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terça-feira, abril 16, 2013

As duas faces de Satanás


As duas faces de Satanás

Plínio Salgado

O comunismo não é uma causa: é um sintoma. O mal não é o comunismo em si, porém as causas que geram o comunismo.

 O comunismo, por consequência, não se acaba com violências, com opressões e fuzilamentos; acaba-se com a extinção das fontes de onde provém.

É preciso encararmos o comunismo sob os dois aspectos pelos quais ele se apresenta: o intelectual e o moral.

Sob o ponto de vista intelectual, o comunismo só pode ser combatido, eficientemente, pela crítica, pelas ideias, no livro, na tribuna, na imprensa. Sob o ponto de vista moral, o comunismo só pode ser combatido pelas medidas que melhorem as condições de existência do povo e pelos exemplos de virtude.

Tanto o estado de espírito do intelectual como o estado de espírito do inculto, porém, sentimental, só podem ser substituídos por uma nova concepção da vida.

Será, porém, inútil, tanto a ação do pensamento como a ação do sentimento, se ela não for prestigiada pelo exemplo.

Estancar as fontes geradoras do comunismo --- eis o nosso trabalho.

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Onde estão as fontes do comunismo?

No materialismo burguês.

Com que autoridade um materialista pode declarar-se inimigo do comunismo?

Sua atitude reacionária só consegue irritar ainda mais os humildes, os infelizes, os pobres. Seu ódio anima o ódio dos contaminados pelo bolchevismo. Seus impulsos violentos não fazem mais do que acender mais ao vivo as cóleras da multidão.

É muito comum hoje em dia escutar-se um burguês dizer: “Qual nada! O que o Governo devia fazer era fuzilar logo esses comunistas!”.

A gente olha para o burguês. Está bem vestido, com o charuto na boca, acaba de descer o elevador do Jockey Club, onde levou duas horas almoçando num restaurante elegante. É casado. Daqui a pouco, vai ter um encontro com uma mulher que não é a sua, no “hall” do Palace. Esta manhã esteve na praia, seminu - dando pasto aos olhos nas arredondadas formas das frineias familiares que, por sua vez, não perdem a Missa, mas acham natural o nudismo -, fazendo conquistas baratas. O burguês tem uma renda farta. Vive à tripa forra. Sabe de numerosos casos de adultérios e conquistas, e distrai-se também no esporte dos galanteios reles. E tem muita raiva aos comunistas. “Oh!” – exclama horrorizado – “O Governo devia fuzilar essa caterva!”.

Nosso homem vota um desprezo profundo pelos humildes. Essa gente, para ele, não passa de animais que cheiram a cebola e a suor. Grita com os inferiores, maltrata os que estão por baixo de sua imensa categoria. Detesta o convívio dos homenzinhos, da gentinha, dos estudantes pobres, dos caixeiros, dos suados operários e camponeses, do soldado heroico que, afinal, mantém a ordem em que o burguês floresce, daqueles que guardam a sua casa, como cães de fila. Caçoa do brasileiro do sertão, que trabalha para sustentar o luxo das capitais. E, quando esse nédio burguês ouve falar em comunismo, logo diz: “Basta a polícia! É meter-lhes as patas de cavalo, é varrê-los a metralhadora”.

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Não: O comunismo não se combate assim. O burguês está enganado. Já se enganou desse modo na Espanha; está se enganado na França, como está se enganando no Brasil.

O comunismo é apenas um sintoma do materialismo grosseiro de que o burguês é a fonte originária.

O operário não quer mais acreditar em Deus? Mas quem foi que ensinou o operário a negar a Deus? Foi o burguês. O burguês que acha muito boa a religião para os velhos, os proletários, as crianças e as mulheres.

O nédio burguês usufrutuário da ordem é ateu, não respeita a sacralidade da família, nem liga importância à ideia de Pátria. Leva uma vida de macaco, só pensando em prazeres, com o nariz a cheirar rabos de saia. As suas preocupações dominantes são o alfaiate, a garçonnière, o clube, o pano verde, a esperteza nos negócios, as paixões criminosas.

Convém, para ele, que o operário seja religioso porque assim não incomoda com rebeliões e desesperos. Convém que a esposa também o seja, porque assim se conforma com as suas ridículas atitudes de galo velho ou leão da Avenida. Convém que as crianças também o sejam, para não darem trabalho com desobediências.

É assim o burguês. Para ele a Pátria é uma coisa boa, porque a Pátria para ele não são os milhões de Brasileiros que sofrem, de compatriotas solidários na comunidade das tradições e aspirações nacionais, porém, os soldados que lhe vigiam a casa, os policiais, os agentes de segurança, investigadores e metralhadoras, que fazem o sono tranquilo na doçura dos lençóis de cambraia. Isso é que é a Pátria, a Nação, para ele. Ele não serve a Pátria, é a Pátria quem o serve. A Nação é um guarda-noturno que lhe lambe as gorjetas pela via dos impostos para as festas abandeiradas, com hinos e salvas de peça. Não a defende, pois. Deixa essa incumbência ao Exército, à Polícia, ao Governo. “Para isso pago os impostos”, diz – e não dá um passo.

No íntimo, o burguês materialista está convencido de que o Governo e as Forças Armadas existem para que ele, em plena segurança, possa conquistar e desonrar a filha do  operário; possa mudar de mulher como quem troca de camisa; possa refestelar-se no seu pijama de seda; possa atropelar com seu automóvel o mísero velhinho ou a inocente criança que tiveram a petulância de atravessar em frente da sua máquina possante e reluzente. Mas, se abre a boca para expender ideias, esse miserável tipo do século XX propõe sempre o combate ao comunismo. Lá no fundo de seu coração empedernido, ele pensa que o Governo, o Chefe de Polícia, os militares, os camisas verdes, devem ser seus capangas, seus criados dóceis.

Estão muito enganados, os burgueses. O que nós, Integralistas, combatemos, em primeiro lugar, combatemos, é o materialismo, o sensualismo, a grosseria dos sentimentos, o domínio dos instintos. Sem combater isso, como conseguiremos combater o comunismo?

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Pois se o operário olha para o burguês e vê que ele, em todas as suas atitudes, proclama que a vida do homem acaba neste mundo; e se o burguês – para o operário – é o homem que sabe, que leu, que estudou; e se é com ele que o operário aprende, - é lógico que o operário fique sendo materialista, e deseje também ser um bruto, um gozador, e como não tem recursos adere a uma doutrina que lhe diz: “O céu e o inferno são aqui mesmo, tratemos pois de gozar a vida!”

A filha do operário, que se prostitui levada no carro elegante do burguesote, foi seduzida primeiro pelo luxo da burguesinha e pela opulência da burguesona. Os homens brutais, que premeditam o assalto às famílias para saciar a sua lascívia, não fazem mais do que imitar de modo violento o rico homem que assaltou habilidosamente a casa do pobre, roubando-lhe a mulher ou desencaminhando-lhe a filha.

É que o proletário é uma obra do burguês. O pobre faz-se à imagem e semelhança do rico. Depois, a criatura revolta-se contra o seu próprio criador; nada mais lógico, porque o burguês também se revoltou contra Deus.

O burguês é violento? O operário também o será. O burguês é lascivo? O operário copiar-lhe-á a vida. O burguês é comodista, indiferente à Pátria? O operário também afirmará que a Pátria é o estômago.

O burguês é cosmopolita? O operário é internacionalista. No fundo são a mesma coisa.

Se o comunista prega o amor livre, o burguês, de há muito vive em poligamia. Se o comunismo prega a destruição das religiões, o burguês, de há muito, está caçoando de todas as religiões.

O comunismo quer matar, trucidar? Mas, o burguês também exige fuzilamentos e ceva-se no ódio político.

As massas desordenadas não têm pena das famílias  dos burgueses? Os burgueses terão pena das famílias infelizes, paupérrimas, deste país?

É preciso dizer, tanto ao rico como ao pobre, esta palavra dura, que irrita e queima, que desvenda, porém, os segredos das desgraças atuais em todo Orbe terrestre:

- Homens, abrandai vosso coração de pedra, aplacai os vossos instintos, erguei vosso pensamento para Deus, porque estais loucos!

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Satanás afivela sempre duas máscaras: a máscara da dor e a máscara do prazer.

Quando o homem sofre, Satanás é a revolta, o desespero; quando o homem goza, Satanás é a voluptuosidade, a luxúria.

Satanás veste os andrajos da miséria para sacudir os punhos fechados na saudação bolchevista.

Porém Satanás veste seda e enfeita-se de jóias para sorrir com indiferença e desprezo sobre o sofrimento dos humildes.

Satanás é o comunista que assassina e massacra. E Satanás é também o homem rico e feliz que nada faz para evitar a morte de multidões de pobres, mal alimentados e desamparados de qualquer conforto físico ou espiritual.

Satanás é a revolta das hetairas nos prostíbulos. E é também a alegria triunfante dos flirts adulterinos nas rodas da elegância.

Satanás é a indiferença, o comodismo, o ceticismo, a negação, a ruína de uma Pátria.

E se lestes ou ouvistes estas minhas palavras, o vosso crime é dobrado, pois não podereis alegar ao supremo Julgador das vossas ações que não apareceu alguém que vos lançasse, por vos amar, e muito, verdades ao vosso rosto.

Satanás apoderou-se de vós, burgueses, como se apoderou de muitos proletários. Entrou nas oficinas, mas fábricas, nos campos, nas casas humildes dos bairros tristes, levantando o pendão do ódio; mas antes disso já havia entrado e brilhado nos vossos salões, semeando frases elegantes e costumes fáceis.

Urge que vos transformeis, homens do meu tempo, ricos  e pobres.

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Na Família, pela Pátria, para Deus.

Mas, que estas palavras não sejam apenas palavras. Que estas palavras sejam sacrifício e realidade profunda dos corações e das almas. Eis a grande, a única batalha contra o comunismo.

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(Este Texto foi publicado originalmente como um Artigo em "A Offensiva", em 1935, tendo sido reproduzido em diversos outros Periódicos Integralistas e não-Integralistas, bem como em edições avulsas. Posteriormente foi incorporado como primeiro Capítulo de "Páginas de Combate" (1937) e incluído nas antologias "Madrugada do Espírito" e "O Pensamento Revolucionário de Plínio Salgado". Existem diversas versões parciais de "As duas faces de Satanás" na Internet.)

domingo, março 31, 2013

Capitalismo - Propriedade - Burguesia


Gustavo Barroso

A tática dos comunistas marxistas foi sempre estabelecer confusão entre as palavras - capitalismo, propriedade, burguesia, riqueza, capitalista, de significação diversa da que lhe emprestam, com o único fim de lançar as classes da Nação umas contra as outras e mais facilmente a destruir. 

O Integralismo precisa dar a essas palavras seu verdadeiro significado  e o Integralista deve sabe-lo.

Capitalismo não é a propriedade. Capitalismo é o regime em que o uso da propriedade se tornou abuso, porque cada indivíduo pode, se tiver dinheiro, especular no sentido de fraudar e oprimir os outros. Capitalismo é o regime em que o uso da propriedade se tornou desordenado, porque cada indivíduo pode agir à vontade e produzir sem se preocupar com as necessidades da coletividade, causando o desemprego, as falências, os salários ínfimos e a carestia da vida. Capitalismo é o regime em que um indivíduo ou um grupo de indivíduos pode açambarcar as propriedades por meio de trustes, cartéis ou monopólios. O Capitalismo, portanto, em última análise é um destruidor da propriedade.

A propriedade não deve e não pode ser suprimida. Deve e pode ser disciplinada. A propriedade é a projeção do homem no espaço, a garantia de sua velhice e a estabilidade de sua família. A propriedade é legítima quando provém do trabalho honesto e quando empregada no sentido do interesse nacional. Deve ser dada a todos quantos a mereçam sem distinção de classes. A propriedade obtida desonestamente não deve ser mantida. A propriedade empregada em sentido contrário ao interesse nacional deve ser posta nos seus verdadeiros termos. Por isso, o Integralismo só admite o direito de propriedade condicionado pelos deveres do proprietário.

Capitalista não é todo indivíduo que possui dinheiro. Há capitalistas produtores e benéficos como há capitalistas aproveitadores, especuladores, ociosos e indolentes. Há capitalistas chefes de empresa que trabalham mais do que qualquer dos seus operários. A palavra capitalista não tem o significado limitado e pejorativo que lhe emprestam de caso pensado os comunistas.

Burguesia não é uma classe, é um estado de espírito. Burguês é todo indivíduo que só pensa em si, que vive somente para si. Se for dono duma fábrica, não hesitará em atirar à miséria todos os seus operários para não diminuir um vintém de seus lucros. Só será pela união e pela paz social dos Brasileiros, se isso lhe der lucro. Só compreende a solidariedade nacional em seu proveito. Só pensa na miséria de seus compatriotas para fazer dela um degrau para subir. É um indivíduo nocivo.

O espírito burguês limita os horizontes aos interesses pessoais. Há grande número de operários, de sindicalistas e de agitadores comunistas que têm espírito burguês, como há muita gente da chamada burguesia que o não possui.

O que se deve combater não é a denominada classe burguesa, porém a casta que quer sozinha governar o país. O Integralismo é contra a luta de classes e, portanto, contra o domínio duma casta. O governo deve ser exercido por uma elite recrutada em todas as classes e formada pelo estudo, pela luta, pelo trabalho e pelo sacrifício. NUNCA PELO DINHEIRO!

A supremacia do dinheiro é ilegítima. A supremacia dos valores intelectuais e morais é legítima.

O Integralismo quer e organizará um governo legítimo.

BARROSO, Gustavo. O que o Integralista deve saber. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935; transcrito integralmente das páginas 135, 136 e 137.

domingo, janeiro 09, 2011

Capitalismo "versus" Comunismo

Os Companheiros Robson Peixoto, Eduardo Ferraz e Sérgio de Vasconcellos junto ao Busto de Gustavo Barroso, no Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro, 20/01/2008)

Gustavo Barroso

O Integralismo bate-se contra dois regimes, duas forças, dois inimigos, que parecem contrários um ao outro, que aparentemente se chocam, mas que na essência são irmãos, se entendem, se combinam muitas vezes por trás dos bastidores. Uma dessas forças é simplesmente o inverso da outra. Ambas não passam do positivo e do negativo da mesma chapa fotográfica. São o capitalismo e o comunismo.

O capitalismo destrói a propriedade do maior número em benefício da posse nas mãos de pequeno número; destrói a pátria com a finança internacional, o capital que emigra ao sabor de suas conveniências, sem se sacrificar por este ou aquele país, obediente ao lema: "o dinheiro não tem pátria"; destrói a família pelo luxo, a orgia, os gozos, a perda da noção de honra ante o poder do dinheiro; destrói Deus com a sua concepção materialista da existência, a adoração do Bezerro de Ouro, o mamonismo.

Vivendo de explorar a maioria da sociedade, arranca-lhe as últimas migalhas para aumentar seus proventos e fica indiferente, inerte, ou simplesmente limitado a uma caridade formalista e cabotina, diante do sofrimento dos trabalhadores. Isso gera a revolta dos que têm fome e vêem os filhos com fome. A ostentação do luxo e do sensualismo irrita os deserdados da sorte. O exemplo da incredulidade e do ceticismo nacional os invade.

Então, o capitalismo que grou todas essas destruições, na sua ânsia de possuir, além do poder do ouro, conjuntamente, o poder político e dominar o mundo, assopra, às massas que tornou rebeldes e descrentes, como único remédio às suas dores o ideal comunista: destruição definitiva da propriedade pelo capitalismo de Estado; destruição definitiva da família pelo amor livre, o aborto oficial e a entrega dos filhos ao Estado; destruição definitiva da pátria pela sua inclusão numa União Soviética pertencente a uma Internacional numerada, o comunismo é internacional como o capitalismo; destruição definitiva da idéia de Deus pelas campanhas pró-ateísmo.

Vê-se claramente que o comunismo não reage contra o capitalismo, como falsamente apregoa. Antes pelo contrário. Quintessencia seus princípios. Torna definitiva as destruições que ele iniciou. Conclui os arrazamentos. Completa-o. Coroa-lhe a obra.

Essa obra é a obra de dominação universal. Ela se processa por dois flancos contra a sociedade moderna. Dum lado, avança o capitalismo internacional com a artilharia pesada dos empréstimos, da usura, das concessões, dos monopólios que arrancam a última camisa dos povos. Do outro, vem a cavalaria cossaca do comunismo internacional, que escravizará os povos inteiramente ao desabrigo, com a matança das elites, com o terrorismo asiático.

O capitalismo internacional é o capitalismo dos grupos financeiros. O comunismo internacional é, como pontificou Lenine, o "capitalismo de Estado". Este nasce daquele, amplia-lhe a órbita de influência e ação. No capitalismo, os grupos têm somente o domínio do dinheiro com o qual influenciam o governo, o poder. No comunismo, os grupos se apoderam do Estado, além do dinheiro, ficando também de posse das proles, dos indivíduos escravizados, de todos os meios de produção, da riqueza dos países. Ao proletário, o capitalismo deixou ao menos a prole; o comunismo até a prole lhe arranca.

Sendo complemento do capitalismo, o comunismo não pode ser remédio preciso para a angústia social de nosso século. Mascara-se de reação tão somente. Eis porque, aprofundando bem a questão, se verifica que o capitalismo não é visceralmente contrário ao comunismo. O remédio é o Integralismo que combate os dois e é combatido pelos dois.

Por que esse combate sem piedade?

Imaginemos que um dia os bacilos de Koch tivessem imprensa diária, com matutinos graves e vespertinos que tirassem oito ou nove edições, iludindo o público com seus títulos enorme e vazios. Que faria em primeiro lugar essa imprensa? Cerradíssima campanha contra os específicos contrários ao micróbio da tuberculose, contra o pneumotórax, os fortificantes, os sanatórios, o clima de Davos e Campos do Jordão. Naturalmente. Não cairia na tolice sem par de elogiar o micróbio da peste branca, muito menos a própria enfermidade. Mas trataria de demonstrar a defeituosa manipulação dos remédios, a ineficácia dos fortificantes, os defeitos dos sanatórios, os inconvenientes do pneumotórax e a insalubridade de Davos e Campos do Jordão.

A imprensa amilhada procede do mesmo modo. Ela não cai na esparrela de elogiar os usurários capitalistas e comunistas; porém apregoa, adulterando os fatos e os textos, os defeitos e perigos do Integralismo. Ora, afastada da competição a doutrina integralista, que resta hoje em dia ao cenário social? O liberalismo e o comunismo. Toda a gente está farta de saber que o liberalismo já deu o que tinha de dar, está morto e cheira mal. Então, logicamente, a obra de derrotismo da imprensa contra o Integralismo é obra de incentivo comunista. Mais uma vez, capitalismo e comunismo estão de parceria, embora aparentemente se finjam adversários.

A única reação possível contra o capitalismo-comunismo é o Integralismo. Porque, em primeiro lugar, afirma Deus como a suprema norma moral do Universo.  O fiel regulador do Bem e do Mal não pode ser entregue ao homem ou às instituições humanas, que são variáveis e contingentes no tempo e no espaço. Imutável e eterno, ele somente pode estar fora da humanidade. Não há, pois, moral sem Deus. Não havendo moral, não pode haver justiça social e, se não há justiça social, não há pão para todos.

Qunado o comunista brada por pão, exige um simples fundamento material, o menos que pode exigir. Quando o Integralista afirma Deus afirma o mais, afirma o princípio único de que decorre aquele fundamento.

Porque, em segundo lugar, assegura a propriedade, resultado do trabalho honesto, condenando a posse, às vezes legal e na maioria dos casos ilícita, dos bens mal adquiridos. A propriedade é a projeção do hiomem, no espaço, do mesmo modo que a família é a projeção do homem no tempo. Essas projeções são inerentes à sua natureza e se completam. O erro liberal está em conceder ao homem somente direitos de proprietário sem exigir-lhe os deveres que o habilitam a esses direitos. O erro comunista está em abolir esses direitos. O Integralismo reconhece uns em função dos outros, proclama-os e garante-os.

Porque, em terceiro lugar, afirma a família como base natural e eterna da sociedade, o primeiro grupo humano, o grupo biológico, que variou nas formas, conforme, conforme os ciclos culturais, mas que foi invariável na essência. Da família nasceu a tribo, da tribo a cidade ou a nação. Nos povos primitivos, as cidades e as nações gaurdavam a memória das tribos e as tribos, a das famílias, iniciais. Vêde-as em Roma; vêde o culto às famílias iniciais de Ba-Hô, na velha China. Afirmar a família é mais do que afirmar somente a liberdade, como fazem certos comunistas. O indivíduo isolado torna-se fraco. Reunido a outros, fortalece-se. Se essa união, além de outros laços, tem os do afeto e do sangue, mais forte se torna, sobretudo moralmente. A família é, pois, o núcleo basilar da liberdade moral do homem. Mergulhado na massa comunista, o indivíduo se torna um divíduo, uma parcela  sem personalidade. Quem não tem personalidade não pode ter liberdade, oporque liberdade é afirmação. Afirmação é consciência. E a personalidade do homem se reforça, apoia e emoldura na família.

Quando o comunista brada por liberdade exige o menos, exige uma simples função.Quando o Integralista afirma a família, afirma o maximo, afirma o órgão capazx dessa função.

Porque, em quarto lugar, afirma a pátria como uma comunhão dum território e do espírito dum povo, uma comunhão de interesses materiais, de sentimentos, de dores, de esperança, de anseios, de alma, - o casamento dum sólo e dum povo, na frase de Renan. A pátria é a posse de um chão, posse material e moral. Sem essa posse, não é possível garantir terra a nenhum filho do mesmo país. A terra internacionalizada é de todos os povos.

Quando o comunista pede terra, pede o menos, a superfície arável, plantável, trabalhável, capaz de produzir searas ou pastos. Quando o Integralista afirma a pátria, afirma o máximo, a terra em superfície e em profundidade, em toda a sua força  material de produção e com toda a sua força moral de projeção no passado e para o futuro, a terra adubada com as cinzas de seus antepassados.

Combater o capital - hipertrofia do indivíduo, hipertrofia do grupo, hipertyrofia da sociedade anônima, hipertrofia da finança internacional, hipertrofia, afinal, do Estado com o Capitalismo de Estado de Lênine, é um trabalho de Hércules. O Integralismo não se arreceiou de meter ombros à empresa. É por isso tão anti-capitalista quanto anti-comunista.

(Publicado originalmente no Livro de Gustavo Barroso, O Espírito do Século XX, [1. ed.], Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1936. Transcrição feita do Periódico "O Integralista", do Rio de Janeiro.)