quinta-feira, abril 03, 2014
terça-feira, março 25, 2014
A Questão da Singularidade Integralista
O Integralismo é o
Curupira mais a Energia Atômica.
Ubiratan Pimentel*
O Integralismo, como Filosofia, parte
da teoria da integralização dos três fatores que fundamentam a existência da
sociedade política: o espiritual, o material e o político. Decorrendo, então, o
desenvolver de todo um pensamento político-doutrinário, que em hipótese alguma
deve ser entendida como sendo uma ideia que absorve elementos de outras ideias,
formando um amálgama eclético. A Doutrina Integralista não deve ser confundida
com uma ideia eclética de outras de filosofias.
A estrutura embasadora do
Integralismo, a sua produção intelectual, posiciona-se não em cima de uma
pluralidade de conceitos ou postulados no que teoricamente eles teriam de
melhor, mas do critério absoluto da Singularidade Integralista da Realidade
Humana, consubstanciada inicialmente nos três fatores que compõem o universo
político humano: o espiritual, o material e o político, respectivamente: Deus,
Pátria e Família. Sendo estes três fatores, esta ordem ternária, o nascedouro e
o fulcro por onde se guia e se expande única e exclusivamente a doutrina da
integralização do ser humano.
Segundo o vocabulário do volume
décimo das Obras (in)Completas de Plínio Salgado, o verbete “Ecletismo” nos diz
o seguinte: “Tendência filosófica resultante, em geral, do conflito de culturas
e do embate das ideias, o que leva a escolher em cada sistema o que parece mais
consentâneo com a verdade; doutrina que se caracteriza pelas infiltrações de
outros sistemas e pela falta de originalidade e coesão”.
É um grande e lamentável erro,
confundir o pensamento integralista com o pensamento eclético. E isso é de
fundamental importância, esta diferenciação, para evitarmos cair em desvios
doutrinários que podem colocar em xeque o nosso conceito de revolução.
É bom que se saiba que o Integralismo
tem a sua Concepção de Mundo, e que esta concepção abrange uma distância que
têm início com o Curupira e chega à Energia Atômica e mais além. Portanto a nossa Revolução não é
simplesmente a saída de um ponto, para depois de descrever um círculo voltar
aquele mesmo ponto. Trata-se na verdade de uma Revolução Helicoidal, onde a cada volta avança-se uma
unidade-distância.
Dizer que a Doutrina Integralista é
um movimento integral ou que somos “integrais” porque absorvemos elementos de
outras ideias é confundir o pensamento integralista com um puro e simples
pensamento eclético e pluralista, e que, portanto, não possui definição
verdadeiramente objetiva, vagando ao sabor de conceitos sem fundamento.
Publicado
originalmente em “O Integralista”, Ano 1, Nº 2, Junho e Julho de 1989; página
4.
* ∑.
Historiador. Maricá – RJ.
sábado, dezembro 28, 2013
INTEGRALISMO. FASCISMO. NAZISMO. ANALOGIAS E CONTRASTES.
A.Machado Paupério e J. Rocha Moreira
(...)
Não se veja, entretanto, no Integralismo, um fascismo ou um nazismo
mascarado, como o apontam os liberais e os comunistas.
O Integralismo, consoante suas analogias com o fascismo e o nazismo,
deles se afasta, entretanto, em certos pontos, de modo radical, sabendo-se
condicionar, quando procura resolver os problemas brasileiros, ao ambiente e às
necessidades nacionais.
Vejamos em que se pode identificar de um modo geral o Integralismo com
os movimentos nacionalistas europeus:
a) Pelo
espírito de reação espiritualista, pelo qual se procura combater o vírus
materialista que tem avassalado as novas gerações e tirado da alma do povo toda
a capacidade idealista e construtora. Reação de caráter espiritualista, do
fascismo e do nazismo, afasta-se, entretanto, o Integralismo por não aceitar os
princípios de absorção estatal e racial que estão levando aqueles regimes à
paganização.
b) Pelo
espírito de reação nacionalista, pelo qual se procura processar o combate ao
internacionalismo bolchevista desnacionalizante. Por espírito nacionalista, não
se entenda, porém, exclusivismo jacobino. Seria absurdo. O Integralismo, “ao
invés de internacionalista” acha, como diz magistralmente Gustavo Barroso, que
“o homem deve ser equilibradamente, regionalista, pelo seu amor ao
pequenino canto e ao limitado número de pessoas de seu berço, patriota,
pelo alargamento inteligente de seu sentimento sobre a terra do país natal,
comungando com o meio físico e étnico nos mesmos interesses e nos mesmos
sentimentos; universalista pela irmanação do seu espírito ao grande
espírito da espécie, ao sentimento comum da Humanidade de que participa. Ser
somente regionalista é um erro, ser somente patriota, outro e ser somente
universalista, outro. É necessário ser suficientemente os três. Porque
nenhum deles bem entendido colide com os outros e todos levam à mesma ascensão
espiritual”. (1)
c) Pelo
espírito de reação anti-individualista, pela qual se combate o espírito desagregador
e atômico da atual sociedade burguesa. O Integralismo pretende ser uma democracia
social, de modo a acabar com o absolutismo do indivíduo. Por isso, defende,
como o fascismo, a organização corporativa da sociedade e a implantação do Estado
Corporativo de base integral e orgânica, defendendo também, como o
fascismo, o princípio da economia dirigida, único meio eficaz de
levantar economicamente a nação e de acabar com o antagonismo e a luta de
classes, criada pelo liberalismo econômico.
Não obstante os grandes pontos de contato com o regime fascista, regime
nacionalista por excelência, dele diferencia-se, entretanto, o Integralismo de
modo radical quanto ao seu regime de governo e à sua concepção de Estado.
Quanto ao regime governamental, o Integralismo, ao contrário do que se
dá com o Fascismo, apresenta caráter democrático, através embora de sua nova
organização corporativa. Enquanto no Fáscio são os representantes sindicais
escolhidos mediante indicação do Estado, no nosso Integralismo são os próprios
sindicatos, as próprias federações e as próprias corporações que elegem pelo
voto os seus representantes ao governo da Nação. Mantemos assim a forma
republicana do país, em oposição flagrante à forma governamental italiana. À
centralização política opomos mais, em contraste com a Itália, a descentralização
administrativa, mantendo assim a autonomia dos municípios, dentro da Federação.
E para integrar todos os elementos nacionais no governo do país, reconhecemos
ainda, além da representação econômica, a representação política técnica.
Não é, porém, pelo regime governamental, que mais se afasta o
Integralismo do Fascismo, mas, sobretudo pela sua concepção de Estado.
O fascismo apresenta uma tendência imanente ao estatismo ou ao que Pio
XI chamou estatolatria.
Reagindo contra o Estado liberal impotente, caiu o Fáscio no exagero que
deveria ter evitado: tornou-se totalitário.
“Nada fora do fascismo” – “Tudo dentro do Estado, nada fora do Estado,
nada contra o Estado”, é a afirmação categórica de Mussolini.
A concepção do Fáscio parece ter feito do Estado um verdadeiro tabu,
um verdadeiro absoluto.
Rocco, o próprio ministro da
Justiça da Itália, não esconde esse espírito de absorção estatista do regime
quando faz a apologia da absorção do indivíduo pela sociedade.
“Os velhos sistemas, diz ele, ignoravam que os indivíduos tomados
isoladamente têm um valor quase nulo, apesar disto ser uma realidade na vida
social” e noutro ponto: “a sociedade deve ser considerada na continuidade da
sua existência que ultrapassa a dos indivíduos, elementos transitórios. Ao predomínio
do indivíduo sobre a sociedade, substituiu-se o predomínio da sociedade sobre o
indivíduo”. (2)
Por certo negamos a concepção de Rocco. Se rejeitamos o predomínio do
indivíduo sobre a sociedade, também rejeitamos o predomínio da sociedade sobre
o indivíduo. O absolutismo social parece-nos tão perigoso quanto o absolutismo
individual. A sociedade, à luz de uma concepção integral, não é um fim em si,
mas um meio pelo qual o indivíduo deve atingir a plenitude. A sociedade
não pode, portanto, absorver o indivíduo: deve-lhes mesmo respeitar os direitos
inerentes à sua qualidade de pessoa humana. (3) O Estado cristão deve ser
até, como diz Maritain, “tão
fundamentalmente anti-individualista quando fundamentalmente personalista”.
(4)
Só assim, livrar-se-á ele do individualismo liberal e do estatismo
totalitário, absorvente da personalidade.
O fascismo, tirando, por exemplo, da família a faculdade da educação dos
filhos e tolhendo a liberdade de associação religiosa, como aconteceu por
ocasião do fechamento das associações católicas da juventude, mostra-nos à
evidência o caráter absorvente do Estado italiano que devemos a todo transe
combater. Esse caráter, que se tornou um verdadeiro endeusamento do Estado, fez
do fascismo uma verdadeira religião. Não somos nós quem o afirmamos. É o
próprio Gentizou, num dos seus notáveis telegramas ao “Temps”:
“Com o fascismo, nasceu na Itália uma nova religião. Na verdade, nada
tem de eclesiástica. É até uma religião civil, pode dizer-se, mas que não
deixa, por isso, de ter um culto completo. A divindade é a Pátria, não aquela
que os teólogos constantemente têm colocado no céu, a Pátria celeste, mas a
terrestre e transitória do homem. A veneração que lhe manifestam comporta uma
completa terminologia sagrada. Lede os jornais fascistas, em todas as páginas
aparecem às expressões: Itália santa, Itália divina. Os mortos pela Pátria ou
na Revolução dos Camisas negras são os mártires dum ideal de que eram os
apóstolos. Em sua homenagem erguem-se altares, acendem-se chamas votivas,
celebram-se ritos, etc. Fala-se dos lugares santos da Pátria e os novos
obedecem a decálogos e a credos que, bem entendido, nada têm que ver com os dez
mandamentos da Lei de Deus. Essa curiosa transferência do estilo litúrgico para
o campo profano dos sentimentos, dos fatos e dos acontecimentos de caráter
civil chega a ter efeitos ainda mais singulares. Um dia é uma revista
encarregada de espalhar pelo mundo a ideia italiana, que intitula um dos seus
artigos de propaganda fide. Noutra ocasião é um jornal de província que
qualifica o Duce de nosso deus, o
deus duma magnífica fé que tem os seus mártires, os seus confessores e os seus
heróis”. (5)
O fascismo tornou-se, assim, uma verdadeira religião, em tudo digna do naturalismo do século.
Um dos lugares-tenentes do Duce, Bottaï, ministro das Corporações,
dizia-o ainda recentemente:
“Assim como um católico não discute os dogmas da sua fé, também nós não
discutimos os dogmas do nosso credo fascista”. (6)
Aliás, “Mussolini tem sempre razão”, já o dizia um dos
mandamentos do miliciano fascista.
Fetichismo intolerante e intolerável, talvez necessário para uma nova
divinização do Estado, à maneira do antigo império romano.
Aliás, parece que a alma imperialista da Roma dos Césares refloresce
novamente no espírito da Itália Nova. A águia romana na morreu. Parece mesmo
perdurar através da orientação criminosamente guerreira que a Península vem
dando à educação de seus folhos.
Já o próprio Mussolini, em discurso pronunciado em 25 de Maio de 1929,
ousava dizer: “Não podemos renunciar a essa educação a que daremos, finalmente,
o verdadeiro nome, pois nos repugna a hipocrisia: a educação guerreira,
a palavra não nos deve assustar”. (7)
Até a apologia da guerra parece fazer-se. Pelo menos, num discurso
dirigido aos novos, dizia o ministro da instrução pública, em 25 de Março de
1928:
“Ah! Como será bela a guerra que vós fareis, a guerra na qual
sentireis dentro de vós e atrás de vós toda a Itália unida, que vos ajudará,
vos acompanhará e vos beijará a fronte, em recompensa da vossa vitória!”. (8)
Em lugar da concórdia e da confraternização, chega-se a elogiar o
próprio ódio. Assim, falando aos estudantes da Universidade de Pádua, diz-lhe o
professor Bodrero, vice-presidente da Câmara dos Deputados e antigo
vice-ministro da Instrução Pública: “Há uma virtude que deve ser o vosso
estimulante, que deve ser a chama da vossa juventude e essa virtude chama-se ódio”.
(9)
Evidentemente não podemos bater palmas a essa culposa orientação com que
se prepara à geração italiana de amanhã.
A própria infância foi militarizada. A organização dos Balilas
constitui, por assim dizer, uma organização pré-militar. Desde cedo se adestra,
assim, a criança no manejo das armas de que receberá até exemplares
artificiais. O gênio guerreiro parece invadir a Itália Nova.
De modo nenhum justificamos “esse espírito que prepara as crianças para
a conquista e forma os conquistadores”, espírito censurado pelo próprio Papa em
discurso público de 14 de Maio de 1929.
(...) Sob o influxo do Cristianismo, pugnamos por uma educação mais
racional, mais pacífica e, sobretudo mais humana.
Nesse ponto de vista, coloca-se o Integralismo, dentro de sua concepção
orgânica e espiritualista da vida.
A crítica que fizemos ao Estado fascista, estendemos ao Estado nazista,
cujo espírito totalitário se denota ainda de modo muito mais intenso e
revoltante.
Ao totalitarismo de Hitler acresce, porém ainda, na Nova Alemanha, a
política racista, de fundo profundamente materialista e anticristão.
Baseado numa pretensa superioridade do ariano, proclamada pelas teorias,
hoje caducas, de Chamberlain e Gobineau (10), desencadeou o nazismo a luta
racial, movendo contra todos os não arianos a mais acentuada e ignóbil
campanha.
Nós, graças a Deus, não temos preconceitos de raça. À luz da comunhão
cristã, não distinguimos pigmentos nem caracteres cranianos.
Somos mesmo o produto do caldeamento de três raças (branca, negra e
indígena) que se fundiram e que permanecem ainda em continuada evolução. Não
temos ainda um tipo brasileiro. Além disso, povo novo, não podemos ainda
dispensar o concurso imigratório. Mister é povoarmo-nos, se queremos a nossa
vida e a nossa grandeza.
Por tudo isto, e principalmente pelo ideal cristão que nos anima, jamais
fizemos campanha racista. À diferença étnica opomos a igualdade espiritual de
todos os homens.
Brancos e negros, caboclos e mamelucos, jagunços e caudilhos, todos são
brasileiros, capazes de cooperar com a sua parcela de esforço, de coragem e de
dedicação na obra de reconstrução da Pátria.
Se o índice étnico os separa, o espírito os irmana.
Dentro do nosso caráter cristão não há lugar para antagonismos e
preconceitos raciais. Esse caráter que se revela a cada passo na concepção do
Integralismo é o grande motivo de sua superioridade e de sua vitória.
Quando morrer a civilização da velha Europa e se realizar o sonho de
Keiserling, através da grandeza da Nova América, será esse caráter para o mundo
o despertar de novas energias, sob o influxo das quais talvez se abrande o
paganismo hodierno dos povos decrépitos. Pois, como diz Plínio, “enquanto os
demais povos se movimentam no sentido do Estado Forte, nós vamos mais longe,
porque desejamos o Estado Integral, que contém todas as forças e representa o
equilíbrio perfeito.
“O Estado Forte é a transição para o Estado Integral. Um dia, a Europa
virá aprender com o Brasil.
“Do Continente Sul-Americano sairá à palavra de ordem. Essa palavra é a
mesma que está realizando o maior movimento do mundo atual, como extensão
geográfica e o mais profundo como significação cultural e espiritual.
“No limiar do século XX, alvorece a Civilização Atlântica. É a voz da
América pela voz da Pátria Brasileira”. (11)
NOTAS:
1 - Gustavo Barroso – O QUE O
INTEGRALISTA DEVE SABER.
2 - G. Roux – ORGANIZAÇÃO DO
ESTADO NOVO ITALIANO.
3 - No homem distinguimos o indivíduo e a
pessoa. Como indivíduo, isto é, como átomo do organismo social, deve o homem
subordinar-se à sociedade, sacrificando mesmo o seu bem individual ao bem
superior da coletividade. Como pessoa, porém, isto é, como realidade espiritual
individuada e distinta, é o homem dotado de direitos imprescritíveis e
inalienáveis que devem ser, por certo, respeitados pelo Estado.
4 - Jacques Maritain – TROIS RÉFORMATEURS.
5 -
G. Roux – Op. Cit.
6 -
G. Roux – Op. Cit.
7 -
G. Roux – Op. Cit.
8 -
G. Roux – Op. Cit.
9 - G. Roux – Op. Cit.
10 - O racismo apoia-se, sem dúvida, sobre
teorias passadistas e unilaterais. Hoje reconhece a ciência moderna que não é a
raça o único fator concorrente da superioridade de um povo. Inúmeros outros
fatores (e entre eles o geográfico, o histórico, o econômico, o educacional, o
religioso, etc.) concorrem, além, além do índice étnico, para essa
superioridade.
11 - Plínio Salgado – A QUARTA HUMANIDADE.
A.Machado
Paupério J. Rocha Moreira: “Introdução ao Integralismo”. Rio de Janeiro,
Record, s/d. Transcrição das págs. 169 até 182.
terça-feira, dezembro 10, 2013
O pavor que o Integralismo causa nos meios vermelhos*
![]() |
| S.A.I.R. D. Bertrand de Orléans e Bragança em amena conversa com o renomado Escritor Paulo Le Chevalier |
Paulo Le Chevalier**
Os
esquerdistas estão pavorosos pelo fato de suas bandeiras políticas terem sido
duramente rechaçadas pelo povo nos manifestos atuais que sacodem o Brasil. Fora
a possibilidade disso ser um golpe armado pelo Partido dos Trabalhadores, a
verdade é que a esquerda saiu desgastada desse processo. Mas em vez da
autocrítica, a mesma preferiu achar um bode expiatório para seu rotundo
fracasso: o Integralismo.
Várias
são as charges que saem pela Internet mostrando o repúdio da Esquerda pelo
Integralismo. Mas isso não é à toa. Os comunistas, anarquistas, socialistas, socialdemocratas
e afins são bons de memória. Sabem perfeitamente que o Integralismo os derrotou
em 1935 e 1964, quando tentaram dar um golpe no Brasil e o bolchevizar. Nas
duas situações, destaque para Olympio Mourão Filho- capitão em 1935, e general
em 1964- que arregimentou suas tropas para conter Luís Carlos Preste e João
Goulart respectivamente. Portanto a esquerda ainda teme, mesmo que com poucas
chances de consolidação, uma reação integralista em massa contra suas
insanidades políticas.
Mas
outros fatores também devem ser levados em conta para se entender o medo
anti-integralista da Esquerda. E eles são basicamente dois: econômicos e
nacionais.
1) Econômicos:
O
Integralismo possui uma visão econômica pautada na Doutrina Social da Igreja.
Portanto defende valores que são audíveis ao povo brasileiro: função social da
propriedade, justiça social, cooperativismo, reforma agrária etc. O
Integralismo, assim como as correntes conservadoras latinas paridas da
atividade intelectual de Juan Donoso Cortés, não carregam consigo o discurso
nauseabundo e elitista dos liberais, que é claramente antipático ao povo
brasileiro. Dessa feita, os esquerdistas temem muito mais movimentos como o
Integralismo que o Liberalismo Econômico. O primeiro é uma alternativa, entre
outras, ao Bolchevismo, enquanto o segundo pavimenta o caminho para o
Totalitarismo Vermelho.
2) Nacionais:
O
Integralismo tem uma visão de Brasil necessária e importante. Entende Nossa
Nação como mescla das três etnias-mores que lhe deram formato sócio-histórico:
ameríndia, branca portuguesa e negra africana. Portanto defende a integração do povo nacional, sem
ressentimentos históricos e “lutas de raças”.
Nada mais contrário ao Comunismo! Além disso, o Civismo proposto pelo
Integralismo é de causar arrepio em qualquer marxista. Portanto o Nacionalismo
Integralista, que é sadio e unificador, é uma resposta de reprovação ao
Internacionalismo Vermelho, que visa causar cizânias sociais para se
consolidar.
Por
essas e outras que a Esquerda tem ridicularizado o Integralismo. Mesmo que seja
difícil o movimento liderado por Plínio Salgado na década de 1930 conseguir o
sucesso daquele momento histórico, a esquerda não cessa de acusá-lo por tudo
que não presta em nossa Nação. Mas quem pedirá coerência de incoerentes em si?
* Transcrito integralmente de http://paulolechevalier.blogspot.com.br/2013/07/o-pavor-que-o-integralismo-causa-nos.html
** O Autor NÃO é Integralista. Conhecido geógrafo maranhense, administra o excelente e combativo Blog "Paulo Le Chevalier", cuja leitura esclarecedora recomendo.
sábado, agosto 31, 2013
O CONCEITO CRISTÃO DE DEMOCRACIA NA OBRA DE PLÍNIO SALGADO
![]() |
| O Magnífico Reitor Euro Brandão |
Euro Brandão*.
O anseio em formular e
obter uma verdadeira democracia perpassa toda a vida de Plínio Salgado, seja em
suas mais de sessenta obras publicadas, seja em toda a pregação que se estendeu
por todo o solo da Pátria.
É hoje frequente ouvir-se a observação de que
a democracia, apesar de seus defeitos, é a melhor forma de governo. Há nisso
uma grande parcela de verdade, e se dizemos parcela, é porque há democracia e
democracia. Há contradições democráticas, como bem conhecemos. Até a pouco, as
denominadas “democracias populares” não eram mais que férreas ditaduras do
socialismo real. Há democracias que se restringem ao uso do voto universal, mas
nada produzem em favor do cidadão. Muitas vezes a democracia é substituída pelo
democratismo, que é uma aparência enganosa de valorização da sociedade, mas, no
fundo, é uma manipulação engendrada por grupos interesseiros e beneficiários.
A vivência de cada dia se põe diante
de nossos olhos, vivendo que estamos num regime dito democrático, uma
interminável série de motivos de descrédito e de frustração.
Ressalta desde logo a desconexão da
atuação governamental, a anteposição de grupos contraditórios dentro da mesma
estrutura publica, a confusão das ideias e das diretrizes adotadas nos vários
órgãos de governo, ou mesmo entre os poderes, criando-se a instabilidade e o
desajuste social.
Os casos de corrupção se sucedem e,
ainda que se possa admitir que seriam aqui e ali inevitáveis, é inaceitável sua
quase institucionalização nos mais variados extratos de manuseio da coisa
publica.
Outro aspecto ameaçador é o risco
permanente de se recair numa ditadura. A História apresenta vários casos de
acesso ao poder pelo voto popular, sem a existência de um substractum garantidor da índole nacional.
No Brasil tivemos recentemente esse
caso estarrecedor de um presidente da republica vir a sofrer impedimento,
acobertado embora pela enorme acolhida que tivera dos seus eleitores.
Cabe a pergunta: Onde está o erro?
Onde fica a valorização da vida nacional?
E o atendimento as necessidades
essenciais das pessoas e das famílias? Onde está isso equacionado nessa
conceituação democrática meramente eleitoreira?
Nos tempos de hoje a palavra
democracia está assim totalmente desvirtuada, o mesmo acontecendo com a palavra
amor, com a palavra liberdade, com a expressão realizar-se na vida. Por
liberdade, essa valiosa e imprescindível faculdade humana, entende-se muitas
vezes por liberalidade, fazer-se o que bem se entenda, sem observar os
princípios éticos ou valorativos da pessoa humana.
E amor? Já não é a doação em
beneficio do amado, o querer bem mesmo com sacrifício, mas o exercício do
egoísmo e do prazer.
Jovens que manifestam desejo de
alcançar plena realização em suas vidas, não se perguntam a razão de sua
existência, mas olham apenas a posse de bens e a conquista de fama e poder.
Plínio Salgado, com seu gênio, suas
meditações e estudos, com sua experiência e acuidade política, percebeu que era
preciso propor uma democracia que correspondesse aos verdadeiros anseios
humanos, uma democracia que servisse ao homem, de dignificá-lo, em vez de
minimiza-lo, de engana-lo.
Era preciso começar pela pergunta: o
que é o Homem?
Em sua obra O Conceito Cristão de
Democracia, condensando o que proclamou em tantas outras oportunidades, Plínio
apresenta o tema de forma lapidar.
O primeiro ponto fundamental é este
questionamento básico: o homem é pura matéria, escravizado às leis
determinísticas da natureza, sem perspectiva de vida transcendente? Ou
admite-se que tenha alma imortal e tenha recebido potencialidades espirituais,
como o livre-arbítrio, a dignidade de filho de Deus, a capacidade para o
exercício das virtudes?
O materialismo (ou seja, a negação de
Deus) e o agnosticismo (correspondendo à indiferença perante o problema da
existência ou não de Deus) constituem opções aceitas consciente ou
inconscientemente, em oposição à concepção espiritualista da vida e do mundo.
Afastada a ideia de Deus, o Homem se
preocupou no século XIX, e em grande parte do nosso século, com a crença do que
a Ciência, a grande conquista humana, resolveria todos os problemas da
humanidade. Esse mito científico, cujo perigo alguns pensadores já haviam
pressentido, encontra em Plínio Salgado um critico esclarecido.
Negada a existência de Deus e a
imortalidade da alma, resta para o homem seu destino biológico. Subordinado às
leis da matéria, destrói-se a noção de livre-arbítrio e, por conseguinte, o
senso de responsabilidade. Fica valendo apenas o usufruto de todos os bens
possíveis.
Instala-se uma grande contradição no
mundo materialista. Pretensos reformadores da sociedade usam suas ideias e
ideologias que, em última análise, são frutos de livre escolha, logo valores do
espírito, para pretenderem impor
estruturas e soluções materialistas, logicamente desprovidas de
espiritualidade!
Bem assevera Plínio Salgado: “Antes,
entre a virtude e o pecado, o homem podia escolher livremente, e a isso
chamavam escravidão; agora, o homem deve conformar-se com a fatalidade das condições
inerentes à sua estrutura física e aos desígnios da espécie, e a isso chamam
liberdade”.
Não é de se admirar, portanto, que,
junto com o atual procedimento que se conhece como democracia, em todos os
países onde ela é assim praticada, se instaure paralelamente o economicismo, o pansexualismo,
a indisciplina, a injustiça social e a queda dos valores morais na sociedade.
Essa decadência progressiva dos
valores humanos vai se processando sutilmente, não oferecendo luta aberta ao
sentimento religioso, mas criando uma rede de dificuldades a que ele se
desenvolva, propondo um conformismo perante a mecânica avassaladora do
determinismo materialista. A pregação da transigência, do pluralismo e do
modernismo, mal formulados, conduzem as mentes para o desbotamento continuado
dos valores do Espírito.
Tivemos recentemente e a queda do
muro de Berlim, o desmoronamento do império do materialismo declarado, e a
euforia de que teremos uma era de democracia salvadora. Porém, Plínio Salgado,
muito ante, já havia alertado: “Considero o materialismo nietzschiano e o
marxista menos perigosos do que o agnosticismo, pois o verdadeiro materialista
não é o que nega, mas o que não afirma nem nega. Aquele que nega persegue-nos,
odeia-nos e mata nosso corpo; mas aquele que não nega nem afirma oferece-nos a
paz e mata nossa alma”.
A organização harmônica da sociedade
não dispensa a existência de um clima de elevação da alma que forneça padrões
para o funcionamento adequado da estrutura social. Por isso insistiu tanto
Plínio Salgado no estabelecimento de princípios que pudessem dar geração a
programas de desenvolvimento e aperfeiçoamento social.
A verdadeira democracia, essa que
possa ter realmente soluções para os problemas do homem e da sociedade, só pode
ser decorrente de uma concepção de vida e da propugnação pela dignidade do
Homem. “Qualquer sistema que seja provindo da vontade da multidão inconstante,
da massa e não do povo, será joguete fácil nas mãos de quem quer explore seus
instintos e impressões...” (Pio XII, citado por Plínio Salgado).
No mundo de hoje, diante da
ocorrência do fenômeno da secularização, alastrou-se um processo, a ser
revertido, que procura rejeitar sistematicamente o sentimento religioso na
organização social, qualquer que seja a confiança de fé, notadamente a cristã,
fundamento de nossa nacionalidade. A primeira consequência é que as normas
éticas passam a ser meros dispositivos eventuais, estabelecidas pela moda,
sejam legais, contratuais ou meramente formais. Perde-se toda a força da
convicção e da motivação de natureza superior. Ora, a verdadeira moral só tem
sentido se for muito mais que uma convenção ou uma ideologia, tem que ser algo
vinculado substancialmente à natureza transcendente do Homem, ao sentido de sua
vida que lhe deu o Criador.
Pela aceitação do materialismo prático
(que pode ser, também, ter religião, mas não cumprir o que dizem professar), cabem
todas as atitudes que levam às ambições e à prevalência dos instintos. No
entanto, - o que vemos? -, muitos professores em suas cátedras, jornalistas em
seus órgãos de comunicação, próceres políticos em seus pronunciamentos se
envergonharem de testemunhar sua fé em Deus e, mais do que isso, de dar consequência
efetiva, na atuação publica, de sua crença no destino eterno. E se policiam para
não incorrerem no que consideram um erro: “onde já se viu misturar Deus com
Política?” Seria, segundo eles, politicamente incorreto.
O resultado é a ocorrência acentuada
das mazelas sociais, já que se subtrai o fundamento básico da própria existência
humana. Constrói-se uma democracia para um outro ser humano, não esse que Deus
criou, e a quem deus tantas potencialidades e um destino transcendente.
Como, entretanto, o sentimento do
eterno é inato no Homem, diante dessas imposições da mentalidade reinante, só
restam duas saídas: ou considerar a religião como algo de exclusivo foro íntimo
que não deve ser levada em conta no plano político, ou, para enganar a
consciência, adotar um agnosticismo vago, eivado de superstição, fantasia e
misticismo inconsequente.
Isso para não falar dos que usam a
religião em proveito próprio nas vésperas das eleições.
Não se aceitando a verdade provinda
da Revelação Cristã, aplicando-a a realidade social, é mister adotar outro critério
de certo ou errado. A democracia materialista aceita a regra da maioria. O
maior número de votos tem prevalência sobre a verdade, ou melhor, passa a ser a
verdade. Se a maioria votar que a soma dos quadrados dos catetos não é o
quadrado da hipotenusa, isso passa a ser o correto. Assim por maioria se
aprovam leis e procedimentos contrários à dignidade humana, à moral pública, e
até contra a vida.
Os métodos democráticos devem ser um
meio para o serviço do ser humano. Se, pelo contrario, a democracia for
considerada com um fim, “em nada é diferente do conceito do Estado Totalitário,
pois não vejo”, diz Plínio, “nenhuma diferença nessas duas atitudes: a de
considerar o Estado tendo finalidade em si mesmo, ou considerar a democracia
como fim em si própria”.
O primeiro passo essencial para uma
verdadeira democracia é, portanto, estabelecer-se a que Homem essa democracia
vai servir. O Homem (e, por conseguinte a Mulher, pois me refiro à Espécie
Humana) é criado por Deus, à sua imagem e semelhança. Foi redimido pelo próprio
Deus, por meio de Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade, numa
demonstração infinita de amor. É dotado de livra arbítrio e tem deveres
inalienáveis estabelecidos pelo próprio Deus, donde decorrem direitos que lhe
asseguram uma dignidade própria e indeclinável. Seus direitos e deveres estão
acima dos ditames da ONU, ou qualquer estatuto jurídico, mas decorrem, como
ensina Plínio Salgado, do próprio decálogo, ou seja, dos Mandamentos da lei de
Deus. Ali está o respeito à vida, à propriedade, ao elevado relacionamento, à
valorização do semelhante, à dignidade das pessoas, à preservação da Fé. Esses
deveres e direitos não dependem de votações, das maiorias ou da aprovação de
dignitários de nações.
Como a formação humana requer,
necessariamente, um ambiente propício para desabrochar sua personalidade em
clima de aconchego, ternura e compreensão, onde recebe os fundamentos de sua
educação para a vida, a Família passa a ser um grupo social inerente à própria
natureza humana e, portanto, anterior a qualquer prescrição legal ou política.
Assim, toda a estrutura social, que não der atenção especial à Família, atenta
gravemente contra a própria finalidade da estruturação da sociedade humana.
Em decorrência dessa condição, de
dignidade própria, e de apoio familiar, é que se devem estabelecer os
divulgados, porém nem sempre atendidos, direitos ao trabalho, à habitação, à
educação, à alimentação, à justiça etc.
Acrescente-se que o ser humano é
também um ser gregário, isto é, que vive em sociedade: organiza-se naturalmente
em grupos que lhe dão suporte e motivação vivencial. Há então grupos naturais,
como o grupo de pessoas que exercem a mesma profissão, de pessoas que pugnam
pela mesma ideia política, e assim por diante. A valorização desses grupos é
igualmente anterior a qualquer princípio governamental.
Por falar em governamental, é preciso
determo-nos no que vem a ser Governo, bem como o que vem a ser Estado. Plínio
sempre insistiu em bem caracterizar esses dois conceitos diferentes e tantas
vezes misturados.
Obtida historicamente a consciência
de formação de uma Nação, quando um povo se sente diferenciado em relação a
outros e unido por propósitos e sentimentos semelhantes entre si, surge um novo
Estado, isto é, a consciência do objetivo comum, e sua defesa, dentro de um
quadro de admissão da mesma concepção do homem, do mundo, da sociedade.
Ressaltam as peculiaridades do que conjuntamente se aceitam, como que no
estabelecimento de uma síntese doutrinaria. Sem isso a Nação não se identifica
como tal.
Já o Governo é uma consequência do
Estado, que lhe é anterior. O Governo existe para dar presença física e
coordenação às atividades compatíveis com as características do Estado. Exceção
feita às monarquias hereditárias, cabe aí a escolha orgânica, pelos cidadãos,
dos dirigentes que darão personificação à autoridade do Estado.
Fica, portanto, plenamente
justificado que o exercício da democracia, no sentido de escolha dos dirigentes
pelos cidadãos, é processo dependente e posterior ao planeamento de premissas
básicas, estabelecidas de forma a corresponder à natureza humana e às
peculiaridades da Nação e do Estado. Nenhuma democracia pode ser considerada
legitima se pretender atentar contra essas premissas, ainda que lastreada em
milhões de votos de apoio.
Mas – pergunta-se – como pode ter
havido eventualmente milhões de votos contra a própria consciência nacional?
Podem os votos contrariar a índole de
uma nação?
Povo é o conjunto das pessoas
conscientes de suas responsabilidades, agindo de acordo com suas convicções,
comungando do sentimento nacional e expressando livremente seus anseios e
esperanças.
Por outro lado, massa é a multidão
momentaneamente conduzida a uma situação emocional, joguete fácil, como disse
Pio XII, nas mãos de quem quer que explore seus instintos e impressões.
Várias vezes insiste Plínio nessas
duas realidades. E isso porque é preciso haver mecanismos adequados para que,
na democracia, se consulte o povo e não a massa.
Certamente não é povo a imensa
multidão que se manifesta eleitoralmente por se ter empanturrado com um
churrasco ou ter sido conquistada pela “gentileza” de uma condução para
comparecer às urnas. Não resta duvida de que não é povo, o conjunto de
desorientados votantes que, sem juízo formado, e diante de uma situação
psicologicamente constrangedora, aceitam candidatos sobre os quais não possuem
nenhuma informação confiável. Não é igualmente parte do povo, mas peça da
massa, aquele que dá apoio político em troca de um interesse mesquinho ou de
uma sugestão coletiva.
Esse é o grande problema, a que pouco
se têm dedicado os propositores de sistemas políticos, e que, no entanto, foi a
grande preocupação do grande pensador e político Plínio Salgado. Enveredou
corretamente pelo insano trabalho de criar uma nova mentalidade de elevação
espiritual, de responsabilidade social, de amor à Pátria, de renovação ética,
de mística nacional. Propôs um corpo de doutrina, em que, valorizando o homem
integral, tirava as consequências para a família, o trabalho, a propriedade, o
município, a nação, o relacionamento internacional. Com isso, ficam fixadas as
fontes geradoras de programas que se poderiam aplicar em cada circunstancia.
Plínio, conhecendo a psicologia do
povo, serviu-se, no tempo da Ação Integralista Brasileira, de métodos de
aparência externa, para motivação e convencimento popular. Essa aparência
exterior, que se revelou eficaz no erguimento entusiasmado de milhões de brasileiros,
era, porém, usada, de forma semelhante, por países europeus que eram ou se
tornaram totalitários e guerreiros – postulando, portanto, doutrinas
inteiramente divergentes do ensinamento de Plínio Salgado -, o que levou grave
prejuízo ao trabalho realizado. A isso, se conjugou a implacável perseguição
política da ocasião e, principalmente, a deformação das ideias propostas, por
meio de uma desinformação conduzida.
Mais tarde, na retomada do imenso
empenho em favor do Brasil e em outra configuração política da Nação, Plínio
propôs a criação da Câmara Orgânica, um órgão técnico de assessoramento às
outras casas do Congresso, com iniciativa de propor projetos de Lei. Esta
Câmara seria composta por representantes diretos das categorias econômicas e
culturais da nação, aperfeiçoando assim a mais sadia representatividade dos
grupos naturais nos destinos do Brasil. Seria uma eleição indireta, de forma a
evitar o voto inconsciente, pois as escolhas seriam feitas dentro de grupos que
conheciam a atuação das pessoas mais categorizadas para atuarem plano
legislativo. A rigor, essas organizações culturais e econômicas já existem, mas
estão marginalizadas no processo legislativo, ou, quando endinheiradas, se
transformam em grupos de pressão, sem o contrapeso de uma visão integrada dos
problemas nacionais.
Toda essa cosmovisão, de Deus, do
Homem, da Democracia, da legitima representatividade, ainda não encontrou a
oportunidade propicia para novamente empolgar a nação.
Louvo os poderes Executivo e
Legislativo de São Bento do Sapucaí pela iniciativa desta comemoração,
lembrando um dos brasileiros mais ilustres, e filho desta terra abençoada. Com
este evento de hoje, se está aqui levando a efeito um passo importante na
educação de democracia e de brasilidade. Daqui poderá ressurgir, um dia, a
grande marcha do futuro.
Diz Plínio Salgado em O Ritmo da
Historia: “A manutenção de todas essas expressões de liberdade humana exige
virtudes dos cidadãos. Essas virtudes são as que se contrapõe às leis do
instinto, que é injusto e cruel. Cumpre, pois, como único meio de realizar-se o
regime democrático, uma larga e profunda obra de educação para a Democracia”.
Deus, porem, dirige os destinos dos
povos e, se essa for sua soberana vontade, saberá prover condições para que os
brasileiros, que sonham com a Grande Pátria, há tenham um dia luminosa e feliz.
(Este trabalho, por razões de saúde de seu Autor, foi lido
por Gumercindo Rocha Dorea, no início das Comemorações do Centenário de Plínio
Salgado, em 21 de Janeiro de 1995, no Espaço Cultural “Plínio Salgado”, em São
Bento do Sapucaí - SP).
Publicado
originalmente nos “Anais do Centenário e
da Segunda Semana Plínio Salgado”.
São Paulo/São Bento do Sapucaí: Edições GRD/Espaço Cultural Plínio Salgado,
1996.
* ∑. Euro Brandão
(1924 – 2000). Foi engenheiro, professor, Magnífico Reitor da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná e Ministro da Educação.
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