina, escrava dos "compradores de trabalho". Para nós o trabalho é: 1º Expressão da Liberdade; 2º da capacidade criadora; 3º meio pelo qual o Homem visa o bem temporal objetivando o dom sobrenatural.

O Integralismo acredita que, como toda atividade humana, a economia, as relações econômicas e trabalhistas devam seguir regras claras, impostas pela sociedade, através do poder Estatal.

O Mercado, para o Integralismo, não é um "Deus", que se auto regula como acreditam os liberais. O Mercado segue as leis naturais. Se deixado livre privilegia automaticamente os fortes economicamente pois as leis naturais não tem compromisso com a justiça social.

Essa questão realmente é muito complicada, demorei muito tempo e li muitos livros sobre integralismo para ter uma idéia clara. É pauta até para palestras nos núcleos do Brasil, é realmente uma excelente questão, que deve ser respondida.

Acredito porém que os princípios básicos são estes:

- Combate ao LIVRE mercado pois o mercado não se regula sozinho de forma justa.

- Combate ao capital que não é empregado na produção.

- O "Padrão Trabalho": Trabalho acumulado (Capital); Trabalho em ação criadora (Mão de Obra); Trabalho em potencial ação criadora (Desempregados).

- O Trabalho é a manifestação básica do ser humano desde os primórdios. Até mesmo o Estado existe em razão do trabalho.

ANAUÊ!

Bibliografia:
Minhas considerações são baseadas na leitura das seguintes publicações Integralistas:

- Madrugada do Espirito, Obras Completas, Vol 7, pág. 437.

- Direitos e Deveres do Homem, Obras Completas, Vol 5, pág. 276
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* Σ – São Paulo (SP).

sábado, julho 03, 2010

A Mulher Nua

Plínio Salgado

Uma revista, dessas que exibem o nu artístico às donzelas casadouras e às meninas da Primeira Comunhão, publicou há dias, numa página inteira, a foto sugestiva de uma garota carnavalesca em trajes de Eva, com uma serpente de flores enroscada no alvo torço de Frinéia ondulante no ritmo do samba, como Afrodite a sair da concha do Mar Egeu.

A legenda participava aos leitores que a esplêndida ninfa - não sem os protestos gerais dos foliões - fora expulsa do Teatro Municipal pelo fato de erigir-se, naquele pudico e recatado ambiente de virtudes burguesas, como uma nota viva de escândalo a ferir a sensibilidade castíssima da grã-finagem carioca.

Vendo-se assim repelida pelas tradicionais virtudes da raça e pelos incontestáveis sentimentos cristãos que animam os folguedos de Momo nos três dias das bacanais e saturnais em que desafogam seu tédio as famílias, a sílfide resolveu sair, mas sair dançando. E de tal forma se portou nos movimentos coreográficos da retirada estratégica, desmanchando-se em reboleios de ritmos tão eloqüentes, que um trovão de aplausos saudou-a no saguão daquele templo de castidade em que se transformara o teatro principal do Rio, à falta de um autêntico santuário de Vesta.

Σ

A fotografia era expressiva e convidava a meditar sobre as possíveis intenções da heroína desnuda.

De mim, confesso que o nudismo de tão ousada bailadeira não me pareceu imoral: antes, pelo contrário, interpretei-o como verdadeira pregação apostólica em prol da moralização dos nossos costumes.

Que fez a jovem carioca, naquela noite de tão esplêndido triunfo para a sua beleza corpórea, senão deduzir, da premissa burguesa do nosso cristianismo paganizado, a conseqüência lógica diariamente encoberta nas malhas dos sofismas com que se absolve de culpas o nosso mundo de hoje?

Muitos modos há de apostolizar consoante a inspiração do pregador e a psicologia do gentio cuja catequese se pretende. Uns se valem da palavra e outros dos atos e atitudes. E tanto os sermões verbais como os que se ministram à força de exemplificações variam na forma, estilo, timbre e mais originalidade que o gênio cria como instrumento de persuasão.

Contra os desmandos orgíacos de Roma, utiliza-se Catão da sua austeridade, e ainda que autores desconfiados vislumbrem nas admoestações do censor algumas frestas a entremostrar mal dissimulada hipocrisia, o terrível repúblico ficou a simbolizar, quando não a sinceridade de propósitos, pelo menos um método no aplicar corretivos.

O risco a que se expõem esses pedagogos, demasiadamente severos e amigos da ordem direta nas suas proposições morais, é a de serem tachados de refinados mistificadores. E não somente na pena dos críticos antigos, mas sobretudo na dos modernos, que jogam hoje com os dados da psicanálise para transformar em despeito de incapazes e fracassados as advertências dos moralistas.

Para os tais psicanalistas, se um homem aconselha a outro que não roube, é porque no íntimo sente inveja do ladrão, que é um indivíduo capaz de praticar o delito que o conselheiro não se sente com coragem de efetivar; se outro (ou outra, como no "Electra" de O'Neil, que é uma das mais edificantes bandalheiras do teatro moderno) sente repugnância pela atração incestuosa de alguém, é porque no fundo sofre o mesmo magnetismo pela sujeira; enfim, qualquer sujeito, que pugne pela moralidade dos costumes, vai para o catálogo dos freudianos como tipo a disfarçar a inveja de quantos destapam as comportas dos instintos.

Fica, assim, destruída toda a moralidade privada ou pública e os Batistas que pretendem corrigir as Herodíades e Salomés passam por indivíduos recalcados a pretender que outros se recalquem. Não faltarão aos moralistas, já não dizemos a cicuta de Sócrates, a fogueira de Savonarola, a Cruz de Cristo, mas as críticas mordazes e os motejos ridicularizantes, em nome da ciência e do progresso.

Σ

Ora, assim pensando (ou não pensando coisa alguma como é mais provável em pedagogia puramente intuitiva) a garota do Municipal teria resolvido mostrar, em todo o esplendor da sua carne jovem, o verdadeiro motivo que reunia, naquele templo de pudicícia carnavalesca, os pais, os rapazes e as moças de família.

Inverteu ela, assim, os papéis. Em vez de ser apontada como hipócrita, desmascarou a hipocrisia da sociedade católico-pagã de donzéis e donzelas das missas de domingo e das praias pompeianas da talassoterapia e da heliopigmentação em que se espojam Ganimedes e Safos desabafando complexos e afinando o instrumental endocrínico nos extremos opostos dos recalques ultraistas de pasmosos assexualismos com que o charlatanismo científico pretende contrabater o conceito realista da filosofia verdadeiramente cristã.

Em vez de, (caso ali comparecesse a pregar um sermão de refundir Tibérios e Messalinas em forjas cândidas) em vez de arriscar-se a ouvir de algum folião ou foliona o epíteto de hipócrita, foi ela, a náiade pagã, quem atirou à face da plutocracia e da burocracia, que comandam a saturnal dos nossos dias, o mais veemente dos discursos que jamais boca de frade ousou jorrar de púlpitos ainda os mais atrevidos no escalpelar ulcerações ou esvurmá-las a ferro em brasa.

Σ

Nua, inteiramente nua, como Frinéia diante dos juizes de Atenas, a nossa patrícia dançando o samba e rebolando as curvas afrodisíacas, exclamava em linguagem coreográfica:

- Acaso é a castidade que vos reúne aqui? Porventura estas músicas lascivas vos sugerem, ó velhos de Babilônia, idéias e pensamentos arcangélicos e visões puríssimas do Empíreo? E vós, Adônis e Narcisos, travestidos de roupas femininas, alimentais fantasias menos lúbricas do que as de Heliogabalo ou de Calígula quando cingiam roupagens de Vênus ou de ninfas, de tal maneira alucinados pelo fascínio das formas opostas ao seu sexo, que procuravam identificar-se cerebralmente com elas? E vós, Faunos e Sátiros espiritualmente caprípedes, farejando os perfumes mesclados ao odor dos suores femíneos, pretendeis renovar a façanha de Santo Antão no deserto, a resistir varonilmente às tentações envolventes? E vós, Virgens que ledes os romances analistas e as poesias eróticas da nossa época, e assistis aos filmes de longos beijos que galvanizam as platéias escuras e povoadas de tatos sutilíssimos, estais aqui por acaso para rezar ave-marias ao ritmo das músicas bárbaras? E vós, matronas que vos confundis com vossas netas e filhas na indumentária e nas atitudes, comparecestes a este lugar nada litúrgico para, pelo menos, vos engolfardes no romantismo daquelas velhas valsas que falavam em doçuras de líricos amores e devaneios castíssimos de heroínas de novelas antigas? E ainda todos vós, que mergulhais na onda tépida e aliciante dos pares em torvelinho sob o colorido das serpentinas e os vapores da champanha, estais acaso insensibilizados pelo bacilo de Hansen que vos eteriza a epiderme, ao ponto de não sentirdes o contato morno dos pares conchegados? Este baile é então um festim de eunucos ou algum místico entoar de matinas e laudes ao bruxuleio das lâmpadas sob vitrais em que o crepúsculo transcendentaliza a doçura claustral?

Tudo em vós, ou explícita ou implicitamente, são pensamentos voluptuosos, em cuja corrente bóiam as formas corpóreas esplêndidas e vivas, com maciezas ondulantes e curvas harmoniosas de Astartéias ou masculinidades ostensivas ou equívocas de Narcisos e Ganimedes. Ora, se esses são os pensamentos ocultos em vossas cabeças, porque os não quereis ver objetivamente?

Ouso dizer-vos, senhores, senhoras, rapazes e mocinhas, o que nem por sombras podereis supor. E é o seguinte: esta nudez completa, sem disfarces, é mais casta e mais pura do que as vossas roupas e as vossas atitudes.

A nudez, em si mesma, não é imoral. Se o fosse, não estariam nos altares a imagem de São Sebastião, as dos anjinhos barrocos a encimar frontarias de nichos e relevos de colunas e de púlpitos, e a do próprio Cristo pregado na sua Cruz. A atitude de dor do capitão romano varado pelas flechas, a de inocência dos anjos, a de misericórdia do Redentor de braços abertos, como que animam a nudez de uma euritmia sagrada, de uma expressão divina.

O Apolo do Belvedere, a Vênus de Milo, o Adão da Capela Sixtina, estão nus e há neles a castidade das expressões naturais.

O que torna imoral o nu são as intenções que nele se refletem, os pensamentos secretos que o animam. No meu caso (diz a dançarina expulsa pela assembléia do Municipal) o que vos escandaliza não é o nu do meu corpo, mas sim a lascívia que ponho nos ritmos com que interpreto tudo quanto se passa nas vossas almas. Sois como os velhos de Babilônia, que denunciaram Suzana porque a viram nua no tanque, por entre as frestas das árvores. Não era contra a nudez da formosa israelita que eles se revoltavam, mas contra a lascívia que requeimava o sangue decrépito e que dava intelectualmente ao corpo da banhista a própria expressão subjetiva de suas imaginações doentias.

Notai que Suzana banhava-se às ocultas, recatadamente. E vós? Não ides à praia publicamente? O simples fato de vos exibirdes não transfigura o vosso nudismo em ostentação das vossas formas, e se nessa ostentação sentis algum prazer, que nome dareis a esse prazer? Eu o chamarei a delícia de mostrar-se e a essa delícia chamarei deleite luxurioso. Etimológicamente, luxúria quer dizer exuberância, ostentação, transbordamento, expansão. Ora, quem se mostra, exubera, ostenta, transborda, expande-se e nisso há secreto gozo.

Além do mais não há apenas o deleite subjetivo de quem exibe e o faz com artes de provocar; há o gosto dos que vêem e sobre as fantasias objetivas engendram outras tantas pelo poder da imaginação.

Olhar é uma forma de apoderar-se. Tanto assim é que se pagam entradas nos cinemas, onde as fitas são alugadas aos olhos; e, em certas galerias de arte, onde os quadros e as estatuetas são alugadas à vista.

Olhos nada levam, dizem os espíritos superficiais. Eu vos asseguro que os olhos levam muito. Levam a imagem estampada no cérebro e se isso não for uma forma de posse, não sei o que seja possuir.

Mas o nu não está somente no alienar a roupa. Uma pessoa pode estar vestida e estar moralmente nua, do mesmo modo que uma pessoa pode estar nua, como as Virgens cristãs levadas ao suplício, e estarem moralmente vestidas.

Tenho a coragem de vos dizer, a todos que vos fantasiais de colombinas, arlequins, ciganas, baianas, havaianas, que estais tão nuas como a minha nudez, isto é, como a lascívia que a minha nudez põe na cadência de minha dança.

Nem mesmo a vossa dança é diferente da minha. Também, como eu, não tolerais hoje a delicadeza das valsas e das mazurcas. Os vossos médicos dirão que aquelas danças não passavam de sublimação do instinto sexual e em nosso tempo já possuis as válvulas de extravasamento daquilo que nossos avós chamavam sem-vergonhice e os esculápios denominam complexos: são as danças da regressão atávica, operando no campo da medicina moderna o mesmo que os juristas praticam refundindo as normas do direito internacional e revogando princípios jurídicos e éticos, para retrogradar a humanidade até à pedra lascada. Essas danças nada têm de comum com os ritmos harmoniosos da Grécia Antiga, nem com o ritmo coreográfico e quase litúrgico do velho Oriente; nem se parecem com os inocentes folguedos populares dos países cristãos; nem se aproximam da poesia e da graça do Romantismo que iluminou de sonhos e de suaves emoções o século XIX. Não: são danças inspiradas nos selvagens da África e oriundas do cruzamento psicológico de brancos e pretos da América do Norte. Essas danças não procuram o sentido da harmonia e da musicalidade delicada e espiritual; elas são diretamente sexuais e desbragadamente lascivas.

Qual a diferença entre as vossas havaianas de umbigo de fora e as vossas baianas mirandescas e esta nudez luxuriante com que me apresento? Qual a diferença entre o ritmo das vossas músicas e o ritmo do meu corpo nu? Qual a diferença entre os pensamentos dos vossos cérebros excitados pela champanha, pelo éter, pelo odor de mulheres e homens, e a realidade que exponho aos vossos olhos?

Σ


E a dançarina desnuda, no ritmo da dança parece concluir:

- Puritanos! Fariseus! Ide, primeiro, compor vossas almas e depois julgai-me

Porque não será expulsando-me que modificareis um milímetro o vosso degradante mundo, os vossos costumes hipócritas, elevando, como seria de desejar-se numa sociedade cristã, a moralidade do povo brasileiro!

APÊNDICE HISTÓRICO SOBRE “A MULHER NUA”

Sérgio de Vasconcellos

No Carnaval de 1948, a célebre naturista Luz del Fuego, compareceu ao tradicional baile de Carnaval do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, patrocinado pela Prefeitura do então Distrito Federal, em trajes de “Eva”, apenas com uma serpente de fantasia enrolada no corpo... Indignados com tamanha demonstração de impudicícia, os diretores do Baile, arvorados em defensores dos valores morais, expulsaram a foliã. Como era de se esperar a imprensa, explorou avidamente o acontecido, publicando muitas fotografias reveladoras...

Diante de tanto farisaísmo, Plínio Salgado escreve um artigo de jornal, “A Mulher Nua”, uma das mais belas e duras páginas da Literatura Brasileira, denunciando de forma contundente o falso moralismo e a hipocrisia da sociedade brasileira, mais revoltantes que o nudismo escandaloso da carnavalesca.

Em 1950, Luz del Fuego, sem o consentimento de Plínio Salgado, publica o citado artigo no seu hoje raríssimo livro “A Verdade Nua”.

O próprio Plínio Salgado incluiu, como um capítulo, aquele seu artigo no livro “O Espírito da Burguesia”, editado em 1951 e, posteriormente, na obra “O Livro Verde da Minha Campanha”, que é de 1956.

Tudo continuaria no melhor dos mundos possíveis, se Plínio Salgado não resolvesse confrontar mais uma vez a burguesia brasileira, lançando-se Candidato à Presidência da República, nas eleições de 1955.

Não tendo o que dizer do Fundador do Integralismo, homem de extremada correção moral, os inimigos do Brasil optaram por trazer à baila aquele artigo, acusando Plínio Salgado de imoral e defensor do nudismo. Diariamente, a “grande imprensa” falava de “A Mulher Nua”, evidentemente sem transcrevê-lo, e distorcendo o seu conteúdo. Uma campanha de difamação sem precedentes na história política nacional.

Entre os que se empenharam nesta sórdida e repugnante campanha, achava-se o escritor Gustavo Corção, ainda na esquerda Católica, que tinha dois motivos para encarniçar-se contra o Autor da “Vida de Jesus”, um pessoal e o outro político:

Em 1948, Plínio Salgado fora convidado pelo Bispo Dom Ballester Nieto, por indicação do Vaticano, para participar das Conversações Católicas Internacionais de San Sebastian, que tinham por finalidade elaborar um documento que seria a contribuição da Igreja Católica à Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU. Sobre esta experiência, Plínio Salgado escreveu o magnífico livro ”Direitos e Deveres do Homem”, cuja leitura recomendamos a todos os Brasileiros. Pois bem, o Sr. Corção, que tinha a firme convicção, dado ser um dos líderes do laicato católico, que seria ele o convidado para representar a inteligência católica brasileira naquela prestigiada reunião, jamais perdoou Plínio Salgado por ter sido o escolhido, uma afronta...

Além desse injustificado ressentimento, o sr. Corção apoiava ao cripto-comunista Juarez Távora, também candidato à presidência pelo PSB.

Vários líderes religiosos vieram a público defender Plínio Salgado daquelas falsas acusações, mas vejamos apenas o que declarou Dom Antônio Lustosa, Arcebispo de Fortaleza: “Conheço o artigo de Plínio Salgado sobre o nudismo. Trata-se de uma clara condenação à decadência dos nossos costumes sociais. Considerar o artigo favorável ao nudismo é não entendê-lo ou, então, vira-lo ao avesso. Aliás a vida do ilustre escritor é incompatível com a doutrina pagã que o artigo verbera.”

Os que desejarem conhecer o relato do próprio Plínio Salgado sobre este episódio, deverão ler o “Livro Verde da Minha Campanha”, obra em que faz um balanço daquela sua campanha presidencial, e onde, no capítulo XI, trata do assunto.


sábado, junho 19, 2010

Os Corporativismos Integralista e fascista na Obra “O Estado Moderno” de Miguel Reale

Sérgio de Vasconcellos*

Ao Companheiro Cezar Augusto Machado da Silva

O renomado Jurista Miguel Reale – recentemente falecido – ingressou no Integralismo em Novembro de 1932, tornando-se quase que imediatamente uma das figuras eminentes do Movimento. Numericamente, sua Bibliografia Integralista só é superada pela de Plínio Salgado e Gustavo Barroso. Paralelamente a intenção de escrever Obras de Divulgação Doutrinária, existia em Miguel Reale a preocupação em lançar os fundamentos jurídico-filosóficos do Estado Integral, e assim, publicou os seguintes Livros:
- O Estado Moderno (1934).
- Formação da Política Burguesa (1934).
- Perspectivas Integralistas (1935).
- O Capitalismo Internacional (1935).
- ABC do Integralismo (1935)
- Atualidades de um Mundo Antigo (1936).
- Atualidades Brasileiras (1937).
Todas estas Obras tiveram reedições.

A mais famosa, certamente, é “O Estado Moderno”, onde ele critica brilhantemente o liberalismo e sua concepção meramente jurídica do Estado, e traça vigorosamente os lineamentos do Estado Moderno, isto é, os do Estado Integral. Infelizmente, a compreensão desse Livro tem sido viciada, pois, como ele mesmo diz no Prefácio da 3ª edição, razões imperiosas determinaram que “O Estado Moderno” fosse publicado antes dos volumes que lhe preparariam o terreno, digamos assim. Eis as palavras exatas de Miguel Reale:
“A 3ª edição de “O Estado Moderno” sai agora, precisamente quando devia estar no prelo a primeira, isto é, depois de dois livros que o esclarecem e preparam: “Formação da Política Burguesa” e “ O Capitalismo Internacional”.
“Foi a atividade política que me levou a publicar o resultado final de minhas pesquisas antes de mostrar o caminho longo empreendido através da história em busca de um sentido de existência que, no caos presente, apenas se vislumbra.
“Sobre as exigências cronológicas do tempo prevaleceu a exigência fundamental do momento em que vivemos. Eis porque ainda me resta publicar o primeiro dos volumes pensados, “Duas Civilizações”, em que traço um paralelo entre a política romana e a grega(1).
Ao invés, portanto, de ser consultado após a leitura de “Atualidades de um Mundo Antigo”(o “Duas Civilizações” do Prefácio citado acima), de “Formação da Política Burguesa” e de “O Capitalismo Internacional”, que introduziriam o material necessário para uma plena compreensão de “O Estado Moderno”, este foi e ainda é lido em primeiro lugar, e os demais posteriormente, quando são lidos... Perde-se assim o sentido de conjunto das Obras citadas, que constituem, sem exagero, uma Tetralogia Integralista Realeana. Obras posteriores que chegaram a ser anunciadas, mas, que não foram publicadas, devido a funesta implantação do Estado Novo, “Concepção Integral do Direito”, e “O Estado Integral Brasileiro”, certamente aprofundariam tais estudos, e se tivessem vindo a lume, teríamos que falar em Hexalogia.e não em Tetralogia. Mas, em 1940, ainda na vigência do totalitarismo estadonovista ele edita “Fundamentos do Direito” e “Teoria do Direito e do Estado”, que trazem mais dados para a compreensão do Estado na concepção do insigne Miguel Reale.

Outro fator que oblitera o entendimento correto de “O Estado Moderno”, é que seu Autor faz larga e positiva alusão ao Estado fascista, e, obviamente, as inteligências simplistas deduzem: Miguel Reale elogia o fascismo, logo, ele é fascista; o fascismo é corporativista, o Integralismo também, logo, o Integralismo é fascista. Pronto e acabou-se! Lamentavelmente, este raciocínio obtuso é compartilhado por muita gente com título acadêmico, o que demonstra que não basta ter um curso superior para tornar alguém inteligente.

Antes de nos debruçarmos sobre “O Estado Moderno”, façamos um esclarecimento preliminar: O Corporativismo não é e nunca foi uma exclusividade do fascismo italiano. Existem e sempre existiram diversas correntes de pensamento corporativo, sendo o fascismo apenas UMA delas. A literatura corporativista é vasta, em diversos idiomas. Mesmo na Itália, entre os próprios teóricos fascistas, não havia unanimidade no pensamento corporativista. Constitui grave erro científico tentar ignorar as especificidades de cada corrente corporativa e as variações dentro de uma mesma corrente.

Mas, tentemos desfazer esta confusão criada pelas mentes simplistas dos acadêmicos que pontificam em nossas Universidades, examinando “O Estado Moderno”, buscando verificar se existem elementos que endossem a acusação de serem fascistas, o saudoso Companheiro Miguel Reale e o Integralismo.

A Obra “O Estado Moderno” está dividida em quatro partes, que o Autor designa como “ensaios”: Duas Épocas, O Estado demo-liberal, O Fenômeno fascista, e, Fundamentos do Estado Integral.

No 1º Ensaio, o Autor critica o naturalismo e o determinismo do liberalismo e do socialismo(2), os fragmentários conceitos do Homem(3), o unilateralismo das concepções vigentes até então(4). Mas, também assinala o surgimento de um novo espírito, que recusa as concepções e soluções parciais, buscando a realidade e as soluções orgânicas(5). É ainda neste Ensaio que faz a distinção importantíssima de “ser” e “dever ser”(6), e que afirma ser a Política Integral o conjunto de ciência política e moral(7).

O 2º Ensaio é dedicado a examinar o Estado Liberal Democrático. Assim, passa em revista o contratualismo(8), a fisiocracia(9), a igualdade formal diante das leis(10), a concepção exclusivamente jurídica do Estado(11), a desigualdade social e econômica(12), a não intervenção do Estado na economia(13) e as desastrosas conseqüências de tal absenteísmo e a reação que suscitou nos explorados, que exigiram a substituição da fictícia “liberdade contratual” pelos realísticos contratos coletivos de trabalho(14). Ante os trustes e cartéis do Alto Capitalismo erguiam-se os Sindicatos e as Federações dos Trabalhadores(15). Não controlando a Economia, o Estado Liberal termina por ser controlado pelas forças econômicas(16). O Estado deixa de ser uma síntese de aspirações para ser um simples instrumento do internacionalismo capitalista(17). Os bancos controlam as economias nacionais, impondo seus ditames aos produtores, agricultores, comerciantes, operários, etc(18). O Estado super-nacionalista capitalista dirige de fato os Estados ditos nacionais(19). Aborda também a adoção do liberalismo no Brasil e o artificialismo político que engendrou(20).

No “O Fenômeno fascista” – que é o 3º Ensaio – começa criticando aqueles que, ao estudarem o fascismo, o nazismo, o integralismo e o bolchevismo se prendem a um ponto de vista – jurídico, financeiro, econômico, etc. -, pois, tal reduzido campo visual não dá conta da totalidade do real, não abrange tais fenômenos na amplitude de suas manifestações(21). Em seguida, vai tratar das fontes do fascismo(22), versa sobre o sindicalismo(23), estatismo(24), o nacionalismo e o socialismo(25), o solidarismo(26) e o fascismo propriamente dito(27).

Finalmente, no Ensaio IV, “Fundamentos do Estado Integral”, sintetiza magistralmente o Estado Integralista. Principia conceituando o Estado(28), depois fala-nos do Estado Ético(29), da Economia Dirigida(30), da Democracia Integral(31), novamente do sindicalismo(32), e, termina com “O Integralismo e o Brasil”(33).

O simples exame do resumo – imperfeito, reconheço -, feito acima já nos demonstra a estultície dos que pretendem reduzir “O Estado Moderno” a mera literatura de propaganda do fascismo. Trata-se de Obra complexa e de leitura indispensável a todos os que querem pensar política e realisticamente o Brasil. A própria necessidade sentida pelo Autor de expor fascismo e Integralismo em Ensaios separados, já indicaria ao leitor sem idéias pré-concebidas que Miguel Reale entendia não serem idênticos, a despeito de quaisquer semelhanças reais ou aparentes ou circunstanciais. Todavia, o preconceito ideológico de liberais e marxistas não permite independência de vistas.

Mas, entremos num dos aspectos que, segundo os pseudo-estudiosos do Sigma, prova ser Integralismo e fascismo a mesma coisa, o corporativismo. O que nos diz Reale – na Obra que estamos comentando – sobre isso? Será que ele sustenta que o corporativismo fascista é igual ao do Integralismo? Vejamos.

Esclarece que o sindicalismo fascista difere do sindicalismo socialista, pois, deixa de ser o instrumento de um partido e da luta de classes, para ser órgão de participação dos produtores no Estado(34). Mas, o Estado Fascista afirma-se Estado Totalitário(35), em que o indivíduo é apenas um meio através do qual o Estado atinge seus fins próprios(36). É o Estado absorvente(37), sintetizado na fórmula “Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado”(38). Ora, apesar dessas é de outras opiniões críticas – que por brevidade, não abordamos -, Miguel Reale, com a largueza de vistas que sempre o caracterizou, assinala que existem vozes discordantes dentro do fascismo, que não concordam com o totalitarismo de Estado e que indicam outros rumos à revolução fascista(39), bem como tece elogios ao próprio Benito Mussolini(40). Tal atitude superior não pode ser aceita pelas mentes medíocres, que jamais conseguem ir além dos próprios preconceitos, que só vêem nas suas críticas uma dissimulação de sua verdadeira posição, a fascista. É triste, mas somos forçados a reconhecer que a deformação ideológica de certos indivíduos os incapacitam a ver os fatos como eles são. No entanto, só pelo que deixamos sintetizado neste parágrafo, qualquer pessoa inteligente já deduziria que o Estado Ético do Integralismo, o Estado Integral, não é idêntico ao Estado Totalitário do fascismo.

Agora, verifiquemos o que diz sobre o Estado Corporativo Integralista:
Também no Integralismo, os Sindicatos deixam de ser instrumentos na luta de classes, e assumem, então, funções políticas, econômicas, éticas e culturais(41). Dos Sindicatos, de base Municipal, passa-se para as Federações, Confederações, Corporações até chegar-se a Câmara Corporativa Nacional(42). Todavia, a Nação não é unicamente vida econômica, logo, ao lado da representação econômica deve existir a representação das categorias não-econômicas(43). E aí encontramos outra diferença fundamental em relação ao fascismo, pois, o corporativismo integralista não é exclusivamente econômico(44). O Integralismo não visa abolir a Democracia, pelo contrário, pretende instaurar o verdadeiro regime democrático(45). O Estado Integral é o Estado Ético, isto é, o Estado que é subordinado à moral, ao contrário do Estado hegeliano em que a moral é que se subordina ao Estado(46).

O confronto entre os dois sistemas corporativos, o fascista e o Integralista – conforme a exposição de Miguel Reale, que estamos resumindo -, evidencia que são bastante dissemelhantes e que a acusação de que o Integralismo copia o corporativismo fascista é insustentável, falsa mesmo, e só pode provir ou da má-fé ou da ignorância.

Até aqui acompanhamos “O Estado Moderno”, e a conclusão que chegamos, rigorosamente verdadeira, de que não são idênticos os corporativismos fascista e Integralista, impõe-se naturalmente a todos aqueles que ainda conseguem raciocinar por si mesmos. Mas, para que não reste dúvida, seguiremos a sugestão do próprio Miguel Reale que recomenda a leitura de “ABC do Integralismo” para melhor compreensão do corporativismo integralista(47).

No “ABC do Integralismo”, Miguel Reale dedica todo um Capítulo, denominado “Em Lugar dos Partidos, as Corporações”, a expor, em linguagem popular, o corporativismo integralista(48). E aí encontramos, porém, com maior desenvolvimento, todos os ítens que extraímos de “O Estado Moderno”, isto é, os sindicatos radicados nos Municípios(49), e as subsequentes esferas representativas, as Federações, nas províncias, e as Confederações e Corporações, no âmbito nacional(50), tendo por remate a Câmara Corporativa(51). Assim, realiza-se a verdadeira democracia(52). A representação corporativa no Integralismo, não contempla apenas as categorias econômicas, mas, também as corporações não econômicas, cujo mais alto órgão de expressão será o Conselho Nacional(53). Definindo claramente o que distíngüe o corporativismo fascista do Integralista, ele vai dizer:
“O corporativismo pregado pelo Integralismo é mais completo que o fascista, pois não consideramos apenas as corporações econômicas, mas também as corporações sociais e culturais da Nação, como as Igrejas, o exército, a magistratura, as sociedades das ciências e das artes.
“De mais a mais, enquanto na Itália ainda subsiste um Senado de base não corporativa e um Conselho originado do Partido Fascista (fora das corporações), nós Integralistas proclamamos que só é legítimo o poder constituído sobre alicerces corporativos.
“As corporações, portanto, não serão, no Brasil, subordinadas a um poder político de origem não corporativista: as próprias corporações serão o Estado”(54).

Finalizando, cremos que não haverá mais dúvida possível, os Corporativismos Integralista e fascista são dois sistemas distintos de organização do Estado, não havendo a menor possibilidade de um ser cópia do outro, pois, além de uma estrutura diversa, colimam finalidades diferentes. Como dissemos, existem variadas escolas corporativistas, que certamente compartilham alguns valores universais, como por exemplo a concepção grupalista da sociedade, que se contrapõe ao individualismo liberal e ao coletivismo socialista, mas, o Corporativismo Integralista é uma genuína e original construção de pensadores Brasileiros, e inteiramente adequado a nossa realidade, não é uma ideologia estrangeira importada e totalmente divorciada das reais necessidades do Povo Brasileiro, como o são o liberalismo, o socialismo, o anarquismo, etc. E se não fosse fugir por completo aos fins e aos limites deste trabalho, poderiamos aduzir mais elementos comprobatórios da não identidade entre Integralismo e fascismo, não só das demais Obras de Miguel Reale, mas, também das de Plínio Salgado, Gustavo Barroso, Tasso da Silveira, Anor Butler Maciel, Oswaldo Gouveia, Mourão Filho, Ferdinando Martino Filho, Jaime Regalo Pereira, Contreira Rodrigues, Cotrim Neto, Jaime Ferreira da Silva e tantos outros. Mas, cremos que aquilo que aqui sintetizamos da Obra de Miguel Reale é mais do que suficiente e não nos esqueçamos que, quando ele escreveu “O Estado Moderno” – e o “ABC do Integralismo”, também -, ele era o Secretário Nacional de Doutrina da Ação Integralista Brasileira, o que dá cunho oficial as suas palavras. Termino afirmando que Integralismo e fascismo não são a mesma coisa e quem disser o contrário é um imbecil.

Anauê!

* Σ – Comerciante – Rio de Janeiro(RJ).

Palestra proferida na Sede dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ, em 2009.

Notas:
1 REALE, Miguel. O Estado Moderno. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1935; página 9.
2 REALE, Miguel. O Estado Moderno. 1. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1934; página 11 e seguintes, e página 23 e seguintes.
3 REALE, Miguel, 1934, páginas 20 e 21.
4 REALE, Miguel, 1934, página 28 e seguintes.
5 REALE, Miguel, 1934, páginas 29, 30, 32, 54 e seguintes.
6 REALE, Miguel, 1934, página 42 e seguintes.
7 REALE, Miguel, 1934, página 48.
8 REALE, Miguel, 1934, página 65 e seguintes.
9 REALE, Miguel, 1934, página 72 e seguintes.
10 REALE, Miguel, 1934, página 85 e seguintes.
11 REALE, Miguel, 1934, página 93 e seguintes.
12 REALE, Miguel, 1934, página 95 e seguintes.
13 REALE, Miguel, 1934, páginas 96 e 97; páginas 102 e seguintes.
14 REALE, Miguel, 1934, páginas 98 e seguintes.
15 REALE, Miguel, 1934, página 100.
16 REALE, Miguel, 1934, páginas 100 e seguintes.
17 REALE, Miguel, 1934, páginas 116 e seguintes.
18 REALE, Miguel, 1934, página 121.
19 REALE, Miguel, 1934, página 122.
20 REALE, Miguel, 1934, página 124 e seguintes.
21 REALE, Miguel, 1934, páginas 133 e 134.
22 REALE, Miguel, 1934, página 134 e seguintes.
23 REALE, Miguel, 1934, página 134 e seguintes.
24 REALE, Miguel, 1934, página 145 e seguintes.
25 REALE, Miguel, 1934, página 158 e seguintes.
26 REALE, Miguel, 1934, página 167 e seguintes.
27 REALE, Miguel, 1934, página 172 e seguintes.
28 REALE, Miguel, 1934, página 179 e seguintes.
29 REALE, Miguel, 1934, página 192 e seguintes.
30 REALE, Miguel, 1934, página 200 e seguintes.
31 REALE, Miguel, 1934, página 213 e seguintes.
32 REALE, Miguel, 1934, página 224 e seguintes.
33 REALE, Miguel, 1934, página 234 e seguintes.
34 REALE, Miguel, 1934, páginas 134, 135 e 136.
35 REALE, Miguel, 1934, páginas 184 e 185.
36 REALE, Miguel, 1934, página 184.
37 REALE, Miguel, 1934, página 185.
38 REALE, Miguel, 1934, página 185.
39 REALE, Miguel, 1934, páginas 185 e 186.
40 REALE, Miguel, 1934, páginas 172 e 173.
41 REALE, Miguel, 1934, páginas 232 e 233.
42 REALE, Miguel, 1934, páginas 218 e seguintes.
43 REALE, Miguel, 1935, páginas 199 e 200.
44 REALE, Miguel, 1935, nota 1, páginas 199 e 200.
45 REALE, Miguel, 1934, página 219 e seguintes.
46 REALE, Miguel, 1934, páginas, 197, 198 e 199.
47 REALE, Miguel, 1935, nota 1, página 200.
48 REALE, Miguel. ABC do Integralismo. 1. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1935, páginas 71 e seguintes.
49 REALE, Miguel. ABC do Integralismo, páginas 78, 79, 81 até 87.
50 REALE, Miguel. ABC do Integralismo, páginas 78,79, 90 e seguintes.
51 REALE, Miguel. ABC do Integralismo, página 89.
52 REALE, Miguel. ABC do Integralismo, página 79 e 91.
53 REALE, Miguel. ABC do Integralismo, página 89.
54 REALE, Miguel. ABC do Integralismo, páginas 88 e 89.


sábado, junho 05, 2010

Código de Ética para os Historiadores

Explicação Necessária:
Companheiros.
Em 2009, diante da provisória suspensão da circulação do Jornal “4ª Geração” e da Revista “Sei que vou por aqui (editada pelo Companheiro Gumercindo Rocha Dórea), por falta de recursos, o então Secretário de Propaganda do NIERJ – hoje, Presidente -, o Companheiro Guilherme Jorge Figueira, sentiu a necessidade de um periódico, mesmo modesto, que mantivesse o contato entre os Integralistas, veiculando matérias doutrinárias, históricas e informativas sobre o nosso Movimento. Assim, surgiu o “Bandeira do Sigma”, que de Boletim de âmbito estadual (Rio de Janeiro), tornou-se um periódico de circulação nacional, preenchendo uma lacuna em nossos meios de comunicação. Os que desejarem receber gratuitamente o Boletim, deverão escrever para contato@integralismorio.org, informando nome e endereço completos. Os que desejarem formar coleção, poderão adquirir os números atrasados pelo Portal Tenda Verde, http://www.tendaverde.net
Já tivemos a honra de reproduzir alguns Artigos do Bandeira do Sigma e o faremos novamente a seguir, publicando matérias extraídas do Nº 10. A primeira é o Editorial, de autoria do já citado Companheiro Guilherme Figueira, que tomamos a liberdade de renomear para “Código de Ética para os Historiadores”, e a outra, uma nota sobre um Encontro de “Historiadores”. Estes dois Textos exemplificam muito bem o sentimento dos Camisas Verdes em relação à máfia que controla os ambientes acadêmicos da História. Leiam e opinem.
Anauê!

Código de Ética para os Historiadores
Jorge Figueira*
Aprovada na Câmara dos Deputados e encaminhada para o Senado Federal a regulamentação da profissão dos Historiadores. O Projeto, apadrinhado pelo Sen. Paulo Paim (PT-RS), vem em boa hora para colocar ordem numa profissão onde as publicações de inverdades acompanhadas de militâncias esquerdistas prevalecem. A histórica Acção Integralista Brasileira é uma das inúmeras instituições que sofrem com essas publicações acadêmicas, financiadas em sua maioria com dinheiro público.

Uma das formas de se evitar tal “farra do boi” seria a criação de um Código de Ética. Este Código teria como finalidade, não censurar as publicações, e, sim, traçar uma linha de conduta adequada visando interesses coletivos e o bem da sociedade.

Os Historiadores nada mais são do que construtores do passado, por isso seu trabalho tem impacto imediato na vida de nossa sociedade. No momento em que um pesquisador, através de suas paixões ideológicas, publica artigos e livros difamatórios, está construindo uma inverdade que irá influenciar na vida de todos nós.

Um exemplo desta situação é o IV Encontro dos Pesquisadores do Integralismo, que está ocorrendo neste mês, na Universidade Federal de Juiz de Fora – MG -, onde já o cartaz de divulgação do evento faz uma associação bizarra com movimentos totalitários europeus. Dessa forma, sem nem irmos ao evento, já podemos imaginar o que se pode esperar de tal encontro. Qual o objetivo desta associação? Por que desinformar ao invés de informar? Estas são perguntas que há mais de 70 anos os Integralistas se fazem. A falta de material para pesquisa não é desculpa para tal associação, ao contrário, atualmente, diversos Arquivos Públicos Estaduais disponibilizam seu acervo, como também portais na Internet. Se o pesquisador fizer uma análise superficial apenas, já irá visualizar a diferença entre a Doutrina do Sigma e os movimentos totalitários europeus, como o nazismo e o fascismo.

Por fim, para os interessados em pesquisar os últimos três encontros dos pesquisadores, seus trabalhos estão disponíveis na Internet, porém, antes de ler tais trabalhos, aconselho a preparar o estômago para tantas calúnias.

“Historiadores” se reúnem no IV Encontro Nacional de Pesquisadores do Integralismo
Entre dias 10 e 13 de Maio de 2010, foi realizado na Universidade Federal de Juiz de Fora, mais um encontro dos supostos “pesquisadores” do Integralismo. O encontro chama a atenção pelos temas abordados, em especial o “Sigma na Atualidade”, cuja palestrante encarregada é uma senhora já conhecida dos Integralistas pelos seus trabalhos difamatórios a respeito da Doutrina do Sigma, estamos nos referindo à marxista Sra. Márcia Carneiro. Informamos aos leitores que, em nenhum momento a Frente Integralista Brasileira foi oficialmente convidada a participar do evento, sendo assim, os Companheiros podem imaginar as injúrias que foram proferidas contra nós neste encontro unilateral.
(Textos transcritos de “Bandeira do Sigma”, Ano I, Nº 10, Maio de 2010, páginas 1 e 4)

* Σ – Publicitário – Rio de Janeiro(RJ). Presidente dos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ.

segunda-feira, maio 31, 2010

Gustavo Barroso, racista?


Sérgio de Vasconcellos*

Hoje corre mundo a afirmação de que Gustavo Barroso era racista, acusação que ganhou ares científicos depois que “historiadores” passaram a sustentá-la e divulgá-la. No entanto, como procedem os “ilibados” pesquisadores? Pegam passagens em que Barroso fala de anti-semetismo, amputam-nas, descontextualizam-nas, adulteram-nas mesmo, e apresentam tais trechos falsificados como “prova” incontestável que o nosso saudoso Companheiro era racista. Nós, Integralistas, sabemos perfeitamente o que pensar desta caterva, que de historiadores só possuem o rótulo, pois, são, na verdade, marxistas se fingindo de pesquisadores. Mas, muitos Brasileiros se deixam iludir pela pretensa cientificidade das provas apresentadas e, na impossibilidade de verificar direta e pessoalmente as fontes, acabam por curvar-se ao argumento de autoridade, afinal, estariam mentido tantos professores, mestres e doutores? Sim, infelizmente, estão mentindo, mentindo pela gorja, e o que estes canalhas escrevem não vale o que o gato enterra.

Mas, perguntar-me-ão, Barroso não falou em “anti-semitismo”? Sim, de fato, Gustavo Barroso empregou tal expressão, porém, toda a questão é esta: Teria Gustavo Barroso, naquela época, o mesmo entendimento de “anti-semitismo” que o imposto pelos supostos historiadores que pontificam totalitariamente nas Universidades ou mesmo pelo simples senso comum dos nossos dias? Para responder de forma leal e sincera, transcreverei a seguir alguns trechos do Autor de “O Integralismo em Marcha”.

Eis o que ele disse no "O Integralismo e o Mundo", pág. 17:
"Separam-nos, no entanto, diferenças profundas: O Fascismo se enraiza na gloriosa tradição do Imperio Romano e sua concepção do Estado é cesariana, anti-cristã. O Estado nazista é tambem pagão e se basêa na pureza da raça ariana, no exclusivismo racial. Apoiado nêste, combate os judeus. O Estado Integralista é profundamente cristão, Estado forte, não cesarianamente, mas cristãmente, pela autoridade moral de que está revestido e porque é composto de homens fortes. Alicerça-se na tradição da unidade da pátria e do espirito de brasilidade. Combate os judeus, porque combate os racismos, os exclusivismos raciais, e os judeus são os mais irredutiveis racistas do mundo" (Gustavo Barroso, "O Integralismo e o Mundo". 1ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1936, 290 págs.).

Ora, Barroso, julgava o seu "anti-semitismo" uma forma de ANTI-RACISMO e não de racismo, e isso pode ser confirmado pela seguinte passagem de "Judaísmo, Maçonaria e Comunismo", pág. 10: "Entre nós, o anti-semitismo não póde provir dum sentimento racista, porque o brasileiro é eminentemente contrário a qualquer racismo; porém, dêsse sentido exatamente anti-racista. O que traz o mundo nos sobressaltos continuos atuais, minado pelo revolucionarismo e pelo terrorismo, é justamente o racismo judaico. O judeu não se mistura com outros povos, mantem através dos séculos a pureza de sua raça, e, dentro das outras nações, alicerçado nêsse racismo, conserva a sua nacionalidade, feito um Estado dentro do Estado"(Gustavo Barroso, "Judaísmo, Maçonaria e Comunismo". Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937. 235 págs., il.). Portanto, paradoxalmente, ele era um "anti-semita" por ser anti-racista... Evidentemente, não estou entrando no mérito da justeza ou não da apreciação barrosiana sobre os judeus, só estou dizendo que ele não se entendia como racista, e atribuir a ele intenções racistas redundará numa compreensão viciosa e viciada do seu Pensamento. Também não pretendo tapar o Sol com a peneira, pelo contrário, estou querendo impedir que seus raios sejam interceptados por algum material opaco...

Não concordo, não posso concordar, que se coloque o Pensamento Barrosiano numa camisa de força ideológica, pré-estabelecida, que assim pode ser caracterizada: Todo o anti-semitismo é racismo; ora, Gustavo Barroso era anti-semita, logo, Gustavo Barroso era racista. Sinto, me perdoem, mas não posso compactuar com tal silogismo – um belo sofisma! -, um reducionismo que não esclarece coisa alguma, ao contrário, só serve para dificultar a apreensão e compreensão da Obra Barrosiana em sua especificidade.

Já transcrevi aqui dois trechos de Gustavo Barroso, em que ele diz claramente que o seu anti-semitismo não é racismo. Que ele não enfocava esse tema sobre o prisma racial, ele o diz desde a primeira Obra em que aborda a “Questão Judaica”(como se dizia na época), “Brasil, Colônia de Banqueiros”, onde afirma na pág. 71: “O anti-semitismo é muito mais antigo que o cristianismo. Nem foi creação dêste. Porque o judaísmo foi o problema mais dificil e perigoso de todos os tempos, não como problema racial ou religioso; porem como problema politico e econômico”(Gustavo Barroso, “Brasil, Colonia de Banqueiros. 2ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1934, 259 págs.).

Vejam o que diz Barroso no “Judaísmo, Maçonaria e Comunismo”, pág. 128:
Não somos racistas e encontramos apesar de natural simpatia pelo Nazismo, graves defeitos no racismo germanico, os mêsmos que brilhantemente aponta Pierre Lucius no seu livro “Les Révolutions Étrangéres”. Um brasileiro profundamente brasileiro e ao mesmo tempo descendente de raças as mais diversas só por um contrasenso seria racista. Aliás, o estudo constante e amoroso de nossa história mostra que a Nação brasileira é o produto de um espirito de continuidade, de um sentimento e de um pensamento comuns, sem cor de pele ou indagação de procedencia.
“Então, por que combate sem coerencia o judaismo? Perguntarão os abelhudos. E responde-se, serenamente: Combate-se o “racismo judaico” em nome da ausencia de racismo brasileiro. Não se pode admitir que o povo de Israel entenda de se não misturar com os outros, de ser um quisto irredutivel no seio de todos os povos; não se póde admitir que os judeus nascidos no Brasil pertençam a “colonias israelitas” e a toda a espécie de organizações israelitas públicas e secretas”(Gustavo Barroso. “Judaismo, Maçonaria e Comunismo”. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1937, 235 págs., il.).

No livro “Sinagoga Paulista” – que tanta celeuma causou -, no meio de um capítulo em que critica um judeu paulista, revela nas págs. 68 e 69, que o filho do dito judeu é Integralista e mais, que esperava que o mencionado judeu “imite o filho, vista uma camisa-verde e venha trabalhar conôsco”(Gustavo Barroso, “Sinagoga Paulista”. 3ª edição revista e com acrescimos. Rio de Janeiro: Empresa Editora ABC, 1937, 281 págs.). Ora, se Barroso fosse um anti-semita racista, não seria mais lógico que ele combatesse a entrada de judeus na A.I.B ao invés de concitá-los a vestir a Camisa-Verde?

Poderia multiplicar as citações, mas, para quê? Afinal, para os inteligentes, as que fiz serão suficientes. Para os demais, basta o dito de nosso sábio Povo: Quem é burro, pede a Deus que o mate e o diabo que o carregue.

Não conheci Barroso, mas, fui amigo pessoal de vários Integralistas que o conheceram e privaram de sua amizade – só para citar um, o Companheiro Benedicto de Aquino, que aparece depondo no filme “Soldados de Deus” -, e, posso afirmar com tranqüilidade e certeza do que estou dizendo que, Gustavo Barroso não nutria qualquer preconceito racial em relação aos judeus. Ninguém é obrigado a acreditar na minha palavra, mas, isso não alterará a verdade em nada.

Só quero deixar bem claro que, não tirei da Obra de Barroso nada que ela não contivesse, ao contrário dos pseudo-historiadores, que atribuem à Barroso opiniões que ele nunca externou. Barroso não era racista, e os que prosseguirem mantendo este julgamento, não estão mais no terreno da razão, mas, no da crença, crença pessoal e ideológica, de que Barroso era racista. Não conheço toda a Obra de Gustavo Barroso, que é imensa - só perde para Coelho Netto em número de livros publicados -, mas, já li todos os seus Livros Integralistas, vários anteriores ao Sigma, e diversos posteriores ao fechamento ilegal da A.I.B. pelo funesto Estado Novo, e, adianto, que nada encontrei neles que justificasse a afirmação de que Gustavo Barroso era racista. Portanto, concluindo, não estou no terreno da crença, mas, no da Verdade, no da autêntica Ciência Histórica, no terreno dos fatos e dos documentos, e, portanto, posso afirmar com toda a Razão: Gustavo Barroso era anti-racista.

Antes de finalizar, não posso deixar de abordar um aspecto que ficou em aberto mais acima: Não seria exagerada a opinião de Gustavo Barroso em atribuir aos judeus um posição racista? Ora, todos nós que convivemos com judeus, por qualquer razão, podemos dar o nosso testemunho de que os mesmos não são racistas, muito pelo contrário. Então, como explicar a surpreendente generalização de Barroso? Na época em que escreveu sua denúncia, a maioria dos judeus no Brasil eram estrangeiros, recém chegados, portanto, com as cautelas comuns aos imigrantes – judeus ou não -, o que reforçaria o estereótipo do judeu que não quer integrar-se na Vida Nacional. Nós, que vivemos sete décadas depois, quando duas gerações de judeus – filhos e netos daqueles imigrantes -, não só nasceram, mas se deixaram assimilar perfeitamente pelo nosso Povo, sendo bons Brasileiros, sem os pruridos exclusivistas de seus avós, temos uma visão da colônia judaica de que não poderia dispor o ínclito Gustavo Barroso. Evidentemente, não estou dizendo que não existam judeus racistas, eles existem e são ativos, como o prova – só para citar um exemplo -, o artigo da revista judaica “Veja”, de tempos atrás, onde os judeus – também tomados generalizadamente – são apresentados como superiores aos demais Povos.

Outrossim, entre os próprios judeus há manifestações de anti-judaismo, e exemplo famoso e inquestionável é o do judeu Kyssel Mordechai, mais conhecido por Karl Marx, que no seu “A Questão Judaica”, denuncia generalizadamente o judaísmo. Portanto, se algum fanático, desses que vêem nazistas até debaixo da cama, quiser vir com acusações ridículas, sugiro que vá primeiro fazer uma auto-crítica junto dos seus pares e depois, venham... nos pedir desculpas – aos Soldados de Deus e da Pátria – pelas injúrias que sempre assacaram contra o Integralismo.

(Obs.: Em todas as transcrições conservei a ortografia da época)

*Σ – Comerciante – Rio de Janeiro (RJ).


sábado, maio 29, 2010

Esclarecimento aos Novatos


Thiago Silva*

Devido a grande quantidade de distorções que vem sendo divulgadas desde o fechamento da Ação Integralista Brasileira em 1937, sinto-me na obrigação de esclarecer princípios básicos sobre o Integralismo de Plínio Salgado para pessoas que tiveram pouco contato com o assunto, e buscam uma iniciação clara e objetiva sobre o tema.

Nos parágrafos a seguir tomei como fonte Obras Integralistas bem básicas, desde Plínio Salgado passando por outros autores, mas focando principalmente nas obras de Plínio.

O Integralismo antes de ser um partido ou uma associação, é uma Doutrina Política, baseada numa Concepção Filosófica do Universo e do Homem. No caso, a Concepção Integral, isso quer dizer: Uma concepção total que considera os mais diversos aspectos da existência, por exemplo, o espiritual e o material, opondo-se ao unilateralismo do materialismo, que só admite a matéria como princípio e fim da existência.

O Integralismo coloca o Homem  e os Grupos Naturais humanos como base de toda a Ordem Social e Política, sendo, o mesmo, base para a solução dos mais diversos problemas existentes desses aspectos humanos. Para tal feito ser concretizado, necessita o Homem de uma Revolução Interior, Espiritual, para que seja capaz de lidar com essas situações.

O Integralismo coloca a Família como base da Nação e da Sociedade, pois, sem o Grupo Natural conhecido como Família, não existe base para uma Nação.

O Integralismo busca construir a Nação e o Estado a partir da Doutrina, colocando o Homem e a Família como sua base e o Estado como um meio, não como um princípio como fez o fascismo.

O Integralismo desde sua fundação se opõe racismo, portanto, não poderia ser um nazismo e nem simpático ao mesmo. Isso pode ser comprovado em diversos Documentos Integralistas, como por exemplo, o Manifesto de Outubro de 1932. Essa posição seria reafirmada na Carta de Natal e Fim de Ano, um artigo que foi publicado no jornal “A Offensiva” em 25 de Dezembro de 1935.

Esses são alguns dos princípios básicos que defende o Integralismo, portanto, não se deve de forma alguma, limitar-se a este texto, que não é nada mais do que uma pequena introdução, para se ter uma noção bem básica do Integralismo. O melhor a se fazer é não deixar de pesquisar, aperfeiçoar-se constantemente em busca do conhecimento.

* Σ – Estudante – São Paulo (SP).

segunda-feira, maio 24, 2010

Gustavo Barroso e a Academia Brasileira de Letras

Guilherme Figueira*

Foi uma longa trajetória, está que trouxe o Secretário Nacional de Educação da AIB Gustavo Barroso à Academia Brasileira de Letras, e não estou falando da distancia geográfica que separa a cidade de Fortaleza, onde nasceu, à sede da ABL, no Rio de Janeiro. Estou falando da trajetória que todo intelectual percorre até ter seu trabalho reconhecido, e poucas vezes o reconhecimento leva a chegar àquela Casa. Muitos escritores que percorrem este caminho, quando lá chegam, têm sua participação beirando ao anonimato, porém, não foi isso que aconteceu com Gustavo Barroso. O Secretário Nacional de Educação da AIB, antes de conseguir ser eleito na Cadeira 19, em 8 de março de 1923, tentou quatro vezes, tendo tido êxito apenas na quinta. Vale ressaltar que Barroso foi o terceiro ocupante dessa cadeira, sucedendo ao escritor D. Silvério Gomes Pimenta.

Na sua posse, foi recebido pelo Acadêmico Alberto Faria, que ressaltou a presença do mais jovem membro no quadro da época, 34 anos, e sua prolífica publicação de até então 17 livros. Após ingressar na Academia Brasileira de Letras, o mais novo acadêmico passou a atuar no cargo de tesoureiro da instituição, o que lhe valeu participar ativamente na adaptação do prédio do Petit Trianon, oferecido pelo Governo francês ao Governo brasileiro. Gustavo Barroso também exerceu outros cargos na administração da Academia Brasileira de Letras, se destacando na presidência da Casa nas gestões de 1932/1933 e 1949/1950.

João do Norte, Nautilus, Jotanne e Cláudio França foram alguns dos diversos pseudônimos que Gustavo Barroso utilizou em suas obras. Infelizmente, a maior parte da sua Obra não se encontra reunida nos Livros, mas, espalhada por diversos jornais e revistas, nacionais e estrangeiros, destacando-se pelo longo período de sua colaboração, a revista Fon-Fon, na qual que escreveu assiduamente.

O Boletim Bandeira do Sigma recomenda a leitura de um dos maiores, se não o maior ensaio sobre a natureza e os costumes do sertão cearense, me refiro ao aclamado livro Terra de Sol, de autoria do Secretário Nacional de Educação da AIB, Gustavo Barroso. Outras obras, estas Integralistas, poderiam ser recomendadas, porém, para compreender a genialidade do Imortal sugiro primeiramente esta obra, já que é uma das mais famosas entre os seus 128 livros.
(Transcrito do Boletim “Bandeira do Sigma”, Janeiro de 2010, Ano I, Nº 6, página 2)

* Σ – Publicitário – RJ.

quinta-feira, março 04, 2010

Gustavo Barroso: Um Brasileiro Imortal*

Sérgio de Vasconcellos**

Companheiros.

1 – A finalidade desta Palestra, e reconheço a desproporção entre a exiguidade da mesma e sua pretensão, repito, a finalidade é demonstrar que Gustavo Barroso é Imortal, aliás, triplamente Imortal. Evidentemente, não estou me referindo a Imortalidade da Alma, pois, como Integralistas, todos temos certeza da mesma, mas, a outro tipo de imortalização.

2 – Gustavo Barroso foi jornalista, advogado, folclorista, educador, político, sociólogo, historiador, mitólogo, museólogo, geógrafo, romancista, contista, cronista, poeta, enfim, polígrafo de ilimitados recursos.
Sem exagero, o Brasil é abençoado por Deus, pois, sua floração de intelectuais não tem concorrentes em outro País: Gonçalves Dias, Castro Alves, Fagundes Varela, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Olavo Bilac, Alphonsus Guimarães, Mário Pederneiras, Bernardino Lopes, José de Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Bernardo Guimarães, Machado de Assis, França Júnior, Martins Pena, Coelho Neto, Graça Aranha, Inglês de Souza, Franklin Távora, Domingos Olímpio, Xavier Marques, Lima Barreto, Capistrano de Abreu, Rocha Pombo, Afrânio Peixoto, Afonso Taunay, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco, Campos Sales, Afonso Celso, Oliveira Viana, Alberto de Oliveira, Euclides da Cunha, Couto de Magalhães, Barbosa Rodriguês, Batista Caetano, Nina Rodriguês, Pandiá Calógeras, Pires do Rio, Ronald de Carvalho, Jackson de Figueiredo, Eduardo Prado, Tavares Bastos, Melo Morais, Sílvio Romero, João do Rio, Leonel Franca, Farias Brito, Rui Barbosa, Alberto Torres e poderíamos ficar dias inteiros enumerando os grandes escritores e pensadores Brasileiros e não terminaríamos a relação... E Gustavo Barroso é um desses gigantes.

3 – Gustavo Barroso nasceu em Fortaleza, Capital do Ceará, em 29 de Dezembro de 1888, tendo sua mãe falecido poucos dias após o seu nascimento, e sendo o seu pai muito ocupado pelo trabalho, sua educação ficou aos cuidados da avó e duas tias solteironas. Teve uma infância alegre, despreocupada e arteira.
Nos estudos, seu pai não permitiu a Escola Militar, então, foi matriculado no Liceu do Ceará; posteriormente, ingressou na Faculdade de Direito de Fortaleza, onde iniciou sua vida de intelectual, tendo publicado seu primeiro artigo em 1906. Começa a participar da Imprensa no Ceará e a colaborar com os Jornais do Rio de Janeiro, usando o pseudônimo que viria a tornar-se famoso “João do Norte”. Em 1910, desiludindo-se com a política local, muda-se para o Rio de Janeiro, onde fixa residência. Mas, no Rio, a vida não seria fácil, passou fome, dormiu em bancos nas praças, passou muita necessidade, até que conseguiu um emprego.
Retoma seus estudos de Direito, passa a colaborar no Jornal do Commercio. No Rio de Janeiro, escreve e publica mais de 160 Livros, começando por Terra de Sol (1912) e terminando por Mississipi (1961, editado postumamente). Tendo publicado uma vintena de Livros entre 1912 e 1922(Ao Som da Viola, Heróis e Bandidos, Pergaminhos, Praias e Várzeas, A Ronda dos Séculos, Uniformes do Exército Brasileiro, etc.), que o projetaram nacional e internacionalmente, e acaba sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1923.
A Academia Brasileira de Letras é uma instituição que reúne os mais brilhantes literatos do Brasil. Fundada por Machado de Assis, suas quarenta Cadeiras são disputadas. Pois bem, o lema da ABL, em latim, diz: AD IMMORTALITATEM”, para a imortalidade. Assim, eis Barroso imortal.
Mas, Barroso não se acomoda à glória e continua escrevendo e publicando (Almas de Lama e Aço, Alma Sertaneja, O Annel das Maravilhas, Aquém da Atlântida, Através dos Folclores, O Brasil em face do Prata, A Guerra do Flores, A Guerra do Lopes, A Guerra de Artigas, A Guerra do Rosas, A Guerra do Vidéo, Inteligência das Cousas, O Sertão e o Mundo, Luz e Pó, entre outros), acumulando mais honrarias no Brasil e no Exterior. Em 1919 foi Secretário da Delegação Brasileira à Conferência de Paz, em Paris, onde elaborou-se o célebre Tratado de Versalhes. Em 1922, como coroação de um trabalho metódico, funda o Museu Histórico Nacional, de que foi Diretor quase até sua morte em 1959.

4 – Em 1932, outro famoso escritor Brasileiro, Plínio Salgado, funda um Movimento Político chamado Integralismo, cuja Doutrina é perfeitamente sintetizada em nosso lema “Deus, Pátria e Família”.
Gustavo Barroso filia-se a esta nova corrente política em 1933. Barroso era então um dos mais importantes intelectuais Brasileiros e sua adesão repercutiu em todo o Brasil. Em breve, outros tantos e brilhantes Pensadores Nacionais também filiaram-se ao Integralismo: Tasso da Silveira, Câmara Cascudo, Alcebíades Delamare, Mansueto Bernardi, Raimundo Padilha, Miguel Reale, Madeira de Freitas, Ovídio Cunha, Hélder Câmara, Machado Paupério, Rocha Moreira, Machado Florence, Contreira Rodriguês, Everardo Backheuser, Jaime Ferreira da Silva, Américo Jacobina Lacombe, Belisário Pena, Helio Vianna, etc.
Barroso continua escrevendo: O Quarto Império, Espírito do Século XX, Reflexões de um Bode, Brasil – Colônia de Banqueiros, O Integralismo e o Mundo, O Brasil na Lenda e na Cartografia Antiga, O Livro dos Enforcados, Portugal – Semente de Impérios, História Secreta do Brasil, A Palavra e o Pensamento Integralista, História Militar do Brasil, O Integralismo de Norte a Sul, A Sinagoga Paulista, O Integralismo em Marcha, Integralismo e Catolicismo, Judaísmo, Maçonaria e Comunismo, Comunismo, Cristianismo e Corporativismo, O que o Integralista deve Saber, etc.
Ora, o Movimento Integralista tem diversos Rituais, e um deles, dedicado aos Integralistas falecidos, diz: “No Integralismo ninguém morre! Quem entrou neste Movimento imortalizou-se no coração dos Camisas Verdes!” Eis aí conquistada a Segunda imortalidade de Gustavo Barroso.
Escritor prolífico – só superado por Coelho Neto -, Barroso prossegue editando seus Livros, paralelamente as suas atividades no Museu, na ABL, etc.: As Sete Vozes do Espírito, Segredos e Revelações da História do Brasil, Quinas e Castelos, Seca e Meca e Olivais de Santarém, História do Palácio do Itamarati, Introdução à Técnica de Museus, Nos Bastidores da História do Brasil, etc.

5 – Gustavo Barroso falece em 03 de Dezembro de 1959.
Gustavo Barroso batalhou incansavelmente pelo Povo Brasileiro, por sua felicidade, e todos os seus esforços e lutas como Jornalista, como Secretário de Estado, como Professor, como Deputado Federal, como Representante Brasileiro em Conferências e Exposições Internacionais, como Político, como Membro destacado da Academia Brasileira de Letras, como Fundador e Diretor do Museu Histórico Nacional, etc., são a prova viva de sua dedicação ao nosso Povo, que ele amava profundamente. Barroso faz parte da Galeria do Heróis Nacionais, ao lado de Tamandaré, de Raposo Tavares, de Pedro Teixeira, de Caxias, de André Vidal de Negreiros, de Henrique Dias, de Felipe Camarão, de Osório, de Alexandre de Gusmão, de Zumbi dos Palmares, de D. Pedro I, de José Bonifácio, do Barão do Amazonas, de Rondon, de Dom Pedro II, da Princesa Isabel, de Carlos Gomes, de Vila-Lobos, de Tiradentes, de Santos Dumont e tantos mais. Eis a terceira Imortalidade de Gustavo Barroso, aquela que atribuímos aos nossos Heróis Nacionais, que estão sempre vivos em nossa História e devem nos servir permanentemente como modelos, como exemplos que devemos seguir diante da Pátria, para engrandecê-la e nos tornarmos também Heróis Nacionais algum dia.
Assim, provamos por um exame sucinto da Vida e Obra de Gustavo Barroso que ele é triplamente imortal: Imortal nas Artes, Imortal para os seus Companheiros de Ideal Integralista, Imortal para a Nação Brasileira.

6) Integralistas, de pé!

Vou proceder a chamada do Companheiro Gustavo Barroso, antes, porém, peço um minuto de silêncio.

Gustavo Barroso. Presente!

Companheiros, no Integralismo ninguém morre! Quem ingressou neste Movimento imortalizou-se no coração de todos os Camisas Verdes.

Ao Anunciador do Quarto Império, ao Arauto da Quarta Humanidade, ao Vanguardeiro da Nova Era, ao Trimegisto dos tempos modernos, ao Companheiro Gustavo Barroso, três Anauês!

Anauê! Anauê! Anauê!



*Palestra proferida nos Núcleos Integralistas do Estado do Rio de Janeiro – NIERJ (FIB-RJ).

** Σ – Comerciante – Rio de Janeiro (RJ).

terça-feira, janeiro 12, 2010

Catolicismo e Integralismo

Sérgio de Vasconcellos*

Não é de hoje, que certos indivíduos que se dizem Católicos lançam-se contra o Integralismo, acusando-o de incompatível com o Catolicismo. Atualmente, dois grupos têm a primazia na difusão desta escalafobética inverdade, a matilha que se diz “tradicionalista” e a alcatéia da “esquerda” Católica. Sobre estes últimos nada diremos, pois, o Magistério Eclesiástico já esclareceu que o comunismo é intrinsecamente perverso, logo, um Católico que se diga marxista ou é um imbecil completo ou é um indivíduo de má-fé, de nenhuma fé talvez fosse mais correto dizer... Já os pseudo-tradicionalistas, nestes tempos de Internet, têm conseguido vender o seu peixe além dos limites usuais dos seus feudos “espirituais”. Cada grupúsculo tem seus líderes, e vivem em guerra uns com os outros, só tendo um ponto em comum, um ódio visceral pelo Chefe Nacional Plínio Salgado e pelo Integralismo. Cansado de ouvir tanta baboseira de boçais que se presumem de grande coisa, e são apenas sepulcros caiados, resolvi traçar estas verazes linhas.

Tivessem utilizado o Método que Gustavo Barroso empregou em seus Livros Integralistas, principalmente no “Integralismo e Catolicismo” e “Comunismo, Cristianismo e Corporativismo”, isto é, cotejar as Encíclicas Papais, a “Rerum Novarum”, de Leão XIII, a “Quadragésimo Ano” e a Caritate Christi Compulsi”, ambas de Pio XI e tantas outras, com as Obras Integralistas, de Plínio Salgado e demais Pensadores do Sigma, então teriam verificado, sem margem à dúvida, que o Integralismo é compatível com o Ensino Social da Igreja, aliás, é o único Movimento Político que harmoniza-se perfeitamente com os rumos sociais propostos à Humanidade pelos Sumos Pontífices. Método simples e eficaz, acessível às pessoas inteligentes, o que praticamente exclui a possibilidade de seu entendimento pela quase totalidade dos pseudo-tradicionalistas Brasileiros.

A guerra ao Integralismo nos ambientes Católicos surge simultaneamente com o próprio Integralismo: O “Dr.” Plínio Correa de Oliveira, participou da Sociedade de Estudos Políticos – SEP -, organização da qual brotaria a Acção Integralista Brasileira –AIB. O futuro criador da TFP, não aceitou pertencer à A.I.B, pois, discordava da Frente Única Espiritualista preconizada pelo Integralismo, defendendo que o Movimento Integralista deveria ser unicamente Católico. No entanto, o Integralismo estava em perfeita sintonia com a Santa Sé, pois, Sua Santidade Pio XI havia proposto na Caritate Christi Compulsi exatamente que todos os que ainda acreditassem em Deus e o colocassem como o Fundamento da Ordem Social se reunissem numa Frente contra o Materialismo! Ou seja, o “Dr.” Plínio era desses Católicos, como diria Gustavo Barroso, que queriam ser mais Católicos que o Papa. Agora, façamos justiça ao “Dr.” Plínio: Se é verdade que em reiterados artigos ele constantemente criticava o Movimento por aceitar Brasileiros de todos os Credos Religiosos, também nunca deixou de elogiar o que ele achava de construtivo no Integralismo, como por exemplo, o anti-comunismo e o nacionalismo. É uma pena que, hoje, seus pretensos seguidores dediquem-se ao ataque sistemático ao Integralismo, esquecidos que o seu mentor não via apenas defeitos no Sigma, também reconhecia os seus méritos.

Atualmente, com a debacle do marxismo, e o revigoramento do capitalismo, a globalização, a expectativa de um Estado mundial (com a supressão das Soberanias Nacionais), muitos Católicos ditos “tradicionalistas” buscam um lugar ao Sol para a Igreja nessa nova ordem mundial. Relembrando que na Idade Média não haviam Estados Nacionais como os entendemos hoje, traçam um paralelo absurdo com essa futura ordem mundial. Ingenuamente julgam que a Igreja terá um papel saliente neste novo estado mundial. Ora, será que esses bobalhões nunca ouviram falar em Poder Econômico? Que este Poder Econômico vem combatendo o Catolicismo nos últimos quatrocentos anos? E que não tem sentido nenhum para este Poder Econômico respeitar a Igreja Católica, que sempre estará falando de Verdades que eles querem destruir, como a existência de Deus, a Imortalidade da Alma Humana, que Cristo é o Salvador, o Amor ao Próximo, que a Ética deve primar em todas as relações, inclusive, e principalmente, nas econômicas, etc.? Não percebem que esta futura nova ordem é necessariamente atéia e anti-Cristã? Será que são tão burros assim, esses pretensos tradicionalistas??? Incoerentemente, criticam o Conceito de Quarta Humanidade, genialmente exposto por Plínio Salgado, mas, aceitam pacificamente e defendem intransigentemente esta monstruosa ordem mundial que o capitalismo financeiro está impondo ao Mundo. É uma burrice tão avassaladora a desses pseudo-Católicos tradicionalistas que, se não fosse tese condenada pela Igreja, poderíamos falar em ignorância invencível...

Mas, a burrice da maioria não explicaria completamente o fenômeno anti-Integralista desses “Católicos”, e aqui, mais uma vez, nos valeremos de Gustavo Barroso: Tais Católicos ignorantes, que julgam estar a serviço da Igreja, na verdade trabalham para a anti-Igreja, estão sendo guiados sem o perceber – pois a vaidade, a soberba, a jactância, a falta de Amor verdadeiro à Deus, ao Próximo e a si mesmo, obscurecem a inteligência -, repito, estão sendo guiados pela Maçonaria, o que vale dizer, pelo Espírito das Trevas.

Ao terminar este breve Artigo, lanço aqui um alerta a estes iludidos: Desenganem-se, vocês são apenas cegos guiando cegos e o destino de todos vocês é caírem no Abismo. Portanto, enquanto ainda é tempo, lancem fora estas prevenções anti-Integralistas e reunam-se conosco no Bom Combate por Deus, pela Pátria e pela Família.

Pelo Bem do Brasil!

Anauê!
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* Σ. Comerciante. Rio de Janeiro (RJ).